consumo de açúcar e cafeína

Uso de dispositivos eletrónicos associado a maior consumo de açúcar e cafeína

Por | Nutrição & Fitness

Os jovens adolescentes que passam mais tempo a ver televisão ou entretidos com os dispositivos eletrónicos ingerem mais bebidas açucaradas ou com cafeína do que os restantes? A resposta sobre o consumo de açúcar ou cafeína é dada por um estudo realizado com adolescentes norte-americanos, liderado por investigadores da McMaster University.

Katherine Morrison, pediatra que liderou a investigação, feita a meias com colegas da California State University, nos EUA, confirma que, “um maior uso de dispositivos eletrónicos, principalmente da TV, está associado a um maior consumo de açúcar e cafeína entre os adolescentes”.

“Abordar este tema, através de um aconselhamento ou promoção da saúde, pode potencialmente ajudar.”

Mais tempo a ver TV, maior o consumo de açúcar e cafeína

As bebidas açucaradas e adoçadas artificialmente estão associadas à obesidade, diabetes, cáries dentárias e falta de sono. O excesso de cafeína, como aquele encontrado nas bebidas energéticas, está associado a dores de cabeça, pressão arterial mais alta, náuseas, vómitos, diarreia, dor no peito e também perturbações do sono.

O estudo, publicado no PLOS ONE, avaliou 32.418 alunos do 8.º e 10.º e descobriu que mais de 27% dos adolescentes excedem a ingestão recomendada de açúcar e 21% excedem a de cafeína, através do consumo de refrigerantes e bebidas energéticas.

São os rapazes que mais o fazem, sobretudo os que frequentam o 8.º ano, quando comparados com os alunos do 10.º ano.

Ainda de acordo com o estudo, uma hora adicional de TV por dia estava associado a um risco 32% maior para os jovens de excederem as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) no que diz respeito ao açúcar.

Cada hora a mais por dia de TV estava também ligada a um aumento de 28% no risco de exceder as recomendações de cafeína da OMS.

Não só ver televisão, mas também falar ao telemóvel ou usar as redes sociais: cada hora por dia a fazê-lo aumenta também o risco de exceder as recomendações de açúcar e cafeína.

refeições em família

Os melhores ‘ingredientes’ para refeições de qualidade em família

Por | Nutrição & Fitness

Quais os ‘ingredientes’ para refeições em família de qualidade? A resposta a esta pergunta surge na sequência de uma avaliação de vários estudos e surge agora em forma de diretrizes para pais e responsáveis ​​que desejam ajudar os seus filhos a estabelecer hábitos alimentares saudáveis.

Já se sabia que quanto mais refeições forem feitas em família, melhor a saúde nutricional das crianças. Os investigadores do Instituto Max Planck de Desenvolvimento Humano e da Universidade de Mannheim já demonstraram que as crianças de famílias que comem juntas com mais frequência têm um índice de massa corporal (IMC) mais baixo e comem, em geral, de forma mais saudável.

Mas o que é que torna as refeições em família tão importantes para a saúde nutricional das crianças? “As refeições em família não levam automaticamente a melhorias nos hábitos alimentares. Aspetos sociais, psicológicos e comportamentais desempenham também um papel importante”, refere Mattea Dallacker, autora principal do estudo.

A duração das refeições em família também importa

No trabalho agora realizado, os cientistas identificaram os componentes das refeições familiares que estão relacionados com uma melhor saúde nutricional nas crianças. E descobriram que:

  • ter uma atmosfera positiva na hora das refeições é tão importante como os alimentos;
  • as crianças que ajudam a preparar refeições ou cujos pais dão um bom exemplo com seus próprios hábitos alimentares também comem de forma mais saudável;
  • a duração da refeição é importante;
  • manter a televisão desligada também desempenha um papel importante.

“A forma como os membros da família comem juntos é tão importante, ou ainda mais importante, do que a frequência com que comem juntos”, afirma o coautor Ralph Hertwig, diretor do Instituto Max Planck de Desenvolvimento Humano.

A idade das crianças, sejam mais pequenas ou adolescentes, e o contexto social e económico da família não tiveram qualquer peso.

Um papel na prevenção da obesidade

A meta-análise sintetiza os resultados de 50 estudos, realizados com mais de 29.000 participantes de todo o mundo, que examinaram como um ou mais componentes das refeições familiares se relacionam com a saúde nutricional das crianças.

