Criada nova ferramenta que reduz o risco da polimedicação

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Com uma população cada vez mais envelhecida, a Europa enfrenta um aumento da prevalência de doenças crónicas. E, com mais doentes, há também necessidade prescrever mais medicamentos. Contas feitas, cerca de 25% da população com mais de 65 anos é hoje afetada pela chamada polimedicação, ou seja, a toma regular de pelo menos cinco medicamentos diferentes, o que faz crescer o risco de interações medicamentosas e eventos adversos. É para o evitar que surge uma nova ferramenta.

“Trabalhos anteriores mostraram que entre 5 e 10% de todos os internamentos de emergência de doentes idosos são atribuíveis a medicamentos”, afirma Andreas Sönnichsen, da MedUni Vienna, líder do projeto internacional “PRIMA-e-DS”, que desenvolveu e testou uma ferramenta eletrónica que serve de apoio à decisão.

O objetivo? Ajudar a evitar uma polimedicação inadequada e perigosa.

Financiado pela União Europeia, o estudo, agora publicado no British Medical Journal, concluiu que os riscos da polimedicação podem ser facilmente evitados, sem prejuízo para os doentes.

Decisão eletrónica

“A revisão regular e meticulosa dos medicamentos por um clínico geral é praticamente impossível, uma vez que estes não têm tempo nem conhecimento farmacológico abrangente. Por isso, estabelecemos o objetivo de desenvolver uma ferramenta eletrónica simples, de suporte à decisão para os clínicos gerais, que identificassem casos de polimedicação perigosa”, acrescenta o especialista.

A ideia foi colocada em prática nos últimos sete anos no contexto do projeto “PRIMA-eDS”, que significa “Polifarmácia: Redução de Medicamentos Inadequados e Eventos Adversos a Medicamentos em Populações Mais Velhas pelo Suporte Eletrónico à Decisão” e que juntou equipas de investigadores de cinco países – Finlândia, Reino Unido, Alemanha, Itália e Áustria.

A ferramenta é alimentada por vários bancos de dados farmacológicos e combina-os com dados individuais dos doentes (diagnósticos, função renal, etc.).

“A vantagem do computador é que, em questão de segundos, pode exibir todas as interações conhecidas, erros de dosagem e intolerâncias individuais, mesmo quando vários medicamentos estão a ser administrados simultaneamente. O importante é que a ferramenta seja alimentada por um completo conjunto de dados”, reforça o investigador.

Para o estudo clínico que agora foi publicado, o programa foi testado num grupo de 4.000 pessoas, durante um período de dois anos.

“Demonstramos que a ferramenta reduz o número de medicamentos prescritos numa média de aproximadamente 0,5 medicamentos por doente”, resume Sönnichsen.

“Há também uma tendência de redução nas internações hospitalares. No entanto, esse resultado é significativo apenas se os participantes os médicos seguiram exatamente o protocolo do estudo”.

Segue-se agora avaliações adicionais para determinar se é possível obter uma economia de custos através do uso da ferramenta.

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