A maioria dos portugueses (51%) defende que a sociedade deve ter um papel mais ativo no que diz respeito à saúde, revelam os dados de um inquérito à população nacional, realizado no âmbito do projeto ‘3F – Financiamento, Fórmula para o Futuro’.

Uma certeza que vai ao encontro de uma das recomendações deste projeto, a de promoção do papel dos cidadãos no sistema de saúde.

Para os peritos nacionais, que se reuniram ao longo do ano para debater a melhor forma de resolver os desafios inerentes ao financiamento do Serviço Nacional de Saúde, “o cidadão é o elemento central da prestação de cuidados” e, como tal, “é importante a sua envolvência na definição da política de saúde”, através da criação de mecanismos que contemplem a sua participação na decisão.

Menos desperdício, mais inovação no SNS

O projeto ‘3F’, uma iniciativa da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), com o apoio da Roche e da IQVIA, nasceu da necessidade de identificar formas de reduzir o desperdício e promover a inovação no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Materializa, segundo Alexandre Lourenço, presidente da APAH, “a vontade do setor da saúde em apresentar respostas concretas para os desafios do financiamento mas também para a necessidade de reestruturar o modelo de prestação de cuidados com vista a melhorar a experiência e corresponder às expectativas dos doentes e das suas famílias”.

Para isso, reuniu um conjunto de especialistas de diferentes áreas, que se juntaram para analisar o modelo atual de financiamento dos hospitais portugueses, promover a discussão de potenciais soluções de financiamento com vista à criação de valor para os doentes, assim como desenvolver projetos-piloto com hospitais, de forma a testar a exequibilidade das soluções encontradas.

Do trabalho desenvolvido resultou a identificação de 90 iniciativas, que podem ser agrupadas em quatro dimensões essenciais para a melhoria do modelo de organização e financiamento do Serviço Nacional de Saúde – Resultados em Saúde, Integração de Cuidados, Gestão da Doença e Prevenção e Promoção da Saúde.

A estas juntam-se 10 recomendações, entre as quais o reforço do papel dos cuidados de saúde primários, a interligação dos cuidados de saúde primários, cuidados de saúde secundários e cuidados continuados, o desenvolvimento da rede de suporte ao doente ou a autonomia e responsabilização da gestão hospitalar, assim como  a definição dos projetos-piloto onde vão ser testadas, já a partir do próximo ano: o IPO do Porto e o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro.