portugueses não lavam os dentes

Cerca de um terço dos portugueses não escova os dentes como devia

Por | Saúde Oral

Mais de um terço dos portugueses (35%) não cumpre as recomendações de escovagem dos dentes, cuidados que são determinantes para manter não só os dentes, mas a própria saúde, já que esta prática simples contribui para reduzir o risco de doenças orais e para a saúde geral e qualidade de vida de cada um.

Os dados são do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e resultam de um inquérito feito pelo seu Departamento de Epidemiologia, que teve como objetivo descrever a prevalência de hábitos de higiene oral na população portuguesa em 2015.

Através dos dados do primeiro Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico é possível concluir que 65% da população adulta portuguesa (entre os 25 e os 74 anos) escova os dentes pelo menos duas vezes ao dia, uma delas antes de dormir.

São as mulheres as que mais se preocupam, revela a mesma fonte (75,1% contra 53,9% no caso dos homens), assim como as pessoas que residem em áreas urbanas e com um nível de instrução mais elevado.

Escovagem duas vezes por dia: a receita para uma boca saudável

As recomendações da Direção-Geral da Saúde são simples: os dentes devem ser escovados pelo menos duas vezes ao dia, sendo uma destas antes de dormir.

É essencial que a pasta de dentes tenha flúor na sua composição (1000-1500 ppm), uma vez que este ajuda a remover a placa bacteriana (conjunto de bactérias, saliva e restos de alimentos), ao mesmo tempo que promove a remineralização dos dentes, tornando-os mais resistentes.

No que diz respeito à duração, os dentes devem ser escovados durante dois a três minutos. 

A escolha da escova de dentes nem sempre é fácil, tendo em conta a variedade da oferta. Aqui, recomenda-se que o tamanho deve ser adequado à boca de quem a utiliza, com uma textura macia ou média, que deve ser substituída quando os pelos começam  a ficar deformados, o que acontece, por norma, de três em três meses.

diferenças no cérebro entre os que se deitam e levantam tarde

Se é dos que se deitam e levantam tarde, saiba que o seu cérebro o pode estar a tramar

Por | Bem-estar

Parece uma coisa que as mães ou avós diriam, mas deitar cedo e cedo erguer tem as suas vantagens. A ciência confirma que as corujas, ou seja, aqueles que acordam mais tarde, têm diferenças fundamentais nas funções realizadas pelo cérebro, quando comprados com os madrugadores. Até aqui tudo bem, não fosse o facto de esta prática poder ser impeditiva de um dia normal de trabalho.

A investigação, liderada por especialistas da Universidade de Birmingham, Universidade de Surrey e Universidade de Campinas, no Brasil, confirma que aqueles cujo relógio interno convida a ir mais tarde para a cama, com um despertar também mais tardio (os que em média se deitam às 2h30 e se levantam às 10h15) têm uma conectividade cerebral em repouso mais baixa em muitas das regiões do cérebro associadas à manutenção da consciência.

E o que é que isto significa? Menor atenção, reações mais lentas e aumento da sonolência ao longo das horas de um dia de trabalho típico.

Pior desempenho pode ter explicação científica

Elise Facer-Childs, autora principal do estudo e investigadora do Centro para a Saúde do Cérebro Humano da Universidade de Birmingham, acredita que “um grande número de pessoas tem dificuldades em oferecer melhores desempenhos no trabalho ou na escola porque os horários não lhes são naturalmente adequados”.

E fala, por isso, na necessidade de “aumentar a nossa compreensão sobre estas questões, para minimizar os riscos para a saúde na sociedade, assim como maximizar a produtividade”.

O estudo, publicado na revista SLEEP, investigou a função cerebral em repouso e a sua associação às habilidades cognitivas em 38 pessoas, identificados como ‘corujas noturnas’ ou ‘cotovias matinais’.

