Doenças intersticiais pulmonares, um desafio clínico em debate

Por | Iniciativas

Cascais vai receber, nos dias 11 e 12 de outubro, a Interstitial Lung Disease Multidisciplinary Meeting, um congresso científico que pretende apresentar uma visão geral das doenças intersticiais pulmonares, consideradas um desafio clínico, tendo em conta a frequente dificuldade do seu diagnóstico diferencial.

A perspetiva será, aqui, multidisciplinar, envolvendo várias especialidades, entre as quais a radiologia, pneumologia, cirurgia torácica, medicina interna e anatomia patológica.

A partilha de informação e conhecimento entre profissionais de saúde é um dos principais objetivos do encontro, que apresenta um painel de discussão multidisciplinar sobre as doenças intersticiais pulmonares (ILD), com especialistas reconhecidos, o que vai proporcionar um momento único de aprendizagem para os participantes. 

Especialistas nacionais e internacionais à volta doenças intersticiais pulmonares

Com organização da Affidea, o programa conta com especialistas nacionais e internacionais, como António Morais, pneumologista do Centro Hospitalar de São João, no Porto, que irá abordar a temática das ILD e aquilo que pode fazer a diferença quando se trata destas doenças.

Klaus Irion, professor honorário de Imagiologia Torácica na Manchester University NHS Foundation Trust, David Lynch, Professor de Radiologia na University of Colorado, em Denver, EUA,  Rosana Santos, especialista em Imagiologia Torácica na Affidea Portugal, Diana Penha, consultora de Radiologia Cardiotorácica no Liverpool Heart and Chest Hospital abordarão questões como a anatomia e os conceitos básicos de ILD e a relação entre estas e o enfisema, enquanto Ivan Bravio e Fernando Martelo, ambos cirurgiões torácicos, irão comentar a área da cirurgia cardiotorácica. 

blog O Rosto da Anemia

Novo blog sobre anemia quer sensibilizar e informar sobre o problema

Por | Iniciativas

“O que é a anemia, quais os seus sintomas, como pode ser prevenida e tratada, quais as implicações na vida de quem dela sofre, de que forma está associada a uma deficiência de ferro…” Estas são algumas das questões que vão estar em destaque num novo blog, ‘O Rosto da Anemia’, que se define como “um ponto de encontro para quem tem dúvidas sobre o tema, quer saber mais ou simplesmente deseja partilhar como é viver” com este problema.

Considerada um problema de saúde pública, a anemia afeta um em cada cinco portugueses em algum momento da sua vida. As contas são do estudo EMPIRE, o único realizado junto da população portuguesa, que traça, por cá, o cenário da prevalência deste problema e da deficiência de ferro, que é a principal causa de anemia.

É este estudo que confirma ainda que, apesar de ser um problema debilitante, a maioria (84%) dos afetados não sabe que a tem. São estes dados, assim como o impacto sentido por quem sofre da doença, que reforçam a importância da informação e da sensibilização, trabalho que se pretende desenvolver com ‘O Rosto da Anemia‘.

A partilha de testemunhos é outro dos objetivos deste blog que, tendo em conta que a anemia tem rosto “e este pode ser o de cada um de nós”, convida os portugueses a contarem a sua história e dar o seu testemunho sobre um problema de saúde que, apesar de significativo, não precisa de ser uma inevitabilidade.

Os sintomas da anemia

Cansaço, fadiga, falta de concentração, irritação quase constante, falhas na memória. Os sintomas são vários, mas tendo em conta o facto de serem pouco específicos, tendem a ser desvalorizados ou associados a outros problemas.

Por diagnosticar fica então a anemia, resultante de uma redução de glóbulos vermelhos no sangue, que se faz acompanhar por um impacto significativo na população nacional. 

escassez de órgãos em Portugal

Dia da Transplantação serve de alerta para escassez de órgãos

Por | Iniciativas

A criação do Dia Nacional da Doação de Órgãos e da Transplantação, já aqui noticiada, é, segundo a Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT), um passo “muito importante para a transplantação portuguesa”. Quem o diz é Susana Sampaio, presidente da SPT, que defende que vai, “indiretamente, chamar a atenção para o tema da doação e transplantação e, de alguma forma, contribuir para a resolução de alguns problemas”, como a escassez de órgãos.

A escassez de órgãos é, acrescenta, “um dado universal. Daí que ao falarmos de doação e transplantação poderá haver abertura para o tema da doação em vida, por exemplo”.

