Há uma forma de reduzir significativamente a propagação de muitas doenças infecciosas, como o coronavírus e travar epidemias. E é simples: basta melhorar as taxas de lavagem das mãos pelos viajantes que passam por apenas 10 dos principais aeroportos do mundo.

A afirmação é feita pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), que não tem dúvidas: quanto maior a melhoria nos hábitos de lavagem das mãos das pessoas nos aeroportos, mais dramático será o efeito sobre a forma como se espalha a doença.

O trabalho foi publicado em dezembro, antes ainda da ‘explosão’ do coronavírus, mas os autores do estudo garantem que os seus resultados podem aplicar-se a qualquer doença, sendo relevantes também para o surto atual.

Baseado em modelos epidemiológicos e simulações baseadas em dados, o trabalho confirma a falta de empenho das pessoas em geral a lavar as mãos, mesmo em locais movimentados, como é o caso dos aeroportos, onde passageiros de diferentes origens tocam nas superfícies, como apoios de braços de cadeiras, máquinas de check-in, bandejas dos pontos de verificação de segurança, maçanetas e torneiras nas casas de banho.

Com base nos dados disponíveis, os especialistas estimam que, em média, apenas 20% das pessoas nos aeroportos têm mãos limpas, ou seja, que as suas mãos foram lavadas com água e sabão por pelo menos 15 segundos.

Contas feitas, isso significa que os restantes 80% estão potencialmente a contaminar tudo aquilo em que tocam, explica Christos Nicolaides, especialista da Universidade do Chipre e bolseiro no MIT.

“Setenta por cento das pessoas que vão ao WC lavam as mãos”, refere. “Os outros 30% não. E dos que o fazem, apenas 50% fazem-no de forma certa.”

Os restantes limitam-se a enxaguar brevemente com água, em vez de usar água e sabão e fazer a lavagem recomendada de 15 a 20 segundos. Este número, combinado com as estimativas de exposição a muitas superfícies potencialmente contaminadas com as quais as pessoas entram em contacto num aeroporto, leva à estimativa da equipa de que apenas cerca de 20% dos viajantes num aeroporto têm as mãos limpas.

O impacto da higiene nas epidemias

Melhorar a lavagem das mãos em todos os aeroportos do mundo para triplicar essa taxa, ou seja, para que 60% dos viajantes tenham as mãos limpas, terá um grande impacto, retardando potencialmente a propagação de doenças globais e epidemias em quase 70%.

A implantação de tais medidas em muitos aeroportos e a obtenção de um nível tão alto de conformidade pode ser impraticável, mas o novo estudo sugere que uma redução significativa na propagação de doenças ainda pode ser alcançada escolhendo apenas os 10 aeroportos mais significativos, com base na localização inicial de um surto viral.

Concentrar as mensagens de lavagem das mãos nesses 10 aeroportos pode potencialmente retardar a propagação da doença em até 37%.

Mas até mesmo pequenas melhorias na higiene podem ter um impacto visível. Aumentar em apenas 10% a prevalência de mãos limpas em todos os aeroportos do mundo, algo que acreditam poder ser feito através da partilha de informação, pode diminuir a taxa global de propagação de uma doença em cerca de 24%.

“Provocar um aumento na higiene das mãos é um desafio”, refere o especialista.

“As novas abordagens em educação, consciencialização e estímulos nas redes sociais provaram ser eficazes no envolvimento com a lavagem das mãos.”

Para melhorar esta adesão à lavagem das mãos, Nicolaides considera importante ter lavatórios disponíveis em vários locais, sobretudo fora das casas de banho, onde as superfícies tendem a ser altamente contaminadas.