a saúde dos portugueses

Menos de metade dos portugueses considera que a sua saúde é boa

Por | Bem-estar

Na hora de classificar o seu estado de saúde, a maioria dos europeus considera-o bom ou muito bom. Mas os portugueses estão entre os que menos o considera.

Os dados são do gabinete de estatísticas da União Europeia (Eurostat) e mostram que, ao todo, 70% dos residentes na União Europeia (UE) estavam satisfeitos, em 2017, com a sua saúde, percentagem que contrasta com o reverso da medalha: menos de um em dez (8%) avaliou o seu nível de saúde como mau ou muito mau, valor que sobe, entre os portugueses, para os 13,2%. 

Portugal destaca-se então na causa da tabela, com apenas 49% dos cidadãos nacionais a considerarem bom o seu estado de saúde. Ainda assim, é da Lituânia e Letónia (ambos com 44%) que chegam os piores resultados, seguindo-se a Estónia (53%), Polónia e Hungria (ambos com 59%).

A classificação inclui cinco níveis de autoperceção do estado de saúde: muito bom, bom, regular, mau e muito mau.
Entre os Estados-Membros da UE, a percentagem mais elevada da população com 16 anos ou mais que considerou a sua saúde como boa ou muito boa encontrava-se na Irlanda (83%), Chipre (78%), Itália e Suécia (ambos 77%).

Homens vs mulheres

São os homens que, na UE, mais percecionam a sua saúde como boa. Ao todo, 72% dos homens com 16 anos ou mais classificaram desta forma o seu estado de saúde, em comparação com 67% das mulheres.

Uma disparidade que pode ser vista em todas as faixas etárias, sendo maior a lacuna entre os que têm 65 anos ou mais: 45% dos homens dizem-se de boa saúde, contra 39% das mulheres.

Em Portugal, a tendência é a mesma, com 56,4% dos elementos do sexo masculino a considerarem que a sua saúde está bem, para 47,3% das mulheres.

A percentagem da população que avaliou a sua saúde como boa ou muito boa tende a diminuir com a idade. Mais de 88% da população masculina com idade entre 16 e 44 anos sentem-se bem, diminuindo para 69% nos homens com idade entre 45 e 64 anos e diminuiu ainda mais, para 45%, entre os homens com mais de 65 anos.

evitar a polimedicação

Uma em cada quatro pessoas com mais de 65 anos é polimedicada

Por | Bem-estar

À medida que as pessoas envelhecem, aumenta a probabilidade de tomarem vários medicamentos diferentes, a chamada polimedicação, que afeta 25% dos maiores de 65 anos. Isso, por sua vez, aumenta o risco de efeitos secundários. Aqui, o médico tem um papel importante, mas o doente também.

As ferramentas eletrónicas de apoio à decisão dirigidas aos médicos são uma solução possível para a polimedicação, mas os próprios doentes podem também ajudar, afirma Andreas Sönnichsen, professor de Medicina Familiar na MedUni de Viena, a propósito do Dia Mundial da Saúde, que se celebra no próximo domingo (7 de abril).

A polifarmácia é definida como a administração de cinco ou mais medicamentos diferentes. “Quanto mais velhos e mais doentes nos tornamos, mais remédios são receitados para os nossos problemas”, confirma o especialista.

“Pelo menos um quarto das pessoas com mais de 65 anos são polimedicadas, número que aumenta, após os 80 anos, para uma em cada duas.”

O papel do médico

O risco de interações medicamentosas e efeitos secundários adversos aumenta com cada medicamento adicional que é tomado. Um estudo europeu realizado por Sönnichsen revelou que 97% de todos os doentes em que existia polimedicação (10 medicamentos em média) estudados apresentavam pelo menos um erro na sua medicação.

“Muitas vezes, um sintoma não é reconhecido como efeito secundário do medicamento e, consequentemente, é prescrito um novo remédio para combater esse efeito”, refere Sönnichsen. Esse risco aumenta quando as pessoas são tratadas por médicos diferentes e ninguém mantém uma visão geral de todos os medicamentos prescritos.

