Jantar tarde e evitar o pequeno-almoço, uma combinação que pode ser fatal

Por | Investigação & Inovação

As pessoas que não tomam o pequeno-almoço e que jantam perto da hora de deitar têm piores resultados depois de um enfarte, conclui um novo estudo, que confirma que estes dois hábitos alimentares aumentam quatro a cinco vezes o risco de morte, outro enfarte ou angina (dor no peito) 30 dias após a alta hospitalar.

Publicado no European Journal of Preventive Cardiology, uma revista da Sociedade Europeia de Cardiologia, o estudo é o primeiro a avaliar estes comportamentos não saudáveis ​​em doentes com síndromes coronárias agudas, envolvendo pessoas que tinham sofrido uma forma particularmente grave de enfarte, denominado enfarte agudo do miocárdio, com supradesnivelamento do segmento ST (STEMI).

“Um em cada 10 doentes com STEMI morre no decorrer de um ano e a nutrição é uma forma relativamente barata e fácil de melhorar o prognóstico”, explica Marcos Minicucci, da Universidade do Estado de São Paulo, Brasil, autor do estudo.

Comer pelo menos duas horas antes de deitar

Um intervalo mínimo de duas horas entre o jantar e a hora de dormir é o que recomenda o especialista, que acrescenta ainda que “a melhor maneira de viver é tomar um pequeno-almoço digo de um rei”.

O que significa  que do menu devem fazer parte “produtos lácteos (leite, iogurte e queijo sem gordura ou com baixo teor de gordura), um hidrato de carbono (pão integral, cereais) e frutas inteiras. Deve conter 15 a 35% do total de calorias ingeridas diariamente”.

Estudos anteriores já tinham revelado que as pessoas que não tomam o pequeno-almoço e têm um jantar atrasado são mais propensas a ter outros hábitos não saudáveis, como tabagismo e baixos níveis de atividade física.

“A nossa investigação mostra que os dois comportamentos alimentares estão independentemente associados a resultados mais pobres após um enfarte, mas ter um conjunto de maus hábitos só vai piorar as coisas”, refere Minicucci.

“As pessoas que trabalham até tarde podem ser particularmente suscetíveis a um jantar tardio e depois não sentir fome pela manhã. Também achamos que a resposta inflamatória, o stress oxidativo e a função endotelial podem estar envolvidos na associação entre comportamentos alimentares não saudáveis ​​e desfechos cardiovasculares”, acrescenta.

Páscoa saudável

Como ter uma Páscoa saudável sem perder o prazer de comer

Por | Nutrição & Fitness

A Páscoa é uma época de recomeço, de partilha, mas também de comida. A tradição assim obriga, a mesma que pede uma mesa recheada de salgados e doces, entre o folar, o pão de ló, os ovos de chocolate ou as amêndoas. Mas e se pudesse conciliar tradição com saúde? É o site Nutrimento, do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção-Geral da Saúde, que o garante.  

A receita é simples. Primeiro, há que começar as refeições com uma sopa de hortícolas, que só tem vantagens. De acordo com os especialistas, “aumenta o volume gástrico, inibe o consumo inicial de aperitivos, hidrata, fornece vitaminas e minerais e favorece a digestão”.

O chocolate, quase inevitavelmente, faz parte da ementa. Se não conseguir evitar, prefira as variedades com maior teor de cacau e misture chocolate com fruta, reduzindo o valor energético aquilo que come.

Doces da Páscoa há muitos. Procure consumi-los no fim das refeições, depois da fruta. Quanto às amêndoas cobertas de açúcar, outra inevitabilidade pascal, evite consumi-las ao longo do dia de forma isolada, o que previne os picos de glicemia e preserva os órgãos que têm de lidar com quantidades elevadas de açúcar no sangue.

