redução de açúcar na Coca-Cola

Coca-Cola reduziu 33% do conteúdo de açúcar por litro

Por | Nutrição

Numa altura em que a redução dos níveis de açúcar nos alimentos e bebidas se tornou uma verdadeira batalha, alimentada pelo aumento do número de casos de doenças associadas ao seu consumo excessivo, várias têm sido as empresas apostadas em reformular as suas ofertas. É o caso da Coca-Cola que, nos últimos 18 anos, conseguiu reduzir 33% o conteúdo de açúcares por litro do total de vendas em Portugal.

Uma redução que resulta de uma aposta na inovação, através da reformulação de produtos para reduzir ou eliminar o conteúdo de açúcar das bebidas, assim na oferta de novas opções de bebidas com menor teor de açúcar adicionado.

Desta forma, desde 2014 que tem reduzido o açúcar na maioria das suas marcas no nosso país, algo que continua a fazer.

Contas feitas, desde 2014 que a marca reduziu, em Portugal, a percentagem de açúcares adicionados nas bebidas, como é disso exemplo a redução de 86,5% na Fanta Uva, 81,8% na Sprite ou 42,9% no Nestea Limão.

Para além disso, as bebidas sem ou com baixas calorias já representam 34% do total de vendas da Coca-Cola em Portugal.

Produtos sem açúcar, light ou zero já representam 25% da oferta

Foi a partir de 2010 que a Coca-Cola começou a oferecer, em Portugal, uma alternativa sem adição de açúcar na maioria das marcas e já tem uma opção sem adição de açúcar na maioria das categorias de bebidas.

No caso de bebidas biológicas, todas apresentam certificação biológica, são 100% elaboradoras a partir de ingredientes biológicos, não levam corantes nem conservantes e contêm um reduzido teor de adoçantes biológicos.

Desta forma, a companhia conta atualmente com 105 referências de bebidas, das quais 27 correspondem a produtos sem açúcar adicionado, light ou zero, o que representa mais de 25% do portefólio total.

E aposta também numa maior informação nutricional na rotulagem que favoreça as decisões corretas do consumidor, bem como a promoção da utilização de embalagens mais pequenas.

Vários tamanhos e informação nutricional detalhada

Foi também a pensar no controlo da ingestão de açúcares e calorias que a Coca-Cola em Portugal coloca à disposição dos consumidores vários formatos e embalagens, oferecendo até 16 opções de tamanhos diferentes, para que, de forma esclarecida, os consumidores possam escolher o que melhor se adapta a cada momento e ocasião.

Do mesmo modo, continua a trabalhar para ter uma informação nutricional ampla e clara para que o consumidor possa tomar decisões corretas com base em todas as informações disponíveis na rotulagem de todos os seus produtos.

adoçantes não fazem mal ao intestino

Impacto negativo dos adoçantes no intestino sem provas

Por | Nutrição

Não há evidências suficientes para associar os adoçantes não calóricos ao aumento do apetite, ingestão a curto prazo ou risco de desenvolver diabetes ou cancro. A garantia é dada por um novo estudo, que fez a revisão de vários trabalhos sobre o tema.

Publicado recentemente na revista científica Advances in Nutrition, o trabalho confirma que “são necessárias mais investigações sobre os efeitos dos adoçantes na composição da microbiota intestinal dos seres humanos para, assim, confirmar qualquer efeito que possa ter sido encontrado em estudos experimentais em animais”.

É por isso que Ángel Gil, presidente da Fundação Ibero-Americana de Nutrição (FINUT) e professor de Bioquímica e Biologia Molecular na Universidade de Granada, considera que “todos os adoçantes aprovados na União Europeia são seguros e o seu impacto na microbiota é insignificante, desde que a ingestão diária seja inferior à dose diária admissível. Para além disso, os adoçantes de baixas calorias parecem ter efeitos benéficos por se comportarem como autênticos prébióticos”.

Os perigos do açúcar

O consumo de açúcares, sobretudo sacarose, tem vindo a aumentar em todo o mundo, o que tem causado preocupação quanto aos possíveis efeitos adversos para a saúde e ao desenvolvimento de doenças crónicas. Tanto é, que instituições como a Organização Mundial da Saúde recomendaram a redução do consumo de açúcares livres.

