O exercício ajuda a prevenir e tratar várias doenças. Quanto a isso não há muitas dúvidas. Mas menos conhecidos são os benefícios da atividade física para as pessoas que vivem com cancro e aqueles que conseguiram ultrapassar a doença. Ou eram, porque uma nova iniciativa, chamada Moving Through Cancer (Mexendo-se através do Cancro), de uma equipa internacional de especialistas espera mudar este cenário.

Liderada por Kathryn Schmitz, professora de Ciências da Saúde Pública no Penn State College of Medicine, a ideia é apresentada num artigo publicado na revista CA: A Cancer Journal for Clinicians, onde se descrevem as novas recomendações de exercício para pessoas que vivem com e para além do cancro.

“Com mais de 43 milhões de sobreviventes de cancro em todo o mundo, temos uma necessidade crescente de abordar os problemas de saúde exclusivos das pessoas que vivem com e para além da doença e entender melhor como o exercício pode ajudar a prevenir e controlar o cancro“, refere Kathryn Schmitz.

“Este grupo teve como objetivo traduzir as mais recentes evidências científicas em recomendações práticas para os médicos e o público e criar impacto global através de uma voz única.”

Trinta minutos de exercício aeróbico

De acordo com os investigadores, o exercício é importante para a prevenção do cancro e pode diminuir o risco de desenvolver cancro do cólon, mama, endométrio, rim, bexiga, esófago e estômago.

Durante e após o tratamento pode ajudar a melhorar a fadiga, ansiedade, depressão, função física e qualidade de vida, além de melhorar a sobrevida após o diagnóstico de cancro da mama, cólon ou próstata.

Dependendo dos níveis e capacidade do doente, os investigadores geralmente recomendam 30 minutos de exercício aeróbico moderadamente intenso três vezes por semana e 20 a 30 minutos de exercício resistido duas vezes por semana.

No entanto, acrescenta Schmitz, os profissionais de saúde também podem personalizar a prescrição de exercício para os doentes de forma individual.

“Através da nossa investigação, chegamos a um ponto em que podemos fornecer prescrições específicas de exercícios FITT – que significa frequência, intensidade, tempo e tipo – para resultados específicos, como qualidade de vida, fadiga, dor e outros”, explica.

“Por exemplo, se estivermos a ver um doente com cancro da cabeça e pescoço com um conjunto específico de sintomas, poderíamos dar-lhe uma prescrição de exercícios personalizada.”

Mudar a ideia do público em geral 

Resultado de uma mesa redonda de especialistas formada por vários investigadores e elementos do American College of Sports Medicine, as recomendações visam também aumentar a consciencialização pública sobre os benefícios do exercício físico para as pessoas que vivem com cancro e que já o ultrapassaram.

“Atualmente, uma pessoa sabe que o exercício é bom para prevenir e tratar doenças cardíacas, mas não para o melanoma”, refere Schmitz.

“Queremos mudar isso. Quando os investigadores, na década de 1950, construíram uma base de evidências para exercícios e doenças cardíacas, houve uma mudança no conhecimento público sobre essa conexão. Agora é hora de acontecer o mesmo com exercício e cancro.”