A boa notícia é que pode sempre consumir amêndoas, desde que não as mergulhe em chocolate ou qualquer outro doce. É a sua composição nutricional que as torna nutricionalmente interessantes, uma vez que são fonte de diversas vitaminas e minerais, fibra, magnésio, vitamina E e gorduras monoinsaturadas. 

criança vítima de bullying

Bullying na escola aumenta em 40% risco de doença mental

Por | Saúde Mental

Ser vítima de bullying na escola secundária aumenta drasticamente a probabilidade de problemas de saúde mental e desemprego na vida adulta.

A garantia é dada por um novo estudo, realizado por investigadores da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, que dão contas das consequências graves sentidas pelos alunos vítimas deste tipo de violência, sobretudo aqueles que são submetidos a intimidação persistente ou violenta.

Emma Gorman e Ian Walker foram os especialistas de serviço. E, juntamente com colegas australianos, confirmaram que sofrer bullying em crianças aumenta a extensão de problemas de saúde mental em 40% quando se chega aos 25 anos.

Mais ainda, aumenta também o risco de desemprego, na mesma idade, em cerca de 35%, reduzindo em 2% o rendimento dos que conseguem trabalho.

Relação negativa entre bullying e educação

“O bullying é difundido nas escolas e muitos estudos documentam uma relação negativa entre este tipo de violência e os resultados ao nível da educação”, refere Emma Gorman.

“O bullying também é uma questão política importante uma vez que, para além dos resultados educacionais, sofrer bullying pode levar a impactos negativos na vida dos jovens a longo prazo, como baixa autoestima, condições de saúde mental e perspetivas de emprego precárias.”

E é isso que, de acordo com a especialista, revela a investigação agora divulgada, “que mostra que sofrer bullying tem impacto negativo em importantes resultados a longo prazo, especialmente no desemprego, rendimentos e problemas de saúde. Ser intimidado causa efeitos prejudiciais na vida das crianças não apenas no curto prazo, mas ao longo de muitos anos”.

Metade sofreu este tipo de violência

Apresentada na conferência anual da Royal Economic Society, na Universidade de Warwick, a investigação analisou dados confidenciais de mais de 7.000 alunos ingleses, com idades entre os 14 e os 16 anos.

Cerca de metade dos envolvidos, que foram entrevistados em intervalos regulares até os 21 anos, e mais uma vez aos 25 anos, relataram ter experimentado algum tipo de bullying entre os 14 e os 16 anos.

A informação relatada tanto pelas crianças, como pelos pais, registou a frequência com que as crianças foram vítimas de bullying e que tipo de bullying sofreram, que incluíam chamar nomes, ser excluído dos grupos sociais, ser ameaçado de violência ou ser vítima de violência.

Assim como as consequências ao longo da vida, a investigação revela que o bullying afeta o desempenho académico das vítimas enquanto estão na escola secundária e ainda no ensino superior.

vacinação nos animais

Taxa de vacinação dos animais de estimação tem vindo a cair

Por | Saúde Animal

Seja por falta de informação, pelos custos associados ou pela adesão a terapêuticas alternativas, a verdade é que, segundo a AnimalhealthEurope, os donos europeus de animais de estimação estão a vacinar menos os seus animais.

Uma realidade que coloca não só em causa a saúde dos animais, mas também das pessoa. Por isso, e no âmbito do Dia Mundial da Vacinação Animal, assinalado a 20 de abril, a organização pretende consciencializar a população europeia para a importância de vacinar cães e gatos, mensagem repercutida em Portugal pela voz da APIFVET – Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica de Medicamentos Veterinários.

Segundo Jorge Moreira da Silva, presidente da APIFVET, “esta é uma mensagem que tem que ser passada, porque a saúde animal anda de ‘mãos dadas’ com a saúde humana”.

“Garantir o bem-estar e saúde dos nossos animais é garantir a saúde das nossas famílias. Doenças que até então eram comuns são atualmente raras, graças ao uso da vacinação. Importa, por isso, que todas as pessoas continuem a vacinar os seus animais de estimação.”

Jorge Moreira da Silva destaca especialmente a importância de vacinar animais até aos seis meses, “particularmente suscetíveis a doenças, porque o seu sistema imunitário não está totalmente desenvolvido até então”.