Os voluntários foram submetidos a exames de ressonância magnética, seguidos de uma série de tarefas, com sessões de testes realizadas em horários muito diferentes durante o dia, das 8h00 às 20h00. Foram também solicitados a relatar seus níveis de sonolência.

Tramados pelo relógio biológico

Os voluntários identificados como cotovias relataram menor sonolência e tiveram um tempo de reação mais rápido durante os testes matinais, que foi significativamente melhor do que os noctívagos.

No entanto, o estudo mostra que os noctívagos eram menos sonolentos e tinham o seu tempo de reação mais rápido às oito da noite, embora isso não fosse significativamente melhor do que as cotovias, destacando que as corujas noturnas são as mais desfavorecidas pela manhã.

Curiosamente, a conectividade do cérebro nas regiões que poderiam prever melhor desempenho e menor sonolência foi significativamente maior nas cotovias em todos os momentos, sugerindo que a conectividade do cérebro em repouso das corujas noturnas é prejudicada ao longo de todo o dia (8h-20h).

“Este descompasso entre o tempo biológico e social de uma pessoa – que a maioria de nós experimentou na forma de jet lag – é um problema comum para os noctívagos que tentam ter um dia normal de trabalho”, refere Elise Facer-Childs.

“O nosso estudo é o primeiro a mostrar um potencial mecanismo neuronal intrínseco por detrás do porquê das corujas enfrentarem desvantagens cognitivas quando forçadas a ajustarem-se a essas restrições”, acrescenta. “Para gerir isto, precisamos de ter em conta o relógio corporal de um indivíduo, principalmente no mundo do trabalho.”

Segundo a especialista, “um dia típico pode ir das 9h00 às 17h00 mas, para uma coruja, isso pode resultar num desempenho diminuído durante a manhã, conectividade cerebral mais baixa em regiões ligadas à consciência e aumento da sonolência diurna”.

“Se, enquanto sociedade, pudéssemos ser mais flexíveis na forma como administramos o tempo, poderíamos percorrer um caminho para maximizar a produtividade e minimizar os riscos para a saúde.”

cancro infantil em debate

Dúvidas e preocupações das famílias de crianças com cancro em debate

Por | Cancro

Que mitos e verdades estão associados à alimentação e ao cancro quando se trata das crianças? São realmente as escolas inclusivas para os mais pequenos com um diagnóstico de cancro? Como se encontra a investigação em oncologia pediátrica? Estas serão algumas questões em debate no 5º Seminário de Oncologia Pediátrica, que se realiza a 16 de fevereiro, no IPO do Porto.

O encontro, uma iniciativa da Fundação Rui Osório de Castro (FROC) e que recebeu o Alto Patrocínio de sua Excelência o Presidente da República, pretende desmistificar perceções erradas, como aquelas que estão associadas à alimentação, refere Cristina Potier, diretora-geral da FROC.

“Existem muitos mitos à volta da alimentação… muitas propostas ‘milagrosas’. A alimentação é fundamental como complemento ao tratamento e não como substituição. Também queremos falar aqui sobre a importância de uma alimentação saudável, mesmo no pós-tratamento, para o bem-estar e também como prevenção do cancro no adulto.”

Escolas inclusivas apenas no papel?

A escola inclusiva estará também em debate, depois de, em 2017, ter saído uma portaria que pretendia regulamentar “o procedimento a adotar para a concessão das medidas educativas especiais [para a criança com doença oncológica], assim como as condições para beneficiar das mesmas e o regime da sua implementação e acompanhamento”.

Saber se estas medidas estão efetivamente a ser cumpridas é um dos objetivos da discussão do tema no seminário, isto porque, adianta a diretora-geral da FROC, “até aqui, o que se sentia é que esta resposta dependia de escola para escola, de professor para professor e isto não podia ser”.

Investigação ainda escassa

A promoção da investigação em oncologia pediátrica, escassa não só no nosso país, mas também lá fora, é parte integrante da missão da FROC e um dos temas que será levado também a debate.

