Maior concentração na escola e, ao mesmo tempo, menos stress académico é o sonho que muitos pais não conseguem concretizar. Agora, dois novos estudos do MIT sugerem que há uma forma simples de o tornar realidade: através do mindfulness.

De facto, os especialistas consideram que a prática de concentrar a atenção no momento presente pode melhorar o desempenho académico e a saúde mental dos alunos com idades entre os 11 e os 13 anos.

“Por definição, mindfulness é a habilidade de focar a atenção no momento presente, em vez de se distrair com coisas externas ou pensamentos internos. Se está focado no professor à sua frente ou nos trabalhos de casa, isso deve ser bom para a aprendizagem”, refere John Gabrieli, professor de Ciências e Tecnologia da Saúde na Grover M. Hermann do MIT.

Mudanças na atividade cerebral

Alunos do 6.º ano que receberam treino em mindfulness não só relataram sentirem-se menos stressados, mas os seus exames cerebrais revelaram ativação reduzida da amígdala, uma região do cérebro que processa o medo e outras emoções, isto perante imagens de rostos com medo.

O que significa que o mindfulness pode alterar a atividade cerebral dos alunos.

As descobertas sugerem que oferecer este treino nas escolas pode beneficiar muitos alunos, reforça Gabrieli, autor sénior dos estudos.

“Entendemos que existe uma possibilidade razoável de que o treino da atenção plena seja benéfico para as crianças, como parte do currículo diário da sua sala de aula.”

Mindfulness reduz o stress

Os dois estudos foram realizados em escolas em Boston. Num deles, a equipa do MIT avaliou cerca de 100 alunos do sexto ano, metade dos quais recebeu treino de atenção plena todos os dias durante oito semanas, enquanto os restantes fizeram uma aula de programação.

Os exercícios de mindfulness foram projetados para incentivar os alunos a prestar atenção à sua respiração e concentrarem-se no momento presente, em vez de terem pensamentos do passado ou futuro.

E aqueles que praticaram mindfulness relataram que os seus níveis de stresse diminuíram após o treino, ao contrário dos outros, revelando ainda menos sentimentos negativos, como tristeza ou raiva.

Ao todo, cerca de 40 estudantes foram também submetidos a uma avaliação cerebral antes e depois do treino, tendo sido medida a atividade na amígdala enquanto os alunos olhavam para fotografias de rostos que expressavam emoções diferentes.

No início do estudo, antes de qualquer treino, os estudantes que relataram níveis mais altos de stresse mostraram mais atividade da amígdala perante rostos que refletiam medo, o que é consistente com investigações anteriores, que mostram que a amígdala pode ser hiperativa em pessoas que sofrem mais stresse, levando-as a ter reações negativas mais fortes a eventos adversos.

“Há muitas evidências de que uma resposta excessivamente forte da amígdala a coisas negativas está associada ao stress elevado na primeira infância e ao risco de depressão”, afirma Gabrieli.

Após o treino de mindfulness, os estudantes revelaram uma resposta menor da amígdala, o que sugere que o mindfulness pode ajudar a prevenir ou atenuar transtornos de humor associados a níveis mais elevados de stress.

Richard Davidson, professor de psicologia e psiquiatria da Universidade de Wisconsin, considera que, de facto, estas descobertas sugerem que pode haver grande benefício na implementação de treino de atenção plena.

“Este é realmente um dos primeiros estudos rigorosos com crianças desta idade a demonstrar benefícios comportamentais e neurais de um treino simples de atenção plena”, acrescenta.

“O mindfulness é como ir ao ginásio”

Num outro artigo, foi usado um questionário para avaliar a atenção plena em mais de 2.000 alunos dos 5.º e 8.º anos, onde se pediu aos participantes para avaliarem o quão concordavam com afirmações como “passo pelas atividades sem estar realmente atento a elas”.

Os resultados foram comparados com os do questionário com as notas dos alunos, os resultados em testes, a taxa de frequência e o número de vezes que foram suspensos da escola.

E, sem surpresa, os alunos que demonstraram mais atenção tenderam a ter melhores notas e pontuações nos testes, bem como menos ausências e suspensões.

“O mindfulness é como ir ao ginásio. Se for durante um mês, isso é bom, mas se parar, os efeitos não durarão.”

Segundo Gabrieli, “é uma forma de exercício mental que precisa de ser sustentada”.