O dia servirá ainda para “salientar o esforço de todos os profissionais de saúde para manter os programas de doação e transplantação, apesar dos escassos recursos humanos”, um problema para o qual a SPT gostaria que fosse dada atenção, “dado que é notória a exaustão de algumas equipas”. 

Evento nacional celebra primeiro transplante

Há 11 anos que, no dia 20 de julho, a SPT comemora o Dia do Transplante, agora oficializado, através de um evento que inclui os profissionais de saúde desta área, os doentes submetidos a transplante e as instituições envolvidas neste processo, ao qual tem associado um mote.

Este ano, a celebração é dupla, uma vez que assinalam 50 anos sobre o primeiro transplante realizado em Portugal e 40 anos do Serviço Nacional de Saúde.

“Teremos, como habitualmente, um convívio com os doentes transplantados e haverá uma cerimónia oficial organizada em conjunto com o Conselho de Administração dos Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, no sentido de homenagear o professor Linhares Furtado, pioneiro da transplantação no nosso país. Em colaboração com o Instituto Português do Sangue e Transplantação e os CTT será lançado uma edição de um postal comemorativo dos 50 anos sobre o primeiro transplante em Portugal”, refere Susana Sampaio.

crianças cm cancro com Vihls

Crianças com cancro foram artistas por um dia

Por | Iniciativas

Vestiram a pele de artistas, trabalharam materiais e, durante um dia, foram apenas crianças, iguais a tantas outras. Com a ajuda de Vhils, e a partir de um convite da Fundação Rui Osório de Castro, um grupo de crianças com cancro, com idades entre os sete e os 18 anos, em tratamento no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, embarcou numa grande aventura, a da imaginação e criatividade.

Não só visitaram o estúdio do artista, como as crianças com cancro ficaram a conhecer várias das técnicas por ele utilizadas, tendo ainda a oportunidade para, também elas, criar.

A iniciativa inseriu-se num trabalho que a Fundação Rui Osório de Castro desenvolve regularmente. “Trabalhamos todos os dias para estas crianças e para as suas famílias, através da informação, porque sabemos que famílias informadas são famílias mais tranquilas, e a apoiar a investigação, porque também sabemos que sem investigação não se evolui”, refere Cristina Potier, diretora-geral da Fundação.

“Estas iniciativas são pontuais mas dão-nos uma satisfação enorme. É uma experiência ímpar. A oportunidade de conhecer o Vhils e trabalhar lado a lado com ele é algo que aquelas famílias nunca mais irão esquecer. Obrigada ao artista e à sua equipa por terem tornado este momento uma realidade”, acrescenta.

Para Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils, concorda. “Hoje foi um dia muito especial pela oportunidade de partilhar o meu processo de trabalho com este grupo de crianças. A minha equipa esteve lado a lado com elas, a preparar billboards que fazemos com posters de rua, e foi para nós muito enriquecedor.”

De recordar que, em outubro de 2018, o artista, em parceria com a Underdogs, doou a receita da venda de 50 serigrafias e dez provas de artista da edição Intangible, que se destinou aos projetos informativos e de apoio à investigação em oncologia pediátrica da Fundação. Já o resultado deste workshop em especial será doado ao IPO de Lisboa e deverá ficar exposto.

dádiva de sangue nos centros comerciais

“Precisamos do seu Tipo”: campanha apela à dádiva de sangue

Por | Iniciativas

Por norma, nos meses de verão o cenário repete-se, com as reservas de sangue e medula óssea a atingirem valores críticos. É para mudar esta realidade que arranca, já no próximo dia 1 de julho, mais uma edição da campanha de dádiva de sangue e de medula óssea nos centros comerciais do grupo Mundicenter: Braga Parque, Oeiras Parque, Amoreiras, Strada Outlet, Spacio Shopping e Arena Shopping.

Até dia 12 do mesmo mês, a mensagem é só uma, em forma de apelo: “Precisamos do seu Tipo”. É à volta dela que se juntam os elementos da banda portuguesa de soul e funk HMB, que juntam o seu sangue a esta contribuição, divulgando, a uma só voz, uma preocupação que deve ser de todos.

“Para nós, ter a oportunidade de mobilizar as pessoas a darem vida umas às outras é um privilégio. É uma ocasião perfeita para demonstrarmos, como sociedade, que conseguimos amar através de um gesto simples, mas poderoso. Já estamos muito gratos por podermos estar envolvidos nesta causa”, referem em comunicado.