É aqui que entram os adoçantes, capazes de substituir os açúcares porque imitam o seu sabor doce, mas têm pouco ou nenhum impacto na ingestão diária de energia e são frequentemente mais doces do que a sacarose.

Consumo de adoçantes é “seguro”

O principal objetivo desta revisão foi sintetizar e analisar, de uma forma crítica, as evidências sobre os efeitos dos adoçantes na composição da microbiota no intestino humano.

Uma análise que permitiu observar que, “entre os adoçantes não nutritivos e não calóricos, apenas a sacarina e a sucralose provocam mudanças significativas na microbiota, embora o seu impacto na saúde humana seja desconhecido”, explica o Ángel Gil. 

Como todos os outros aditivos alimentares, os adoçantes não calóricos estão sujeitos a um controlo rigoroso de segurança realizado pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, a agência norte-americana Food and Drug Administration, bem como outras instituições internacionais, como o Comité Misto FAO/OMS de Peritos no domínio dos Aditivos Alimentares e a Agência Internacional para a Investigação do Cancro.

Por isso, “a utilização de adoçantes, que passa por controlos rigorosos por parte destes organismos, é segura dentro dos níveis da Dose Diária Admissível”, conclui Ángel Gil.

comida funcional ajuda a combater doenças

A comida como ‘medicamento’: livro sugere as melhores receitas para tratar doenças

Por | Nutrição

Não é mais um livro de dietas. E também não é outro repositório de receitas que promete mundos e fundos. O novo livro da nutricionista Lillian Barros, A Comida que vai Mudar a sua Vida, procura antes desenvolver o tema da nutrição funcional, aquela que, mais do encher a barriga, previne e ajuda a combater doenças.

“Valorizam-se as «calorias boas», a «comida que faz bem» e incentiva-se o regresso do prazer de comer”, refere a especialista, comentando, nas primeiras páginas do livro, editado pela Manuscrito, que muita coisa mudou nos últimos anos no que à alimentação diz respeito. 

A dieta deixou de ser um conjunto de alimentos proibidos, de ingredientes que não podemos colocar no prato sob pena de perder o comboio do corpo perfeito, para passar a ser uma lista do que podemos e devemos incluir na alimentação diária, com o objetivo de nos fazer sentir bem e até mesmo curar problemas existentes.

Testemunho de sucesso na primeira pessoa

“Receitas práticas, simples, saborosas e sobretudo que ajudam a encontrar o seu estado máximo de vitalidade” é o que promete este livro, que oferece soluções à medida de diferentes problemas de saúde, desde colesterol, osteoporose, anemia, obstipação, entre muitos outros.

Que tal uma Salada de Quinoas Tricolor para reforçar o sistema imunitário? Ou um Gelado de Amendoim para aumentar a energia? Ou ainda um Frango de Limonada para normalizar a tensão arterial? Estas são apenas algumas receitas que, garante a nutricionista, funcionam.

E o melhor exemplo disso mesmo é a própria que, antes de completar três décadas de vida, foi confrontada com uma sarcoidose, doença autoimune rara, cujo tratamento inclui a toma de corticoides durante longos períodos de tempo. Medicação que é conhecida por provocar aumento de peso.

Foi não só para o evitar, mas sobretudo para conseguir, como explica, uma “alimentação verdadeiramente anti-inflamatória, preventiva e energizante, para fazer frente às consequências” do que era a sua doença que decidiu olhar para o que comia com ainda mais atenção.

E não tem dúvidas que a alimentação foi “o melhor remédio” para fazer frente à consequências da medicação tomada.

O novo livro da nutricionista incide sobre a nutrição funcional.

escolher os snacks para o ginásio

Vai comer depois do ginásio? Então é melhor escolher o snack antes

Por | Nutrição

Acabou de fazer uma hora de exercício no ginásio, queimou calorias, esforçou-se, suou as estopinhas. A sensação de satisfação e orgulho é grande. Neste momento, se tivesse que escolher um snack pós-treino, qual seria: mantinha-se na linha e optava por uma maçã ou cedia à tentação e satisfazia a gula com um brownie?

