ovos e colesterol

Os ovos fazem ou não mal à saúde? Novo estudo dá a resposta

Por | Nutrição & Fitness

Colesterol e ovos são duas palavras que, por tradição se costumam encontrar na mesma frase. O tema tem sido alvo de debate há décadas, transformado em pergunta: está a ingestão de ovos associada às doenças cardiovasculares? A resposta não tem sido sempre a mesma. Agora, um novo estudo quer acabar com as dúvidas.

E as notícias não são as melhores para os amantes de ovos. Realizado por um grupo de investigadores da Northwestern Medicine, o estudo refere que os adultos que ingerem mais ovos e têm uma dieta mais rica em colesterol apresentam um risco significativamente maior de doenças cardiovasculares e morte por qualquer causa.

“A mensagem aqui é referente ao colesterol, que existem nos ovos, sobretudo nas gemas”, refere em comunicado Norrina Allen, autora do estudo e professora associada de medicina preventiva na Feinberg School of Medicine, da Northwestern University.

“Como parte de uma dieta saudável, as pessoas precisam de consumir quantidades menores de colesterol. As que o fazem têm um risco inferior de doença cardiovascular.”

O que falhou nos outros estudos

Sem novidade é o facto, também aqui reforçado, que as gemas são uma das maiores fontes de colesterol alimentar: um ovo grande tem 186 miligramas de colesterol na sua gema.

Também a carne vermelha, carne processada e produtos lácteos com elevado teor de gordura (manteiga, por exemplo) têm alto teor de colesterol, confirma Wenze Zhong, investigador na mesma instituição.

Norrina Allen realça isso mesmo e refere que estudos anteriores sobre o tema, que concluíram que comer ovos não aumenta o risco cardiovascular, tinham geralmente uma amostra menos diversificada, menor tempo de acompanhamento e capacidade limitada para se ajustarem a outros elementos da dieta.

“O nosso estudo mostrou que, se duas pessoas têm exatamente a mesma dieta e a única diferença são os ovos, então podemos medir diretamente o efeito do consumo destes nas doenças cardiovasculares”, acrescenta.

“E aquilo que verificamos é que o colesterol, independentemente da fonte, está associado a um risco aumentado de doença cardíaca.”

O risco de comer muitos ovos

A mais recente investigação sobre o tema analisou dados de 29.615 adultos americanos, de diferentes raças e etnias,  que participaram em seis estudos.

Daqui foi possível perceber que a ingestão de 300 mg de colesterol na dieta por dia está associado a um risco 17% superior de doença cardiovascular e um risco 18% maior de mortes por todas as causas. O colesterol foi o fator determinante, independentemente do consumo de gordura saturada e outras gorduras.

Contas feitas, comer três a quatro ovos por semana está associado a um risco 6% mais alto de doença cardiovascular e um risco 8% maior de qualquer causa de morte.

Moderação é a palavra-chave

Comer ou não comer ovos, eis a questão. Com base neste estudo, recomenda-se uma ingestão reduzida de colesterol na dieta, o que significa que se devem reduzir os alimentos ricos em colesterol, como os ovos ou a carne vermelha.

Mas isso não significa banir por completo estes alimentos, salienta Zhong. Até porque estes alimentos são boas fontes de nutrientes importantes, como aminoácidos essenciais e ferro.

Em vez disso, é preferível escolher claras em vez de ovos inteiros ou comer os inteiros com moderação.

“Queremos lembrar as pessoas que há colesterol nos ovos, especificamente nas gemas, e isso tem um efeito prejudicial”, reforça Allen. “Coma-os com moderação”, acrescenta a especialista.

benefícios do chá verde

Chá verde reduz obesidade, pelo menos em ratos

Por | Nutrição & Fitness

É fã de chá verde? Então esta é uma boa notícia para si. Ou pode vir a ser. É que um novo estudo confirmou que este tipo de chá reduziu a obesidade e vários biomarcadores inflamatórios associados a problemas de saúde… em ratinhos.

A investigação foi, para já, apenas realizada nestes animais, alimentados com uma dieta composta por 2% de extrato de chá verde. Mas os dados confirmam que estes apresentaram muito melhores resultados que os restantes, o que indicia os potenciais benefícios do chá, sobretudo para as pessoas com risco elevado de diabetes e doenças cardíacas.

