regressar ao trabalho após um enfarte

Voltar ao trabalho após um enfarte: não só possível, como desejável

Por | Bem-estar

Afinal, ter um enfarte não tem de ser sinónimo de abandonar a rotina. Os doentes que queiram voltar ao trabalho após um enfarte são capazes de o fazer, conclui um artigo científico publicado esta quinta-feira no European Journal of Preventive Cardiology, da Sociedade Europeia de Cardiologia.

Cerca de 67% a 93% dos doentes vítimas de um enfarte regressam ao trabalho três meses após o evento. No entanto, um em cada quatro desiste de trabalhar ao fim de um ano e as razões são maioritariamente psicológicas.

Depressão, falta de confiança ou até a ansiedade, sempre associados a crença de não serem capazes de se ajustar ao antigo estilo de vida, são as principais razões que levam ao abandono do mercado de trabalho.

Para combater esta taxa de insucesso de reintegração laboral, é aconselhado que estes doentes frequentem consultas de reabilitação cardíaca, que são realizadas por uma equipa multidisciplinar com profissionais da área da cardiologia e psicologia e têm como objetivo ajudar a preparar o regresso à vida ativa.

Soluções para regressar após um enfarte

Não trocar de emprego, trabalhar menos horas por semana ou trabalhar a partir de casa são algumas das soluções que podem facilitar o regresso ao trabalho, bem como fazer mais pausas ou até delegar algumas funções.

“Os doentes que acreditam serem capazes de fazer o seu trabalho e que têm vontade de regressar vão ter sucesso”, afirma Rona Reiblis, a principal investigadora da European Association of Preventive Cardiology (EAPC).

“É muito raro haver pacientes que após um enfarte fiquem impossibilitados de retomar as funções que desempenhavam antes, mesmo que sejam trabalhos pesados.”

Este abandono precoce do ambiente laboral é bastante acentuado entre doentes com funções que exigem um maior esforço físico, pois há várias complicações decorrentes do enfarte que podem diminuir a resistência e força física.

Mas a probabilidade de abandono da vida laboral é ainda maior se forem doentes com cerca de 30 anos e com historial de obesidade e tabagismo associado.

No que toca ao género, são as mulheres que mais optam por desistir de trabalhar ao fim de um ano, principalmente se o enfarte ocorrer após os 55 anos. Tal acontece, pois as mulheres apresentam uma maior insegurança na sua capacidade em regressar ao trabalho, especialmente se tiverem de desempenhar funções que possam exigir um maior esforço físico.

reabilitação cardíaca feita em casa

Recuperação feita em casa após enfarte com resultados excelentes

Por | Bem-estar

A reabilitação cardíaca é, para muitos, o passo que se segue após um enfarte agudo do miocárdio. Ou deveria ser. Mas o facto de ser realizar em ambiente hospitalar, exigindo do doente disponibilidade e transporte, acaba por afastar a maioria de programas que podem fazer a diferença na sua saúde. E se fosse feita em casa? A questão foi colocada por um grupo de especialistas, que concordam que os resultados podem ser excelentes.

Em Portugal, a percentagem de doentes que participaram, nos últimos anos, em programas de reabilitação cardíaca de fase III foi de cerca de 4%. Para estes números contribui a disponibilidade dos doentes, mas também a falta de resposta adequada do Sistema Nacional de Saúde, a falta de investimento em recursos humanos e materiais e a escassez de centros e a sua localização concentrada nas grandes cidades.

Mudar este cenário é o que se pretende e fazê-lo em casa pode ser a solução. 

“Contrariamente ao conceito generalizado de que a reabilitação cardíaca tem de ser feita sob vigilância direta há, nos casos de baixo risco cardiovascular, a possibilidade de efetuar reabilitação supervisionada à distância”, afirma Mesquita Bastos, professor na Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA) e cardiologista no Centro Hospitalar do Baixo Vouga, em Aveiro.

Especialista que, juntamente com outros colegas, realizou uma investigação sobre o tema, que confirma as vantagens da reabilitação cardíaca em casa.

