“Foi assustador para quem viu”, refere o professor Stephan Achenbach, presidente da Sociedade Europeia de Cardiologia (SEC), a maior organização mundial de médicos do coração, sobre o momento em que Christian Eriksen, um jogador de futebol dinamarquês de 29 anos, desmaiou repentinamente no campo na frente perante o olhar de dezenas de milhares de espetadores no estádio e outros milhões que assistiam ao jogo através da televisão, tendo sofrido uma paragem cardíaca súbita. 

“Relatórios preliminares sugerem que enquanto ele estava a ser tratado em campo, o coração de Christian parou de bater”, afirma Achenbach. “Teve a sorte excecional de haver uma equipa médica para iniciar imediatamente as compressões torácicas e manter o fluxo sanguíneo. Provavelmente isso salvou a sua vida.”

A paragem cardíaca súbita é um problema de saúde pública, sendo responsável por 50% das mortes cardiovasculares e 20% de todas as mortes naturais nas sociedades ocidentais, de acordo com um artigo publicado no European Heart Journal.

“A paragem cardíaca súbita pode ocorrer a qualquer hora, em qualquer lugar”, explica Achenbach. “A questão é: saberia como responder? Cada segundo é crítico.”

Quando ajudar:
– Alguém que não está a respirar ou apenas com falta de ar;
– não se move ou pestaneja;
– não responde, mesmo aos mais toques fortes.

Como ajudar:
– Empurrar o centro do tórax a uma taxa de 100 a 120 empurrões por minuto. Permitir que o tórax volte à sua posição normal após cada empurrão;
– pedir a alguém para chamar uma ambulância;
– pedir para que se localize um DAE (desfibrilhador externo automático) e seguir as instruções.

“Não se pode causar nenhum dano a fazer as compressões torácicas”, acrescenta Achenbach. “Mas pode-se salvar uma vida se a pessoa estiver realmente em paragem cardíaca.”

A paragem cardíaca súbita é uma ameaça tão grande à saúde pública que a SEC decidiu torná-la o centro das atenções da sua conferência científica online, ESC Congress 2021, que será realizada no final de agosto próximo.