Publicado no Journal of Nutritional Biochemistry, o estudo “fornece evidências de que o chá verde estimula o crescimento das bactérias intestinais boas, e isso leva a uma série de benefícios que diminuem significativamente o risco de obesidade”, explica Richard Bruno, principal autor do estudo e professor de nutrição humana na Universidade Estadual de Ohio, nos EUA.

Resolver uma questão antiga

Alterações negativas no microbioma intestinal já tinham sido associadas à obesidade, tendo o chá verde demonstrado ser capaz de promover a existência de bactérias saudáveis.

A equipa de investigadores queria confirmar se o chá verde se pode associar à prevenção da obesidade, inflamação e outros fatores relacionados com a uma má saúde metabólica, refere o especialista.

“Os resultados dos estudos que avaliaram a gestão da obesidade têm sido, até agora, uma verdadeira mistura. Alguns parecem confirmar que o chá verde ajuda na perda de peso, mas muitos outros não mostraram nenhum efeito, provavelmente devido à complexidade da dieta. O nosso objetivo é descobrir como é que o chá pode evitar o ganho de peso”, acrescenta.

“Isso levará a melhores recomendações de saúde.”

Resultados apontam vantagens

É longa e rica a história de consumo de chá verde nos países asiáticos, bebida que tem sido cada vez mais adotada no Ocidente, em parte devido aos seus potenciais benefícios para a saúde.

Catequinas e polifenóis anti-inflamatórios encontrados no chá verde têm sido associados à atividade anticancerígena e menor risco de doença cardíaca e hepática.

A suspeita de Richard Bruno e dos colegas, de que o chá verde pode prevenir a obesidade e proteger contra a inflamação no intestino, levou-o a examinar os efeitos deste chá em ratos alimentados com uma dieta normal e níveis elevados de gordura, destinados a causar obesidade. 

Durante oito semanas, metade dos animais ingeriram uma dieta rica em gorduras, misturada com extrato de chá verde, enquanto a outra metade foi alimentada com uma dieta regular. 

Em seguida, pesou-se e avaliou-se o tecido adiposo, a resistência à insulina e outros fatores que incluíam a permeabilidade do intestino, a resistência à insulina ou a composição dos micróbios intestinais.

Os ratos alimentados com uma dieta rica em gordura e com o suplemento de chá verde ganharam cerca de 20% menos peso e tiveram menor resistência à insulina do que os ratos alimentados com uma dieta idêntica, sem chá.

Estes ratos apresentavam também menos inflamação no tecido adiposo e no intestino.

Os investigadores confirmaram que o chá verde parece contribuir para uma comunidade microbiana saudável nos intestinos dos animais.

Novos estudos a caminho

Richard Bruni está atualmente a trabalhar num estudo humano que irá explorar os efeitos do chá verde no intestino de pessoas com síndrome metabólica, um problema que predispõe à diabetes tipo 2 e doenças cardíacas.

Por enquanto, afirma, é muito cedo para extrapolar as descobertas feitas e aplicá-las às pessoas. Mas o especialista confirma a esperança de que investigações futuras sejam capazes de determinar se beber chá verde é uma boa estratégia para aqueles que desejam reduzir a sua probabilidade de se tornarem obesos.

riscos das dietas ioiô

Cuidado com as dietas ioiô: estudo diz que podem aumentar risco cardiovascular

Por | Nutrição & Fitness

Muitas das mulheres que querem perder peso já as experimentaram, aquela montanha russa em forma de dietas que até conseguem eliminar alguns quilos, mas que falham na promessa de mundos e fundos. Resultado: no final das mesmas os quilos estão de volta. Conhecidas como dietas ioiô, não só não resultam, como podem aumentar o risco de problemas cardiovasculares nas mulheres.

A afirmação é dada por um estudo, apresentado esta semana numa sessão científica da American Heart Association, que avaliou as flutuações de peso e concluiu que, de facto, as dietas ioiô podem prejudicar a saúde do coração.

“Ter um peso saudável é geralmente recomendado para um coração com saúde, mas manter a perda de peso é difícil”, confirma em comunicado Brooke Aggarwal, autora do trabalho. “E as flutuações no peso podem dificultar a obtenção desse ideal de saúde cardiovascular”, acrescenta.