Reabilitação cardíaca: ganham os doentes e ganham os serviços de saúde

O estudo que envolveu a ESSUA, realizado no âmbito do Doutoramento em Ciências e Tecnologia da Saúde de Andreia Noites, onde participaram também o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho e a Escola Superior de Saúde do Porto, envolveu um grupo de pessoas em recuperação de um enfarte do miocárdio, que fez um programa de exercícios, três vezes por semana, em casa, durante oito semanas.

Depois das informações e aconselhamentos presenciais, foram monitorizadas à distância a atividade física e os sinais vitais dos doentes, com recurso a dispositivos eletrónicos.

Resultado: sem os entraves dos quilómetros até aos hospitais centrais ou centros clínicos e a restrição dos horários das sessões, os doentes não só aderiram ao programa de exercício físico e educação para hábitos de vida saudáveis proposto, como obtiveram excelentes resultados na melhoria da saúde cardiovascular.

Esta prática, segundo Mesquita Bastos, torna possível “abranger uma maior população, incluindo a que se encontra impedida de o fazer pela distância até aos locais dos programas (hospitais, clínicas) e, desta forma, criar uma rede de reabilitação com todo o suporte tecnológico que hoje existe”.

Ganham os doentes e ganha o Sistema Nacional de Saúde, que terá menos gastos.

custo de enfartes ou AVC

Custo real dos enfartes e AVC é o dobro do relatado

Por | Atualidade

O custo financeiro total de enfartes ou AVC é duas vezes superior aos custos médicos quando nesta conta se inclui o tempo de trabalho perdido pelos doentes e cuidadores, revela um novo estudo, que conclui ainda que estas vítimas são 25% menos produtivas no primeiro ano de vida após o regresso ao trabalho.

Publicado na European Journal of Preventive Cardiology, uma revista da Sociedade Europeia de Cardiologia, os dados revelam que, no ano seguinte ao evento, os doentes cardíacos perdem 59 dias úteis e os cuidadores 11 dias de trabalho, a um custo médio de €13.953, variando entre €6.641 e €23.160, de acordo com o país.

Após o AVC, são perdidos 56 dias de trabalho pelos doentes e 12 pelos cuidadores, a uma média de €13.773, que varia entre os €10.469 e €20.215.

Kornelia Kotseva, investigadora do Imperial College London, Reino Unido, e autora do estudo, explica que os doentes aqui avaliados “regressaram ao trabalho, o que significa que os seus eventos foram relativamente leves. Alguns ainda precisaram de mudar de emprego ou carreira, ou trabalhar menos, com os cuidadores a perderem cerca de 5% do seu tempo de trabalho. Não incluídos no estudo foram aqueles com eventos mais graves, que deixaram completamente de trabalhar e presumivelmente precisam de mais ajuda da família e amigos”.

Perda de produtividade fora das contas

O estudo envolveu 394 doentes de sete países europeus, 196 dos quais com síndrome coronária aguda (86% enfartes, 14% dor torácica instável) e 198 com acidente vascular cerebral, que regressaram ao trabalho três a 12 meses após o evento.

Os doentes, com idade média de 53 anos, preencheram um questionário durante uma visita a um cardiologista, neurologista ou outro especialista, tendo as horas perdidas sido avaliadas de acordo com os custos de trabalho do país em 2018. 

De acordo com as estimativas publicadas na Europa, os custos médicos diretos da síndrome coronária aguda estão entre €1.547 e € 8.642 e os do AVC entre €5.575 e €31.274. “Esta é a métrica normalmente usada para estimar os custos das condições médicas, enquanto os custos indiretos de perda de produtividade não são tidos em conta pelos médicos, pagadores ou decisores políticos”, Kotseva.

“Todos juntos, o ónus real para a sociedade é mais do que o dobro do valor relatado anteriormente.”

