risco das meias para bebés

Nove em cada dez pares de meias de bebé contêm substâncias tóxicas

Por | Bem-estar

Uma equipa de cientistas espanhóis descobriu que nove em cada 10 pares de meias para bebés e crianças dos zero aos quatro anos contêm vestígios de bisfenol A e parabenos, substâncias que têm sido associadas a disfunções que podem desencadear doenças em crianças e adultos.

Este estudo científico, o primeiro do género a ser realizado na Europa, revela que os tecidos podem ser uma fonte de exposição a poluentes químicos que desregulam o sistema endócrino, algo particularmente preocupante no caso da exposição entre crianças muito pequenas.

Os investigadores encontraram também grandes diferenças na quantidade de produtos tóxicos detetados, dependendo do tipo de loja que vendia as meias.

O que é que as meias para bebés têm?

Foram, ao todo, testadas amostras de 32 pares de meias infantis (de recém-nascidos a 48 meses), adquiridas em três tipos diferentes de lojas, classificadas de acordo com o preço dos seus produtos: comércio local, onde três pares custavam entre 1,50€ e 1,80€, grupos internacionais de fast-fashion de baixo custo (três pares por 3,00€ a 4,50€) e marca de roupas internacional de maior qualidade (três pares por entre 6,95€ e 7,95€).

Usando técnicas sofisticadas de química analítica e através da realização de testes biológicos complexos, foi possível quantificar a presença das referidas substâncias, o bisfenol A, os conservantes conhecidos como parabenos e relacioná-los com a atividade hormonal.

Local de venda interessa

A concentração dos dois produtos químicos encontrados nas meias vendidas na loja mais com produtos mais baratos atingiram um máximo de 3,736 ng de bisfenol A por grama de tecido, uma quantidade 25 vezes superior à encontrada nas meias vendidas pela marca internacional de baixo custo e pela marca internacional de maior qualidade.

Os parabenos foram encontrados em todos os produtos estudados, mas em concentrações médias inferiores às do bisfenol A e com diferenças menos pronunciadas entre o tipo de comércio.

Tendo em conta estes dados, confirmou-se que dois em cada dez pares de meias comprados nas lojas mais em conta apresentavam atividade hormonal estrogénica e um em cada três pares revelava atividade antiandrogénica nos testes biológicos realizados. Ou seja, os extratos retirados destas peças comportavam-se como a hormona feminina e antagonizavam as hormonas masculinas.

Uma atividade hormonal responsável por disfunções que podem levar a doenças em crianças e adultos, que podem ir desde os déficits de atenção e hiperatividade, distúrbios geniturinários, desenvolvimento sexual secundário prematuro e obesidade em crianças. Nos adultos, estão ligados ao hipotiroidismo, infertilidade, diabetes e cancros dependentes de hormonas, como o cancro de mama.

Investigadores pedem mais medidas de proteção

Através de algoritmos complexos, os investigadores estimaram o risco da exposição através da pele para os bebés e crianças, uma interpretação que não é simples, já que pouco se sabe sobre como, e em que medida, estas substâncias podem ser absorvidas pela pele, ou o quanto pode ser liberado durante a lavagem (e, por sua vez, a possível contaminação de outras peças lavadas ao mesmo tempo).

No entanto, a principal questão que preocupa os cientistas é a possível exposição a esses compostos químicos contidos nas roupas através do trato digestivo, dado o quão comum é para os bebés levarem os pés e meias à boca.

Para resolver isso, o grupo reforçou a consciencialização pública contra a exposição a desreguladores endócrinos, em especial alertando os pais de crianças pequenas, médicos e profissionais de saúde para este tema, alertando ainda os fabricantes e importadores sobre a qualidade dos seus produtos e sensibilizar os governos nacionais e europeus sobre o problema.

Ou seja, os governos precisam de impor uma regulamentação mais rigorosa no que diz respeito a estas substâncias nos têxteis, um aspeto da atividade industrial e comercial atualmente negligenciada.

eliminar as gorduras localizadas

Acabar com as gorduras localizadas que nem a dieta consegue eliminar

Por | Bem-estar

Com a chegada do verão chegam também as preocupações com o corpo. Muitos já iniciaram o processo de emagrecimento, mas as gorduras localizadas podem continuar a ser uma preocupação. Para resolver este problema, existem soluções como a lipoaspiração, um procedimento que, segundo, Luiz Toledo, cirurgião plástico, “não é uma técnica para emagrecimento”.