Para resolver esta questão, Sönnichsen propõe uma solução simples: “A lista completa dos medicamentos do doente deve ser administrada centralmente pelo médico de clínica geral. Isso permite aos médicos referenciar bases de dados que podem analisar a lista para identificar potenciais interações ou erros de prescrição”.

No projeto internacional, por ele liderado, o especialista desenvolveu uma ferramenta eletrónica de apoio à decisão, para reduzir a polifarmácia. Uma ferramenta que se alimenta de vários bancos de dados farmacológicos e os relaciona com dados individuais do doente (diagnósticos, função renal, etc.).

“A vantagem do computador é que ele pode exibir todas as interações conhecidas, erros de dosagem e intolerâncias individuais, mesmo para muitos medicamentos administrados simultaneamente, em questão de segundos. O importante é que ele seja alimentado com um conjunto completo de dados.”

Evitar a polimedicação

O médico tem um papel importante, mas o doente também, podendo evitar o excesso de medicação desnecessária e perigosa.

Para estes, o conselho é simples: “Quando visitar o médico, fale-lhe sobre todos os medicamentos que toma regularmente, incluindo medicamentos sem receita médica”.

De vez em quando, a lista atual de prescrição deve ser avaliada. Será que um determinado analgésico preventivo é realmente necessário? O agente redutor do colesterol ainda é útil? Mesmo certos medicamentos para a osteoporose não devem ser tomados durante mais de quatro anos, porque deixam de ser eficazes.

A vantagem de uma revisão regular da medicação é óbvia para Sönnichsen: “Quanto menos medicamentos tomar, menor é o risco de possíveis efeitos secundários, aumentando assim a qualidade de vida e poupando dinheiro”.

conjuntivite alérgica

Como proteger os olhos e aliviar os sintomas da conjuntivite alérgica

Por | Bem-estar

Comichão, olhos vermelhos, desconforto. Os sinais indicam a presença de um problema que já é costume para muitos na primavera: a conjuntivite alérgica. É para ele que alerta a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO).

Luís Torrão, oftalmologista da SPO, começa por explicar que “a conjuntivite, uma inflamação da conjuntiva, a túnica fina que reveste o globo e a pálpebra, pode ser de causa infeciosa ou não infeciosa”.

Acrescenta ainda que, de “entre as não infeciosas, as conjuntivites alérgicas são as mais comuns, atingindo uma larga margem dos pacientes, sendo os principais sintomas apontados: ardor nos olhos, os olhos vermelhos, o lacrimejo, o inchaço e/ou a dor ou desconforto nos olhos”.

Atenção redobrada ao ar livre

Pela sua epidemiologia, a conjuntivite alérgica acaba por ser mais penosa para as pessoas em momentos sazonais, como na primavera, especialmente se forem adeptos de exercícios ao ar livre.

“Isto acontece porque as pessoas ficam mais expostas ao elevado nível alergénios, como por exemplos os pólens típicos da primavera”, explica o oftalmologista da SPO.

De forma a proteger os olhos e a aliviar os sintomas de quem pratica exercício físico ao ar livre e sofre de conjuntivite alérgica, a SPO deixa conselhos importantes.

Saiba então que podem ser utilizados colírios adequados à diminuição da carga de alergénios, como as lágrimas artificiais, ou agentes terapêuticos (anti-histamínicos tópicos ou sistémicos).