Dádiva de sangue pode salvar vidas

Para fazer a doação, nada mais fácil. No Braga Parque, Oeiras Parque, Amoreiras, Strada Outlet, Spacio Shopping e no Arena Shopping serão instalados stands com todas as condições para a dádiva, geridas pelas equipas do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), das 14h às 20h (Braga Parque das 13h30 às 19h30).

Campanha que se realiza há 17 edições e que, no ano passado, contou com a participação de 2.706 dadores, tendo sido recolhidos 927 litros de sangue. No total de todas as edições, a recolha registou mais de 35.206 dadores, reunindo cerca de 24.660 unidades de sangue cruciais para o tratamento de cerca de 74 mil pessoas.

As pessoas com idades compreendidas entre os 18 e 65 anos e com mais de 50 Kg, estão convidadas a participar na recolha de sangue, para uma colheita que dura aproximadamente 10 minutos, sendo que todo o processo demora cerca de 25 minutos e inclui a inscrição e tiragem clínica.

mais financiamento para melhorar o sns

Portugueses acreditam que só mais investimento vai melhorar o SNS

Por | Iniciativas

A maioria dos portugueses (61%) considera que não é possível melhorar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) sem investimento de mais dinheiro público, sobretudo para a contratação de mais profissionais de saúde, a modernização de equipamentos, instalações e tratamentos e o apoio ao doente e família. Dados revelados pelo projeto ‘3F – Financiamento, Fórmula para o Futuro’, um projeto que reuniu um inquérito à população nacional e recomendações de peritos em saúde.

Estes e outros dados, assim como as recomendações feitas, vão ser apresentados e discutidos, no próximo dia 02 de julho, terça-feira, na Assembleia da República. Um momento que conta com a participação do presidente da Assembleia da República, da ministra da Saúde e de representantes dos vários grupos parlamentares.

Medidas para melhorar o SNS

O projeto ‘3F’, uma iniciativa da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), com o apoio da Roche e da IQVIA, nasceu da necessidade de identificar formas de reduzir o desperdício e promover a inovação no Serviço Nacional de Saúde.

Para isso, e para além da auscultação à população, reuniu um conjunto de especialistas de diferentes áreas, que se juntaram para analisar o modelo atual de financiamento dos hospitais portugueses, promover a discussão de potenciais soluções de financiamento com vista à criação de valor para os doentes, assim como desenvolver projetos-piloto com hospitais, de forma a testar a exequibilidade das soluções encontradas.

Do trabalho desenvolvido resultou a identificação de 90 iniciativas para a melhoria do modelo de organização e financiamento do Serviço Nacional de Saúde, às quais se juntam 10 recomendações e a definição dos projetos-piloto que já estão a ser implementados no IPO do Porto e no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Na apresentação deste trabalho, para além da recomendação de ‘um novo modelo de alocação de recursos financeiros para a saúde’, serão ainda debatidas nove recomendações, como o reforço do papel dos cuidados de saúde primários, a interligação dos cuidados de saúde primários, cuidados de saúde secundários e cuidados continuados ou ainda a promoção do papel dos cidadãos no sistema de saúde.

Alexandre Lourenço, presidente da APAH, sublinha que “o projeto 3F materializa a vontade do setor da saúde em apresentar respostas concretas para os desafios do financiamento mas também para a necessidade de reestruturar o modelo de prestação de cuidados com vista a melhorar a experiência e corresponder às expectativas dos doentes e das suas famílias”.

medicina dentária em destaque

BQDC reúne dezenas de especialistas de medicina dentária

Por | Iniciativas

A Associação Best Quality Dental Centers (BQDC), presente em Portugal desde 2018, vai reunir, pela primeira vez, na Clínica Ortopóvoa – Póvoa de Varzim -, no próximo dia 05 de julho, dezenas de especialistas nacionais de medicina dentária para apresentação e discussão das melhores práticas nesta área.

Um encontro científico onde se pretendem partilhar experiências no âmbito da gestão empresarial e inovações clínicas tecnológicas e onde, a par do debate de assuntos da BQDC, serão ainda apresentados casos clínicos interdisciplinares de sucesso tratados na Ortopóvoa, uma clínica dentária especializada em ortodontia e em reabilitação orofacial.