Prevenção, o melhor remédio

As razões para perda de produtividade foram consistentes entre os países: 61% foi devido à hospitalização inicial e licença médica após a alta; 23–29% à ausência do trabalho após a licença médica inicial (para consultas médicas e licença médica mais curta); 9 a 16% referiam-se à incapacidade de trabalhar em pleno, por não se sentirem bem.

“A perda de produtividade associada a eventos cardiovasculares é substancial e vai além do doente”, refere a investigadora.

“Prevenir a síndrome coronária aguda e AVC é a chave para melhorar a saúde e longevidade e evitar a miríade de custos que acompanham estes eventos. A verdadeira tragédia é que tantos enfartes e AVC poderiam ser evitados por não fumar, ser fisicamente ativo, comer saudavelmente e controlar a pressão arterial e o colesterol. A evidência não poderia ser mais forte.”

enfarte aumenta com o calor

Risco de enfarte induzido pelo calor está a aumentar

Por | Investigação & Inovação

O ambiente pode ter um efeito importante no sistema cardiovascular humano. E já foi provado que os picos de temperatura aumentam o risco de enfarte. Agora, um grupo de especialistas quis ver até que ponto esse risco aumentou nos últimos anos.

E as conclusões não configuram boas notícias. De facto, ao longo dos 28 anos analisados, o risco de enfarte induzido pelo calor aumentou.

Kai Chen, investigador do Instituto de Epidemiologia da Helmholtz Zentrum München, na Alemanha, juntou-se a colegas de outras instituições e avaliou os dados do Registo de Enfarte do Miocárdio em Augsburg.

Um estudo que incluiu a análise de dados de mais de 27.000 pessoas que sofreram um enfarte, entre 1987 e 2014, com uma idade média de 63 anos. Ao todo, 73% eram homens e cerca de 13.000 perderam a vida na sequência do evento cardíaco.

Para além disso, foram ainda analisados dados meteorológicos referentes ao dia do enfarte, ajustados para uma série de fatores adicionais, como o dia da semana e o estatuto socioeconómico. 

Risco a aumentar

“A nossa análise revelou que, nos últimos anos, o risco de enfarte induzido pelo calor tem aumentado, com a subida da temperatura média diária”, explica Chen, que acrescenta que as pessoas com diabetes ou valor elevado de lípidos no sangue apresentam um risco maior.

Algo que, de acordo com os investigadores, pode ser, ainda que parcialmente, resultado do aquecimento global, mas também consequência de um aumento nos fatores de risco, como diabetes e hiperlipidemia, que tornam a população mais suscetível ao calor.

Calor possível ‘gatilho’

Os especialistas chamam, por isso, a atenção para as alterações climáticas, considerando ser importante ser dada mais atenção “às altas temperaturas como um possível gatilho para ataques cardíacos”, Alexandra Schneider, uma das autoras do estudo.

“Eventos climáticos extremos, como as ondas de calor de 2018 na Europa, poderão, no futuro, ter como resultado um aumento nas doenças cardiovasculares.”

mulheres não chamam ambulância

As mulheres chamam a ambulância para os maridos com enfarte, mas não para si

Por | Investigação & Inovação

As mulheres chamam uma ambulância para os maridos, os pais e os irmãos com sintomas de enfarte. Mas não o fazem para si, revela um novo estudo, divulgado nas vésperas do Dia Internacional da Mulher, que se comemora a 8 de março.

“Está na hora das mulheres cuidarem de si.” Esta é a principal mensagem dos investigadores, partilhada no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, que tem como tema #BalanceforBetter, uma chamada à ação para fomentar a igualdade de género nos cuidados de saúde.

Os outros são as prioridades

A doença cardíaca isquémica é a principal causa de morte em mulheres e homens, mas a gestão que é feita da mesma não é igual para todos, revelam os dados mais recentes.

Mariusz Gąsior, investigador principal do registo nacional polaco, autor do estudo, considera que, “muitas vezes, as mulheres fazem a gestão da casa, mandam as crianças para a escola e preparam-se para as celebrações em família. Ouvimos repetidas vezes que são essas responsabilidades que as atrasam na hora de chamar uma ambulância, caso tenham sintomas de um enfarte”.