Os indicadores de saúde nutricional foram o IMC, que serviu como medida indireta de gordura corporal e obesidade, e a qualidade da dieta, medida em termos do número de porções de alimentos saudáveis ​​e não saudáveis ​​consumidos por dia.

Para os especialistas, as refeições familiares desempenham um papel importante na prevenção da obesidade. “É necessária uma série de medidas para combater a obesidade em crianças e adolescentes. As refeições em família são apenas uma medida entre muitas. Mas elas podem ter um impacto direto e precoce nos hábitos alimentares das crianças”, diz Jutta Mata, professora de psicologia da saúde na Universidade de Mannheim.

rótulos mais simples

Petição pede rotulagem simplificada dos alimentos em nome da saúde dos consumidores

Por | Nutrição & Fitness

Porque muitos consumidores continuam a não entender as informações nos rótulos dos alimentos vendidos nos supermercados, ou não têm tempo para os ler, o que dificulta a escolha de produtos saudáveis, a DECO PROTESTE, em conjunto com outras organizações europeias de consumidores, pede à Comissão Europeia que torne obrigatório, a nível europeu, o Nutri-score. Para que isso aconteça, pede ajuda aos consumidores portugueses.

O Nutri-score é uma forma de rotulagem simplificada, que ajuda os consumidores a reconhecer rapidamente os produtos nutricionalmente mais interessantes.

Para que este se torne obrigatório a nível europeu, a associação portuguesa que tem como missão a defesa dos consumidores pede a todos a assinatura de uma petição que, para que mereça atenção por parte da Comissão Europeia, precisa de um milhão de assinaturas, 15.750 das quais em Portugal.

Leitura mais fácil dos rótulos

Representado por um logótipo retangular, colocado na frente dos rótulos, dividido em cinco cores (verde, verde-claro, amarelo, laranja e vermelho), ligadas às letras A (para a melhor pontuação) a E (para a pior), o Nutri-score pretende ajudar nas escolhas alimentares dos consumidores, assinalando o valor nutricional dos produtos e permitindo identificá-los no momento da compra.

“Este sistema de rotulagem tem em conta parâmetros que atribuem pontos “positivos”, como o teor em fibras, proteínas, fruta, legumes e frutos secos, e pontos “negativos”, como o teor em ácidos gordos saturados, açúcares, sal e calorias”, revela a DECO PROTESTE.

“Daqui resulta uma avaliação da qualidade nutricional global de um alimento”, acrescenta a associação portuguesa.

Adotado em França em 2016, onde foi integrado num grande estudo de comportamento de compra, tendo-se revelado mais eficaz que outros sistemas de rotulagem simplificada, como é o caso, por exemplo, do semáforo nutricional, o Nutri-score “melhora significativamente a qualidade nutricional do carrinho de compras. Além disso, pode contribuir para a reformulação nutricional dos produtos pelos fabricantes”. 

O Nutri-score está dividido em cinco cores, associadas a letras.

privação de sono

Lanches saudáveis são a melhor ‘arma’ no combate aos efeitos da privação de sono

Por | Nutrição & Fitness

Num estudo publicado no American Journal of Lifestyle Medicine, uma especialista da Universidade de Stanford, nos EUA, juntamente com outros colegas, examinou os resultados de um inquérito sobre sono e nutrição feito junto de 245 médicos. E descobriu que uma alimentação saudável está associada a menos efeitos secundários resultantes da privação de sono.

Maryam Hamidi estuda nutrição. E um dos trabalhos feitos recentemente exigia que ficasse acordada entre as 8h00 e as 17h00 do dia seguinte, durante vários dias consecutivos. 

E a um determinando momento, Hamidi, que tem um doutoramento em epidemiologia nutricional e é nutricionista, começou a notar algo estranho nos seus próprios desejos alimentares. “Por volta das 18 ou 19 horas, eu comecei a desejar batatas fritas”, conta. “Comecei a pensar nos sacos de batatas fritas no meu escritório. E não ansiava por batatas fritas desde os meus anos de faculdade. Um dia comi um. Depois bebi um refrigerante. E peguei num segundo saco e, depois, num terceiro. Eu estava a divertir-me. Lembro-me de pensar: ‘Isto é ótimo. Eu devia fazer isto mais frequentemente.'”

Como especialista em nutrição, percebeu que era um excelente exemplo de quão difícil pode ser comer de forma saudável quando se está exausto. E não importa o bem que se conhece a importância de uma alimentação saudável.

“Eu nunca comi três sacos de batatas fritas seguidos. Mas também nunca estive tão privada de sono”, refere.