De acordo com o especialista, “serve apenas para retirar gorduras localizadas, aquelas que não saem com dietas e exercícios”. Abdómen, cintura, costas, pernas, braços ou pescoço, é praticamente possível realizar esta intervenção em qualquer lugar onde exista excesso de gordura. Mas o que implica?

Segundo o especialista, “toda a lipoaspiração é invasiva, já que penetra no subcutâneo para aspirar gordura – umas mais, outras menos, dependendo do problema”. Existem várias técnicas possíveis, mas o procedimento, em si, implica “introduzir um tubo fino, chamado cânula, no depósito de gordura já anestesiado e com movimentos de vai-vem aspirar o excesso de gordura”.

Recuperação depois da eliminação das gorduras localizadas

Quanto ao tempo de recuperação, este depende da quantidade de gordura aspirada. “A quantidade máxima segura é 5% do peso corporal. Nestas lipos maiores é preciso uma semana de repouso relativo, sem conduzir ou carregar pesos, com prática de exercício físico apenas 30 dias após a intervenção.” No caso das lipoaspirações menores, a recuperação é mais rápida, bastando por vezes dois a três dias.

Ainda assim, Luiz Toledo alerta que “haverá sempre um  inchaço na área operada, que pode levar até seis meses para ser absorvido”. Existem, por isso, cuidados importantes a ter após uma lipoaspiração, como “usar uma cinta modeladora por, pelo menos, 3 semanas; evitar exercícios físicos e a exposição ao sol durante 30 dias; e fazer uma drenagem linfática manual, uma massagem leve, após a cirurgia, para diminuir o inchaço e melhorar o conforto”.

como ser feliz

Quer ser feliz? Este curso gratuito ensina o segredo

Por | Bem-estar

Chama-se Psychology and the Good Life (Psicologia e Vida Boa, em português) e é um curso que ensina, nem mais, a ser feliz. E se o tema o faz desconfiar, o facto de ser o mais popular da história da universidade onde é lecionado, a prestigiada Universidade de Yale, deita por terra qualquer dúvida que possa existir. O melhor de tudo? É gratuito e feito online.

“Neste curso, será envolvido numa série de desafios criados para aumentar sua própria felicidade e construir hábitos mais produtivos”, lê-se na descrição do mesmo.

Ministrado por Laurie Santos, professora de psicologia de Yale e diretora do Laboratório de Conhecimento Comparativo, o curso revela conceções erradas sobre a felicidade, as características irritantes da mente que nos levam a pensar como pensamos e a investigação que pode nos ajudar a mudar.

Findo o curso, a garantia é de ser capaz de incorporar com sucesso uma atividade específica de bem-estar.

Porque é que as nossas expectativas são tão más, como podemos superar os nossos preconceitos, pôr as estratégias em prática são alguns dos temas em destaque, lecionados ao longo de 10 semanas.

Ser feliz já motivou mais de mil inscritos 

Ao todo, 1.118 pessoas já se matricularam no curso, número que confirma a popularidade conquistada por esta temática. Contas feitas, um em cada quatro estudante de Yale frequentou estas aulas.

O conteúdo é todo ele em inglês e as aulas incluem vídeos, a leitura de várias obras, assim como trabalhos para casa, o mesmo é dizer, atividades diárias que ajudam a desenvolver e manter hábitos de felicidade.

Por ser online, permite que cada aluno decida quando e como quer aceder às aulas, que são gratuitas. No entanto, para aqueles que não passam sem um certificado, este pode ser adquirido, no momento da conclusão, por cerca de 50 dólares.

problemas cardíacos e estado civil

Homens viúvos e divorciados com maior risco de morte por problemas cardíacos

Por | Bem-estar

Homens e mulheres são diferentes na saúde e na doença. E a prová-lo está mais um estudo, que associa o estado civil a problemas cardíacos e revela que os homens correm mais risco do que as mulheres.

Realizado por especialistas da Universidade de Aston, em Birmingham, o trabalho encontrou grandes diferenças nas taxas de mortalidade de homens e mulheres vítimas de enfarte, insuficiência cardíaca e fibrilhação auricular, no que diz respeito ao seu estado civil.

Ou seja, os viúvos que sofreram um enfarte têm um risco 11% superior de morrer do que as viúvas nas mesmas condições. E o mesmo acontece com aqueles que sofrem com insuficiência cardíaca (10%) e fibrilhação auricular (13%), em comparação com as mulheres.