“Para além de administrarem o lar, as mulheres garantem que os familiares do sexo masculino recebem ajuda médica urgente quando necessário. É hora de cuidarem de si mesmas”, acrescenta Marek Gierlotka, coordenador do registo.

Prontidão no socorro faz toda a diferença

Um total de 7.582 doentes com enfarte agudo do miocárdio com elevação do segmente ST foram incluídos na avaliação. Um tipo grave de ataque cardíaco, em que uma artéria principal, que fornece sangue até ao coração, é bloqueada. A restauração o mais rápida possível do fluxo sanguíneo traduz-se em mais músculo cardíaco recuperado e menos tecido morto, menos insuficiência cardíaca e menor risco de morte.

As diretrizes recomendam, por isso, que se faça a abertura da artéria com um stent no prazo máximo de 90 minutos após o diagnóstico.

Em geral, 45% dos doentes foram tratados dentro do prazo recomendado, mas menos mulheres do que homens. 

E ainda que os doentes dentro e fora da janela de tratamento aconselhada tivessem taxas semelhantes de mortalidade intra-hospitalar, o coração aqueles tratados prontamente estava mais apto a bombear sangue de forma eficaz.

Para Mariusz Gąsior, “uma das razões pela qual as mulheres têm menos probabilidade do que os homens de serem tratadas dentro do período de tempo recomendado é porque levam mais tempo a chamar uma ambulância quando têm sintomas. E isso é especialmente verdadeiro para as mulheres mais jovens”.

Sinais de alerta

Dor no peito e no braço esquerdo são os sintomas mais conhecidos do ataque cardíaco. As mulheres costumam ter dor nas costas, no ombro ou no estômago.

Deve, por isso, chamar-se uma ambulância se houver dores no peito, garganta, pescoço, costas, barriga ou ombros que durem mais de 15 minutos.

risco de novo enfarte é grande

Um em cada cinco doentes sofre novo evento cardíaco depois do enfarte

Por | Bem-estar

Há quem diga que a história nunca se repete. Mas para um em cada cinco doentes que sobreviveram ao internamento depois de um enfarte agudo do miocárdio, a história volta, de facto, a repetir-se. E em forma de um novo evento, que pode ser a morte cardiovascular, um enfarte ou um acidente vascular cerebral, algo que acontece nos 12 meses seguintes, apesar de todos os avanços no diagnóstico e tratamento.

Os números são partilhados por Sílvia Monteiro, cardiologista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e coordenadora da área dos Cuidados Intensivos Cardíacos da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, a propósito do Dia Nacional do Doente Coronário, que se assinala esta quinta-feira (14 de fevereiro).

“Vinte por cento dos doentes sem evidência de complicações cardiovasculares no primeiro ano, sofrem um novo evento nos três anos seguintes”, acrescenta a especialista, que o justifica com a presença de problemas como diabetes, doença renal crónica, doença arterial periférica ou doença aterosclerótica, associada a uma medicação que pode não ser adequada ou à falta de cuidados.

Daí o alerta para a importância “de uma abordagem estruturada e integrada de prevenção secundária, com uma colaboração estreita entre a cardiologia e a medicina geral e familiar no acompanhamento do doente depois do enfarte agudo do miocárdio”.

Tratamento adequado e até ao fim

Para evitar que a história se repita, o tratamento adequado é essencial. Aqui, a especialista chama a atenção para os antiagregantes plaquetares, que assumem “um papel fundamental no tratamento de fase aguda do enfarte e na prevenção da recorrência de eventos a longo prazo”.

E atenção: esta é uma medicação que deve ser feita pelo menos durante 12 meses. Até porque “a descontinuação ou suspensão prematura desta terapêutica constitui um fator de risco importante na recorrência do enfarte agudo do miocárdio”.

