São cada vez mais os que, jovens e menos jovens, usam aparelho ortodôntico. O Notícias Saúde esteve à conversa com Khaled Kasem, chefe de ortondontia da Impress, sobre os avanços nesta área e o papel da correção dentária e o seu impacto na autoestima. 

A ortodontia invisível está disponível para toda a gente? Ou seja, qualquer pessoa pode usar aparelhos invisíveis ou estes são apenas indicados em alguns casos?
O tratamento de ortodontia invisível é aconselhável a todas as pessoas, a partir dos 10 ou 12 anos, altura em que os jovens têm já dentição mista. A partir dessa idade, qualquer pessoa é elegível para ser tratada através da ortodontia invisível, mas, como é normal, todos os casos devem ser avaliados individualmente de forma a perceber quais as necessidades de cada um. A maioria dos casos, cerca de 80%, são de tratamento simples e levam cerca de seis meses, mas existem casos mais complexos que exigem técnicas e métodos especiais, e que levam mais tempo. Independentemente da complexidade dos casos, todos são tratáveis através da ortodontia invisível.

Ter um aparelho quase que se banalizou atualmente (há uns anos era apenas um exclusivo de alguns). Corremos o risco de ter cada vez mais pessoas a usar aparelhos sem necessidade?
Acredito que vamos continuar a ter cada vez mais pessoas a utilizar aparelho ortodôntico, porque a odontologia em geral e a ortodontia em particular estão a avançar, mas não diria sem necessidade. É verdade que existe esse sentimento de que o uso de aparelho ortodôntico se tornou comum, mas a realidade é que o tratamento ortodôntico, tradicional ou invisível, é um investimento caro; então, a grande maioria das pessoas não investe nele se realmente não houver necessidade. Eu acredito que as pessoas valorizam cada vez mais a sua imagem e procuram sentir-se bem e confiantes na sua pele e, dado que o sorriso é, normalmente, muito importante para a sua autoestima, tendem a investir num tratamento que lhes dê essa confiança.

“Eu acredito que as pessoas valorizam cada vez mais a sua imagem e procuram sentir-se bem e confiantes na sua pele e, dado que o sorriso é, normalmente, muito importante para a sua autoestima, tendem a investir num tratamento que lhes dê essa confiança.”

A questão estética está a sobrepor-se à funcional?
O tratamento da ortodontia invisível é, antes de mais, um tratamento de saúde, pois o alinhamento dos dentes permite facilitar a digestão, evitar cáries e doenças periodontais e melhorar a fala. Porém, no que diz respeito à estética, é também uma vantagem por oferecer uma solução mais discreta e confortável e é por isso que somos muito procurados na Impress, havendo um equilíbrio entre as duas vertentes.

Quais as vantagens da ortodontia invisível?
A ortodontia invisível reúne uma série de vantagens quer ao nível da saúde e bem-estar, quer a nível estético. Em comparação com outros tipos de ortodontia, é uma opção mais discreta e cómoda, ao permitir pôr e tirar os alinhadores em várias circunstâncias, o que contribui igualmente para uma maior facilidade no cuidado da higiene oral e para uma melhor vida social. Além disso, é uma solução menos dolorosa, pois utiliza materiais e técnicas que não implicam dor, sendo o tipo de ortodontia mais segura, em qualquer circunstância. Por fim, outra das grandes vantagens prende-se com o tempo do tratamento, sendo que, habitualmente, os dentes ficam alinhados em cerca de seis meses, na maioria dos casos, e os resultados são garantidos.

Em termos de preços, quais as diferenças (são muito mais caros, compensa…)?
Ao nível do preço, qualquer tratamento ortodôntico é dispendioso e no caso da ortodontia invisível, ao utilizar a tecnologia mais recente no seu tratamento, acaba por ser menos acessível que a tradicional. Ainda assim, é um investimento que, sem dúvida, compensa. 

Quem procura mais este tipo de soluções?
Em Portugal, a maioria das pessoas que procura a Impress para iniciar um tratamento de ortodontia invisível está entre os 20 e 40 anos e não verificamos uma diferença de géneros assinalável. A verdade é que cada vez mais jovens e adultos, sejam homens ou mulheres, procuram cuidar melhor de si e da sua imagem, sem idade ideal ou maior propensão para um determinado género de investir nesse tipo de tratamento.

Em termos de resultados, a ortodontia invisível tem alguma vantagem?
A ortodontia invisível tem a grande vantagem de ter resultados previsíveis, ou seja, ao contrário dos aparelhos tradicionais, não se ajusta manualmente, o que nos permite conseguir saber ao certo quanto tempo vai durar o tratamento, como a boca se irá alterar ao longo do processo e como o sorriso irá ficar no final.

A Impress tem uma aposta forte no digital. Isto é o resultado do estado de pandemia em que nos encontramos ou já era o vosso posicionamento?
O nosso conceito passa exatamente por conciliar a alta tecnologia com a tradição. Somos tradicionais no planeamento do tratamento, aquando da realização do check-up completo dos dentes, da gengiva e de qualquer lesão que estejam da visão do examinador clínico. Mas somos profundamente digitais ao longo do restante processo, com um acompanhamento próximo através da nossa aplicação, que ajuda a detetar quaisquer interrupções imprevistas nos tratamentos e a antecipar possíveis problemas. Ainda assim, a Covid-19 trouxe a oportunidade de explorar novas opções e serviços que realmente foram muito bem-sucedidos e que tencionamos continuar a utilizar daqui em diante, como, por exemplo, as consultas iniciais virtuais. Além disso, a pandemia tem ajudado a sociedade a compreender melhor o papel facilitador que o digital tem e desempenhará cada vez mais no futuro da vida em comum, em qualquer setor, inclusive o ortodôntico.

“Não se trata apenas de ter os dentes alinhados, mas sim de passar a ser mais confiante, de deixar de ter vergonha, sorrir mais e ser mais feliz.”

A questão da visualização do aspeto final, através das novas tecnologias, é importante para os clientes, para a sua autoestima?
Sem dúvida! Conseguirmos prever como irá ficar o sorriso do paciente após o tratamento é muito importante para eles, porque acaba por criar uma meta clara logo no início, aumentando o entusiasmo e empenho na realização de todo o processo.

Há muito que se reforça a ideia de que a aposta na correção do que está menos bem na boca tem reflexos no bem-estar mental (autoestima). Qual é, pela sua experiência, esse impacto?
Pela minha experiência e de todos os meus colegas da Impress, a autoestima ocupa o primeiro lugar no topo das motivações dos pacientes que nos procuram. Ter os dentes alinhados é um contributo enorme para conseguirem ter mais confiança em si próprios e é essa confiança que acabam por procurar em nós. É muito gratificante ver como as pessoas ficam felizes e entusiasmadas ao irem acompanhando a evolução do seu sorriso e, sobretudo, quando conseguem o resultado que idealizavam. Não se trata apenas de ter os dentes alinhados, mas sim de passar a ser mais confiante, de deixar de ter vergonha, sorrir mais e ser mais feliz.