Medicina dentária em destaque

Fundada oficialmente em 2012, a associação BQDC atua em Portugal desde o início de 2018, sendo composta por 11 clínicas que congregam um vasto número de destacados profissionais que partilham de princípios nucleares: qualidade, ética, aposta na formação, inovação e promoção dos melhores tratamentos e cuidados de saúde oral. O principal objetivo da BQDC é melhorar os tratamentos dentários praticados em Portugal.

Neste encontro estarão presentes as 11 as clínicas portuguesas que integram o grupo: Instituto Português de Medicina Dentária (Aveiro); Dentistoral Médica Lda (Coimbra); Regiclínica – Clínica de Medicina Dentária (Braga); Remiclínica – Clínica Médica e Dentária (Fátima); Clínica Médica e Dentária das Abadias (Figueira Da Foz); CEPI – Centro de Estética, Periontología e Implantes (Porto); Instituto de Implantologia (Lisboa); Clínica Alcoforado (Lisboa); Ortopóvoa – Clínica de Ortodontia e Reabilitação Orofacial Lda (Póvoa Do Varzim); Centro Dentário Pediátrico (Porto); Dentereal – Clínica Dentária (Vila Real).

doença de LHON

É preciso mais informação sobre doença de LHON, apela mãe de jovem doente

Por | Iniciativas

Solidão é um sentimento que Ana Velosa conhece bem. Conhece-a sobretudo enquanto mãe de um jovem doente com neuropatia óptica hereditária de Leber (LHON), uma doença rara que costuma conduzir à cegueira quem dela sofre e que, por cá, continua ainda pouco conhecida. No maior congresso de neuroftalmologia da Europa, o EUNOS 2019, que decorreu no Porto, partilhou a história de Tomás, o filho, e deixou um apelo: “é necessário criar uma associação que represente os doentes, que seja capaz de pressionar o Estado para que seja feito mais”.

É preciso ainda, refere, “chegar às equipas de neuroftalmologia, através da criação de centros de referência que tornem o diagnóstico e tratamento de LHON mais fácil e acessível e aumentar o conhecimento sobre LHON, com mais informação em português”.  

Num simpósio dedicado inteiramente a esta doença genética rara, hereditária, incapacitante e que provoca uma perda de visão rápida em ambos os olhos, Ana Velosa explicou como, num verão de há três anos, sem que nada o fizesse esperar, Tomás, então com 15 anos, o terceiro de quatro filhos, começou a queixar-se de problemas de visão.

“Dizia ter a visão turva, dificuldade em focar, mas na altura não nos preocupámos muito. Pensámos que era o resultado do cansaço de umas férias intensas”, recorda.

A persistência das queixas acabou por levar ao hospital, onde Tomás ficou internado devido ao aumento da pressão intracraniana. “Fizeram-lhe muitos testes, exames, pensou-se num tumor, em meningite, esclerose múltipla…”, conta a mãe. Enquanto isso, Tomás ia perdendo a visão.

“Começou a perder a visão central: primeiro de um olho, depois do outro. Uma semana depois de estar no hospital já não conseguia ver televisão.”

Teve alta ainda sem um diagnóstico ou tratamento, mas com a suspeita de uma doença que Ana Velosa não conhecia: LHON. Uma pesquisa na Internet revelou um pouco mais sobre o problema, mas não o suficiente. E, um mês depois da primeira ida ao hospital, chegava a confirmação: Tomás era um dos poucos em Portugal com esta doença.

Viver o dia-a-dia com LHON

“Partilhámos a informação com os familiares e amigos e começámos a lidar com a doença no dia-a-dia e tem sido sempre assim. Porque esta doença não vem com um guia, com um livro de instruções”, reforça a mãe.

Para Tomás, a vida mudou, mas não a vontade de a viver. “O meu filho é o meu grande herói porque decidiu lutar. E apesar de todas as dificuldades visuais, conseguiu terminar o secundário e entrar para a universidade, onde está a estudar Gestão de Empresas.”

Os quase três anos de vida com LHON conferem a Ana Velosa um conhecimento e estatuto que lhe permite deixar três conselhos a outros que, como ela, se vejam confrontados com uma doença como esta.

“A família deve continuar unida, deve aprender a ter paciência e deve manter a esperança, não só para lidar com a doença, mas esperança de que a medicina evolua no sentido da cura.”

doenças do nervo ótico

Deteção e tratamento precoce: a melhor forma de combater as neuropatias óticas

Por | Iniciativas

É a primeira vez que uma reunião da Sociedade Europeia de Neuroftalmologia (EUNOS) se realiza em conjunto com a Rede Europeia de nervo ótico (EUPON – European Optic Nerve Network), o que torna a patologia do nervo ótico um tema central no EUNOS 2019, que termina esta quarta-feira, no Porto.

