O ambiente pode ter um efeito importante no sistema cardiovascular humano. E já foi provado que os picos de temperatura aumentam o risco de enfarte. Agora, um grupo de especialistas quis ver até que ponto esse risco aumentou nos últimos anos.

E as conclusões não configuram boas notícias. De facto, ao longo dos 28 anos analisados, o risco de enfarte induzido pelo calor aumentou.

Kai Chen, investigador do Instituto de Epidemiologia da Helmholtz Zentrum München, na Alemanha, juntou-se a colegas de outras instituições e avaliou os dados do Registo de Enfarte do Miocárdio em Augsburg.

Um estudo que incluiu a análise de dados de mais de 27.000 pessoas que sofreram um enfarte, entre 1987 e 2014, com uma idade média de 63 anos. Ao todo, 73% eram homens e cerca de 13.000 perderam a vida na sequência do evento cardíaco.

Para além disso, foram ainda analisados dados meteorológicos referentes ao dia do enfarte, ajustados para uma série de fatores adicionais, como o dia da semana e o estatuto socioeconómico. 

Risco a aumentar

“A nossa análise revelou que, nos últimos anos, o risco de enfarte induzido pelo calor tem aumentado, com a subida da temperatura média diária”, explica Chen, que acrescenta que as pessoas com diabetes ou valor elevado de lípidos no sangue apresentam um risco maior.

Algo que, de acordo com os investigadores, pode ser, ainda que parcialmente, resultado do aquecimento global, mas também consequência de um aumento nos fatores de risco, como diabetes e hiperlipidemia, que tornam a população mais suscetível ao calor.

Calor possível ‘gatilho’

Os especialistas chamam, por isso, a atenção para as alterações climáticas, considerando ser importante ser dada mais atenção “às altas temperaturas como um possível gatilho para ataques cardíacos”, Alexandra Schneider, uma das autoras do estudo.

“Eventos climáticos extremos, como as ondas de calor de 2018 na Europa, poderão, no futuro, ter como resultado um aumento nas doenças cardiovasculares.”