O papel do doente

Para o sucesso de qualquer tratamento, é importante que o doente assuma também o seu papel, não só a tratar o enfarte, como também a prevenir que se volte a repetir.

Isto implica respeitar a medicação prescrita e adotar um estilo de vida saudável, que passa pelo adeus ao tabaco, adoção de uma dieta equilibrada, prática de atividade física e controlo de fatores de risco, como a diabetes, pressão arterial e níveis de colesterol.

Segundo Sílvia Monteiro, é importante ainda gerir a ansiedade do doente face à probabilidade de um novo evento cardíaco. Para tal, “a informação e educação do doente coronário e das respetivas famílias é essencial”.

risco dos cigarros eletrónicos

Cigarros eletrónicos aumentam risco de AVC e enfarte

Por | Bem-estar

O uso de cigarros eletrónicos aumenta a probabilidade de AVC, enfarte e doença coronária. Uma garantia dada por um novo estudo.

Apresentado em Honolulu, no Havai, na conferência da American Stroke Conference 2019, uma reunião mundial para investigadores e médicos dedicados à ciência e tratamento de doença cerebrovasculares, trata-se do maior estudo até o momento sobre o uso deste tipo de cigarros e a associação aos acidentes vasculares cerebrais.

Os dados de 400.000 entrevistados permitiram concluir que, “em comparação com os não-utilizadores, aqueles que preferem os cigarros eletrónicos são mais jovens, têm um índice de massa corporal menor e uma menor taxa de diabetes”, explica Paul M. Ndunda, autor do trabalho e professor assistente na Faculdade de Medicina do Reino Unido. 

Risco de AVC aumenta 71%

Ao todo, cerca de 66.795 entrevistados relataram usar sempre cigarros eletrónicos. E, comparando com os que não os usam, estes apresentavam um risco 71% superior de acidente vascular cerebral.

Mas há mais. O risco aumentou também em 59% para o enfarte e em 40% para a doença coronária.

É por isso que a American Heart Association alerta para o uso deste tipo de cigarros, afirmando que os que contêm nicotina são produtos de tabaco que devem estar sujeitos a todas as leis que se aplicam a estes produtos.

A Associação pede também regulamentação mais forte para impedir o acesso, a venda e a comercialização de cigarros eletrónicos aos jovens e mais investigação sobre o seu impacto na saúde.

Falta evidência que confirma vantagens

Os cigarros eletrónicos são muitas vezes comercializados como uma forma de ajudar os que querem deixar de fumar. No entanto, a American Heart Association refere haver pouca evidência científica conclusiva desta realidade.

De resto, cita um estudo que relatou que os fumadores adultos que usaram os cigarros eletrónicos tiveram 28% menos probabilidade de parar com sucesso. 

a hora em que o risco de enfarte é maior

Este é o dia e a hora mais provável para um enfarte

Por | Bem-estar

A hora mais perigosa do ano para a saúde é… as 22h00 do dia 24 de dezembro. Porquê? De acordo com um estudo sueco, é este o momento em que o risco de enfarte atinge o seu pico, sobretudo nos mais idosos e doentes. A culpa é, muito provavelmente, do stress emocional elevado.

A conclusão vem da Suécia, onde um grupo de investigadores decidiu verificar se os fatores de tempo, como feriados nacionais, grandes eventos desportivos, a hora do dia ou o dia da semana podem desencadear um ataque cardíaco.

Para isso, avaliaram o momento exato em que ocorreram 283.014 enfartes, incluídos no registo (SWEDEHEART), ao longo de 16 anos (de 1998 a 2013).

E os resultados revelam que os feriados de Natal e de verão foram associados a um maior risco de enfarte (15% e 12%, respetivamente), assim como as manhãs (8h00) e segundas-feiras.

Mas, de longe, o dia com o maior risco foi a véspera de Natal, com um aumento de 37% no risco de enfarte, que atingia o pico por volta das 22h00. Na Suécia, tal como em Portugal, é na véspera de Natal que se trocam os presentes, sendo este o ponto máximo da celebração, o que se traduz em emoções aumentadas.