No caso dos divorciados com fibrilhação auricular, o risco de morte era 14% superior ao das divorciadas.

A necessidade de apoio quando se vive com problemas cardíacos

Podia então pensar-se que a solidão não é boa companhia para os homens, mas o estudo deita por terra esta teoria, ao confirmar que os homens solteiros com insuficiência cardíaca apresentavam, na verdade, um risco 13% menor de morte em comparação com as mulheres solteiras.

Ao estudar 1.816.230 pessoas internadas em hospitais no norte de Inglaterra com um enfarte, insuficiência cardíaca ou fibrilhação auricular entre 2000 e 2014, os investigadores verificaram como o estado civil ou género pode afetar o risco de morte a longo prazo durante um período de 14 anos.

Rahul Potluri, que liderou o estudo, espera que, indo um passo mais além e entendendo como estas diferenças no estado civil podem afetar a sobrevivência de homens e mulheres, a equipa não seja apenas capaz de ajudar a identificar pessoas que precisam de apoio extra, mas também a melhorar a forma como lhes é dado apoio.

“Quando se trata de ajudar as pessoas a recuperarem de uma problema cardíaco com risco de vida, concentrarem-se apenas no seu problema médico não tem necessariamente o melhor resultado. É importante analisar os cuidados holísticos e explorar outros fatores, como a sua rede de apoio, o que também pode ter um grande impacto na saúde de uma pessoa.”

Metin Avkiran, diretor médico Associado da Fundação Britânica do Coração, considera que “o enfarte, a fibrilhação auricular e a insuficiência cardíaca podem interromper a vida. Estas descobertas sugerem que os homens viúvos ou divorciados e as mulheres solteiras podem precisar de apoio para ajudar a minimizar o seu risco individual de morrer destes problemas”.

“Ninguém deveria sentir que tem de enfrentar o seu problema sozinho. Independentemente do estado civil, seja homem ou mulher, é importante saber que existe uma abundância de apoio. Se não puder ou não se sentir à vontade para ligar para amigos e familiares, também pode falar com o seu médico de família”, acrescenta.

como o sono afeta a memória

Dormir a mais e a menos associado a uma memória mais fraca

Por | Bem-estar

Que dormir a menos faz mal à saúde é um tema já muito debatido. Mas parece que estar muitas horas na cama pode fazer o mesmo, revela um novo estudo do University College London (UCL), que o associada à memória.

De acordo com os especialistas, dormir menos de sete horas ou passar mais de nove horas na cama pode afetar adversamente o desempenho cognitivo, como a memória visual e o tempo de reação.

O estudo, publicado no International Journal of Epidemiology, é o primeiro a avaliar a existência de uma ligação entre sono e função cognitiva e a demência, através da análise de genes associados à duração do sono.

E descobriram que as pessoas que dormiam menos de sete horas todas as noites faziam 5% mais de erros por cada hora a menos de sono nos testes de memória visual. Mas aqueles que dormiam mais de nove horas erravam ainda mais: 9% por cada hora adicional.

Em média, os participantes no estudo cometeram 3% de erros a mais de erros no teste de memória visual e tiveram um tempo de reação 1% mais lento para cada hora adicional de sono por dia.

O impacto na memória

Albert Henry, principal autor do estudo e especialista do Instituto de Ciências Cardiovasculares da UCL, considera que este estudo “fornece novas evidências que confirmam que tanto o sono curto como o longo podem ter um impacto negativo em certos domínios cognitivos, como memória visual e tempo de reação”.

“Esta é a primeira vez que pudemos avaliar a duração do sono de uma pessoa em relação à função cognitiva, em vez de apenas observar como o sono está vinculado a estes resultados em apenas um momento ao longo do tempo”, refere Victoria Garfield, especialista  do Instituto de Ciências Cardiovasculares da UCL.

“Recomendamos que a maioria dos adultos saudáveis ​​siga a recomendação de sete a nove horas de sono por noite.”

Albert Henry acrescenta que “estudos anteriores também associaram os problemas de sono a um aumento do risco de demência. Encontramos poucas evidências de que a duração do sono possa estar associada a esse risco neste estudo, mas são necessárias mais pesquisas para explorar esta relação”.

