Numa altura em que a tecnologia digital permite que as pessoas permaneçam ‘ligadas’ ao trabalho, amigos e família 24 horas por dia, sete dias por semana, o tempo é frequentemente considerado um recurso escasso. E quanto mais escasso parece, pior para a dieta já que, segundo um novo estudo, maior é o desejo do consumo de comida com elevado teor calórico.

A forma maneira como as pessoas acompanham a passagem do tempo pode parecer arbitrária, mas parece que afinal não é bem assim. Segundo o trabalho realizado por especialistas dos Institutos Indianos de Administração de Udaipur/Indoreas, quando as pessoas percebem que o recurso valioso do tempo se está a esgotar, não sendo possível aproveitar oportunidades, mais vontade têm de consumir o que não devem. E a dieta é que paga.

Disponível na revista Journal of Consumer Psychology, o estudo descobriu este padrão. “A nossa investigação destaca que a prática comum e inócua da contagem do tempo pode produzir consequências indesejadas e indesejáveis ​​no domínio do consumo de calorias”, refere Ankur Kapoor, autor do trabalho.

Mais do que um impacto na dieta

O trabalho focou-se apenas na forma como a gestão do tempo pode influenciar as escolhas alimentares. Mas as descobertas sugerem que os consumidores que fazem esta contagem regressiva do tempo podem experimentar outras consequências.

As pessoas que sentem que os recursos não são suficientes podem tornar-se menos disponíveis para participar em atividades pró-sociais, como voluntariado ou doação de tempo.

Quando o tempo é visto como um recurso, os dispositivos que fazem a contabilidade do tempo também podem criar um sentimento de urgência artificial, capaz de afetar a atitude de um indivíduo noutras situações, como refeições e conversas.

Os investigadores esperam que este estudo incentive novos trabalhos destinados a explorar outras implicações associadas às suas descobertas, como os efeitos psicológicos da monitorização de outros recursos finitos, como dinheiro deixado em contas pré-pagas ou indicadores de bateria em smartphones.

“Hoje, há uma capacidade aumentada de monitorizar coisas como tempo, saúde, sono e comida. Esperamos que esta pesquisa forneça informações iniciais sobre os efeitos subtis desta constante monitorização de recursos.”