O risco foi superior nos maiores de 75 anos e nas pessoas com diabetes e doenças cardíacas existentes, o que destaca a necessidade de reforçar a sensibilização para este grupo vulnerável durante o período do Natal, defendem os especialistas.

Cuidado com os excessos de Ano Novo

Curiosamente, a véspera de Ano Novo, sinónimo de festa, não revelou nenhum risco associado, que aumentava no primeiro dia do ano, o que pode ser explicado, segundo os especialistas, “por negligência e dificuldade em identificar sintomas, mascarados pelo excesso no consumo de álcool e alimentos”. 

Ao contrário de estudos anteriores, não foi identificado nenhum risco associado a eventos desportivos ou ao período da Páscoa.

O perigo das emoções intensas

Ainda que, de acordo com os autores deste estudo, este seja um trabalho observacional, o que significa que não é possível tirar grandes conclusões sobre causas e efeitos, não se pode descartar a possibilidade de que parte do risco possa ser devido a outros fatores não tidos em conta.

De facto, raiva, ansiedade, tristeza e stress já foram identificados como responsáveis pelo aumento do risco de ataque cardíaco, assim como a atividade física e as mudanças no estilo de vida.

Emoções que são mais intensas durante os períodos de festa, sendo as pessoas mais velhas e com histórico de diabetes e doença arterial coronária mais vulneráveis ​​a estes gatilhos de curto prazo.

mulheres esperam mais quando têm enfarte

Mulheres que sofrem enfarte esperam mais do que os homens para pedir ajuda

Por | Bem-estar

As mulheres esperam mais tempo do que os homens para pedir ajuda quando estão a sofrer um enfarte. Mas todos os minutos contam, revela um estudo publicado esta terça-feira no European Heart Journal: Acute Cardiovascular Care, uma publicação da European Society of Cardiology.

A cardiopatia isquémica é a principal causa de morte em mulheres e homens, mas continua a persistir a ideia de que os enfartes são um “problema dos homens”, embora sejam igualmente comuns entre as mulheres.

Há diferenças de género, uma vez que, em média, estas têm cerca de oito a 10 anos a mais do que os homens quando sofrem um enfarte e tendem a apresentar sintomas diferentes, mas os benefícios de um tratamento o mais rápido possível são iguais para eles e para elas.

Matthias Meyer, cardiologista do Hospital Triemli, em Zurique, na Suíça, considera que as mulheres esperam mais tempo antes de pedir ajuda devido ao mito de que os enfartes geralmente ocorrem em homens e porque a dor no peito e no braço esquerdo são os sintomas mais conhecidos, algo que nem sempre elas sentem.

“A intensidade da dor sentida por mulheres e homens é a mesma, mas a localização pode ser diferente”, reforça o especialista.

“As pessoas com dor no peito e no braço esquerdo são mais propensas a pensar que estão a ter um enfarte, e estes são sintomas comuns entre os homens. Mas as mulheres costumam ter dor nas costas, no ombro ou no estômago.”

Mulheres esperam mais 37 minutos do que os homens

A rapidez nos cuidados é essencial, isto porque nos enfartes causados ​​pelo bloqueio agudo de uma artéria que fornece sangue ao coração, a reabertura rápida do vaso sanguíneo significa a restauração mais rápida desse fluxo sanguíneo e traduz-se em mais músculo cardíaco recuperado e menos tecido morto, menos insuficiência cardíaca subsequente e menor risco de morte.

Nos últimos 10 a 15 anos, foram usadas várias estratégias para reduzir o tempo de atraso entre os sintomas e o tratamento e o que este estudo procurou foi verificar se estas estratégias, de facto, funcionam.

Para isso, fez-se uma avaliação retrospetiva de 4.360 doentes (967 mulheres e 3.393 homens) com enfarte agudo do miocárdio, assistidos no Triemli Hospital, na Suíça, entre 2000 e 2016.

Durante esse período, 16 anos, não foram encontradas diferenças de género em relação à prestação pontual de cuidados pelos profissionais de saúde.

