comportamentos obsessivo-compulsivos depois do parto

Comportamentos obsessivo-compulsivos afetam 15% das mulheres após o parto

Por | Saúde Mental

Cerca de 15% das mulheres têm pensamentos e comportamentos obsessivo-compulsivos de forma recorrente após o parto, revela um estudo nacional.

Ana Telma Pereira, investigadora do Instituto de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e primeira autora do trabalho, enfatiza a “alta percentagem” de mulheres com “sintomas clinicamente relevantes” de perturbação obsessivo-compulsiva (POC) identificada por este estudo, que envolveu 212 participantes, recrutadas maioritariamente na Maternidade Bissaya Barreto (Coimbra) e entrevistadas no sexto mês após o parto.

No total, 74,1% das inquiridas registaram pelo menos uma obsessão (pensamento ou imagem repetitiva, como o receio de deixar cair o seu bebé) e 41,5% apontaram pelo menos uma compulsão (comportamento repetitivo, como verificar repetidamente o bebé enquanto ele está a dormir). Só 24,1% não reportaram quaisquer obsessões ou compulsões.

Deteção precoce é fundamental

Realizado pelo Instituto de Psicologia Médica, no âmbito do projeto ‘Triagem, prevenção e intervenção precoce no sofrimento psicológico perinatal – efetividade de um novo programa na atenção básica’, financiado pela Fundação para Ciência e Tecnologia, o estudo revela que estas obsessões ou compulsões não significam, por si só, que as inquiridas sofram de perturbação obsessiva-compulsiva.

De facto, apenas 2,4% foram diagnosticadas como tal, já que o que distingue quem sofre de quem não sofre da doença não é o conteúdo dos pensamentos e comportamentos obsessivo-compulsivos, mas sim o seu caráter repetitivo, intrusivo e perturbador da vida quotidiana. No entanto, todos os sinais podem servir de alerta.

“É importante avaliar e detetar o mais atempadamente possível a presença de sintomas e os factores de risco em várias esferas da perturbação psicológica perinatal (como Perturbação Obsessivo-Compulsiva, depressão e ansiedade), até porque as consequências negativas não são apenas para a mulher, mas também para a descendência, podendo afetar o desenvolvimento dos filhos”, afirma Ana Telma Pereira.

Homens também sofrem de comportamentos obsessivo-compulsivos

No estudo, premiado com o Best Poster Award no World Congress on Women’s Mental Health, promovido pela Associação Internacional para a Saúde Mental das Mulheres, e agora em fase de publicação, o receio de deixar cair o bebé (49,5% das participantes), o medo de que ele morra durante o sono (49,1%) e o cuidado com a sua alimentação (47,2%) são apontados como as preocupações mais comuns.

Verificar repetidamente o bebé enquanto ele está a dormir (25,9%), lavar ou limpar repetidamente as mãos (18,9%) e procurar informação acerca da gravidez, parto e bebés de forma excessiva (15,6%) são os comportamentos mais
frequentemente registados. E 15,5% das inquiridas admitem gastar mais de uma hora por dia com estes pensamentos/comportamentos.

O trabalho é o primeiro a propor e aplicar uma versão portuguesa da Perinatal Obsessive-Compulsive Scale, o único instrumento utilizado a nível internacional para avaliar os sintomas da POC tendo em conta o contexto específico do período perinatal.

“Ainda não tinham sido estudadas outras versões para além da original (australiana). É um instrumento que nos vai permitir fazer uma avaliação rápida e válida dos sintomas, e sua gravidade e interferência, e do risco [de desenvolver Perturbação Obsessiva-Compulsiva] e está já a ser muito útil e bem aceite para fins clínicos e de
investigação”, refere Ana Telma Pereira.

Isso assume particular importância tendo em conta que, entre as doenças mentais comuns (como ansiedade, depressão e fobias), “a POC é a menos bem diagnosticada e a que leva mais tempo entre o primeiro sintoma e o pedido de ajuda”, esclarece António Ferreira de Macedo, diretor do Instituto de Psicologia Médica da FMUC e coautor do trabalho.

Por isso mesmo, o objetivo final da equipa de investigação é continuar a desenvolver ferramentas (de avaliação e de intervenção) para melhor acompanhar as potenciais pacientes com comportamentos obsessivo-compulsivos durante a gravidez e o pós-parto.