Devem-se evitar zonas de maior concentração de alergénios aquando a prática desportiva, sendo também importante não usar lentes de contacto. Se necessário, optar por proteções oculares certificadas à medida de cada modalidade desportiva que podem proteger tanto os sintomas da conjuntivite, como outros problemas maiores;

Sempre que tiver com as mãos em contacto com a natureza, lave-as antes de mexer nos olhos. “Mas, mais importante que tudo, deve consultar o seu médico oftalmologista porque cada caso é um caso e com a prevenção certa poderá fazer todo o tipo de exercício físico ao ar livre sem prejudicar a sua visão”, termina o especialista.

risco de aborto aumenta com turnos

Estudo sugere que turnos noturnos podem aumentar risco de aborto

Por | Bem-estar

Um estudo realizado pela medicina ocupacional e ambiental do Hospital Bispebjerge Frederiksberg em Copenhaga, Dinamarca, encontrou evidências de que os turnos noturnos podem aumentar o risco de aborto em 32%.

De acordo com Luise Molenberg Begtrup, uma das responsáveis por esta investigação, “as mulheres, ao fazerem turnos noturnos, ficam expostas à luz durante o período noturno, o que causa alguns problemas no ritmo circadiano, afetando a produção de melanina”, uma hormona importante para a preservação da função da placenta.

Para a realização deste estudo foram analisadas os dados referentes a 22,744 mil mulheres trabalhadoras, a maioria das quais trabalhava num hospital dinamarquês. Das 10,047 que trabalharam por turnos entre a 8ª e a 22ª semana de gestação, foram registados 740 abortos. Já das 12,697 mulheres que não efetuaram qualquer turno em período
noturno foram registados 1149 abortos.

No entanto, após remover outros fatores de risco como a idade da mãe, índice de massa corporal, tabagismo, número de partos anteriores e números de abortos anteriores, a equipa de investigadores concluiu que todas as mulheres que tinham realizado pelo menos dois turnos noturnos entre a 8ª e a 22ª semana de gestação, o risco de aborto na
semana seguinte aumentava em 32%.

Zev Williams, diretor do serviço de endocrinologia reprodutiva e infertilidade do hospital Presbiteriano e da Universidade de Columbia, alertou ainda para o facto de poderem existir outras variáveis comuns, não contempladas neste estudo, capazes de pôr em causa estes resultados.

Mesmo que fosse provado que os turnos noturnos podem provocar um maior risco de aborto, “esse risco é tão pequeno que deixar de fazer turnos noturnos não teria grande efeito”, disse ainda o especialista ao canal de televisão norte-americano NBC.

pressão alta associada a idas ao WC

Viagens constantes ao WC durante a noite? Atenção que pode ser pressão alta

Por | Bem-estar

As viagens constantes aos WC durante a noite, mais do que um incómodo, podem ser sinal de outra coisa, revelam os dados de um novo estudo. Podem significar que sofre de pressão alta.

“O nosso estudo indica que, se precisar de urinar durante a noite – a chamada noctúria – pode ter pressão arterial elevada e/ou excesso de líquidos no corpo”, afirma Satoshi Konno, autor do estudo Watari, apresentado no 83º Encontro Científico Anual da Sociedade Japonesa de Circulação.

“Se continuar a ter noctúria, pela ao seu médico para verificar a sua pressão arterial e ingestão de sal.”

Relação comprovada

Investigações anteriores, realizadas no Japão, associaram uma elevada ingestão de sal à noctúria. Este estudo pretendeu agora avaliar outra relação, a das idas frequentes à casa de banho com a hipertensão na população japonesa em geral.

Para isso, envolveu 3.749 residentes de Watari, a quem foi medida a pressão arterial e recolhidas informações sobre a noctúria através de um questionário. 

E os dados confirmaram a teoria: a noctúria (um ou mais eventos de noctúria por noite) foi significativamente associada à hipertensão após o controle de possíveis fatores de confusão.

“Descobrimos que levantar-se durante a noite para urinar estava associado a uma probabilidade 40% superior de ter hipertensão”, afirma Konno. “E quanto mais visitas ao WC, maior o risco de hipertensão.”

Dos 1.882 participantes que responderam ao questionário, 1.295 (69%) apresentaram noctúria. Konno refere que os resultados não provam uma relação causal entre a noctúria e a hipertensão e podem não ser replicáveis em todas as populações, mas ainda assim fica o alerta.

