Identificar de uma forma mais rápida e simples a apneia do sono, que afeta cerca de um milhão de portugueses, é o que pretende um novo teste, que promete gerar uma poupança de milhares de euros.

É verdadeiramente uma doença que não deixa dormir. A apneia obstrutiva do sono é uma perturbação da respiração, que torna a a hora de ir para a cama mais difícil, uma vez que se caracteriza pelo corte do fluxo respiratório mais de cinco vezes por hora, durante mais de 10 segundos. 

Uma situação que pode ser grave, mas cuja confirmação passa atualmente, entre outros, pela realização de um teste, a polissonografia, exame que visa analisar a qualidade do sono e detetar perturbações, ainda que cerca de 34% das que são feitas por suspeita de apneia do sono tenham um resultado normal. 

Para além de dispendioso, este teste exige a presença de técnicos, implica longas listas de espera e está muito limitado às áreas urbanas, o que dificulta a sua realização.

Ferramenta promete detetar mais de 90% dos casos de apneia do sono

O novo método, a usar na prática clínica, pretende detetar mais de 90% dos casos da doença e evitar que uma em cada cinco pessoas realize a polissonografia, com poupanças de milhares de euros em exames, consultas e recursos humanos. Até porque, segundo os dados disponíveis, cada exame custa cerca de mil euros.

Criado por uma equipa de investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, trata-se de uma ferramenta inovadora, cujo “objetivo é fazer uma triagem, identificando as pessoas que provavelmente sofrem desta doença, dando-lhes prioridade na marcação do exame”, explica Daniela Ferreira Santos, primeira autora do estudo sobre esta novidade, publicado na revista International Journal of Data Science and Analytics, que avaliou cerca de três centenas de doentes. 

“Da mesma forma, podemos evitar que muitas pessoas façam este exame desnecessariamente.”

A ferramenta online, que integra uma tabela de risco e um modelo gráfico, pode ser usada a partir de agora pelos médicos, entre os quais os médicos de família nos Cuidados de Saúde Primários, para calcular automaticamente a probabilidade de alguém sofrer de apneia do sono.