Esta é uma realidade que ainda não está enraizada, nem mesmo junto dos familiares da criança com cancro. “A preocupação dos pais é garantir que, de facto, o tratamento que o médico prescreveu é o melhor para o seu filho. Se existe investigação, não é para a maioria uma prioridade.”

Sobre os tratamentos, Cristina Potier aproveita para tranquilizar os pais e garantir que, “em Portugal, existem tratamentos de excelência e que se porventura o médico considerar que existe um tratamento mais adequado para a criança fora do País, esta será encaminhada”.

Falar dos pais e restantes familiares, sobretudo daqueles que têm o papel de cuidador da criança com cancro é também importante e, por isso, um dos temas escolhidos, isto porque “um pai ou uma mãe com uma criança doente esquece-se, na grande maioria das vezes, de si próprio e é preciso que entendam a importância do seu bem-estar para melhor poderem apoiar o seu filho/a”.

Dar respostas às questões dos pais

De ano para ano, a escolha dos temas tem em conta o feedback recolhido durante estes seminários e os contactos que a FROC vai recebendo.

“Pontualmente somos contactados por pais, com questões sobretudo ligadas a possíveis causas, tratamentos e apoios existentes. Mas recebemos também muitos desabafos, onde o desespero e impotência é muitas vezes sentido”, afirma a diretora-geral da FROC, que considera, por isso, ser fundamental organizar este tipo de eventos pelo País.

“As três primeiras edições deste seminário realizaram-se em Lisboa, em 2018 em Coimbra e agora em 2019 no Porto. Queremos desta forma dar oportunidade às famílias de outras zonas do País de participarem neste seminário, procurando em cada um dos painéis ter profissionais que esclareçam e também testemunhos de quem, por experiência, sabe do que fala.”

Para Cristina Potier “este é um momento em que realmente percebemos o que preocupa os familiares destas crianças, sendo um evento dirigido sobretudo a estes, mas também aberto a todos os que acompanham ou acompanharam esta realidade no seu dia a dia – sobreviventes e suas famílias, voluntários, estudantes e profissionais de Oncologia Pediátrica – que, com a sua experiência, em muito enriquecem esta partilha de informação, acabando por ser um ponto de encontro único no ano em que todas as partes de juntam para debater um tema que interessa a todos”.

No decorrer do seminário será ainda entregue o prémio no valor de 15.000€ ao vencedor da 3ª edição do Prémio Rui Osório de Castro/Millennium BCP, que apoia projetos que promovam a melhoria dos cuidados prestados a crianças com doença oncológica.

medo pode afastar do rastreio do cancro do colo do útero

Vergonha pode afastar as mulheres do rastreio do cancro do colo do útero

Por | Cancro

Os estigmas sociais e os mitos à volta do vírus do papiloma humano (HPV) podem deixar as mulheres ansiosas, levá-las a colocar em causa a fidelidade dos parceiros e colocá-las fora do rastreio do cancro do colo do útero, revela um inquérito apresentado na Early Diagnosis Conference, em Birmingham.

Realizado junto de mais de 2.000 mulheres do Jo’s Cervical Cancer Trust, os dados mostram que os estigmas associados ao HPV incluem vergonha, medo e promiscuidade.

Quase 40% das inquiridas revelaram preocupação com aquilo que as pessoas pensam deles se dissessem que tinham HPV e mais de 40% confessam sentirem-se preocupadas com o facto do seu parceiro ter sido infiel.

Sete em cada dez mulheres admitem medo de saber que têm HPV e dois terços preocupam-se que isso se traduza em cancro.

Informações erradas e desconhecimento

Os resultados permitem concluir que muitas mulheres não entendem o vínculo entre o HPV e o cancro: uma em cada três não sabe que pode este vírus causar cancro do colo do útero e quase todas desconhecem que pode causar cancro da garganta ou da boca.