De acordo com Barbara Casadei, da Sociedade Europeia de Cardiologia, “mais de mil milhões de pessoas têm pressão alta em todo o mundo. A hipertensão arterial é a principal causa global de morte prematura, responsável por quase dez milhões de mortes em 2015”.

Por isso, as diretrizes da Sociedade recomendam o uso de medicamentos para reduzir o risco de AVC e doenças cardíacas. “Um estilo de vida saudável também é recomendado, incluindo restrição de sal, moderação do consumo de álcool, alimentação saudável, exercícios regulares, controlo de peso e cessação do tabagismo”.

melhorar o humor em 12 minutos

Uma estratégia simples para melhorar o humor em apenas 12 minutos

Por | Bem-estar

Um copo de vinho ou um pedaço de chocolate são receitas para dar a volta ao humor nos dias em que este deixa a desejar. Mas a fórmula para nos sentirmos melhor pode ser bem diferente, sugere um grupo de investigadores, que apresenta uma fórmula que promete o bem-estar em apenas 12 minutos.

Uma equipa de investigadores da Universidade do Iowa, nos EUA, sugere que, em vez de nos concentrarmos em formas de nos sentirmos melhor, deveríamos fazer o bem.

“Andar por aí e oferecer bondade aos outros reduz a ansiedade e aumenta a felicidade e os sentimentos de conexão social”, explica Douglas Gentile, professor de psicologia.

“A bondade é uma estratégia simples, que não demora muito tempo e que pode incluir nas suas atividades diárias.”

Douglas Gentile, Dawn Sweet e Lanmiao He, todos especialistas na área da psicologia, testaram os os benefícios de três técnicas diferentes destinadas a reduzir a ansiedade e aumentar a felicidade, o bem-estar e melhorar o humor.

Ao longo de 12 minutos, vários estudantes universitários foram convidados a andar pelo prédio e praticar uma das seguintes estratégias: bondade – olhar para aqueles com quem se cruzavam e desejar-lhes felicidade; interconexão, ou seja, olhar para as pessoas e pensar em como estão ligados a elas, e a comparação social descendente, o que implicava olhar para as pessoas e pensar em como podiam estar bem melhor que elas.

O estudo, publicado no Journal of Happiness Studies, também incluía um grupo de controlo, com alunos instruídos a olhar para as pessoas à sua volta e a concentrarem-se na aparência, nas roupas, na combinação de cores, texturas, maquilhagem e acessórios.

Todos os alunos foram avaliados, ​​antes e depois da caminhada, tendo em conta os seus níveis de ansiedade, felicidade, stress, empatia, estado do humor e conectividade.

Amor, o vencedor

Os investigadores compararam cada técnica com o grupo de controlo e descobriram que aqueles que praticavam a gentileza ou desejavam o bem aos outros sentiam-se mais felizes, mais conectados, carinhosos e empáticos, assim como menos ansiosos e com melhor humor.

O grupo que praticou a interconexão era mais empático e conectado, enquanto os praticantes de comparação social descendente não mostraram nenhum benefício.

“Na sua essência, a comparação social descendente é uma estratégia competitiva”, refere Sweet. “Isso não quer dizer que não possa ter algum benefício, mas a mentalidade competitiva tem sido associada ao stress, ansiedade e depressão.”

Resultados surpreendentes

Os investigadores examinaram ainda como os diferentes tipos de pessoas reagem a cada técnica, esperando que os naturalmente conscientes pudessem beneficiar mais com a estratégia da bondade, ao contrário dos narcisistas, que teriam dificuldade em desejar que os outros fossem felizes. E ficaram surpreendidos com os resultados.

“Esta prática simples é valiosa, independentemente do tipo de personalidade”, afirma Lanmiao. “Ser gentil com os outros funcionou igualmente bem para reduzir a ansiedade, aumentar a felicidade, a empatia e os sentimentos de conexão social”.

Os riscos da comparação

As redes sociais são um meio privilegiado para as comparações: ele ganha mais dinheiro do que eu; ela tem um carro melhor que o meu e por aí fora. Apesar de não ter estudado especificamente estes meios, Gentile considera que os resultados demonstram que a comparação é uma estratégia arriscada.

“É quase impossível não fazer comparações nas redes sociais”, refere. “O nosso estudo não testou isso, mas muitas vezes sentimos inveja, raiva ou desapontamento em resposta ao que vemos nas redes  sociais, e essas emoções atrapalham a nossa sensação de bem-estar.”

A comparação funciona bem quando estamos a aprender algo ou a fazer uma escolha. Por exemplo, as crianças aprendem a observar os outros e a comparar os seus resultados com os destes. “No entanto, quando se trata do bem-estar, a comparação não é tão eficaz como a bondade, que melhora consistentemente a felicidade.”

identificar a fadiga

Combater a fadiga com uma ‘app’

Por | Bem-estar

Podemos pensar que fadiga há só uma, mas a verdade é que são vários os tipos. E ainda que possam ter importantes consequências para a saúde e gerarem custos substanciais para a sociedade, os seus níveis raramente são medidos. É aqui que entra a tecnologia, agora capaz de detetar a fadiga e identificar o seu tipo através de uma ‘app’.

Desenvolvido por investigadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, o sistema, agora criado e testado em estudantes universitários, mede facilmente esses níveis e determina que tipo de fadiga as pessoas estão a sentir, para sugerir mudanças no estilo de vida que podem fazer a diferença. 

Embora se tenha tendência a falar de fadiga no singular, mas na verdade existem vários tipos. É através da monitorização das variações da frequência cardíaca, ou seja, do número de milissegundos entre dois batimentos cardíacos, que se conseguem identificar esses tipos.

“Se o seu sistema nervoso simpático for afetado, então sofre com o que podemos chamar de fadiga agitada, como quando está tão cansado que não consegue dormir”, explica Grégoire Millet, investigador e um dos fundadores da be care, empresa envolvida no projeto.

“Mas se o seu sistema nervoso parassimpático for afetado, então sofre com o que podeemos chamar de fadiga letárgica, onde não quer fazer nada”, acrescenta.

Os tratamentos para estes dois tipos de fadiga são muito diferentes, seja em termos de quanto exercício deve fazer ou do tipo de alimentos que deve ingerir, sobretudo aminoácidos. De facto, errar nestes parâmetros pode piorar a situação.

Recomendações à altura da fadiga

A aplicação criada pelos cientistas é conectada a um monitor de frequência cardíaca, que monitoriza a variabilidade da frequência cardíaca do utilizador.

Os testes foram feitos em estudantes universitários, recorrendo a duas séries de medições diárias: uma durante a atividade física regular; a outra durante um teste ortostático (um tipo especial de teste usado para medir a variabilidade da frequência cardíaca).

“Os alunos tiveram de se deitar durante cinco minutos e depois levantarem-se repentinamente e permanecerem de pé mais cinco minutos. Isso mostrou se o seu sistema nervoso central foi afetado pela fadiga”, refere Elisabetta de Giovanni, que se dedica à investigação do design de wearables inteligentes.

Os dados recolhidos foram depois analisados através de algoritmos, criados para o efeito, que permitem medir, classificar e tratar a fadiga. As recomendações dadas aos doentes dependiam desses mesmos resultados, e incluíam sugestões de dieta e exercício. 

Para tornar o sistema ainda mais eficaz, os cientistas pediram aos alunos que preenchessem um questionário indicando os seus padrões de sono, qualquer dor que sentissem, quão pesada era sua carga de trabalho, quanto stress sentiam e quanto exercício praticavam.

frutos e vegetais coloridos reduzem risco de cataratas

Como as frutas e os vegetais coloridos ajudam a reduzir o risco de cataratas

Por | Bem-estar

E se fosse possível reduzir para metade a conta médica gobal, no valor de 5,7 mil milhões de dólares, associada ao tratamento de cerca de 45 milhões de pessoas com cataratas? Como? Graças a uma dieta rica em frutas e legumes coloridos.

