Uma constipação comum pode ter hoje consequências graves. Uma criança constipada pode ser impedida de ir à escola ou creche, obrigando os pais a ficar em casa. Podem ser necessários testes à COVID-19, passando dias à espera de contacto e de eventual quarentena. À medida que o inverno se aproxima e os resfriados comuns se tornam mais frequentes, as descobertas da pediatra Ellen van der Gaag, do Twente Hospital Group e da Universidade de Twente, na Holanda, adquirem particular relevância. Porquê? Porque se debruçam sobre alimentos que previnem infeções respiratórias ou reduzem a sua duração.

A tese por ela escrita descreve como certos alimentos podem ajudar a prevenir infeções do trato respiratório, tanto em crianças como em adultos.

Alimentos que incluem prebióticos e probióticos, alho, kiwi e óleo de peixe podem ajudar na prevenção; já probióticos, kiwi, óleo de peixe e xarope de sabugueiro ajudam a reduzir a duração de infeções respiratórias.

Ao todo, a médica analisou 33 estudos, nos quais estes produtos revelaram ter um resultado significativamente positivo.

Sem provas dadas para a COVID-19

A especialista realizou também vários estudos de intervenção em crianças, com idades entre um e quatro anos, que sofriam de constipações e tosse recorrente.

A introdução dietética de quatro alimentos – leite gordo, manteiga, carne bovina e vegetais verdes – resultou numa redução significativa do número de infeções do trato respiratório superior, dias passados com resfriado, tosse e uso de antibióticos. As crianças tiveram também menos consultas com o médico de família, sofreram menos cansaço e dormiram melhor.

Os estudos foram realizados antes da pandemia e o efeito destes alimentos não foi, por isso mesmo, testado na infeção por coronavírus, não sendo possível retirar conclusões sobre sua eficácia a este respeito.

Sabe-se que uma boa alimentação fortalece o sistema imunitário e a capacidade de recuperação do corpo e que a batalha individual contra o coronavírus depende de um sistema imunitário em bom funcionamento. O que pode significar que certos princípios gerais certamente serão válidos para o caso da atual pandemia.