Vacinação nos animais, a melhor forma de prevenção

Apesar da maioria dos donos de animais de estimação estar consciente da importância da vacinação, seguindo os conselhos dos médicos veterinários, existe ainda uma parte da população que não compreende o seu funcionamento ou que, pelos custos associados, opta por não vacinar.

Segundo o presidente da APIFVET, estes fatores acabam por contribuir para a redução na taxa de vacinação em muitos países europeus, referida pela AnimalhealthEurope.

Torna-se, assim, fundamental “alertar para a importância das vacinas como método preventivo, até porque os custos de prevenir são sempre menores do que os custos associados a tratamentos.

“Os médicos veterinários têm um papel crucial na consciencialização dos donos e devem, sempre que possível, lembrar as doenças graves que podem ser evitadas em cães e gatos se os seus donos apostarem na prevenção, vacinando os seus animais.”

mitos associados ao sono que devem ser esclarecidos

Mitos associados ao sono que podem pôr a saúde em risco

Por | Bem-estar

Há quem diga que não são precisas mais do que cinco horas de sono por noite, que ressonar não vai além de um incómodo ou que basta uma bebida antes de dormir para cair no sono dos justos. Mas o que um novo estudo garante é que todos os anteriores não passam de mitos associados ao sono que, não apenas moldam os maus hábitos, mas podem também representar uma ameaça significativa à saúde pública.

Publicado online na revista científica Sleep Health, o trabalho, realizado por investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Nova Iorque, revisitou mais de 8.000 sites para identificar as 20 crenças mais comuns associadas ao sono.

Graças a uma equipa de especialistas em medicina do sono, foram divididas entre aquelas que não passavam de mito e as que podem ter base científic,a e ainda os danos que poderiam causar.

“O sono é uma parte vital da vida, que afeta nossa produtividade, humor e saúde geral e bem-estar”, confirma Rebecca Robbins, investigadora e principal autora do estudo.

“Dissipar os mitos sobre o sono promove hábitos de sono mais saudáveis ​​que, por sua vez, promovem uma melhor saúde geral.”

Mitos associados ao sono

Mas vamos por partes. Começamos pela ideia de que se podem dormir cinco horas por noite sem que isso tenha consequências. Este é um dos principais mitos identificados pelos especialistas, que o deitaram por terra com base em evidências científicas.

Não só isto não é verdade, como é o mito que maior risco representa para a saúde. Para aqueles que acreditam que não é preciso mais ou que podem compensar as poucas horas na cama com sestas à tarde, os especialistas aconselham a criar um horário de sono consistente, aumentando pelo menos para sete horas as horas passadas na cama.

Outro mito comum diz respeito ao ressonar. E ainda que, algumas vezes, possa ser inofensivo, outras pode também ser sinal de apneia do sono, um distúrbio potencialmente grave, em que a respiração é interrompida no decorrer da noite.

Aqui, os especialistas encorajam os doentes a procurar um médico, já que esse comportamento do sono pode levar a paragens cardíacas ou outras doenças.

Beber: sim ou não?

Então e uma bebida antes de dormir, ajuda ou não a chamar o sono? Apesar das crenças em contrário, beber bebidas alcoólicas antes de dormir não surte o efeito desejado. De facto, segundo os autores do estudo, o álcool reduz a capacidade do corpo de atingir o sono profundo, que as pessoas precisam para funcionar adequadamente.

“O sono é importante para a saúde e é preciso um esforço maior para informar o público sobre este importante problema de saúde pública”, refere Girardin Jean Louis, também autor do trabalho.

“Por exemplo, ao discutir os hábitos de sono com os pacientes, os médicos podem ajudar a evitar que os mitos do sono fomentem o risco de doenças cardíacas, obesidade e diabetes.”

antibióticos programáveis

Um passo mais próximo dos antibióticos desenhados à medida

Por | Investigação & Inovação

Criar uma nova geração de antibióticos muito seletivos, “desenhados à medida” e capazes de evitar as resistências é o objetivo do trabalho de um grupo de investigadores da Universidade Politécnica de Madrid e do Instituto Pasteur, que garante estar próximo de o conseguir.