A verdade é que um lanchinho pode ameaçar desfazer as conquistas feitas com o treino. Mas a escolha depende da altura em que esta é feita, revela um novo estudo da Universidade de Nebraska-Lincoln.

Karsten Koehler, Christopher Gustafson e os colegas realizaram uma experiência com dois grupos de pessoas, a quem pediram que fizessem a sua rotina de exercícios normal.

Antes disso, no entanto, foi pedido aos membros do primeiro grupo que optassem entre uma maçã, um brownie ou não comer após a sessão de exercícios. Aos do outro grupo foi apresentada a mesma escolha, mas depois de já terem feito o treino.

Contas feitas, cerca de 74% dos participantes do primeiro grupo optaram por uma maçã, comparando com 55% daqueles que fizeram igual pedido, mas depois do treino feito. E enquanto apenas 14% do grupo pré-exercício optou pelo brownie, dois em cada dez participantes do segundo deixaram-se seduzir pelo chocolate.

O que, concluem os especialistas, sugerem que o melhor é fazer este tipo de escolhas com antecedência, aumentando assim a probabilidade de comer de forma mais saudável.

O quando influencia as escolhas

“Verificamos que havia muito pouca investigação sobre este tema, com qual muitos de nós nos podemos relacionar”, explica Koehler, professor assistente do Departamento de Nutrição e Ciências da Saúde.

“Se o seu objetivo é perder peso, então eu diria que as nossas descobertas sustentam que é melhor fazer a escolha… não quando está com fome, depois do treino, mas antes deste.”

Tanto a recomendação, assim como os dados que a sustentam, vão ao encontro de uma investigação mais vasta sobre a dinâmica entre o momento e a escolha dos alimentos.

Alimentação como compensação?

O estudo testou também outra teoria, a de que a alimentação serve como compensação, sugerindo que as pessoas consomem alimentos mais calóricos após o ginásio para compensar as calorias gastas durante o tempo passado no mesmo.

“Tem havido muitos estudos de laboratório que analisaram o apetite e a fome”, refere Koehler.

“A maioria destes estudos descobriu que, logo após o ginásio, as pessoas parecem ter menos fome. Sempre olhei para estes estudos e questionei se o impacto é assim tão grande que as pessoas dizem: como não estou com fome, vou fazer uma escolha realmente boa? Mas, conhecendo-me a mim e a muitos outros praticantes de exercício, tenho também a noção de que, depois do ginásio, queremos é uma recompensa”, acrescenta.

Apesar da aparente contradição, a equipa encontrou indícios de ambos. Embora modesto, o aumento de 6% na escolha dos brownies entre os grupos pré e pós-exercício vai de encontro à noção de alimentação compensatória.

Mas a ideia de que temos menos fome é clara: os 12% que, antes do exercício, não quiseram comer aumentou para 25% no grupo pós-exercício.

A exigência no trabalho gera stress

Quando a exigência no trabalho é elevada, as mulheres ganham… peso

Por | Nutrição

A lista do que nos pode fazer engordar é grande, mas acaba de crescer com os resultados de um novo estudo, que revela que a exigência no trabalho predispõe para os quilos a mais. Um problema ao qual os homens escapam.

A avaliação de mais de 3.800 pessoas na Suécia confirma isso mesmo, que “a elevada pressão laboral tem um papel no ganho de peso das mulheres”, não existindo essa associação no caso dos homens, segundo Sofia Klingberg, principal autora do trabalho e investigadora em medicina comunitária e saúde pública na Academia Sahlgrenska de Gotemburgo.

Pressão prolongada proporciona aumento de 20% no peso

A relação entre o peso corporal e a exigência no trabalho foi avaliada, junto dos participantes, em três ocasiões específicas ao longo de 20 anos.

Questionados sobre o seu ritmo laboral, pressões psicológicas, tempo para realização das suas funções e pedidos contraditórios, os homens e as mulheres incluídas no estudo responderam ainda a perguntas sobre a frequência com que aprendiam algo novo, se o trabalho exigia imaginação ou competências avançadas e se o entrevistado foi pessoalmente capaz de escolher o que fazer e como fazê-lo.

