Já ouviu falar em nomofobia? Talvez até já tenha sentido este medo, sem saber, no entanto, que é uma fobia partilhada por muita gente e que, de acordo com um estudo realizado por cientistas da Universidade de Granada, em Espanha, os universitários apresentam níveis moderados deste medo irracional de não ter o telemóvel ou smartphone.

Níveis que são maiores, revela o estudo, quando o aluno não consegue fazer uma comunicação instantânea ou verificar as novas notificações.

Mais ainda, parece haver uma relação positiva entre a quantidade do tempo gasto com o smartphone por dia e os níveis de nomofobia. Ou seja, quanto maior é o primeiro, maiores são os segundos.

Todas estas conclusões derivam de uma investigação publicada na revista Nurse Education in Practice, na qual participaram 880 estudantes de enfermagem da Universidade de Granada. 

O que é e quais as consequências da nomofobia

Nomofobia é a dependência extrema do smartphone pelo sujeito ou, por outras palavras, o medo que a pessoa sente quando não tem o telemóvel ou smartphone ao seu alcance imediato e/ou não consegue utilizá-lo instantaneamente, seja por ausência, falta de cobertura, conexão de dados ou outros fatores e, por isso mesmo, não pode rever os novos conteúdos disponíveis através do aparelho (por exemplo: notificações, redes sociais, email, etc.) ou é incapaz de se conectar com outras pessoas.

As pesquisas sobre esse fenómeno, que está atualmente em ascensão, mostram que esta situação pode gerar problemas no quotidiano da pessoa, bem como à sua volta, podendo afetar a própria qualidade de vida (alimentação, descanso, relações sociais), a profissão (menor desempenho, maior distração), os estudos (atenção, desempenho académico), entre outros.

Este trabalho analisou o nível de presença dessa fobia moderna, típica do século XXI, nos alunos da Licenciatura em Enfermagem dos três campus da Universidade de Granada, onde o curso é ministrado. Ao mesmo tempo, o objetivo era analisar se os alunos que afirmam ter um pior tempo de descanso devido ao uso que fazem do smartphone apresentam maiores índices de nomofobia, bem como saber qual a influência do tempo de uso diário nos níveis deste medo.

As análises realizadas determinaram, em primeiro lugar, um nível moderado de nomofobia na população estudada, sem índices particularmente alarmantes. Nesse sentido, as situações que causam uma maior nomofobia são a impossibilidade de estabelecer comunicação instantânea e bidirecional com familiares ou amigos, bem como o facto de não poderem consultar de imediato se têm novas notificações.

Em segundo lugar, os alunos de Enfermagem afirmam ter uma pior qualidade de descanso devido ao uso que fazem do smartphone. No entanto, as análises realizadas não determinam que essa pior qualidade se traduz numa maior presença de dependência extrema do telefone.

Por isso, não há relação significativa entre a nomofobia e a qualidade do descanso. Mas as coisas mudam quando se trata de avaliar o tempo diário dedicado ao uso do smartphone, parecendo claro que o tempo que os alunos de enfermagem dedicam ao seu uso influencia diretamente variáveis ​​como não conseguirem estar conectados a um sinal wi-fi, não saberem o que fazer quando não têm o dispositivo, ficarem confusos por não saberem se foram recebidas novas mensagens e nervosos por não receberem mensagens ou chamadas.

Ou seja, quanto mais tempo o aluno passa a usar o smartphone, o nível de nomofobia nessas variáveis ​​tende a ser maior.

Segundo os investigadores, estes resultados devem servir para desenvolver ações de formação preventiva que promovam o uso correto e saudável das Tecnologias da Informação e da Comunicação.