São cada vez mais os que, em todo o mundo industrializado, sofrem com problemas digestivos. A Organização Mundial de Gastroenterologia aponta um número: em cada dez pessoas, três são afetadas por este tipo de problemas mas que ficam por diagnosticar e tratar.

E ainda que alguns destes transtornos possuam um diagnóstico médico claro, como é o caso das doenças inflamatórias intestinais, cada vez mais frequentes, na maioria dos casos são os sintomas que, por não estarem associados a uma doença específica e apesar de não serem graves, impedem o diagnóstico, afetam o bem-estar e diminuem a qualidade de vida, podendo mesmo levar a situações mais graves.

É, por isso, importante estar atento a todos os sintomas digestivos para um diagnóstico adequado e atempado, assim como o respetivo tratamento. Um alerta de Vitória Rodrigues, microbiologista do grupo SYNLAB, a propósito do Dia Mundial da Doença Inflamatória do Intestino, que se assinala a 19 de maio.

Problemas digestivos por valorizar

Uma alimentação inadequada, o stress, o uso de antibióticos, hábitos pouco saudáveis, como o sedentarismo, o consumo de álcool e tabaco e até viagens ao estrangeiro são algumas das causas associadas às alterações e sintomas gastrointestinais.

As queixas, essas podem não estar relacionadas com uma doença específica, mas sim com a alteração da microbiota intestinal essencial à nossa defesa, saúde e bem-estar.

“A microbiota intestinal é um conjunto de microrganismos, principalmente bactérias, que colonizam o intestino numa relação de simbiose”, refere a especialista.

“O seu desequilíbrio, a chamada disbiose, é uma situação desfavorável à saúde, pois está relacionada com a inflamação da parede intestinal e alteração da sua permeabilidade, bem como com o desenvolvimento de intolerância a determinados alimentos. Todos estes processos produzem sintomas”, acrescenta.

“Inúmeros estudos têm vindo a relacionar o desequilíbrio da microbiota intestinal com alterações gastrointestinais, e com doenças extraintestinais como a obesidade, diabetes e até com alterações neurológicas.”

Um desequilíbrio com sintomas como digestões difíceis, dores abdominais, flatulência, prisão de ventre, diarreia e intolerâncias alimentares, “muitas vezes desvalorizados, pelo que a sua causa não chega a ser diagnosticada e tratada”.

É para identificar a causa destas queixas gastrointestinais que existem testes, que permitem conhecer a microbiota intestinal de cada indivíduo e identificar possíveis desequilíbrios.