Os resultados revelam que aqueles com pouco controlo sobre o seu trabalho ganharam mais frequentemente peso considerável, ou seja, 10% ou mais, no decorrer do estudo. Algo válido para homens e mulheres.

No entanto, a exposição prolongada a pressões elevadas desempenhou um papel apenas junto das mulheres, tendo sido verificado um aumento de peso em mais de metade dos elementos do sexo feminino que tinham sido submetidos a pressões elevadas. Peso que foi cerca de 20% superior ao das mulheres que não sentiam pressão.

“Quando se fala de elevados níveis de pressão no trabalho, apenas as mulheres foram afetadas. Não investigamos as causas subjacentes, mas pode ser uma combinação da exigência no trabalho com a maior responsabilidade no lar, que as mulheres geralmente assumem. Isso pode dificultar o tempo para se exercitarem e terem uma vida saudável”, refere a investigadora.

Ter ou não uma formação académica não explica as associações encontradas no estudo. Nem a qualidade da dieta ou outros fatores associados ao estilo de vida. 

Estudo reforça importância de luta contra o stress no trabalho

Tendo em conta os problemas associados ao stress no trabalho, o estudo torna-se relevante em termos de saúde pública. Os investigadores acreditam que a identificação de grupos suscetíveis ao stress e a implementação de esforços para reduzir esse stress iria, provavelmente, reduzir não apenas o ganho de peso, mas também a incidência de problemas de saúde, incluindo doenças cardiovasculares e diabetes.

Descubra aqui qual o seu nível de stress no trabalho

genes influenciam magreza

Ser magro não é para todos e a culpa é dos genes

Por | Nutrição

Porque é que algumas pessoas, por mais que façam, não conseguem emagrecer? E porque é que, pelo contrário, há outras que mantêm a elegância e, pior, sem esforço aparente? Não parece justo, dirão os que passam horas no ginásio e selecionam os alimentos de acordo com uma exaustiva análise calórica. A resposta a estas perguntas já existe e a má notícia é que não há muito a fazer sobre o assunto.

No maior estudo do género feito até hoje, investigadores da Universidade de Cambridge analisaram o tema e verificaram que a culpa é dos genes, ou seja, os dados genéticos estão do lado das pessoas magras e contra aqueles que se encontram no extremo oposto.

O ambiente não justifica tudo

É verdade que os estilos de vida em muito têm contribuído para o aumento dos números da obesidade, já transformada em epidemia. O acesso fácil a alimentos muito calóricos, aliado aos estilos de vida sedentários, têm impulsionado este crescimento.

Mas ainda assim, numa população que partilha o mesmo ambiente, encontram-se pessoas mais e menos gordas. De resto, há mesmo aqueles que parecem comer tudo o que gostam sem aumentar de peso.

Com o apoio do European Research Council, uma equipa liderada por Sadaf Farooqi, da Universidade de Cambridge, decidiu examinar porque é que algumas pessoas têm mais facilidade em ser magras do que outras.

Estudos feitos em gémeos já tinham mostrado que os genes têm um papel importante na variação do peso corporal. Mas até hoje, estes trabalhos tinham-se concentrado em pessoas com excesso de peso, sendo já conhecidos centenas de genes que aumentam a probabilidade de uma pessoa ter peso a mais.

Genes garantem magreza

Para este estudo, a equipa de Sadaf Farooqi conseguiu recrutar 2.000 pessoas magras (com um índice de massa corporal inferior a 18 kg/m2), mas saudáveis, sem condições médicas ou distúrbios alimentares.

Recolhidas amostras de saliva para permitir análises de ADN, foi pedido aos participantes que respondessem a perguntas sobre a sua saúde e estilos de vida.

Com a ajuda de Inês Barroso, do Wellcome Sanger Institute, foram comparadas as amostras de ADN de cerca de 14.000 pessoas – 1.622 voluntários magros, 1.985 muito obesos e 10.433 com peso normal.

E, para além das variantes genéticas já identificadas como desempenhando um papel na obesidade, foram encontradas novas regiões genéticas envolvidas também na magreza saudável.

As boas notícias vão para quem tem estes genes, que apresentam uma pontuação de risco genético muito menor, ou seja, têm menos variantes genéticas que sabemos que aumentam as hipóteses de uma pessoa estar acima do peso.