Os antibióticos são a linha de defesa essencial ao dispor da medicina na luta contra as bactérias. Mas uma das suas maiores desvantagens é que atacam de forma indiscriminada todos os tipos de bactérias, incluindo as benéficas, fomentando as multirresistências.

De resto, e de acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde, estima-se que, até 2050, a resistência aos antibióticos seja responsável por cerca de 10 milhões de mortes anuais.

Publicado na revista Nature Biotechnology, o novo estudo visa projetar um tipo de antibióticos programáveis, adaptados para o ataque apenas das bactérias “más” e prevenção do surgimento de resistências. 

Matar apenas as bactérias más

“Assim como estamos a desenvolver probióticos para regular as bactérias que temos na nossa microbiota intestinal, nós projetamos ‘bactérias sentinela’ programáveis, capazes de detetar e matar apenas as bactérias nocivas sem afetar as boas”, explica Alfonso Rodríguez-Patón, professor do Departamento de Inteligência Artificial da Escola de Engenharia de Computação da Universidade Politécnica de Madrid (UPM) e um dos autores deste trabalho.

Para o conseguir, os investigadores desenvolveram o que chamam de “bomba programável genética”. “O nosso antibiótico, transportado por bactérias sentinela, é uma toxina programada para se ativar e matar somente quando  reconhecer as bactérias más”, acrescenta Rodríguez Paton.

Esta bomba é transmitida pela bactéria sentinela às bactérias vizinhas através de um processo chamado de conjugação. “A conjugação é um mecanismo de transmissão de ADN usado por bactérias”, acrescenta.

Este mecanismo de ativação seletiva pode ser usado para atacar diferentes bactérias resistentes e é possível graças a uma molécula chamada “inteína”, para a qual o Instituto Pasteur solicitou uma patente.

Um trabalho de cinco anos

Testada experimentalmente em organismos vivos, como peixes-zebra e crustáceos infetados com a bactéria aquática da cólera, esta nova geração de antibióticos foi bem-sucedida.

“Conseguimos que o nosso antibiótico eliminasse a cólera resistente aos antibióticos neste peixe infetado e que o resto das bactérias presentes nestes peixes não fossem afetadas e sobrevivessem. Isto é relevante, porque a cólera também afeta mais de um milhão de pessoas por ano e, em casos graves, causa a morte”, refere o especialista.

O trabalho foi realizado por engenheiros, físicos e microbiologistas da UPM e do Instituto Pasteur graças ao projeto de pesquisa europeu PLASWIRES (“PLASmids-asWIRES”), dirigido por Rodríguez-Patón.

“Esta investigação e os resultados que temos alcançado não teriam sido possíveis sem o apoio de um projeto interdisciplinar europeu, que nos permitiu ser muito ambiciosos e enfrentar este novo tipo de antibióticos sabendo que havia uma elevada probabilidade de fracasso”, explica Rodríguez Paton.

“Foram cinco longos anos de trabalho, variações nos desenhos de circuitos genéticos, experiências malsucedidas. Mas no final, graças à tenacidade e trabalho de toda a equipa e especialmente ao grupo do Instituto Pasteur de Paris, conseguimos.”

app para devolver voz

Investigadores nacionais querem dar voz a quem a perdeu

Por | Investigação & Inovação

Seja por afonia temporária ou permanente, doenças oncológicas (cancro da tiroide ou da laringe), esclerose múltipla, Parkinson ou distúrbios psicológicos, como a ansiedade, perder a voz é perder um pedaço de nós. É para ajudar os milhões que, no mundo, são afetados por falta de voz que um grupo de investigadores portugueses pretende criar um sistema inovador para a reconstrução da voz natural.