Investigadores chineses e australianos uniram esforços e publicaram o primeiro estudo do género, destinado a verificar a ligação entre os alimentos ricos em antioxidantes e um risco mais pequeno de cataratas associadas à idade.

Para isso, foram avaliados 20 trabalhos que analisavam o impacto das vitaminas e carotenoides (pigmentos que se encontram na natureza) e o risco da doença.

E as conclusões não deixam dúvidas e confirmam os benefícios das frutas cítricas, pimentos, cenouras, tomates e vegetais verde-escuros, como espinafres, brócolos e couve, capazes de atrasar o aparecimento das cataratas.

Necessária uma ação urgente

“As cataratas associadas à idade são a principal causa de deficiência visual em idosos em todo o mundo, com as cataratas por operar a contribuírem para 35% de todos os casos de cegueira”, confirma Ming Li, especialista da University of South Australia.

“Embora a cirurgia de extração da catarata seja um método eficaz para restaurar a visão, até 2020 terá custado à sociedade mais de 5,7 mil milhões de dólares”, acrescenta.

Com a população a envelhecer de forma acentuada, tendência que se verifica um pouco por todo o mundo, e com um número crescente de pessoas a precisarem de cirurgia, é urgente agir, alertam os especialistas.

“Se pudéssemos atrasar o início das cataratas associadas à idade em 10 anos, poderíamos reduzir para metade o número de pessoas que precisam de cirurgia”, reforça a mesma fonte.

Melhorias que estão dependentes das mudanças globais na maioria das dietas em todo o mundo, sobretudo no que diz respeito ao consumo de antioxidantes, que está atualmente muito abaixo do nível recomendado para prevenir este tipo de cataratas.

uso de telemóveis na saúde

Estamos mais cansados e menos produtivos por causa dos telemóveis

Por | Bem-estar

Tem dificuldade em dormir? Sente-se menos produtivo? A culpa pode ser dos telemóveis, ou melhor, dos maus hábitos associados ao seu uso.

De acordo com um novo estudo, realizado por investigadores da Universidade de Tecnologia de Queensland, uma em cada cinco mulheres e um em cada oito homens estão a perder o sono devido ao tempo passado com estes aparelhos.

No ano passado, os especialistas colocaram um grupo de questões a 709 utilizadores australianos de telemóveis, com idades entre 18 e 83 anos, as mesmas já antes feitas em 2005.

Comparadas as respostas, verificou-se um aumento significativo do número de pessoas que culpavam os seus telefones pelas noites mal dormidas, que os tornavam menos produtivos, mais descuidados ao volante e com mais dores.

De acordo com Oscar Oviedo-Trespalacios, um dos investigadores principais do trabalho, “24% das mulheres e 15% dos homens podem ser classificados como utilizadores problemáticos de telemóveis”.

Percentagem que dispara quando se trata dos jovens entre os 18 e os 24 anos (40,9%), com 23,5% dos entrevistados de 25 a 29 anos a sofrer da chamada ‘tecno-interferência’.

Os participantes foram também questionados sobre os seus hábitos de condução, com os investigadores a encontrar uma correlação entre o uso problemático de telefones na estrada e fora desta.

Uma forma de fuga à realidade

Segundo os dados recolhidos, uma em cada cinco mulheres (19,5%) e um em oito homens (11,8%) perdem agora o sono devido ao tempo ‘agarrados’ ao telemóvel, contra 2,3% das mulheres e 3,2% dos homens em 2005.

A produtividade diminuiu para 12,6% dos homens em resultado do tempo gasto com estes aparelhos. Catorze por cento das mulheres sentiam o mesmo.