No entanto, o atraso da chegada aos cuidados pelo doente diminuiu ligeiramente nos homens, mas não se alterou nas mulheres. Contas feitas, estas esperam cerca de 37 minutos a mais do que os homens antes de entrarem em contacto com os serviços médicos.

“As mulheres que têm um ataque cardíaco parecem ser menos propensas do que os homens a atribuir os seus sintomas a uma condição que requer tratamento urgente”, refere Meyer.

No entanto, “cada minuto conta quando se tem um enfarte”, refere o médico.

“Há que ficar atento ao desconforto moderado a grave, incluindo dores no peito, garganta, pescoço, costas, estômago ou ombros, que duram mais de 15 minutos, geralmente acompanhados de náusea, suores frios, fraqueza, falta de ar ou medo.”

Risco de enfarte aumenta com mudanças súbitas na temperatura

Por | Bem-estar

Grandes flutuações na temperatura estão associadas a um risco acrescido de enfarte, revela um estudo hoje apresentado na 67ª Sessão Científica Anual do American College of Cardiology. Numa altura em que os modelos de previsão apontam para a existência de cada vez mais situações meteorológicas extremas, esta investigação alerta para o aumento, na sequência destas, das ocorrências de enfartes.

Para além da tendência geral para o aquecimento, é provável que as alterações climáticas conduzam a eventos mais extremos, como ondas de calor e períodos de frio, dependendo da zona geográfica. E isto pode, por sua vez, “resultar em grandes flutuações diárias na temperatura”, refere Hedvig Andersson, investigador de cardiologia na Universidade do Michigan e autor principal do estudo. “

O nosso trabalho sugere que estas flutuações na temperatura exterior podem levar a um aumento no número de enfartes e afetar a saúde cardíaca global no futuro.”

A ideia de que a temperatura externa afeta a taxa de enfartes não nova, com o clima frio a contribuir para um aumento de risco já identificado. No entanto, a maioria dos trabalhos anteriores concentrou os seus esforços nas temperaturas diárias globais, com este a ser um dos primeiros a examinar a associação às alterações repentinas de temperatura.

“Embora o organismo tenha sistemas eficazes para dar resposta às mudanças de temperatura, as flutuações mais rápidas e extremas podem dar origem a stress acrescido sobre os sistemas, o que pode, por sua vez, contribuir para problemas de saúde”, afirma Andersson, observando que o mecanismo subjacente a esta associação permanece desconhecido.

A investigação teve por base mais de 30.000 doentes tratados em 45 hospitais do Michigan, entre 2010-2016, todos eles alvo de um procedimento utilizado para abrir as artérias entupidas, depois de terem sido diagnosticados com enfarte do miocárdio com elevação de ST, a forma mais grave do enfarte.

Os investigadores olharam para a flutuação de temperatura que precedeu cada um dos eventos cardíacos, com base nos registos meteorológicos, sendo a flutuação diária da temperatura definida como a diferença entre a temperatura mais alta e a mais baixa registada no dia do enfarte.

No geral, os resultados mostraram que o risco de um ataque cardíaco aumenta cerca de 5% por cento para cada salto de cinco graus no diferencial de temperatura. E o aumento súbito da temperatura parece ter um impacto maior nos dias mais quentes.

“Normalmente pensamos nos fatores para o enfarte como aqueles que se aplicam a doentes individuais e, consequentemente, identificamos mudanças de estilo de vida ou medicamentos para lidar com eles. Os fatores de risco a nível populacional precisam de uma abordagem semelhante”, explica Hitinder Gurm, professor de medicina e diretor clínico da Michigan Medicine e outro dos autores do estudo.

“As flutuações de temperatura são comuns e [frequentemente] previsíveis. É necessária mais investigação para perceber os mecanismos subjacentes à forma como estas flutuações aumentam o risco de enfarte, o que nos permitirá talvez conceber uma abordagem de prevenção bem-sucedida”.