IMC longe do desejado

Para perceber o impacto deste tipo de dietas, que fazem perder peso, mas de uma forma sustentada, os investigadores reuniram um grupo de 485 mulheres, com uma idade média de 37 anos.

A maioria das mulheres (73%) relatou pelo menos um episódio de perda de peso com dieta ioiô. E, para estas, a avaliação permitiu verificar que 82% apresentavam menos probabilidade de ter um índice de massa corporal (IMC) ideal (entre 18,5 e 25) e 51% menos hipótese de um IMC classificado como moderado.

O trabalho promete continuar, com os investigadores apostados em percebe, através de um estudo de cinco a dez anos, “se estes resultados se mantêm, analisando os efeitos de longo prazo”.

Crianças e os anúncios a alimentos nos Instagram e redes sociais

Nem os influenciadores conseguem pôr as crianças a comer bem

Por | Nutrição & Fitness

Eles estão por todo o lado: no YouTube, onde discorrem, horas a fio, sobre tudo e mais alguma coisa; no Instagram, onde partilham informação nem sempre relevante, mas igualmente cativante; no Facebook… Numa época dominada por influenciadores, nem os mais pequenos escapam. As consequências, essas podem fazer-se sentir na saúde.

A garantia é dada por uma investigação da Universidade de Liverpool, publicada na revista Pediatrics, que destaca a influência negativa que as redes sociais têm sobre a ingestão de alimentos pelas crianças.

Já se sabia que a publicidade televisiva e o patrocínio de celebridades aos alimentos não saudáveis ​​aumentam a ingestão infantil destes mesmos alimentos. No entanto, as crianças estão cada vez mais expostas ao marketing digital, algo que não tem sido contemplado nos estudos.

Exposição a alimentos pouco saudáveis aumenta a sua ingestão

Anna Coates, do grupo de investigação sobre Apetite e Obesidade da Universidade de Liverpool, lançou mãos à obra e decidiu avaliar o impacto do marketing de snacks (saudáveis ​​e não saudáveis) nas redes sociais, feito através das páginas dos vloggers no Instagram.

Foram incluídas 176 crianças, com idades entre 9 e 11 anos, divididas aleatoriamente em três grupos iguais, a quem foram mostradas páginas do Instagram de vloggers conhecidos, cada um com milhões de seguidores.

A um dos grupos foram mostradas imagens do vlogger com lanches poucos saudáveis; ao segundo grupo, o vlogger fez referência a lanches saudáveis ​​e ao terceiro foram mostradas imagens do vlogger com produtos não alimentares. Depois, mediu-se a ingestão de snacks por parte dos participantes.

As crianças do grupo que viu as imagens pouco saudáveis consumiram 32% mais quilocalorias de alimentos não saudáveis e 26% mais quilocalorias no total (entre snacks saudáveis e não saudáveis), comparando com as crianças que não foram expostas a imagens alimentares.

A má notícia é que nem os influenciadores são capazes de levar as crianças a comer de forma saudável. De acordo com o estudo, não houve diferença significativa na ingestão total de quilocalorias entre as crianças sujeitas à visualização de imagens saudáveis ​​e as do grupo das não saudáveis.

Especialistas pede mais restrições 

“Estas descobertas sugerem que a comercialização de alimentos não saudáveis, através do Instagram, aumenta a ingestão de energia imediata das crianças”, considera Anna Coates.

“Os jovens confiam nos vloggers mais do que nas celebridades, o que torna a publicidade que fazem ainda mais impactante”, acrescenta.

“São necessárias mais restrições ao marketing digital de alimentos não saudáveis ​​aos quais as crianças estão expostas e não deveria ser permitido que os vloggers promovessem alimentos não saudáveis junto de jovens vulneráveis nas redes sociais.”

fãs de futebol com mais saúde

Programa inovador aproveita lealdade dos adeptos de futebol para lhes melhorar a saúde

Por | Bem-estar

Há adeptos que fazem tudo pelos seus clubes de futebol. Uma lealdade de que o EuroFIT, um programa inovador de saúde, se aproveitou, usando-a para atrair os fãs para um programa de mudança de estilo de vida que foi mais eficaz que qualquer outro já testado. E que contou com a participação de adeptos portugueses.