Um hábito que se justifica com a necessidade de estarem contactáveis. Contas feitas, 54,9% das mulheres acreditam que os seus amigos iriam achar difícil entrar em contacto com elas se não tivessem um telemóvel, pensamento partilhado por 41,6% dos homens.

O telemóvel é, de acordo com 8,4% das mulheres e 7,9% dos homens, responsável pelas suas dores. E é também uma forma de escape, uma vez que 25,9% das mulheres e 15,9% dos homens dizem que há momentos em que preferem usar o telemóvel do que lidar com questões mais prementes. 

Impacto dos telemóveis cada vez maior

Oviedo-Trespalacios considera que este estudo mostra um padrão interessante de “tecno-interferência”.

“Quando falamos do tema, estamos a referir-nos às intrusões e interrupções diárias que as pessoas sentem devido aos telemóveis e ao seu uso”, refere o especialista.

“A nossa investigação verificou que a tecno-interferência aumentou entre homens e mulheres, em todas as idades. E os relatos associados à perda de sono e produtividade mostraram que estes resultados negativos aumentaram significativamente nos últimos 13 anos.”

“O que sugere que os telemóveis estão potencialmente a afetar cada vez mais aspetos do funcionamento diurno devido à falta de sono e ao aumento do abandono de responsabilidades”, acrescenta.

níveis de pólenes com alerta para alergias

Alerta alergias: concentrações de pólenes estão ao rubro em Portugal

Por | Bem-estar

Para os próximos dias, a previsão aponta para a ocorrência de espirros, comichão, olhos vermelhos e vários outros sintomas associados às alergias. Não se trata do boletim meteorológico, mas de outro que, inspirado neste, dá conta das concentrações de pólen no ar até dia 28. E estas vão ser, garante, elevadas, com riscos acrescidos para os alérgicos.

Esta iniciativa da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) confirma que, até ao próximo dia 28 de março, as concentrações de pólenes vão estar muito elevadas em todas as regiões de Portugal continental, com destaque para Lisboa e Setúbal, onde os pólenes se encontram em níveis muito elevados, com predomínio para os das árvores plátano, azinheira e outros carvalhos e ciprestes, e das ervas urtiga e parietária.

Em Vila Real (região de Trás-os-Montes e Alto Douro), os pólenes encontram-se em níveis muito elevados, predominando os das árvores plátano, cipreste, pinheiro e carvalhos, cenário que não muda muito no Porto (região de Entre Douro e Minho), acrescentando-se aqui níveis muito elevados provenientes da erva urtiga.

Em Coimbra (região da Beira Litoral), elevados vão estar também os pólenes, sobretudo os das árvores plátano, cipreste, pinheiro, azinheira e outros carvalhos e das ervas urtiga e parietária; em Castelo Branco (região da Beira Interior) predominam os pólenes das árvores plátano, cipreste, pinheiro, azinheira e outros carvalhos e da erva azeda e em Évora (região do Alentejo) as árvores plátano, azinheira e outros carvalhos, cipreste e das ervas urtiga e azeda vão ser as causadoras de mais incómodos.

Ainda no continente, em Portimão (região do Algarve), os pólenes vão estar com níveis muito elevados, predominando os das árvores pinheiro, azinheira e outros carvalhos e cipreste, e da erva urtiga.

Conselhos para evitar o pior

Para quem sofre de alergias, o principal conselho da SPAIC é evitar o contacto com um pólen específico a que é alérgico, devendo também evitar realizar atividades ao ar livre quando as suas concentrações forem elevadas. Passeios no jardim, cortar a relva, campismo ou a prática de desporto na rua irão aumentar a exposição aos pólenes e o risco para as alergias.

Em casa ou no carro, as janelas devem manter-se fechadas, forma de reduzir o contacto com os pólenes. Os motociclistas deverão usar capacete integral. 

Na rua, o uso de óculos escuros é essencial, assim como fazer a medicação prescrita, a forma mais eficaz de combater os sintomas de alergia.