Magros sem esforço

“Esta investigação revela, pela primeira vez, que pessoas saudáveis ​​e magras são geralmente magras porque têm uma menor carga de genes que aumentam as hipóteses de estarem acima do peso e não porque são moralmente superiores, como algumas pessoas gostam de sugerir”, explica Sadaf Farooqi.

“É fácil criticar as pessoas pelo seu peso, mas a ciência mostra que as coisas são muito mais complexas. Temos muito menos controlo sobre nosso peso do que poderíamos pensar.”

“Já sabemos que as pessoas podem ser magras por diferentes motivos”, acrescenta o especialista. “Algumas simplesmente não estão interessadas em comida, enquanto outras podem comer o que gostam, mas nunca engordam. Se pudermos encontrar os genes que os impedem de engordar, podemos ser capazes de encontrar novas estratégias de perda de peso e ajudar as pessoas que não têm essa vantagem.”

a dieta do futuro

A dieta que promete salvar o mundo

Por | Nutrição

Imagine um prato. Agora imagine que a maior parte desse prato se encontra coberta por vegetais. A fruta tem também lugar de destaque, assim como os cereais. A carne vermelha, essa não deve ultrapassar os 14 gramas diários, com o açúcar a reduzir para metade.

Este é o cenário da alimentação ideal em 2050, com o consumo da carne vermelha e do açúcar a cair para metade e o de frutos secos, fruta, verdura e legumes a aumentar para o dobro.

Um cenário que, de acordo com vários especialistas internacionais, será a única forma de alimentar a população crescente de 10 mil milhões de pessoas até 2050, de uma forma saudável e sustentável.

Evitar 11 milhões de mortes prematuras anuais

Um regime alimentar pouco saudável é a principal causa de doenças em todo o mundo. Mudar estes hábitos podia, por si só, evitar aproximadamente 11 milhões de mortes prematuras por ano.

Uma mudança em direção à alimentação saudável a uma escla planetária que garantiria ainda a sustentabilidade do sistema alimentar global, urgentemente necessária, segundo os especialistas, uma vez que mais de três mil milhões de pessoas estão desnutridas, com a produção de alimentos a ultrapassar os limites do planeta e a impulsionar as alterações climáticas, perda de biodiversidade e poluição.

Foi para isso que a Comissão EAT-Lancet decidiu fornecer os primeiros alvos científicos para uma dieta saudável a partir de um sistema sustentável de produção, que opera dentro dos limites planetários.

Um relatório que promove dietas que consistem numa variedade de alimentos à base de plantas, com baixas quantidades de alimentos de origem animal, grãos refinados, alimentos altamente processados ​​e açúcares adicionados e com gorduras insaturadas em vez de saturadas.

É preciso mudar a produção de alimentos

A alimentação está intrinsecamente associada à saúde e a sustentabilidade ambiental, mas as dietas atuais estão a empurrar a Terra para além dos seus limites, tornando o fornecimento de dietas saudáveis ​​a partir de sistemas alimentares sustentáveis ​um desafio imediato, já que a população continua a crescer e consumir cada vez mais alimentos de origem animal.

Para enfrentar este desafio, as mudanças na dieta devem combinar-se com uma melhor produção de alimentos e redução do seu desperdício. 

“Os alimentos que comemos e como os produzimos determinam a saúde das pessoas e do planeta, e atualmente estamos a errar seriamente”, garante um dos autores da comissão, Tim Lang, professor da Universidade de Londres, no Reino Unido.

“Precisamos de uma revisão significativa, de mudar o sistema global de alimentos numa escala nunca vista antes, de acordo com as circunstâncias de cada país. Embora este seja um território político não mapeado e estes problemas não sejam facilmente resolvidos, essa meta está ao nosso alcance.”

Menos carne vermelha, mais vegetais

Constituída por 37 especialistas de 16 países com experiência em saúde, nutrição, sustentabilidade ambiental, sistemas alimentares, economia e governação política, a Comissão tem como alvos científicos uma dieta saudável.

Dieta essa que, de acordo com as novas recomendações, exige que, até 2050, o consumo global de alimentos como carne vermelha e açúcar diminua em mais de 50%, enquanto o consumo de frutos secos, frutas, verduras e legumes aumente para o dobro.