O European Fans in Training (EuroFIT) é então um programa, financiado pela União Europeia, que teve por base um estudo. Para este, foram recrutados 1.113 homens, entre os 30 e os 65 anos, adeptos de 15 clubes profissionais de futebol de Inglaterra, Holanda, Noruega e Portugal, sendo por cá adeptos dos SL Benfica, FC Porto, Sporting CP.

Resultado: melhorias importantes na dieta, peso, bem-estar, autoestima, vitalidade e vários outros marcadores associados à saúde, tal como confirmam os resultados do trabalho, publicados na revista científica PLOS Medicine

Doze semanas de ‘treinos’

Mas afinal como funciona este programa inovador? Tudo começa com os treinadores comunitários, que ‘convocavam’ os adeptos para 12 sessões semanais, realizadas nos estádios dos clubes de futebol envolvidos, com a duração de 90 minutos cada, que têm um objetivo: aumentar a atividade física, reduzir o tempo gasto sentado e melhorar a alimentação, de forma a conseguir uma mudança de longo prazo.

Com um novo dispositivo de bolso (SitFIT), desenvolvido para a EuroFIT, foi possível monitorizar o tempo gasto sentado e os passos diários, em tempo real, enquanto uma aplicação baseada em jogos incentivava o apoio social entre as sessões.

No ensaio clínico realizado, os homens foram divididos em dois grupos. Os do primeiro grupo realizaram imediatamente o programa EuroFIT, de 12 semanas. Aos elementos do segundo grupo, de comparação, foi solicitado que ficassem a aguardar.

Um ano depois, os participantes no EuroFIT davam, em média, 678 passos por dia a mais do que os elementos do grupo de comparação.

Tinham também melhorado a sua dieta alimentar, comendo mais frutas e verduras, menos gordura e menos açúcar e aumentado o seu bem-estar e a vitalidade.

Ainda assim, as tentativas para reduzir o tempo gasto sentado foram aquelas que menor sucesso tiveram: ao fim de um ano, os participantes não reduziram este indicador.

Programa quer chegar a todos os países da Europa

O EuroFIT foi construído com base na experiência do programa de Fãs de Futebol em Treino (FFIT), uma iniciativa liderada pela Universidade de Glasgow, já adaptada para o Canadá e a Austrália.

Tratam-se de programas que, através do recurso à ciência comportamental, usam as novas tecnologias como forma de prevenir, em vez de tratar, as doenças crónicas associadas à inatividade, como a diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. 

“Os resultados de nosso teste do EuroFIT suportam os resultados do estudo FFIT anterior. Os programas de estilo de vida sensibilizados por género, oferecidos em clubes de futebol profissional, são promissores na Europa e podem desempenhar um importante papel na saúde pública”, explica Sally Wyke, investigadora principal do programa e professora da Universidade de Glasgow. 

“Os resultados também mostram que reduzir o tempo que as pessoas passam sentadas é um verdadeiro desafio para a saúde pública.”

Com uma versão finalizada do programa, a parceira do projeto, a Rede Healthy Stadia, será responsável pela implantação do EuroFIT em toda a Europa, através de um sistema de licenciamento sem fins lucrativos. 

Quer saber qual a melhor dieta para si? Os genes têm a resposta

Por | Nutrição & Fitness

É verdade que o verão ainda parece distante, que o sol não convida, nem pouco mais ou menos, a idas a banhos. Mas para as que começam cedo a pensar em como vão caber naquele biquíni guardado na gaveta, a guerra das dietas já começou. O que comer? Quanto comer? Qual a melhor dieta? Estas são algumas das questão que se repetem, ano após ano. A resposta é agora dada pela genética.

Cada um tem um perfil genético único, o que significa que tem necessidades nutricionais que lhes são exclusivas. Por isso, a dieta que funciona para uns, nem sempre tem os mesmos resultados para todos.

E é por isso também que um plano alimentar baseado na genética é duas a três vezes mais eficaz do que um plano convencional. É aqui que entra a nutrigenética, que se apresenta como a solução que adapta os estilos de vida à genética de cada um.

“A grande maioria das pessoas tem uma ideia generalizada do que significa ter uma alimentação saudável: redução de hidratos de carbono, ingestão de carnes brancas, leguminosas e frutas, e prática de exercício físico regular. Mas, nesta equação, falta um fator indissociável, que é o nosso perfil genético”, explica Carla Guilhas, especialista em Medicina Preventiva Personalizada da SYNLAB.