Médicos conhecem bem a privação de sono

Enquanto investigadora do WellMD Center, da Universidade de Stanford, Hamidi está interessada nesta complicada relação entre sono e comportamentos alimentares. Uma privação de sono que é bem conhecida dos médicos, que frequentemente trabalham longas horas e enfrentam ciclos de turnos interrompidos.

Muitos foram os que analisaram as diferentes formas de melhorar o sono através da redução do horário de trabalho ou da reorganização dos horários, mas poucos foram os que olharam para a forma como a alimentação de um médico pode ajudar.

Foi o que decidiu fazer, consciente de que os médicos enfrentam barreiras significativas para se alimentarem bem no trabalho devido às longas horas, a uma carga de trabalho pesada e acesso limitado a refeições saudáveis, lanches e bebidas.

Os resultados deste estudo sugerem que, ao oferecer opções saudáveis ​​no trabalho, os empregadores podem ajudar a reduzir a dificuldade de concentração e a irritabilidade causada pelo sono entre os prestadores de serviços de saúde. E, como resultado, ajude a melhorar o atendimento ao doente.

“Ninguém realmente pensa em como a dieta de um médico afeta o atendimento ao doente”, diz Hamidi.

Fisiologia “empurra” para escolhas menos saudáveis

Mas há motivos para ‘atacar’ o que faz menos bem quando se está sob efeito da privação de sono. Primeiro, os doces fornecem uma solução rápida, aumentando temporariamente os níveis de açúcar no sangue.

Além disso, um mau sono tende a diminuir a função cerebral executiva, prejudicando a capacidade de tomada de decisão e a força de vontade.

A investigação também mostra que as alterações causadas pela falta de sono nas hormonas reguladoras do apetite e no funcionamento do cérebro podem levar ao desejo de aumentar os níveis de energia com alimentos e lanches ricos em açúcar, sódio e gorduras.

“Dadas todas estas coisas, a fisiologia empurra os médicos a procurarem alimentos não saudáveis”, explica Hamidi. “A natureza da profissão torna mais difícil comer bem.”

De onde vêm as frutas e legumes que enchem os pratos dos europeus?

Por | Nutrição & Fitness

Cerca de 1,5 milhões de explorações agrícolas na União Europeia (UE) fazem a gestão de pomares de frutas (incluindo nozes), que cobrem qualquer coisa como 3,4 milhões de hectares. Os dados são do Eurostat, o gabinete de estatísticas da UE, referentes a 2017, que desvenda de onde vem a fruta e os legumes que se consomem na UE.

No que diz respeito aos legumes, 2,2 milhões de hectares são cultivados na UE, em cerca de 0,8 milhões de quintas.

Espanha possuía, nesse ano, a maior área de produção de frutas (os 1,4 milhões de hectares representavam dois quintos – 40,1% – do total), com Itália a vir logo a seguir em termos de área de produção de vegetais (os 0,4 milhões de hectares representavam 17,8% do total da UE).

Legumes na liderança

Nos pomares europeus, a amêndoa é dominante, cobrindo, em toda a UE, 743.000 hectares (22,5% da área total de frutas). Segue-se a maçã (cobria 522.000 hectares, 15,5% da área total de frutas da UE), com a segunda maior área de frutas da UE por espécie.

Espanha volta a estar em destaque, apresentando a maior área de pomares de amêndoa (85,2% do total da UE).

Na maçã, a líder é a Polónia (31,1%), com uma área de pomar semelhante à apresentada por três Estados-Membros todos juntos: Itália (11,0%), Roménia (10,6%) e França (9,6%).

No produção de tomate, Itália e Espanha estão na liderança, sendo os principais produtores dos 241.000 hectares que sabem das explorações de toda a UE em 2017: a Itália com 38,4% do total, seguida por Espanha (25,2%) e Roménia (9,2%). Portugal surge também nesta lista, ocupando um honroso quarto lugar, com 8,7% da produção.

No que diz respeito à cebola, o segundo vegetal mais amplamente cultivado, dos 181.000 hectares (ou 8,1% da área total de vegetais) cultivados, é a Holanda que domina, com quase um quinto (19,0%) da área produzida, seguida da Polónia (14,7%) e Espanha (14,1%).

peixe na gravidez

Comer peixe durante a gravidez pode melhorar a atenção das crianças

Por | Nutrição & Fitness

São muitos os estudos que confirmam o impacto da alimentação da grávida na saúde do bebé. A estes junta-se agora outro, que revela dieta uma rica em peixe durante as fases iniciais da gravidez está associada a benefícios na capacidade de atenção das crianças.

