Uma equipa internacional de cientistas identificou uma proteína que, quando os seus níveis são elevados no sangue, pode indiciar a presença da causa mais comum de cegueira nos países desenvolvidos. Uma descoberta importante para o entendimento da degenerescência macular relacionada com a idade (DMI). 

Realizado por investigadores das Universidades de Manchester, Cardiff, Londres e Nijmegen, e pelo Manchester Foundation NHS Trust, o estudo, publicado na revista Nature Communications, identifica a proteína FHR4, que os especialistas encontraram, em níveis mais altos, no sangue de pessoas com DMI, quando comparando com as pessoas que não sofrem da doença.

De acordo com a investigação, a FHR4 parece ativar parte do sistema imunitário e é a sua ativação excessiva que se revela ser um fator causal importante da DMI.

Mais de 350.000 pessoas com DMI em Portugal

Os investigadores concluíram ainda, após a avaliação de um conjunto de variantes genéticas, o papel dos genes na determinação dos níveis da FHR4 no sangue.

Segundo Paul Bishop, especialista da Universidade de Manchester e um dos autores do trabalho, “as descobertas genéticas e de proteínas combinadas fornecem evidências convincentes de que a FHR4 é um controlador crítico da parte do sistema imunitário que afeta os olhos”.

“Mostramos que níveis mais altos de FHR4 no sangue geneticamente determinados conduzem à existência de mais FHR4 no olho, o que, por sua vez, aumenta o risco de uma resposta descontrolada do sistema imunitário, que causa a doença.”

Desta forma, acrescenta o também oftalmologista, “além de melhorar a compreensão de como a DMI é causada, este trabalho proporciona uma maneira de prever o risco da doença, simplesmente medindo os níveis sanguíneos da FHR4”, ao mesmo tempo que “fornece uma nova rota para o tratamento, reduzindo os níveis sanguíneos da FHR4 para restaurar a função do sistema imunitária nos olhos”.

“Como as opções de tratamentos para a DMI são limitadas, este entendimento mais abrangente da biologia da doença é um grande incentivo para os cientistas encontrarem respostas” para um problema que, só em Portugal, afetará mais de 350.000 pessoas.