Os alvos globais devem ser aplicados localmente. Por exemplo, os países da América do Norte comem quase 6,5 vezes a quantidade recomendada de carne vermelha, enquanto os países do sul da Ásia comem apenas metade do valor recomendado.

Todos os países estão a comer mais vegetais ricos em amido (batatas e mandioca) do que o recomendado, com consumos que variam entre 1,5 vezes acima da recomendação no sul da Ásia e 7,5 vezes na África Subsariana.

“As dietas do mundo devem mudar drasticamente. Mais de 800 milhões de pessoas têm comida insuficiente, enquanto muitas mais consomem uma dieta pouco saudável, que contribui para a morte prematura e doenças”, afirma Walter Willett, da Universidade de Harvard.

“Para ser saudável, as dietas devem ter uma ingestão calórica apropriada e consistem numa variedade de alimentos à base de plantas, baixas quantidades de alimentos de origem animal, gorduras insaturadas e não saturadas, e poucos grãos refinados, alimentos altamente processados ​​e açúcares adicionados.”

fibra protege a saúde

Solução simples para proteger das doenças mais graves está no prato

Por | Nutrição

Há alimentos que fazem mal à saúde e dos quais tendemos a abusar. E depois há outros, aqueles que, embora capazes de proteger o organismo de várias doenças, tendemos a deixar de fora do prato. Um erro que nos custa a saúde, alertam os especialistas, que identificaram um alimento sem o qual não devemos mesmo passar.

A revisão de dezenas de estudos realizados ao longo de mais de quatro décadas leva os investigadores da universidade australiana de Otago a afirmar que há uma relação entre um tipo de alimentos e a redução no risco de um conjunto alargado de doenças não transmissíveis.

Um alimento que não é assim tão caro e que reduz o risco de morte, nos faz pesar menos e baixa o colesterol. Resta saber qual a fonte de saúde de que nos andamos a esquecer. E esta é, nada mais, nada menos, que a fibra, responsável por uma redução de 15 a 30% nas mortes e incidência de doenças cardíacas, AVC, diabetes tipo 2 e cancro colorretal.

Andrew Reynolds, especialista do Departamento de Medicina e do Centro de Pesquisa em Diabetes e Obesidade daquela universidade, principal autor do estudo, refere que os resultados fornecem evidências convincentes de que devemos aumentar a nossa ingestão de fibra e substituir os grãos refinados pelos integrais.

Portugueses ingerem apenas 12 gramas por dia

“A nossa investigação indica que devemos consumir pelo menos 25 a 29 gramas de fibra diariamente, embora a maioria de nós atualmente consuma menos de 20 gramas diárias”, explica Andrew Reynolds.

Em Portugal, os dados de um estudo recente confirmam que assim é. Em média, os portugueses não vão além do consumo de 12,7 gramas de fibra diárias.

“Para aumentar, de forma prática, a ingestão de fibra basta basear as refeições e lanches em grãos integrais, legumes, leguminosas e frutas inteiras.”

Por cada 1.000 participantes nos estudos avaliados, o impacto do consumo elevado da ingestão de fibra traduziu-se em menos 13 mortes e menos seis casos de doença coronária, quando comparando com aqueles que consomem dietas mais baixas em fibra.

“Este estudo é essencial, pois há uma grande confusão pública sobre no que é que devemos basear as nossas escolhas alimentares e o impacto que estas têm sobre o risco de certas doenças”, refere Jim Mann, coautor do trabalho.

“Embora todos soubéssemos que a fibra é boa para nós, não sabíamos até que ponto esta teoria antiga era verdadeira”, acrescenta.

Contra o aumento de peso e o colesterol alto

O estudo, publicado na revista internacional The Lancet, analisou 58 ensaios clínicos e 185 estudos prospetivos de todo o mundo, que avaliaram o papel da fibra, grãos integrais, índice e carga glicémica na saúde.

Jim Mann considera este trabalho único, na medida em que examinou uma série de indicadores da qualidade dos hidratos de carbono e de muitos desfechos de doenças, enquanto estudos anteriores geralmente analisaram um indicador e um único ou pequeno número de doenças.