Uma equipa de cientistas do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), quis então perceber se existia uma relação entre o consumo de diferentes tipos de peixe durante a gravidez e a capacidade de atenção das crianças aos oito anos.

A investigação foi realizada com 1.641 pares de mães e filhos incluídos no Projeto INMA (Crianças e Meio Ambiente), uma rede de pesquisa espanhola que visa estudar o papel dos poluentes durante a gravidez e os seus efeitos na infância.

Durante a gravidez, as mães preencheram vários questionários que contemplavam a frequência de consumo para mais de cem alimentos, entre os quais diferentes tipos de peixes.

A estes juntaram-se dados sobre a alimentação das crianças, recolhidos através do mesmo questionário, nas idades de um, cinco e oito anos. Aos oito anos, foi ainda realizado um teste neuropsicológico, com o objetivo de avaliar a sua capacidade de atenção.

De acordo com os resultados, “com o consumo de peixe no primeiro trimestre da gravidez observa-se um efeito no tempo de atenção das crianças mais velhas, diferente daquele verificado com a ingestão no final da gravidez”, afirma Jordi Júlvez, primeiro autor do artigo e investigador do programa Infância e Meio Ambiente da ISGlobal.

A formação do cérebro ocorre principalmente durante a gravidez, através de processos biológicos complexos. Os nutrientes essenciais, como ácidos gordos poli-insaturados, são críticos para estes processos e os mais importantes têm como principal fonte o peixe, acrescenta Júlvez.

Estes nutrientes essenciais fazem parte da definição da estrutura e função do cérebro do feto, exercendo um grande impacto no desenvolvimento neuropsicológico subsequente. A atenção é um comportamento complexo que todos os bebés precisam de aprender, pois precede o desempenho de outras funções primárias, como a memória.

“Concentramo-nos na função da atenção porque as perturbações do défice de atenção e hiperatividade são patologias comuns durante a idade escolar”, refere Jordi Sunyer, diretora do programa da Infância e Meio Ambiente da ISGlobal.

Diferenças entre peixe e marisco

O estudo contemplou também as diferenças entre os diferentes tipos de peixe e marisco: peixe azul (como sardinha, cavala, carapau), peixe branco (como pescada, bacalhau, tamboril), atum enlatado e crustáceos e moluscos.

Tanto os filhos como as filhas de mulheres com dietas ricas em peixes e dietas ricas em peixes azuis ou apenas peixes brancos apresentaram resultados muito positivos nos testes de atenção. No entanto, quando a contribuição do peixe para a dieta das mães foi baseada em atum enlatado ou marisco, os resultados foram inferiores.

avisos nos saleiros

Os saleiros deveriam ter avisos sobre os riscos do sal, defendem especialistas

Por | Nutrição & Fitness

O sal vendido nos supermercados e os saleiros disponíveis nos restaurantes deveriam ter um aviso, à semelhança do que acontece com os maços de tabaco, que alertasse para os riscos para a saúde, defende a Liga Mundial de Hipertensão.

Numa posição publicada no Journal of Clinical Hypertension, o principal autor do estudo, Norm Campbell, ex-presidente da Liga Mundial de Hipertensão, considera ser hora de adotar uma abordagem mais contundente à redução de sal na dieta.

“As dietas não saudáveis ​​são uma das principais causas de morte em todo o mundo e o consumo excessivo de sal é o maior culpado, estimando-se que tenha causado mais de três milhões de mortes em todo o mundo em 2017.”

“A Organização Mundial da Saúde estabeleceu uma meta para a redução da ingestão de sódio em 30% até 2025, e os governos e a indústria alimentar têm trabalhado juntos para reduzir o sal nos alimentos processados. No entanto, precisam agora de ser tomadas ações urgentes para aumentar a consciencialização do consumidor para estes perigos”, acrescenta.

“Embora muitos países tenham começado a avaliar uma variedade de medidas de saúde pública para incentivar as pessoas a ingerir menos sal, não temos conhecimento de nenhuma que tenha exigido recipientes de sal reais com rótulos de advertência”, afirma.

Saleiros com alerta: forma simples de informar

“Ingerir muito sal aumenta a pressão arterial das pessoas, que é um dos maiores contribuintes para a morte prematura por AVC ou doença cardíaca”, reforça Jacqui Webster, do Instituto George para Saúde Global. 