“Os genes podem ser comparados a uma impressão digital: são únicos em cada pessoa e, por isso, definem as nossas características individuais. Características essas que podem ser a explicação para o facto de, por exemplo, fazermos diariamente um certo tipo de desporto e alimentação que consideramos que são os mais recomendados na perda de peso e depois não vemos resultados.”

A culpa pode ser, pelo menos em parte, da genética. “A notícia ainda melhor é que isso não é motivo para desistir. Conhecendo o seu perfil genético, obtém os resultados pretendidos com mais facilidade. A nutrigenética é a base da nutrição personalizada: permite conhecer as necessidades do organismo e elaborar um plano alimentar personalizado para suprir essas mesmas necessidades,” acrescenta.

O que ‘diz’ a genética

Mas não é apenas na alimentação e no desporto que a genética tem influência. Através de estudos de nutrigenética de prevenção é possível descobrir qual a eficácia do metabolismo da gordura, do açúcar, da cafeína, do álcool e da lactose (fatores importantes na perda de peso), identificar o risco de lesões e obter informação sobre a predisposição para determinado tipo de doenças (como a obesidade), tendências (consumo de açúcares e envelhecimento) ou dependências (álcool e nicotina).

escolher os snacks para o ginásio

Vai comer depois do ginásio? Então é melhor escolher o snack antes

Por | Nutrição & Fitness

Acabou de fazer uma hora de exercício no ginásio, queimou calorias, esforçou-se, suou as estopinhas. A sensação de satisfação e orgulho é grande. Neste momento, se tivesse que escolher um snack pós-treino, qual seria: mantinha-se na linha e optava por uma maçã ou cedia à tentação e satisfazia a gula com um brownie?

A verdade é que um lanchinho pode ameaçar desfazer as conquistas feitas com o treino. Mas a escolha depende da altura em que esta é feita, revela um novo estudo da Universidade de Nebraska-Lincoln.

Karsten Koehler, Christopher Gustafson e os colegas realizaram uma experiência com dois grupos de pessoas, a quem pediram que fizessem a sua rotina de exercícios normal.

Antes disso, no entanto, foi pedido aos membros do primeiro grupo que optassem entre uma maçã, um brownie ou não comer após a sessão de exercícios. Aos do outro grupo foi apresentada a mesma escolha, mas depois de já terem feito o treino.

Contas feitas, cerca de 74% dos participantes do primeiro grupo optaram por uma maçã, comparando com 55% daqueles que fizeram igual pedido, mas depois do treino feito. E enquanto apenas 14% do grupo pré-exercício optou pelo brownie, dois em cada dez participantes do segundo deixaram-se seduzir pelo chocolate.

O que, concluem os especialistas, sugerem que o melhor é fazer este tipo de escolhas com antecedência, aumentando assim a probabilidade de comer de forma mais saudável.

O quando influencia as escolhas

“Verificamos que havia muito pouca investigação sobre este tema, com qual muitos de nós nos podemos relacionar”, explica Koehler, professor assistente do Departamento de Nutrição e Ciências da Saúde.

“Se o seu objetivo é perder peso, então eu diria que as nossas descobertas sustentam que é melhor fazer a escolha… não quando está com fome, depois do treino, mas antes deste.”

Tanto a recomendação, assim como os dados que a sustentam, vão ao encontro de uma investigação mais vasta sobre a dinâmica entre o momento e a escolha dos alimentos.

Alimentação como compensação?

O estudo testou também outra teoria, a de que a alimentação serve como compensação, sugerindo que as pessoas consomem alimentos mais calóricos após o ginásio para compensar as calorias gastas durante o tempo passado no mesmo.

“Tem havido muitos estudos de laboratório que analisaram o apetite e a fome”, refere Koehler.

“A maioria destes estudos descobriu que, logo após o ginásio, as pessoas parecem ter menos fome. Sempre olhei para estes estudos e questionei se o impacto é assim tão grande que as pessoas dizem: como não estou com fome, vou fazer uma escolha realmente boa? Mas, conhecendo-me a mim e a muitos outros praticantes de exercício, tenho também a noção de que, depois do ginásio, queremos é uma recompensa”, acrescenta.