De acordo com os investigadores, apenas 15% das entrevistadas sabem que a infeção pelo HPV é frequente. De facto, oito em cada 10 mulheres têm alguma forma de infeção por HPV durante a sua vida, mas apenas muito poucas vão desenvolver tipos específicos de alto risco, que dão origem ao cancro.

Sara Hiom, uma das diretoras do Cancer Research UK, considera “preocupante que haja muitos mal-entendidos sobre o HPV. É um vírus muito comum e, na maior parte das vezes, fica inativo e não causa problemas”.

“O teste ao vírus é uma forma de melhor identificar as pessoas que podem ter alterações no colo do útero que, se não forem tratadas, podem transformar-se em cancro do colo do útero. Portanto, o rastreio do HPV é uma excelente forma de prevenir o desenvolvimento deste cancro.”

A especialista acrescenta ainda que “todas as mulheres têm a escolha de fazer o rastreio, mas acabar com os mitos e remover os estigmas à volta do HPV é vital para garantir que as pessoas se sintam mais confiantes para marcar consultas e ir aos rastreios do colo do útero”.

tecnologia para doença de Parkinson

Equipa nacional cria tecnologia inovadora para tratar doentes com Parkinson

Por | Atualidade

O aumento da rigidez muscular é um dos principais sintomas da doença de Parkinson, frequentemente tratada com um implante de estimulação cerebral profunda. É para facilitar este trabalho que um grupo de investigadores portugueses criou um dispositivo wireless vestível, que avalia a rigidez do pulso para dar apoio aos procedimentos neurocirúrgicos.

Já usado em pessoas com Parkinson, esta novidade pode vir a ser útil também em epilepsia ou noutras doenças do foro neurológico.

A estimulação cerebral profunda é feita com um implante, colocado durante uma cirurgia. São os médicos que, tendo em conta a rigidez do pulso, fazem a avaliação e decidem sobre qual a melhor posição para esse implante. 

Uma avaliação subjetiva, influenciada pela experiência e perceção dos especialistas, ainda que já existam alguns sistemas que ajudam a fornecer esses dados, mas que são, no entanto, complicados de configurar e impraticáveis para uso durante procedimentos cirúrgicos.

É aqui que entra esta novidade, uma tecnologia fácil de configurar e de utilizar pelos médicos durante uma cirurgia.

Novidade pode ajudar a avaliar impacto de novos medicamentos

Resultado da investigação do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), com o apoio do Hospital Universitário de São João, na área da Engenharia Biomédica, esta tecnologia tem já um pedido internacional de patente e acaba de dar origem a uma nova spin-off na área da saúde, a InSignals Neurotech.

Será esta a empresa que vai comercializar a novidade tecnológica, que pode vir a ajudar instituições farmacêuticas a monitorizar ou a avaliar o impacto de medicamentos novos ou aprovados na redução da rigidez durante os ensaios clínicos.

O interesse por parte de potenciais parceiros industriais tem sido grande, tanto que a empresa está a tentar celebrar alguns acordos de colaboração para aumentar o número de ensaios clínicos para testar as suas tecnologias em Portugal, Reino Unido e Alemanha.

Para João Paulo Cunha, docente na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e coordenador do Centro de Investigação em Engenharia Biomédica (C-BER) do INESC TEC, a empresa “vai funcionar como um forte veículo de inovação para consolidar as tecnologias relacionadas com o cérebro que os investigadores do INESC TEC têm vindo a desenvolver desde há vários anos com a Universidade do Porto”.

risco de novo enfarte é grande

Um em cada cinco doentes sofre novo evento cardíaco depois do enfarte

Por | Bem-estar

Há quem diga que a história nunca se repete. Mas para um em cada cinco doentes que sobreviveram ao internamento depois de um enfarte agudo do miocárdio, a história volta, de facto, a repetir-se. E em forma de um novo evento, que pode ser a morte cardiovascular, um enfarte ou um acidente vascular cerebral, algo que acontece nos 12 meses seguintes, apesar de todos os avanços no diagnóstico e tratamento.