“Embora a maioria dos países exija níveis de sódio nos rótulos dos alimentos processados, eles são difíceis de interpretar e não alertam para riscos à saúde.”

“Avisos de saúde nas embalagens e dispensadores de sal seriam uma forma simples e económica de transmitir os perigos do sal para milhões de pessoas em todo o mundo”, acrescenta.

Os autores propuseram o seguinte aviso: “Excesso de sódio pode causar pressão alta e promover cancro do estômago. Limite o seu uso”.

a melhor dieta é

Qual é afinal a melhor dieta para a saúde?

Por | Nutrição & Fitness

Qual é a dieta mais saudável, aquela que é rica em hidratos de carbono, gordura ou proteínas? A resposta é: qualquer uma. Contrariando as alegações de superioridade de várias dietas, um novo estudo descobriu que todas podem promover uma boa saúde, desde que equilibradas e variadas.

A afirmação é feita por especialistas do Centro Médico Beth Israel Deaconess, da Universidade de Harvard, que verificaram que qualquer uma destas dietas poderia levar a uma redução em dois dos marcadores químicos associados ao dano cardíaco.

As melhorias, que ocorreram em apenas seis semanas, mostram que uma dieta fundamentalmente saudável pode começar a fazer a diferença na saúde do coração quase de imediato.

“Tenho amigos que falam constantemente sobre a nova dieta da moda”, refere Stephen Juraschek, líder do estudo e professor assistente de medicina na Harvard Medical School. “Antes era de Atkins, agora é a paleolítica e a cetogénica. Existem pessoas que odeiam hidratos de carbono, pessoas que odeiam gordura. O problema com todas estas dietas da moda é que elas enfatizam demais um determinado perfil de macronutrientes e reduzem a importância do equilíbrio e da alimentação saudável em geral.”

O que inclui a melhor dieta

O novo trabalho foi feito com base num estudo anterior sobre dieta e a saúde do coração, o OmniHeart, que publicou os seus resultados em 2005 e investigou variações de uma dieta projetada para baixar a pressão arterial em participantes de meia-idade com pré-hipertensão ou hipertensão no estágio um.

O objetivo era verificar se níveis mais altos de hidratos de carbono, proteínas ou gorduras insaturadas poderiam melhorar o desempenho da dieta base.

Para isso, foram avaliados dois fatores de risco para as doenças cardíacas, a pressão arterial e o colesterol, e descoberto que cada uma das dietas (a rica em proteína, em gorduras e hidratos) melhorava esses fatores, embora as dietas com maior teor de gordura e com proteína tivessem um desempenho ligeiramente superior ao da dieta com hidratos de carbono.

Cada uma das três dietas experimentais foi projetada para ser saudável. Incluía entre nove e 11 porções de frutas e vegetais diariamente, grãos integrais, feijões, nozes, laticínios com pouca gordura, gorduras insaturadas, sal moderado e muita fibra.

Apresentavam também proteínas magras de carne, peixe e aves, além de alguns doces. 

O novo estudo, realizado com investigadores da Universidade de Massachusetts, do National Institutes of Health, da Universidade Johns Hopkins e da Universidade de Maryland levou esta análise um passo mais à frente.

Publicado recentemente no International Journal of Cardiology, o estudo examinou os níveis de troponina, um composto criado pela quebra de proteínas no músculo cardíaco, e a proteína C reativa, um marcador de inflamação cardíaca. E ambos diminuíram a cada seis semanas com cada uma destas dietas.

“Estamos agora a verificar se as dietas influenciam diretamente o dano cardíaco. E as dietas não só reduzem a pressão sanguínea, como também os danos diretos no coração e reduzem a inflamação”, refere o especialista.

consumo de açúcar em excesso

Em Portugal, os recordistas no consumo de açúcar são… as crianças

Por | Nutrição & Fitness

Costuma dizer-se que o que é doce nunca amargou, mas a ciência já confirmou que não é bem assim, ainda que para as crianças em idade escolar (dos cinco aos nove anos) e os adolescentes (entre 10 e os 17 anos) isso faça pouca diferença. É que são estes, no País, os recordistas no consumo de açúcar.

A afirmação é feita por um estudo, publicado na revista Public Health Nutrition e no qual participam investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), que analisou os dados relativos ao consumo de açúcares da população portuguesa, recolhidos no âmbito do Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF) de 2015-2016. E conclui ainda que os indivíduos com mais de 65 anos são os que apresentam um consumo mais baixo.