“No geral, o nosso estudo destaca a importância da duração do sono em relação à função cognitiva. Isso sugere que melhorar os hábitos de sono pode ser benéfico para a saúde cognitiva.”

as tendências da cirurgia plástica

As intervenções estéticas mais procuradas antes do verão

Por | Bem-estar

Com o verão a menos de um mês de distância, o tiro de partida para a corrida ao biquíni já começou. O que significa que, para além das dietas e das sessões reforçadas de exercício no ginásio, há também um aumento da procura de intervenções estéticas. Mas não de todas. Luiz Toledo, especialista mundial de cirurgia plástica e estética, revela os que são mais procurados por homens e por mulheres antes do calor apertar.

Alterar o corpo é, sem surpresas, o principal objetivo. Não é, por isso, de estranhar que as intervenções estéticas com maior procura tenham como objetivo isso mesmo, situação que é transversal a ambos os sexos.

“O contorno corporal é procurado tanto por homens como por mulheres”, refere o especialista. Mas há intervenções exclusivas para elas e para eles. É o caso do aumento do peito, “uma das cirurgias mais procuradas, nesta época, por mulheres. No caso dos homens, o que nos pedem mais são as diminuições de peito (ginecomastia)”.

Mamoplastia, uma das intervenções estéticas mais procuradas

O especialista refere que o contorno corporal, também conhecido como lipoescultura, remove (ou também adiciona) a gordura em excesso.

“A mamoplastia de aumento é o procedimento de cirurgia plástica mais popular do mundo e permite o aumento dos seios das mulheres. No caso dos homens, a redução da mama é o que muitos procuram, aquilo que chamamos de ginecomastia, que resulta de uma acumulação de gordura ou de um aumento anormal da glândula mamária.”

Apesar do aumento da procura de intervenções estéticas nesta época, Luiz Toledo defende que a preparação deveria ter começado mais cedo. “Isso é uma coisa que leva tempo. Há que amadurecer a ideia, pensar bastante, consultar o cirurgião, preparar-se física e financeiramente. Só após uma decisão amadurecida, quando se tem confiança de que esse é o procedimento adequado e que o cirurgião tem as qualificações necessárias, é possível seguir adiante com confiança.”

mulheres precisam de mais horas de sono

Mulheres precisam de mais horas de sono do que os homens

Por | Bem-estar

Não basta dormir. É preciso também dormir bem. Até porque os benefícios de uma boa noite de sono para a saúde e bem-estar vão muito além do descanso, tendo impacto no sistema imunológico, endócrino, neurológico, entre outros. Mas serão as necessidades de sono iguais para homens e mulheres?

De acordo com os dados do Centro de Investigação do Sono da Universidade de Loughborough, em Inglaterra, a capacidade feminina de executar várias tarefas faz com que o cérebro das mulheres seja mais complexo do que o dos homens. O que significa que elas precisam de mais horas de sono. 

Pelo que, para as mulheres, a temática do sono deve ser tratado com a maior importância. A Emma, marca que quer revolucionar o mercado do descanso, reconhece essa importância e aproveita o Dia Internacional da Saúde Feminina, que se assinala este dia 28, para celebrar a saúde da mulher e partilhar algumas dicas para o descanso de qualidade que todas merecem:

Insónias castigam mais as mulheres

As insónias são o distúrbio do sono que mais afeta as mulheres. São, por isso, muitas também as receitas que prometem milagres, sejam em forma de comprimidos ou outros.

No entanto, as causas para este distúrbio podem ser várias e, por isso, o tratamento que resulta para uma pessoa pode não resultar com outra. Assim, é essencial que sejam identificados os motivos que estão na base das insónias para um tratamento eficaz do problema.

É preciso também não esquecer que o corpo da mulher precisa de cerca de oito horas por dia de sono para repor energias, dando vários sinais de que precisa de descansar ou de que, por outro lado, já está pronto para as exigências do dia-a-dia.

Um estudo realizado pelo Cleveland Clinic Sleep Disorders Center, nos Estados Unidos, constatou que quem não respeita as necessidades de descanso do corpo e dorme menos de seis horas por dia tem mais tendência para desenvolver depressão.

Repartição de tarefas para mais horas de sono

É um facto que todos precisamos de trabalhar, mas não nos podemos esquecer de regras básicas que o devem acompanhar, como o descanso, alimentação saudável, exercício, apanhar sol e ter uma vida social agradável.

