Com a temperatura a descer, à medida que o inverno se aproxima, é mais difícil encontrar a motivação para sair do sofá e ir para a rua. Mas segundo a investigação feita por cientistas britânicos, duas semanas de inatividade física (cerca de 1.500 passos dados por dia) são suficientes para que os idosos percam quantidades significativas de músculo, coincidindo com ganhos substanciais em gordura corporal, sobretudo à volta da cintura.

O trabalho de especialistas da Universidade de Liverpool acrescenta que estes ganhos de gordura no tecido muscular estão associados a perdas significativas na força muscular, com o tempo de inatividade a diminuir também a densidade mineral óssea.

Este foi o primeiro estudo a analisar os efeitos de uma paragem de duas semanas, algo que pode acontecer por motivos de doença, condições climáticas adversas ou até simplesmente férias.

Mais anos de vida, mas menos qualidade

Foram dois os grupos de pessoas que participaram neste estudo. Antes do mesmo, os 26 participantes mais jovens e 21 mais velhos tinham o mesmo nível de atividade física e, durante um período de quatro dias, cada um fez mais de 10.000 passos por dia, que não incluíam exercícios vigorosos.

Avaliou-se depois se a saúde dos idosos era mais afetada pelo período de inatividade, o que é importante, pois todos perdemos massa muscular, força e osso durante o envelhecimento.

Essas mudanças motivam uma capacidade reduzida de realizar atividades diárias e podem dar origem a problemas de saúde crónicos. Isso é especialmente relevante, uma vez que se vive hoje mais tempo, embora o tempo gasto com a saúde não tenha aumentado na mesma proporção.

O impacto da inatividade

Embora as descobertas revelassem que o tamanho, a força muscular e a massa óssea reduziram igualmente nos grupos jovens e idosos após duas semanas de inatividade, com ambos a acumularem quantidades semelhantes de gordura nos músculos e à volta da cintura, os idosos apresentaram menos músculo e mais gordura.

O que significa que o impacto é maior na população envelhecida, em comparação com os adultos mais jovens.

“O impacto grave da inatividade de curto prazo na nossa saúde é extremamente importante para comunicar às pessoas. Se for difícil ir ao ginásio, as pessoas devem ser incentivadas a dar 10.000 passos, pois isso pode proteger contra reduções na saúde dos músculos e ossos, além de manter níveis saudáveis ​​de gordura corporal”, revela Juliette Norman, uma das autoras do estudo.