Os riscos para a saúde da visão que a gravidez esconde

saúde visual e gravidez

Quando descobre que está grávida, a mulher preocupa-se com a alimentação, o exercício físico, a higiene oral, a elasticidade da pele. E a saúde da visão? É para esta que a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) faz o alerta, avisando para a importância da visão na fase de gestação.

A propósito do Dia da Mãe, que se assinala este domingo, dia 5 de maio, os especialistas chamam a atenção para a possibilidade de alterações no sistema visual, características do período gestacional, provocadas pelas alterações hemodinâmicas e hormonais, que podem afetar o normal funcionamento da visão.

Inês Leal, médica oftalmologista da SPO, explica que existem várias alterações oftalmológicas durante os nove meses de gravidez às quais se devem ter particular atenção e que se podem dividir em três grupos.

Um deles é o das alterações fisiológicas, nas quais se enquadram alterações benignas e geralmente reversíveis com o final da gestação, como as flutuações de hidratação da córnea (que faz com que durante a gravidez os óculos habituais possam não ser tão adequados e que gravidez seja uma contraindicação para cirurgia refrativa), olho seco e hiperpigmentação na pele à volta dos olhos, também denominado cloasma.

Há depois o grupo das doenças oculares específicas da gravidez, onde se incluem alterações visuais graves, como as que ocorrem na pré-eclâmpsia e eclâmpsia, com prognóstico muito mais reservado, quer a nível da função visual, quer do ponto de vista sistémico. 

Finalmente, pode existir agravamento de doença oftalmológica já existente antes da gravidez, como é o caso da retinopatia diabética. Por isso, uma mulher com diabetes deve ser observada no período pré-concepcional, devendo ser seguida regularmente e com plano personalizado por oftalmologia, articulando com a obstetrícia.

Cuidados com a saúde da visão do bebé

“A mulher grávida sem doença oftalmológica não precisa, à partida, de nenhum cuidado particular, mas deve estar atenta aos seus olhos e perceber se desenvolve alguma alteração visual e/ou sinal de infeção”, refere a especialista.

“Nesses casos, deve consultar de imediato o médico oftalmologista, dizendo que está grávida. Contudo, mulheres com antecedentes de diabetes, toxoplasmose ocular, uveíte ou alta miopia com doença da retina associada devem consultar o seu oftalmologista mesmo antes da gestação ou de qualquer sintoma, de forma a fazer uma avaliação e planear cuidadosamente o controlo da doença oftalmológica durante a gravidez, uma vez que são um grupo de risco”, acrescenta.

No pós-parto imediato, os cuidados devem continuar, mas desta feita com o bebé.

“Assumindo que o parto não teve intercorrências e que o bebé recém-nascido não mostra alterações dos olhos no exame pediátrico feito na maternidade, destaca-se a higiene das pálpebras do bebé com compressas esterilizadas embebidas em soro fisiológico; evitar qualquer contacto dos olhos do bebé com cremes ou produtos utilizados na higiene do mesmo; e evitar exposição solar excessiva, ou seja, luminosidade em que o bebé evite abrir os olhos. O recém-nascido deve ainda cumprir rastreios obrigatórios a realizar pelo pediatra e/ou médico de família e, no caso de qualquer alteração (olho vermelho, edema de pálpebra, secreção, etc), deve ser observado com caráter urgente pela oftalmologia”, termina Inês Leal.

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