O stress e o nível acrescido de responsabilidade são dos fatores que mais afetam o sono da mulher. É, por isso, aconselhável que as horas anteriores ao início do sono sejam um processo de relaxamento, sem emails de trabalho ou grandes tensões físicas ou emocionais para não levar preocupações para a cama.

E porque as mulheres são, por norma, quem mais atenção dá às tarefas domésticas, recaindo sobre elas esta responsabilidade, as tarefas de subsistência da família devem ser partilhadas com todos os membros.

A tudo isto junta-se ainda a necessidade de um bom colchão, que pode fazer a diferença entre horas bem dormidas ou um pesadelo na cama. 

problemas na boca para fumadores

Fumadores correm elevado risco de cancro da boca e da faringe

Por | Bem-estar

Composto por mais de 4.000 substâncias, das quais algumas com efeitos tóxicos, potencial cancerígeno e efeito de dependência, o tabaco é perigoso para a saúde, risco cada vez mais evidente para a sociedade, pelo menos no que diz respeito aos pulmões. Mas as consequências dos hábitos tabágicos nos fumadores não se ficam por aqui. Os problemas são vários também ao nível da saúde oral, ainda são desconhecidas pela sociedade portuguesa, incluindo o cancro da boca e da faringe, alerta Gil Alcoforado, médico dentista.

No âmbito do Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala a 31 de maio, o especialista do Best Quality Dental Centers (BQDC) confirma que são vários os estudos que fundamentam uma forte relação entre os hábitos tabágicos e desenvolvimento de problemas orais.

“Para além do cancro da boca e da faringe, o tabaco também causa outros tipos de problemas: desde simples pigmentação na boca (dentes, língua e gengivas), halitose, passando pelas doenças gengivais e, consequentemente, perda de dentes e implantes”, afirma.

Mas há mais. “O tabaco diminui ainda as respostas do sistema imunitário contra as infecções orais, levando a um comprometimento da cicatrização, o que aumenta consideravelmente o risco de complicações após qualquer tipo de cirurgia oral, como é o caso das extrações de dentes.”

“Os fumadores apresentam geralmente maiores níveis de placa bacteriana. Além disso, fumar durante a gravidez aumenta o risco de defeitos congénitos para o bebé, que se podem manifestar a nível oral, como por exemplo a fenda palatina ou o lábio leporino.”

O melhor mesmo é… deixar de fumar

Quando questionado sobre a recente polémica dos malefícios do tabaco aquecido, que tem sido bastante falada ultimamente, o médico dentista responde que, “embora ainda não existam evidências quanto ao menor prejuízo do tabaco aquecido quando comparado com o tradicional, sabe-se que a melhor forma de reduzir os riscos para a saúde humana, incluindo saúde oral, passa pela prevenção da iniciação de qualquer forma de consumo”.

Deixar de fumar, com apoio médico, é a única forma de prevenção destas doenças orais e, segundo dados de estatística internacional, a taxa de cessação tabágica sobe entre 15 a 20% quando os profissionais de saúde oral incentivam e ajudam os seus pacientes.

Segundo o médico dentista, “cabe à nossa classe médica a identificação de pacientes fumadores nas consultas de rotina, algo simples e evidente devido às marcas que o tabaco produz na cavidade oral para além da halitose própria dos fumadores. Devemos sempre alertar para os problemas orais deste nível acima descritos”.

Em Portugal, um em cada cinco cidadãos com idade superior a 15 anos é fumador e, segundo o relatório de 2017 da Direcção Geral de Saúde, no ano anterior morreu uma pessoa a cada 50 minutos por doenças relacionadas com o tabaco, totalizando mais de 11.800 portugueses por ano.

Este número representa 10,6% do total de mortes em Portugal. Ainda assim, termina Gil Alcoforado, “a média de portugueses fumadores inferior à média europeia, o que revela que Portugal está a seguir o caminho certo na luta contra o tabaco. Ainda assim, os esforços para combater este hábito devem ser reforçados para além de um aumento do empenhamento dos profissionais de saúde oral em reduzir estes números”.

morte de um amigo

Morte de amigo chegado pode ter impacto duradouro na saúde

Por | Bem-estar

Que a morte de alguém que nos é querido deixa marcas, não é propriamente uma novidade. Mas o que um novo estudo agora confirma é que a morte de um amigo pode causar um impacto negativo na saúde física e mental, assim como na sua vida social, mesmo depois de quatro anos passados sobre essa morte.

