Investigadores do Porto propõem nova classificação internacional das varizes

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Dor, sensação de pernas pesadas, inchaços, formigueiro, comichão e até úlceras são alguns dos sinais e sintomas de varizes, uma doença venosa crónica muito comum, persistente e progressiva, que se agrava com o tempo quente, ao final do dia e após longas permanências em pé. Para melhorar a abordagem das varizes, um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) propõe uma classificação das varizes completamente inovadora a nível mundial, cuja necessidade e aplicabilidade foi agora validada por um conjunto de peritos internacionais.

Apesar de serem a doença venosa mais prevalente, com cerca de dois milhões de portugueses atingidos, e do seu impacto muito significativo na qualidade de vida e nos custos em saúde, as varizes são frequentemente subestimadas e subtratadas.

De acordo com Armando Mansilha, professor da FMUP e especialista em Cirurgia Vascular, a proposta visa integrar, pela primeira vez, as características clínicas/anatómicas observáveis e os resultados dos exames de imagem, nomeadamente do eco-doppler.

“As varizes são diferentes umas das outras. Esta nova classificação irá permitir estratificar as varizes, selecionar o tratamento adequado a cada doente e gerir os resultados do pós-operatório, de forma individualizada”, explica o coordenador deste trabalho.

Como indica o mesmo estudo, os especialistas mundiais, sobretudo cirurgiões vasculares, reconhecem limitações nas classificações atuais e concordam com a necessidade de uma classificação mais abrangente para esta patologia.

O professor da FMUP espera que este seja um importante passo e um contributo decisivo para uma maior personalização da resposta a esta doença, que contempla uma série de intervenções, desde alterações do estilo de vida, controlo do peso, modificação de posições, uso de meias elásticas, administração de medicação venoativa e cirurgia, nomeadamente cirurgia minimamente invasiva.

Além de Armando Mansilha, assinam este artigo científico Joel Sousa, da FMUP, e Sergio Gianesini, da Universidade de Ferrara, em Itália. O grupo de investigadores irá continuar a trabalhar neste projeto, que inclui igualmente uma revisão dos melhores tratamentos farmacológicos.

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