Os números são partilhados por Sílvia Monteiro, cardiologista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e coordenadora da área dos Cuidados Intensivos Cardíacos da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, a propósito do Dia Nacional do Doente Coronário, que se assinala esta quinta-feira (14 de fevereiro).

“Vinte por cento dos doentes sem evidência de complicações cardiovasculares no primeiro ano, sofrem um novo evento nos três anos seguintes”, acrescenta a especialista, que o justifica com a presença de problemas como diabetes, doença renal crónica, doença arterial periférica ou doença aterosclerótica, associada a uma medicação que pode não ser adequada ou à falta de cuidados.

Daí o alerta para a importância “de uma abordagem estruturada e integrada de prevenção secundária, com uma colaboração estreita entre a cardiologia e a medicina geral e familiar no acompanhamento do doente depois do enfarte agudo do miocárdio”.

Tratamento adequado e até ao fim

Para evitar que a história se repita, o tratamento adequado é essencial. Aqui, a especialista chama a atenção para os antiagregantes plaquetares, que assumem “um papel fundamental no tratamento de fase aguda do enfarte e na prevenção da recorrência de eventos a longo prazo”.

E atenção: esta é uma medicação que deve ser feita pelo menos durante 12 meses. Até porque “a descontinuação ou suspensão prematura desta terapêutica constitui um fator de risco importante na recorrência do enfarte agudo do miocárdio”.

O papel do doente

Para o sucesso de qualquer tratamento, é importante que o doente assuma também o seu papel, não só a tratar o enfarte, como também a prevenir que se volte a repetir.

Isto implica respeitar a medicação prescrita e adotar um estilo de vida saudável, que passa pelo adeus ao tabaco, adoção de uma dieta equilibrada, prática de atividade física e controlo de fatores de risco, como a diabetes, pressão arterial e níveis de colesterol.

Segundo Sílvia Monteiro, é importante ainda gerir a ansiedade do doente face à probabilidade de um novo evento cardíaco. Para tal, “a informação e educação do doente coronário e das respetivas famílias é essencial”.

projeto quer alunos a lançar novo medicamento

Alunos desafiados a fazer lançamento de novo medicamento ultrassecreto

Por | Iniciativas

É um jogo. Mas um jogo que pretende capacitar, motivar e responsabilizar jovens com dificuldades no percurso escolar a escolherem as suas vocações profissionais. A brincar, a ‘Missão Inovar é Possível’ convida os alunos do 3º ciclo do ensino básico do curso de Educação e Formação de Jovens, da Escola D. João V, Amadora, a assumir a tarefa de lançar um novo medicamento ultrassecreto.

Os jovens, que têm um percurso escolar marcado pelo insucesso e desmotivação, encontram no jogo ‘Missão Inovar é Possível’ a oportunidade de vestir a pele de especialistas em vendas, marketing, produção, logística e outros departamentos, e fazer o lançamento bem-sucedido de um novo medicamento ultrassecreto, que promete melhorar a vida de muitos doentes.

Um projeto que conta com a chancela da EPIS – Empresários pela Inclusão Social e envolve vários recursos humanos da empresa Boehringer Ingelheim, que voluntariamente prestam mentoria aos alunos.

“Minimizar o insucesso e abandono escolar é o grande objetivo” desta missão, explica Vanessa Jacinto, Head of Market Access & Public Affairs da Boehringer Ingelheim, empresa que lançou o desafio.

“O projeto visa ensinar, através de um divertido business game, adaptado ao percurso escolar e à realidade social dos alunos a quem se dirige, as opções profissionais que eles têm pela frente, como funciona uma empresa e os desafios a que esta está sujeita no seu dia-a-dia.”