O projeto DyNaVoiceR já arrancou, reunindo engenheiros, otorrinolaringologistas e terapeutas da fala, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e da Universidade de Aveiro.

“O objetivo é criar um assistente tecnológico avançado que converta sinais de fala sussurrada em sinais de fala natural”, ou seja, uma aplicação, refere ao Notícias UP Aníbal Ferreira, investigador principal e professor da FEUP.

Sistema projeta e corrige a voz

O sistema em que agora trabalham pretende ser um “amplificador modificado, mas inteligente”, capaz de projetar a voz e, ao mesmo tempo, de a corrigir.

O DyNaVoiceR surge na sequência de outros projetos na área da voz falada e cantada, como o projeto ARTTS, também liderado por Aníbal Ferreira.

Financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, conta ainda com a participação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e do Instituto de Engenharia Electrónica e Telemática de Aveiro.

acabar com a perda de cabelo

Perda de cabelo nos doentes com cancro pode ter os dias contados

Por | Cancro

É um dos efeitos secundários mais angustiantes do tratamento do cancro. Acabar com a perda de cabelo que afeta estes doentes é o que pretende um grupo de cientistas, graças a uma combinação inovadora.

Investigadores da Universidade de Huddersfield, no Reino Unido, estão a trabalhar com técnicas de arrefecimento do couro cabeludo, que já se mostraram eficazes em metade de todos os casos e a combiná-las com um champô ou loção especialmente formulada, que pode ser aplicada no couro cabeludo. Tudo isto num centro criado especialmente para o efeito, o Scalp Cooling Research Center.

“É o primeiro centro de investigação multidisciplinar do mundo que se dedica ao arrefecimento do couro cabeludo e pretende levar estes estudos a outro nível”, explica o diretor-adjunto do mesmo, Nikolaos Georgopoulos, especialista em cancro no Departamento de Ciências Biológicas da referida universidade.

Quando usados durante a quimioterapia, os aparelhos arrefecem o couro cabeludo, o que reduz o risco de perda de cabelo, tendo já uma taxa de sucesso de aproximadamente 50%. E “quanto mais fresco melhor”, confirma Georgopoulos.

Aumentar a redução da perda de cabelo para os 80%

Agora, o Scalp Cooling Research Center vai trabalhar no sentido de eliminar a perda de cabelo a 100% durante a quimioterapia e uma das chaves para o fazer será o cultivo de folículos capilares em laboratório, realizado por Iain Haslam, professor de Ciências Biológicas. Tarefa que vai permitir uma análise detalhada sobre a toxicidade dos medicamentos de quimioterapia.

Em desenvolvimento, e que será em breve patenteado, está um produto natural que, quando usado em conjunto com o arrefecimento do couro cabeludo, tem o potencial de aumentar a taxa de sucesso para 80% ou até mesmo pôr fim por completo à perda de cabelo resultante do uso de alguns medicamentos.

Uma das tarefas do centro será desenvolver a melhor forma de levar esse agente aos folículos pilosos do couro cabeludo. Uma das possibilidades é em forma de champô ou loção especialmente formulada para usar imediatamente antes e durante o tratamento.

A combinação deste produto com o arrefecimento pode vir a tornar-se um procedimento padrão durante a quimioterapia, refere Georgopoulos. 

viver mais com movimento

A receita para viver mais passa pelo movimento

Por | Bem-estar

Estar em forma não tem de ser sinónimo de sofrimento. Se quer melhorar o seu estado físico e viver mais, saiba que não precisa de fazer aquilo que não gosta. E são especialistas na matéria que o garantem.

O maior estudo realizado até hoje sobre aptidão cardiorrespiratória em pessoas saudáveis ​​confirma que ser ativo está associado a uma vida mais longa, independentemente de idade, sexo e nível inicial de condição física.

“As pessoas acham que precisam de começar a ir para o ginásio e praticar exercício para conseguirem ficar em forma”, refere a investigadora Elin Ekblom-Bak, da Escola Sueca de Ciências do Deporto e da Saúde, de Estocolmo, autor do estudo.

