A grande maioria dos europeus acredita que o clima está a mudar, mas não se preocupa muito com o tema, revela o mais recente inquérito europeu sobre o tema, que destaca os portugueses como os mais preocupados.

O inquérito (European Social Survey), realizado pela Universidade de Londres, mostra que, ainda que conscientes das consequências negativas das alterações climáticas, muitos são os europeus que sentem uma responsabilidade moderada no que diz respeito à redução da sua pegada ambiental, considerando que os esforços individuais não serão muito eficazes.

“Era da negação está a chegar ao fim”

A ideia é consensual entre os 44.387 inquiridos, de 23 países: o clima está a mudar. E isso deve-se sobretudo à atividade humana. Ainda assim, pouco mais de um quarto (28%) dos europeus diz estar muito ou extremamente preocupados com as alterações climáticas.

Portugal destaca-se. Por cá, a preocupação é mais elevada (51%), partilhada pelos vizinhos espanhóis (48%). Um problema que, no entanto, não tira o sono aos russos (14%), polacos (15%) e cidadãos da Estónia (15%).

“Os últimos dados mostram claramente um forte consenso no sentido de que as alterações climáticas estão a acontecer, sugerindo que a era da negação está a chegar ao fim”, explica Rory Fitzgerald, diretor do European Social Survey.

“Ainda são muitos os que não aceitam o consenso científico de que a causa do aquecimento global é quase inteiramente impulsionada pela atividade humana, o que sugere que os cientistas precisam de fazer muito mais para transmitir a sua mensagem.”

Acesso à energia mais preocupante

Talvez sem surpresa, os inquiridos revelaram uma preocupação mais acentuada com a acessibilidade da energia. Ao todo, 40% dos europeus estão, neste caso, muito ou extremamente preocupados.

Mais uma vez, e aqui depois de Espanha, esta é uma preocupação particularmente generalizada em Portugal (68%).

Mas apesar de preocupados, os europeus não consideram que deve ser sua a responsabilidade de mudar a situação. Numa escala de 0 a 10 (onde 0 representa nenhuma responsabilidade e 10 significa uma grande responsabilidade), a pontuação média ficou apenas ligeiramente acima dos cinco pontos.

Os sentimentos de responsabilidade pessoal para mitigar as mudanças no clima foram superiores em França (com uma pontuação média de 6,9 ​​na escala) e inferiores na República Checa e na Rússia (ambos com uma pontuação média inferior a quatro).

“Os entrevistados dos países europeus incluídos no nosso inquérito estão inclinados a pensar que é pouco o que podem fazer, a um nível pessoal, para mitigar a alteração climática e não esperam que outros no mundo ou até os governos tomem medidas efetivas”, refere Rory Fitzgerald.

“Isto é claramente preocupante e sugere que os governos e os cientistas precisam de assumir a liderança para demonstrar que a ação efetiva é possível, assim como mostrar como o público pode desempenhar o seu papel de forma significativa”, acrescenta.