Reforçar as capacidades dos jovens

Neste processo, que visa realizar o lançamento de um novo medicamento, os jovens serão organizados em equipas e vão ter acesso a um conjunto de desafios que exigem a tomada de muitas decisões, em áreas como o Marketing, Logística, Vendas, entre outras.

Missões que vão ser apoiadas e orientadas por mentores, especialistas nas diferentes áreas.

Um projeto que pretende reforçar as capacidades dos jovens para a tomada de decisões, garantindo o seu crescimento enquanto pessoas e cidadãos.

Um objetivo tanto ou mais importante se tivermos em conta o contexto socioeconómico dos jovens a quem este projeto se dirige e pelo facto de se encontrarem no 9º ano de escolaridade, fase da vida onde terão que fazer escolhas com impacto no seu futuro. 

Nova forma de administrar insulina

Nova cápsula pode vir a substituir injeções de insulina

Por | Investigação & Inovação

E se, em vez das injeções de insulina que têm de levar todos os dias, os doentes com diabetes tipo 1 pudessem fazer a medicação de forma oral? Uma equipa de investigadores liderada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) criou uma cápsula que pode vir a tornar esta hipótese uma realidade.

Crédito: Felice Frankel

Do tamanho de um mirtilo, a cápsula contém uma pequena agulha feita de insulina comprimida, injetada depois desta chegar ao estômago. Nos testes feitos em animais, os investigadores revelaram que pode fornecer insulina suficiente para baixar o açúcar no sangue em níveis comparáveis ​​aos que são conseguidos pelas injeções dadas através da pele.

Também demonstraram que o dispositivo pode ser adaptado para fornecer outro tipo de medicação.

“Estamos realmente esperançosos que este novo tipo de cápsula possa, algum dia, ajudar os doentes com diabetes e talvez aqueles que precisem de terapêuticas que agora só podem ser administradas por injeção ou infusão”, afirma Robert Langer, membro do MIT. 

Uma agulha que injeta a insulina no estômago

Há alguns anos, Robert Langer e os colegas desenvolveram uma pílula, revestida com pequenas agulhas, que poderia ser usada para injetar medicação no revestimento do estômago ou do intestino delgado.

Esta nova cápsula é uma reformulação dessa ideia, sendo que, aqui, os investigadores alteraram o desenho, para que existisse apenas uma agulha, cuja ponta é feita de insulina 100% comprimida e liofilizada e cujo eixo, que não entra na parede do estômago, é feito de outro material biodegradável.

Dentro da cápsula, a agulha é presa a uma mola comprimida, mantida no lugar por um disco feito de açúcar. Quando a cápsula é engolida, a água no estômago dissolve o disco de açúcar, libertando a mola e injetando a agulha na parede do estômago.

Parede esta que, por não tem recetores de dor, os investigadores acreditam que os doentes não serão capazes de sentir a injeção.

Uma vez injetada, a insulina dissolve-se a um ritmo que pode ser controlado pelos investigadores. Neste estudo, demorou cerca de uma hora para que toda a insulina fosse totalmente libertada na corrente sanguínea.

Depois de libertar o seu conteúdo, a cápsula pode passar inofensivamente pelo sistema digestivo. 

Utilidade para outras doenças

Maria José Alonso, professora de biofarmacêutica e tecnologia farmacêutica da Universidade de Santiago de Compostela, em Espanha, descreve a nova cápsula como uma “tecnologia radicalmente nova”, capaz de beneficiar muitos doentes.

“Não estamos a falar de melhorias incrementais na absorção de insulina, que é o que a maioria dos investigadores no campo tem feito até agora”, refere.

“Esta é de longe a mais inovadora e impactante tecnologia inovadora divulgada até agora para a entrega de peptídeos orais.”