E ficou claro, pela avaliação feita, que as pessoas que aumentaram a quantidade de fibra na sua dieta tiveram menor peso corporal e colesterol total.

“Também descobrimos um efeito esmagadoramente positivo, com dietas ricas em fibras a protegerem contra doenças cardíacas, diabetes, cancros”, refere.

Avaliada foi também a ingestão de grãos integrais, que mostrou benefícios protetores.

“Aqui não há surpresas, uma vez que os grãos integrais, como a aveia e o pão integral, podem ser as principais fontes de fibra na dieta”, afirma Andrew Reynolds.

“As fibras e os grãos integrais são importantes fisiologicamente, metabolicamente e até mesmo para os microbiomas intestinais. Comer alimentos ricos em fibras e grãos integrais tem um benefício claro para a nossa saúde, reduzindo a ocorrência de um grupo surpreendentemente vasto de doenças importantes”, reforça.

A receita certa para a saúde

Aveia, cevada, verduras, leguminosas, maçãs e citrinos são alguns dos alimentos mais ricos em fibras e cujo consumo devemos reforçar, assim como os vegetais de folha verde, cereais integrais e farelo de trigo.

má alimentação mata

Má alimentação matou prematuramente 178.000 na UE

Por | Nutrição

Em 2016, 4,3 milhões de pessoas perderam a vida, na Europa, na sequência de doenças cardiovasculares. Destas, 2,1 milhões foram consequência de uma má alimentação. As contas são feitas por uma equipa internacional, que confirma o que há muito se defende: o cuidado com o que se põe no prato pode salvar vidas.

Ao todo, os 28 estados membros da União Europeia (UE) contribuíram com cerca de 900.000 mortes evitáveis; a Rússia com 600.000 e a Ucrânia com 250.000.

Publicado no European Journal of Epidemiology, o estudo que o denuncia avaliou os dados recolhidos entre 1990 e 2016 sobre a prevalência de doenças cardiovasculares, como enfartes e AVC, nos 51 países que compõem a região europeia definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O que, para além dos estados-membros da UE, inclui ainda outros países europeus, estados do Médio Oriente e da Ásia Central, como a Arménia, Azerbaijão, Israel, Cazaquistão ou Turquia.

Produtos refinados aumentam risco

Com base no consumo alimentar e outros fatores de risco, os investigadores calcularam a percentagem de mortes atribuíveis a uma má alimentação.

E nem todos os países são iguais: em 2016, 160.000 mortes (46% de todas as mortes cardiovasculares) foram associadas a uma dieta desequilibrada na Alemanha, 97.000 (41%) na Itália, 75.000 (41%) na Grã-Bretanha e 67.000 (40%) em França.

Em Israel e Espanha, no entanto, apenas uma em cada três mortes cardiovasculares prematuras estava relacionada com a dieta.

“O aumento do consumo de produtos com farinha refinada e baixo teor de fibras levou a um aumento das doenças cardiovasculares nos últimos anos”, refere Toni Meier, especialista que liderou o estudo.

“As nossas descobertas são essenciais para as políticas de saúde e devem ser incorporadas no desenvolvimento de estratégias futuras de prevenção”, acrescenta Stefan Lorkowski, co-autor do estudo.

“Devemos fazer um melhor uso do potencial de uma dieta equilibrada e saudável, caso contrário, as doenças cardiometabólicas serão a causa de ainda mais mortes evitáveis ​​no futuro.”

Homens afetados mais cedo

Às diferenças entre países juntam-se as diferenças de idade e género: os homens tendem a ser afetados numa idade mais jovem, enquanto as mulheres só  são a partir dos 50 anos.

Em 2016, cerca de 601.000 pessoas com menos de 70 anos morreram de doenças cardiovasculares relacionadas com a dieta, 420.000 homens e 181.000 mulheres, sendo na Ásia Central que se registaram os valores mais elevados de mortes associadas à má alimentação entre os menores de 70 anos.

Na UE, foram contabilizadas 178.000 mortes prematuras relacionadas com o que comemos – 132.000 homens e 46.000 mulheres -, o que corresponde a quase 20% das mortes por doenças cardiovasculares.