Apesar da aparente contradição, a equipa encontrou indícios de ambos. Embora modesto, o aumento de 6% na escolha dos brownies entre os grupos pré e pós-exercício vai de encontro à noção de alimentação compensatória.

Mas a ideia de que temos menos fome é clara: os 12% que, antes do exercício, não quiseram comer aumentou para 25% no grupo pós-exercício.

genes influenciam magreza

Ser magro não é para todos e a culpa é dos genes

Por | Nutrição & Fitness

Porque é que algumas pessoas, por mais que façam, não conseguem emagrecer? E porque é que, pelo contrário, há outras que mantêm a elegância e, pior, sem esforço aparente? Não parece justo, dirão os que passam horas no ginásio e selecionam os alimentos de acordo com uma exaustiva análise calórica. A resposta a estas perguntas já existe e a má notícia é que não há muito a fazer sobre o assunto.

No maior estudo do género feito até hoje, investigadores da Universidade de Cambridge analisaram o tema e verificaram que a culpa é dos genes, ou seja, os dados genéticos estão do lado das pessoas magras e contra aqueles que se encontram no extremo oposto.

O ambiente não justifica tudo

É verdade que os estilos de vida em muito têm contribuído para o aumento dos números da obesidade, já transformada em epidemia. O acesso fácil a alimentos muito calóricos, aliado aos estilos de vida sedentários, têm impulsionado este crescimento.

Mas ainda assim, numa população que partilha o mesmo ambiente, encontram-se pessoas mais e menos gordas. De resto, há mesmo aqueles que parecem comer tudo o que gostam sem aumentar de peso.

Com o apoio do European Research Council, uma equipa liderada por Sadaf Farooqi, da Universidade de Cambridge, decidiu examinar porque é que algumas pessoas têm mais facilidade em ser magras do que outras.

Estudos feitos em gémeos já tinham mostrado que os genes têm um papel importante na variação do peso corporal. Mas até hoje, estes trabalhos tinham-se concentrado em pessoas com excesso de peso, sendo já conhecidos centenas de genes que aumentam a probabilidade de uma pessoa ter peso a mais.

Genes garantem magreza

Para este estudo, a equipa de Sadaf Farooqi conseguiu recrutar 2.000 pessoas magras (com um índice de massa corporal inferior a 18 kg/m2), mas saudáveis, sem condições médicas ou distúrbios alimentares.

Recolhidas amostras de saliva para permitir análises de ADN, foi pedido aos participantes que respondessem a perguntas sobre a sua saúde e estilos de vida.

Com a ajuda de Inês Barroso, do Wellcome Sanger Institute, foram comparadas as amostras de ADN de cerca de 14.000 pessoas – 1.622 voluntários magros, 1.985 muito obesos e 10.433 com peso normal.

E, para além das variantes genéticas já identificadas como desempenhando um papel na obesidade, foram encontradas novas regiões genéticas envolvidas também na magreza saudável.

As boas notícias vão para quem tem estes genes, que apresentam uma pontuação de risco genético muito menor, ou seja, têm menos variantes genéticas que sabemos que aumentam as hipóteses de uma pessoa estar acima do peso.

Magros sem esforço

“Esta investigação revela, pela primeira vez, que pessoas saudáveis ​​e magras são geralmente magras porque têm uma menor carga de genes que aumentam as hipóteses de estarem acima do peso e não porque são moralmente superiores, como algumas pessoas gostam de sugerir”, explica Sadaf Farooqi.

“É fácil criticar as pessoas pelo seu peso, mas a ciência mostra que as coisas são muito mais complexas. Temos muito menos controlo sobre nosso peso do que poderíamos pensar.”

“Já sabemos que as pessoas podem ser magras por diferentes motivos”, acrescenta o especialista. “Algumas simplesmente não estão interessadas em comida, enquanto outras podem comer o que gostam, mas nunca engordam. Se pudermos encontrar os genes que os impedem de engordar, podemos ser capazes de encontrar novas estratégias de perda de peso e ajudar as pessoas que não têm essa vantagem.”

a dieta do futuro

A dieta que promete salvar o mundo

Por | Nutrição & Fitness

Imagine um prato. Agora imagine que a maior parte desse prato se encontra coberta por vegetais. A fruta tem também lugar de destaque, assim como os cereais. A carne vermelha, essa não deve ultrapassar os 14 gramas diários, com o açúcar a reduzir para metade.