Olinda Faria, oftalmologista do Centro Hospitalar Universitário de São João, na Invicta, confirma que são várias as patologias do nervo ótico, sendo todas importantes “a partir do momento em que temos pelo menos um paciente afetado, mesmo que sejam raras. De qualquer modo, algumas podem ter maior impacto pela sua frequência, gravidade e possibilidades terapêuticas”.

É o caso, destaca, das neuropatias óticas glaucomatosa e desmielinizante, que “são frequentes, podem ser incapacitantes e apresentam diversas opções terapêuticas”, sendo, por isso, a “deteção e tratamento precoces muitas vezes determinantes na prevenção da perda visual”.

Nervo ótico, alvo de vários problemas

“O nervo ótico é uma das partes do sistema visual que conduz a informação do olho ao córtex visual, de forma a podermos ver”, explica Olinda Faria. “É alvo de manifestações de múltiplas doenças neurológicas e sistémicas assim como de patologia isolada. Todas elas têm em comum o possível comprometimento visual.”

Para lhes dar resposta, a investigação tem conseguido resultados importantes. “Existem diversos tratamentos comprovados em algumas neuropatias óticas e estão a decorrer ensaios clínicos a nível internacional em várias outras, alguns com resultados preliminares promissores”, refere Olinda Faria.

É o caso da neuropatia ótica hereditária de Leber (LHON), “uma patologia do nervo ótico que, embora rara, tem um grande impacto na vida dos pacientes. São frequentemente jovens estudantes ou em início de vida profissional, que apresentavam uma boa visão e que, de repente, com a grande perda visual causada pela doença, têm de mudar as suas actividades e planos de vida”.

Também aqui há esperança de novas formas terapêuticas, ainda que, confirma Olinda Faria, esta seja uma doença com tratamento. “O único até agora aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos é a idebenona, uma medicação oral que permite reduzir a perda visual numa fase inicial e promover alguma recuperação, segundo os dados disponíveis.”

doença rara de LHON

Portugal debate novos caminhos para tratar doença rara que causa cegueira

Por | Iniciativas

A Neuropatia Óptica Hereditária de Leber (LHON) esteve em destaque no primeiro dia do EUNOS 2019, o maior congresso europeu de neuro-oftalmologia, que decorre no Porto até à próxima quarta-feira. Catherine Vignal-Clermont, especialista do Rothschild Foundation Hospital, em Paris, França, partilhou informações sobre os avanços na investigação genética capaz de ajudar os doentes que sofrem com esta doença rara, hereditária, incapacitante e que provoca uma perda de visão rápida em ambos os olhos. Os novos tratamentos poderão vir a ser usados em conjunto com o único medicamento aprovado para o tratamento desta doença.

“A doença de LHON é uma doença hereditária mitocondrial, que causa perda bilateral da visão central”, refere a especialista, que acrescenta tratar-se de uma doença associada, em 75% dos casos, a “uma mutação pontual no gene ND4 mitocondrial”, que torna a maioria das pessoas envolvidas “legalmente cegas”, sendo as opções de tratamento “limitadas”.

Atualmente existe um medicamento, o único aprovado pela Agência Europeia do Medicamento para tratar a doença e com provas dadas de eficácia na luta contra a cegueira, ainda que o atraso no diagnóstico seja uma realidade, para a qual alertou recentemente um grupo de especialistas mundiais, num documento onde se definiram as guidelines e critérios para a gestão clínica e terapêutica da LHON.

Por isso, segundo Catherine Vignal-Clermont, “devido ao início súbito da doença e ao facto de o olho ser considerado imuno-privilegiado, a terapia genética intravítrea é uma opção terapêutica promissora”.

Em busca de mais tratamentos para doença rara

É por este caminho que tem trilhado a ciência, com estudos pré-clínicos que acabaram por dar origem a vários ensaios clínicos, alguns já concluídos e com resultados publicados. Resultados que são, segundo a especialista, “encorajadores, indicando um benefício visual funcional numa proporção de olhos tratados”.

São, no entanto, tratamentos ainda experimentais, sem aprovação pelo que, considera Catherine Vignal-Clermont, poderá ser vantajoso para os doentes uma sinergia entre este tipo de terapêutica e aquela que está atualmente aprovada.