“Mas não precisa de ser tão complicado. Para a maioria das pessoas, basta ser mais ativo na vida quotidiana – subir escadas, sair uma paragem antes no metro, ir de bicicleta para o trabalho. É o suficiente para melhorar a sua saúde. Quanto mais fizer, melhor.”

Prioridade de saúde pública

O estudo incluiu 316.137 adultos com idades entre 18 e os 74 anos, cuja aptidão cardiorrespiratória foi medida e registada entre 1995 e 2015.

E um aumento desta fez baixar o risco de mortalidade por todas as causas e eventos cardiovasculares em 2,8% e 3,2%, respetivamente. Ou seja, permitiu viver mais.

“É particularmente importante notar que um aumento na aptidão foi benéfico, independentemente do ponto de partida”, explica Ekblom-Bak. “Isso sugere que as pessoas com níveis mais baixos de aptidão cardiorrespiratória têm mais a ganhar com o aumento de sua forma física.”

É por isso que a especialista não tem dúvidas: “o aumento da aptidão deve ser uma prioridade de saúde pública e os médicos devem avaliar a aptidão durante as consultas”.

Existem, para isso, testes simples que podem ser usados. Até porque “a falta de aptidão física é tão prejudicial como fumar, a obesidade e a diabetes, mesmo em adultos saudáveis, mas, ao contrário destes outros fatores de risco, essa aptidão não é medida rotineiramente”. Mas pode permitir viver mais.

a melhor forma de deixar de fumar

Quer deixar de fumar? Arranje um parceiro

Por | Bem-estar

Quer deixar de fumar? Então o melhor é arranjar uma companhia. É que, de acordo com um estudo apresentado esta sexta-feira no EuroPrevent 2019, o congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, combater este vício funciona melhor a dois.

“Deixar de fumar pode ser um esforço solitário”, disse a autora do estudo, Magda Lampridou, do Imperial College London, no Reino Unido.

“As pessoas sentem-se excluídas quando deixam de ir ao intervalo para fumar no trabalho ou evitam ocasiões sociais. Para além disso, há sintomas de abstinência da nicotina. Os parceiros podem ajudar a esquecer os desejos, passeando, indo ao cinema e incentivando atividades de substituição”, refere a especialista.

“O apoio ativo funciona melhor, em vez de incomodar.”

Uma receita que funciona

A prevenção cardiovascular passa pela cessação tabágica, um dos fatores de risco para estas doenças. E isto porque as pessoas que deixam de fumar normalmente reduzem para metade o risco de doença cardiovascular.

“Intervenções para parar de fumar devem incluir casais sempre que possível, para conseguir um lar livre de fumo”, refere Lampridou.

Este estudo avaliou o papel dos parceiros casados, ​​ou que partilham a mesma casa, na cessação do tabagismo, envolvendo 222 fumadores atuais em risco de doença cardiovascular ou que tenham sido vítimas de um enfarte.

Os parceiros foram também recrutados: 99 eram fumadores atuais (45%), 40 ex-fumadores e 83 nunca fumaram.

Os casais foram questionados sobre o seu estado atual no que diz respeito ao tabaco, histórico de tabagismo e tentativas anteriores para parar de fumar e incluídos num programa de 16 semanas, em que receberam terapia de reposição de nicotina com adesivos e tabaco de mascar.

No final do programa, 64% dos participantes e 75% dos parceiros tinham deixado de fumar e a probabilidade de o fazerem em 16 semanas aumentou (5,83 vezes) nos casais que tentaram parar juntos, comparando com aqueles que o tentaram fazer sozinhos.

“Investigações anteriores revelaram que os ex-fumadores também podem influenciar positivamente as tentativas de cessação da esposa mas, neste estudo, o efeito não foi estatisticamente significativo”, refere a especialista.

“Quanto aos parceiros que não fumam, há um forte risco de que adotem o hábito de seus cônjuges”.