Não é de hoje que se fala nos efeitos benéficos da música, entendida já como terapia. Agora, um novo estudo confirma que complementar a medicação com os talentos de Mozart ajuda a tratar a dor.

Um estudo levado a cabo por investigadores da Universidade de Utah, realizado com pequenos ratos de laboratório, conclui que a música, juntamente com o ibuprofeno, reduz a sensação dolorosa em mais de 90%, enquanto a junção entre música e canabidiol fez mesmo, ainda que de uma forma mais reduzida (70%).

“Sabemos que estes medicamentos funcionam sem música, mas podem ter efeitos adversos”, explica Grzegorz Bulaj, professor associado de Química daquela instituição e autor sénior do estudo.

“O Santo Graal é combinar a medicação certa com este novo paradigma de exposição musical, o que faz com que não sejam precisos tantos medicamentos para conseguir um efeito analgésico.”

Redução da dor chega a 90%

A estratégia foi avaliada através do uso de dois modelos de dor: um a imitar a dor inflamatória; o outro a dor cirúrgica.

Os ratinhos do estudo foram separados em dois grupos (cinco a oito ratinhos por grupo), tendo o grupo de controlo sido exposto ao ruído ambiente, com o grupo de intervenção musical a ouvir três segmentos de três horas de Mozart, ao longo de 21 dias.

O estudo explorou a parceria entre música e ibuprofeno e música e canabidiol. E confirmou que, quando aliado à música, o ibuprofeno reduziu as respostas de dor no modelo de dor inflamatória em 93%, comparando com o medicamento usado sozinho.

“Há evidências emergentes de que as intervenções musicais podem aliviar a dor quando administradas isoladamente ou em combinação com outras terapêuticas”, confirma Cameron Metcalf, primeiro autor do estudo, segundo o qual os medicamentos atualmente disponíveis para tratar a inflamação não revelaram uma resposta tão robusta em tão pouco tempo.

“É emocionante pensar no que isto pode significar e onde a investigação nos pode levar em seguida.”