Pode ser um jogo na companhia de amigos ou um treino solitário no ginásio. O que é preciso é que tenha atividade física, que a ciência há muito comprovou ser um dos ingredientes de uma vida saudável. Mas mais do que os benefícios físicos óbvios, a atividade desportiva pode proteger mais.

A garantia é dada pela investigação liderada por Katja Siefken, especialista da Escola Médica MSH de Hamburgo, que avaliou os níveis de ansiedade e depressão de 682 alemães praticantes de diferentes atividades desportivas, no interior e exterior, em equipa ou de forma individual.

Uma análise que revelou que as pessoas que se exercitam menos de 2,5 horas por semana têm um risco maior de ansiedade e depressão.

Quem segue as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que fala na necessidade de 150 minutos de atividade física de intensidade moderada ao longo da semana para adultos saudáveis (18 aos 64 anos) tem um melhor estado de saúde mental do que aqueles que são menos ativos.

Descobertas que, segundo Katja Siefken, fornecem informações valiosas para a saúde mental, sobretudo porque esta  é frequentemente desconsiderada nas recomendações de saúde pública associadas ao exercício.

Mente sã com atividade física

“Os distúrbios de saúde mental são um dos desafios mais significativos do nosso tempo, contribuindo substancialmente para o ónus global da doença”, explica Siefken.

“O exercício é uma parte essencial da construção e manutenção da saúde mental física e positiva, mas é importante reconhecer que diferentes condições de exercício podem afetar a saúde mental de diferentes maneiras.”

“É essencial compreender os fatores que podem influenciar ou aliviar a depressão e a ansiedade, mas até agora não há provas suficientes sobre os tipos ou quantidades ideais de atividade necessários para a saúde mental positiva”, afirma a especialista.

“Neste estudo, descobrimos que as pessoas que não fazem caso das recomendações de atividade física relataram valores mais altos de depressão, independentemente de fazerem exercício em ambientes fechados ou ao ar livre, individualmente ou em equipa.”

Ainda de acordo com a investigadora, “os valores mais baixos de depressão e ansiedade ocorrem sobretudo entre os atletas que praticam exercício em equipa, no interior, mas os que realizam exercício de intensidade vigorosa costumam registar valores mais altos de depressão”.

No que diz respeito ao exercício ao ar livre, “há também boas evidências de que contribui para melhorar a saúde mental, assim como praticar desporto com alguém, ou como parte de uma equipa, que pode afetar positivamente a nossa saúde mental”.

“Uma mente e um corpo saudáveis ​​dependem de níveis modestos e alcançáveis ​​de exercício físico”, reforça a cientista. “Para a maioria de nós, duas horas e meia por semana ou, digamos, 30 minutos por dia durante cinco dias, é uma solicitação razoável para conseguir uma saúde mental positiva”.