Este é o cenário da alimentação ideal em 2050, com o consumo da carne vermelha e do açúcar a cair para metade e o de frutos secos, fruta, verdura e legumes a aumentar para o dobro.

Um cenário que, de acordo com vários especialistas internacionais, será a única forma de alimentar a população crescente de 10 mil milhões de pessoas até 2050, de uma forma saudável e sustentável.

Evitar 11 milhões de mortes prematuras anuais

Um regime alimentar pouco saudável é a principal causa de doenças em todo o mundo. Mudar estes hábitos podia, por si só, evitar aproximadamente 11 milhões de mortes prematuras por ano.

Uma mudança em direção à alimentação saudável a uma escla planetária que garantiria ainda a sustentabilidade do sistema alimentar global, urgentemente necessária, segundo os especialistas, uma vez que mais de três mil milhões de pessoas estão desnutridas, com a produção de alimentos a ultrapassar os limites do planeta e a impulsionar as alterações climáticas, perda de biodiversidade e poluição.

Foi para isso que a Comissão EAT-Lancet decidiu fornecer os primeiros alvos científicos para uma dieta saudável a partir de um sistema sustentável de produção, que opera dentro dos limites planetários.

Um relatório que promove dietas que consistem numa variedade de alimentos à base de plantas, com baixas quantidades de alimentos de origem animal, grãos refinados, alimentos altamente processados ​​e açúcares adicionados e com gorduras insaturadas em vez de saturadas.

É preciso mudar a produção de alimentos

A alimentação está intrinsecamente associada à saúde e a sustentabilidade ambiental, mas as dietas atuais estão a empurrar a Terra para além dos seus limites, tornando o fornecimento de dietas saudáveis ​​a partir de sistemas alimentares sustentáveis ​um desafio imediato, já que a população continua a crescer e consumir cada vez mais alimentos de origem animal.

Para enfrentar este desafio, as mudanças na dieta devem combinar-se com uma melhor produção de alimentos e redução do seu desperdício. 

“Os alimentos que comemos e como os produzimos determinam a saúde das pessoas e do planeta, e atualmente estamos a errar seriamente”, garante um dos autores da comissão, Tim Lang, professor da Universidade de Londres, no Reino Unido.

“Precisamos de uma revisão significativa, de mudar o sistema global de alimentos numa escala nunca vista antes, de acordo com as circunstâncias de cada país. Embora este seja um território político não mapeado e estes problemas não sejam facilmente resolvidos, essa meta está ao nosso alcance.”

Menos carne vermelha, mais vegetais

Constituída por 37 especialistas de 16 países com experiência em saúde, nutrição, sustentabilidade ambiental, sistemas alimentares, economia e governação política, a Comissão tem como alvos científicos uma dieta saudável.

Dieta essa que, de acordo com as novas recomendações, exige que, até 2050, o consumo global de alimentos como carne vermelha e açúcar diminua em mais de 50%, enquanto o consumo de frutos secos, frutas, verduras e legumes aumente para o dobro.

Os alvos globais devem ser aplicados localmente. Por exemplo, os países da América do Norte comem quase 6,5 vezes a quantidade recomendada de carne vermelha, enquanto os países do sul da Ásia comem apenas metade do valor recomendado.

Todos os países estão a comer mais vegetais ricos em amido (batatas e mandioca) do que o recomendado, com consumos que variam entre 1,5 vezes acima da recomendação no sul da Ásia e 7,5 vezes na África Subsariana.

“As dietas do mundo devem mudar drasticamente. Mais de 800 milhões de pessoas têm comida insuficiente, enquanto muitas mais consomem uma dieta pouco saudável, que contribui para a morte prematura e doenças”, afirma Walter Willett, da Universidade de Harvard.

“Para ser saudável, as dietas devem ter uma ingestão calórica apropriada e consistem numa variedade de alimentos à base de plantas, baixas quantidades de alimentos de origem animal, gorduras insaturadas e não saturadas, e poucos grãos refinados, alimentos altamente processados ​​e açúcares adicionados.”