São os investigadores da Universidade de Stirling, na Escócia, e da Universidade Nacional da Austrália que o referem, na sequência de uma investigação que contou com a participação de 26.515 indivíduos, acompanhados ao longo de 14 anos.

E concluiu que as pessoas com uma vida social mais ativa e uma personalidade mais extrovertida registavam menos problemas de saúde mental e física do que as que tinham uma personalidade mais introvertida e um círculo de amigos menos próximo.

Mas a perda de um amigo próximo pode ter ainda mais consequências significativas em indivíduos do sexo feminino, pois registam uma maior perda de vitalidade e deterioração da saúde mental. Isto acontece uma vez que as mulheres desenvolvem, por norma, ligações sociais mais fortes do que os homens.

Em comunicado, Liz Forbat, uma das investigadoras deste projeto, referiu que a morte de um amigo próximo é algo que deve ser levado a sério, não só pelas pessoas que estão de luto, mas também pelos profissionais de saúde e pelos empregadores.

Além disso, a investigadora referiu ainda a necessidade de serem criados mecanismos de apoio para que possam prestar o auxílio necessário para os que se encontram de luto.

intestino

Cerca de 20% de quem vive com doença inflamatória do intestino sofre de anemia

Por | Bem-estar

Em Portugal, cerca de 15 a 20% das pessoas com doença inflamatória do intestino (DII) sofrem de anemia, um problema que, confirma João Ramos de Deus, gastrenterologista, “é bastante comum”. E que pode ser prevenido.

“Uma alimentação sem grandes restrições e vigilância periódica podem fazer a diferença”, garante o especialista. Em vésperas do Dia Mundial da Doença Inflamatória do Intestino, que se assinala no próximo dia 19, o especialista alerta para a relação entre os dois problemas, que torna mais complicada a vida dos doentes.

De resto, refere João Ramos de Deus, “a anemia é uma entidade mórbida e uma das complicações da DII que mais contribui para a perda de qualidade de vida, devido à múltipla sintomatologia provocada, pelo que a sua deteção e correção são muito importantes para a manutenção da qualidade de vida”.

Falta de ferro é principal responsável

“Existem vários mecanismos que podem levar a anemia na DII”, explica João Ramos de Deus, “mas podemos dizer que é essencialmente por défice de absorção de ferro, vitamina B12 e ácido fólico, na sequência da ação inibidora sobre a medula óssea, que tem a ver com a própria inflamação intestinal e devido às perdas crónicas de sangue pelo tubo digestivo”.

Ana Sampaio, presidente da Associação Portuguesa da Doença Inflamatória do Intestino (APDI), acrescenta que “tanto a colite ulcerosa como a doença de Crohn comprometem a capacidade de absorção intestinal nos momentos de crise. Por isso, não é possível absorver todos os nutrientes e minerais dos alimentos e o que acaba por acontecer é instalar-se a anemia proveniente da falta de ferro”.

A esta situação junta-se a perda de sangue, mais frequente na colite ulcerosa, mas também presente na doença de Crohn.

Uma situação com impacto acrescido para os doentes. “Estas doenças já se caracterizam por condicionar a vida das pessoas obrigando a idas frequentes à casa de banho e causando dor abdominal. A anemia condiciona ainda mais, ao retirar energia. Os doentes não conseguem fazer tarefas simples do dia a dia, como estender a roupa ou subir uma rua mais íngreme. O cansaço é constante”, refere a presidente da APDI.

E, ainda que o tratamento da DII e a vigilância periódica possam ser formas de prevenção, Ana Sampaio alerta para a necessidade de uma maior sensibilização.

“Muitas vezes, quando o doente comenta com o médico que está cansado, este pode desvalorizar, uma vez que o cansaço é comum, sobretudo nos dias agitados de hoje. Mas este é um cansaço diferente, que se manifesta até nas pequenas circunstâncias e nem sempre é fácil transmitir essa ideia. É preciso que haja mais conversa entre doente e médico, mas é preciso também uma maior valorização por parte do médico.”

Tornar visível o que é invisível

No dia 19 de maio, Dia Mundial da Doença Inflamatória do Intestino, a APDI vai assinalar a data com um concerto, às 15h00, no Largo do Intendente, em Lisboa, aderindo ainda à campanha que visa tornar o invisível visível, através da iluminação, a roxo, dos monumentos de várias capitais de distrito do País.