mulheres não chamam ambulância

As mulheres chamam a ambulância para os maridos com enfarte, mas não para si

Por Investigação & Inovação

As mulheres chamam uma ambulância para os maridos, os pais e os irmãos com sintomas de enfarte. Mas não o fazem para si, revela um novo estudo, divulgado nas vésperas do Dia Internacional da Mulher, que se comemora a 8 de março.

“Está na hora das mulheres cuidarem de si.” Esta é a principal mensagem dos investigadores, partilhada no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, que tem como tema #BalanceforBetter, uma chamada à ação para fomentar a igualdade de género nos cuidados de saúde.

Os outros são as prioridades

A doença cardíaca isquémica é a principal causa de morte em mulheres e homens, mas a gestão que é feita da mesma não é igual para todos, revelam os dados mais recentes.

Mariusz Gąsior, investigador principal do registo nacional polaco, autor do estudo, considera que, “muitas vezes, as mulheres fazem a gestão da casa, mandam as crianças para a escola e preparam-se para as celebrações em família. Ouvimos repetidas vezes que são essas responsabilidades que as atrasam na hora de chamar uma ambulância, caso tenham sintomas de um enfarte”.

“Para além de administrarem o lar, as mulheres garantem que os familiares do sexo masculino recebem ajuda médica urgente quando necessário. É hora de cuidarem de si mesmas”, acrescenta Marek Gierlotka, coordenador do registo.

Prontidão no socorro faz toda a diferença

Um total de 7.582 doentes com enfarte agudo do miocárdio com elevação do segmente ST foram incluídos na avaliação. Um tipo grave de ataque cardíaco, em que uma artéria principal, que fornece sangue até ao coração, é bloqueada. A restauração o mais rápida possível do fluxo sanguíneo traduz-se em mais músculo cardíaco recuperado e menos tecido morto, menos insuficiência cardíaca e menor risco de morte.

As diretrizes recomendam, por isso, que se faça a abertura da artéria com um stent no prazo máximo de 90 minutos após o diagnóstico.

Em geral, 45% dos doentes foram tratados dentro do prazo recomendado, mas menos mulheres do que homens. 

E ainda que os doentes dentro e fora da janela de tratamento aconselhada tivessem taxas semelhantes de mortalidade intra-hospitalar, o coração aqueles tratados prontamente estava mais apto a bombear sangue de forma eficaz.

Para Mariusz Gąsior, “uma das razões pela qual as mulheres têm menos probabilidade do que os homens de serem tratadas dentro do período de tempo recomendado é porque levam mais tempo a chamar uma ambulância quando têm sintomas. E isso é especialmente verdadeiro para as mulheres mais jovens”.

Sinais de alerta

Dor no peito e no braço esquerdo são os sintomas mais conhecidos do ataque cardíaco. As mulheres costumam ter dor nas costas, no ombro ou no estômago.

Deve, por isso, chamar-se uma ambulância se houver dores no peito, garganta, pescoço, costas, barriga ou ombros que durem mais de 15 minutos.

INEM

INEM recebeu 159 chamadas de emergência por hora em 2018

Por País

Em 2018, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) atendeu 1.393.594 chamadas de emergência, cerca de 3.818 chamadas por dia, qualquer coisa como 159 por hora. Face a 2017, foram mais 25.453 chamadas atendidas.

Números que correspondem a pedidos de ajuda para situações de assistência a vítimas de acidente ou doença súbita, feitos para o Número Europeu de Emergência – 112, que são atendidos em primeira linha nas Centrais de Emergência pela Polícia de Segurança Pública e Guarda Nacional Republicana e encaminhadas para os CODU do INEM quando se trata de urgências ou emergências médicas.

Milhares de meios ativados

Contas feitas, o atendimento destas chamadas deu origem à ativação de 1.323.554 meios de emergência, entre os diversos tipos de ambulância (emergência médica, socorro, suporte imediato de vida, transporte inter-hospitalar pediátrico), motas de emergência, viaturas médicas de emergência e reanimação e helicópteros.

O tipo de meio a enviar é selecionado de acordo com a situação clínica das vítimas, a proximidade do local da ocorrência e a acessibilidade ao local da ocorrência.

Os alertas do INEM

Tendo em conta o volume de chamadas, o INEM aproveita para pedir, uma vez mais, a colaboração de todos, aconselhando que, em caso de acidente ou doença súbita, liguem sempre para o 112 e informem, de forma simples e clara, qual a localização exata e, sempre que possível, com indicação de pontos de referência, o número de telefone do qual está a ligar, o tipo de situação (doença, acidente, parto, entre outros), o número, o sexo e a idade aparente das pessoas a necessitar de socorro e as queixas principais e as alterações que observa.

O funcionamento dos CODU é assegurado 24 horas por dia, por equipas de profissionais qualificados, pelo que as questões por estes colocadas, sejam eles médicos, técnicos de emergência pré-hospitalar e psicólogos, são muito importantes para a atuação do INEM.

É graças a elas que se determina qual o tipo de emergência e o meio de socorro mais adequado para dar resposta à situação.

O INEM reforça também que os meios de emergência médica pré-hospitalar devem ser apenas utilizados em situações de emergência, ou seja, situações onde exista perigo de vida iminente.

No caso de não ser necessário enviar uma ambulância ou qualquer outro meio de emergência, as chamadas são encaminhadas para a Linha do Centro de Contacto do SNS24, que procederá ao aconselhamento adequado à situação.