A equipa do MIT vai continuar o trabalho, até porque acredita que este tipo de medicamento pode ser útil para qualquer medicação proteica que necessite de ser injetada, como é o caso dos imunossupressores usados ​​para tratar a artrite reumatoide ou a doença inflamatória intestinal. 

“A nossa motivação é tornar mais fácil para os doentes tomarem medicamentos, especialmente medicamentos que requerem uma injeção”, diz Traverso. “O clássico é a insulina, mas existem muitos outros.”

ressaca com vinho e cerveja

Cerveja antes do vinho ou vice-versa: qual evita a ressaca?

Por | Investigação & Inovação

Beber cerveja antes do vinho ou vice-versa: qual é a receita para evitar a ressaca? É a ciência que dá a resposta, que promete não agradar a quem bebe: não importa a ordem. O que importa é que, se beber demais, vai sentir-se mal. 

Muitos são as que o sentem, aquele momento em que se percebe, da pior forma, que se devia ter bebida menos. Conhecida como ressaca, trata-se de uma resposta do organismo que pode reduzir a produtividade, prejudicar o desempenho, seja no trabalho ou nas aulas, e ser mesmo um risco para a realização de tarefas diárias, como conduzir ou operar máquinas pesadas.

Os seus sintomas surgem quando as concentrações de álcool no sangue acima do normal caem para zero. E, ainda que generalizado, cientificamente falando este fenómeno não é completamente compreendido, embora se acredite que as suas causas subjacentes incluam a desidratação, a resposta imunitário e distúrbios do metabolismo, assim como as hormonas.

Um olhar científica sobre as bebidas

Uma cura eficaz não existe, apesar das promessas em forma de receitas populares, que incluem um conselho: beber cerveja antes de vinho não causa ressaca.

Foi esta afirmação, presente em diferentes culturas, que motivou a investigação de um grupo de especialistas da Universidade Witten/Herdecke, na Alemanha, e Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que avaliou cientificamente se esta sabedoria consagrada pelo tempo realmente reduz ou não a ressaca.

Os resultados são publicados no American Journal of Clinical Nutrition, em forma de estudo, que contou com a participação de 90 voluntários com idade entre 19 e 40 anos, divididos em três grupos.

O primeiro consumiu cerca de dois litros e meio de cerveja, seguido de quatro grandes copos de vinho.

O segundo consumiu as mesmas quantidades de álcool, mas na ordem inversa.

O terceiro, que serviu de controlo, consumiu apenas cerveja ou vinho e nunca os dois.

Resultados contrariam crença popular

Questionados sobre o seu bem-estar em intervalos regulares, os participantes foram ainda solicitados a avaliar o seu nível percebido de embriaguez numa de 0 e 10. Antes da hora de dormir, todos receberam uma quantidade individualizada de água refrigerada adaptada ao seu peso corporal e todos foram mantidos sob supervisão médica durante a noite.

No dia seguinte, foram questionados sobre a sua ressaca e receberam uma pontuação de 0-56, com base em fatores como sede, fadiga, dor de cabeça, tonturas, náuseas, dor de estômago, frequência cardíaca aumentada e perda de apetite.

Resultado: nenhum dos três grupos tinha uma pontuação de ressaca significativamente diferente, ainda que as mulheres tendessem a ter uma ressaca pior que a dos homens.

Moral da história

“Não encontramos nenhuma verdade na ideia de que beber cerveja antes de vinho dá uma ressaca mais branda do que o contrário”, diz o primeiro autor do estudo, Jöran Köchling.

“A verdade é que beber muito, seja qual for a bebida alcoólica, pode ter como resultado a ressaca. A única forma confiável de prever o quanto se vai sentir infeliz no dia seguinte é a quantidade do que bebe e se está doente. Todos deveríamos prestar atenção a estas bandeiras vermelhas ao beber.”

