À medida que envelhecemos, aumenta o risco de problemas de saúde e a toma de medicamentos para os tratar. A estes, há que juntem ainda os suplementos. A questão é: pode haver interação entre a medicação e estes suplementos? Michael Schuh, especialista em Farmácia da Mayo Clinic, nos EUA, dá a resposta.

“Com a idade, surgem mais doenças crónicas. Além disso, algumas pessoas podem desenvolver deficiências de determinadas vitaminas. Felizmente, estão disponíveis diversos medicamentos, com ou sem prescrição, bem como vitaminas e suplementos dietéticos, para aliviar os sintomas, retardar o avanço de muitos problemas relacionados com a idade e ajudar as pessoas a manter uma boa saúde”, refere o especialista.

A palavra usada por muitos para descrever a ingestão de diversos medicamentos com e sem prescrição e suplementos dietéticos e fitoterápicos é “polifarmácia”, que se define como o uso simultâneo de vários medicamentos ou suplementos para tratar uma ou mais doenças.

“O problema é que, com a idade, as pessoas têm mais doenças. E para estas são necessários cada vez mais médicos. A menos que os doentes garantam que cada médico recebe uma lista atualizada de medicamentos e suplementos, é possível que estes não saibam com precisão o que os doentes tomam, ou não informem sobre os riscos associados a esses medicamentos e suplementos. À medida que as pessoas tomam mais e mais medicamentos e suplementos, aumenta o risco de interação”, esclarece Michael Schuh.

E dá o exemplo. “Uma pessoa tem uma prescrição de estatinas para reduzir o colesterol. No entanto, após ver um anúncio que promove o arroz vermelho fermentado como sendo bom para controlar o colesterol, começa a tomá-lo. O arroz vermelho fermentado naturalmente contém lovastatina, uma estatina natural. Sem perceber, está a duplicar a dose de atorvastatina já prescrita pelo médico. E começa a sentir cãibras nas pernas, dores musculares e a ter resultados com valores elevados em exames de função hepática devido a essa interação.”

É, por isso, importante conversar com o médico e com o farmacêutico sobre o que a pessoa está a tomar para evitar o excesso de medicamentos.

Há outros exemplos de interações entre suplementos e medicamentos. “Por exemplo, a ingestão de cálcio com um suplemento de vitamina D para a osteoporose e um multivitamínico com vitamina D pode aumentar o cálcio na urina o suficiente para aumentar o risco de formação de cálculos renais. Tomar um analgésico narcótico para dores agudas ou crónicas quando já se está a tomar um ansiolítico pode resultar em perda de consciência.”

O especialista aconselha, por isso, que “ao tomar vários medicamentos com ou sem prescrição e suplementos, que estes se revisitem pelo menos uma vez por ano”. E procurar um profissional médico ou farmacêutico, que “pode identificar possíveis interações ou reações adversas a medicamentos causadas pelos vários componentes”.