Os riscos do consumo de açúcar em excesso

A avaliação do consumo de açúcar foi feita junto de 5.811 pessoas com idades entre os três meses e os 84 anos, tendo sido ainda analisados o consumo total de açúcares e o consumo diário de açúcares livres (conceito que engloba o açúcar que é adicionado aos alimentos por consumidores ou fabricantes e também os açúcares naturalmente presentes no mel, xaropes, sumos de fruta e concentrados de sumos de fruta).

De acordo com o estudo, os portugueses consomem em média 84g de açúcares totais por dia e 35g de açúcares livres, sendo o consumo superior em crianças dos cinco aos nove anos (50g/dia de açúcares livres) e em adolescentes, dos 10 aos 17 anos (53g/dia de açúcares livres). Cerca de 50% dos participantes com estas idades ingerem valores de açúcares livres superiores aos recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

Esta organização socorre-se de vários estudos, que associam o consumo elevado de açúcares livres a doenças como a diabetes ou obesidade, assim como cáries dentárias para recomendar que a ingestão de açúcares livres seja inferior a 10% do valor energético diário.

O trabalho revela ainda que as crianças que têm pais mais escolarizados e que os adultos que praticam exercício físico regularmente têm menor consumo de açúcar livre. Já os indivíduos que têm estilos de vida menos saudáveis, como hábitos tabágicos, consomem mais açúcares livres.

Imposto sobre produtos de pastelaria mais eficaz contra a obesidade

Por | Nutrição & Fitness

As armas usadas na luta contra a obesidade têm sido muitas e diferentes. Mas o aumento do número de pessoas que, em todo o mundo, vivem com peso a mais e as consequências individuais e para a sociedade das dietas desregradas, têm levado diferentes instituições, como a Organização Mundial da Saúde, a pedir mais. Agora, um novo estudo confirma que taxar os produtos de pastelaria teria substancialmente mais impacto sobre a variação de peso nos adultos do que o imposto que, de forma semelhante, levou ao aumento de preço das bebidas açucaradas.

Contas feitas, este aumento pode reduzir a ingestão de energia e o Índice de Massa Corporal (IMC) para mais do que o dobro do observado com a taxa aplicada aos refrigerantes.

Desde 1975 que a prevalência mundial de obesidade triplicou em todo o mundo, de acordo com dados publicados na revista científica The Lancet. Em Portugal, os números da Direção-Geral da Saúde confirmam a dimensão do problema: 57% dos adultos nacionais apresentam excesso de peso, o que inclui a pré-obesidade e a obesidade, ou seja, 5,9 milhões de pessoas. 

Daqui surgem encargos sociais, económicos e de saúde, que justificam o uso da política fiscal para melhorar a dieta e a saúde: ao mesmo tempo que altera as compras dos consumidores, incentiva os fabricantes e produtores a reformularem ou aumentarem a disponibilidade de opções mais saudáveis. Além disso, a tributação gera receita que, teoricamente, pode ser gasta em cuidados e promoção da saúde. 

Mas até aqui as estratégias de tributação para reduzir o consumo de açúcar e energia têm-se concentrado nas bebidas açucaradas.

No entanto, os especialistas consideram que os lanches com alto teor de açúcar, como os produtos de pastelaria, podem gerar uma contribuição mais substancial para a ingestão de açúcares e energia livres do que as bebidas açucaradas. E foi isso que pretenderam provar. 

Os efeitos num aumento do preço dos produtos de pastelaria

O novo estudo, publicado no British Medical Journal, teve por base um conjunto de dados de 36.324 famílias do Reino Unido, e partiu do princípio, confirmado pela ciência, que a ingestão excessiva de açúcares aumenta o risco de obesidade.

Pauline F. D. Scheelbeek, investigadora da London School of Hygiene and Tropical Medicine e os colegas debruçaram-se sobre o tema e concluem que aumentar o preço dos lanches açucarados pode ser mais eficaz na redução da massa corporal.

Para um aumento de 20% no preço, reduz-se o consumo de energia, estimando-se uma também redução no IMC que chega aos 0,53. Uma mudança que, de acordo com os cientistas, pode reduzir, no prazo de um ano, a prevalência de obesidade no Reino Unido em 2,7 pontos percentuais. 

“A nossa análise fornece aos formuladores de políticas estimativas da magnitude relativa do impacto de um cenário de aumento de preços dos lanches com elevado teor de açúcar. E sugere que essa opção seja digna de mais investigação e considerações, como parte de uma abordagem integrada para combater a obesidade”, lê-se no documento.