Kai Hensel, investigador sénior da Universidade de Cambridge e outro dos autores do estudo, acrescenta que, “por mais desagradáveis ​​que sejam as ressacas, devemos lembrar que estas têm um benefício importante: são um sinal de alerta e certamente ajudaram os humanos ao longo dos tempos a mudar o seu comportamento futuro. Por outras palavras, podem ajudar-nos a aprender com os nossos erros”.

fãs de futebol com mais saúde

Programa inovador aproveita lealdade dos adeptos de futebol para lhes melhorar a saúde

Por | Bem-estar

Há adeptos que fazem tudo pelos seus clubes de futebol. Uma lealdade de que o EuroFIT, um programa inovador de saúde, se aproveitou, usando-a para atrair os fãs para um programa de mudança de estilo de vida que foi mais eficaz que qualquer outro já testado. E que contou com a participação de adeptos portugueses.

O European Fans in Training (EuroFIT) é então um programa, financiado pela União Europeia, que teve por base um estudo. Para este, foram recrutados 1.113 homens, entre os 30 e os 65 anos, adeptos de 15 clubes profissionais de futebol de Inglaterra, Holanda, Noruega e Portugal, sendo por cá adeptos dos SL Benfica, FC Porto, Sporting CP.

Resultado: melhorias importantes na dieta, peso, bem-estar, autoestima, vitalidade e vários outros marcadores associados à saúde, tal como confirmam os resultados do trabalho, publicados na revista científica PLOS Medicine

Doze semanas de ‘treinos’

Mas afinal como funciona este programa inovador? Tudo começa com os treinadores comunitários, que ‘convocavam’ os adeptos para 12 sessões semanais, realizadas nos estádios dos clubes de futebol envolvidos, com a duração de 90 minutos cada, que têm um objetivo: aumentar a atividade física, reduzir o tempo gasto sentado e melhorar a alimentação, de forma a conseguir uma mudança de longo prazo.

Com um novo dispositivo de bolso (SitFIT), desenvolvido para a EuroFIT, foi possível monitorizar o tempo gasto sentado e os passos diários, em tempo real, enquanto uma aplicação baseada em jogos incentivava o apoio social entre as sessões.

No ensaio clínico realizado, os homens foram divididos em dois grupos. Os do primeiro grupo realizaram imediatamente o programa EuroFIT, de 12 semanas. Aos elementos do segundo grupo, de comparação, foi solicitado que ficassem a aguardar.

Um ano depois, os participantes no EuroFIT davam, em média, 678 passos por dia a mais do que os elementos do grupo de comparação.

Tinham também melhorado a sua dieta alimentar, comendo mais frutas e verduras, menos gordura e menos açúcar e aumentado o seu bem-estar e a vitalidade.

Ainda assim, as tentativas para reduzir o tempo gasto sentado foram aquelas que menor sucesso tiveram: ao fim de um ano, os participantes não reduziram este indicador.

Programa quer chegar a todos os países da Europa

O EuroFIT foi construído com base na experiência do programa de Fãs de Futebol em Treino (FFIT), uma iniciativa liderada pela Universidade de Glasgow, já adaptada para o Canadá e a Austrália.

Tratam-se de programas que, através do recurso à ciência comportamental, usam as novas tecnologias como forma de prevenir, em vez de tratar, as doenças crónicas associadas à inatividade, como a diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. 

“Os resultados de nosso teste do EuroFIT suportam os resultados do estudo FFIT anterior. Os programas de estilo de vida sensibilizados por género, oferecidos em clubes de futebol profissional, são promissores na Europa e podem desempenhar um importante papel na saúde pública”, explica Sally Wyke, investigadora principal do programa e professora da Universidade de Glasgow. 

“Os resultados também mostram que reduzir o tempo que as pessoas passam sentadas é um verdadeiro desafio para a saúde pública.”

Com uma versão finalizada do programa, a parceira do projeto, a Rede Healthy Stadia, será responsável pela implantação do EuroFIT em toda a Europa, através de um sistema de licenciamento sem fins lucrativos.