A decorrer está já um ensaio clínico que testa a eficácia de um programa de intervenção em grupo, baseado em terapias cognitivo-comportamentais, com exercícios de mindfullness e auto compaixão e, de futuro, fica a intenção de incluir os progenitores do sexo masculino nestas linhas de investigação. “É errado ficar com a ideia de que isto são coisas só das mulheres”, conclui Ana Telma Pereira.

demência afeta menos casados

Pode o casamento afastar o risco de demência?

Por | Saúde Mental

Costuma dizer-se que mais vale só. Mas um novo estudo, que quis saber o que é que o estado civil tem a ver com a demência, sugere que não é bem assim. É que as pessoas casadas parecem ter menos probabilidade de vir a sofrer de demência à medida que envelhecem.

Já os divorciados, de acordo com a referida investigação, têm menos sorte. Para estes, o risco é duas vezes superior ao dos casados, sendo os homens mais castigados do que as mulheres.

Este é um dos primeiros estudos deste tipo. Nele, Hui Liu, professor de sociologia e os colegas analisaram quatro grupos de indivíduos solteiros: os divorciados ou separados e viúvos; os que nunca casaram e os que viviam em união de facto. Destes, os divorciados apresentavam o maior risco de demência.

Um fator de risco da demência esquecido 

Publicado no The Journals of Gerontology: Series B, o estudo proporciona mais informação sobre as demências, um problema que afeta cada vez mais pessoas em todo o mundo.

“Esta investigação é importante porque o número de idosos solteiros continua a crescer, à medida que as pessoas vivem mais e as suas histórias conjugais se tornam mais complexas”, explica Liu.

“O estado civil é um fator de risco ou proteção social importante, mas esquecido na demência.”

Descobertas que, garantem, serão úteis para os formuladores de políticas de saúde e profissionais que procuram identificar melhor populações vulneráveis, de forma a projetarem estratégias de intervenção eficazes para reduzirem o risco de demência.

risco de depressão e obesidade

Excesso de gordura corporal aumenta o risco de depressão

Por | Saúde Mental

Ter quilos a mais contribui para a depressão. As contas feitas por um novo estudo revelam que dez quilos de excesso de gordura corporal aumentam o risco de depressão em 17%. E quanto mais gordura, maior a probabilidade de desenvolver a doença.

Realizado por investigadores da Universidade de Aarhus e do Hospital Universitário de Aarhus, na Dinamarca, o estudo indicou ainda que a localização da gordura no corpo não faz muitas diferença no risco de depressão. “Isso sugere que são as consequências psicológicas do excesso de peso ou obesidade que levam ao aumento do risco de depressão, não havendo um risco biológico direto”, explica Søren Dinesen Østergaard, um dos autores do trabalho.

“Se o contrário fosse verdade, teríamos visto que a gordura localizada centralmente no corpo aumentava mais o risco, já que tem o efeito mais prejudicial em termos biológicos.”

IMC, uma forma “imprecisa” de cálculo 

Estudos anteriores feitos sobre o tema têm usado o Índice de Massa Corporal (IMC), que é calculado apenas com base no peso corporal e na altura, não tendo em consideração, por exemplo, a massa muscular e o desenvolvimento, para medir a obesidade. 

“O IMC é uma forma imprecisa de medir o excesso de peso e a obesidade. Muitos atletas de elite com muita massa muscular e um índice reduzido de massa gorda vão ter um IMC acima de 25, que é classificado como excesso de peso, de acordo com a definição comum. Isso obviamente não faz sentido. Por isso, um dos pontos fortes do nosso estudo é que conseguimos ampliar e analisar a relação específica entre a quantidade de gordura corporal e o risco de depressão”, refere Østergaard.

Risco de depressão não pode ser esquecido

Publicado na revista Translational Psychiatry, o estudo resultou da análise de dois grandes conjuntos de dados genéticos: o Biobank do Reino Unido e o Psychiatric Genomics Consortium.

Tendo em conta que quase 40% da população mundial adulta tem peso a mais, Østergaard não tem dúvidas que estas descobertas são particularmente importantes.

“Além das consequências físicas conhecidas da obesidade, como diabetes e doenças cardiovasculares, há também um componente psicológico significativo e agora bem documentado, que precisa de ser tratado. Este é mais um argumento para resolver a epidemia de obesidade”, reforça, enfatizando a importância de uma abordagem equilibrada da questão.

“Porque parecem ser as consequências psicológicas da obesidade, como imagem corporal negativa e baixa autoestima, a principal força motriz por detrás do aumento do risco de depressão, os esforços da sociedade para combater a obesidade não devem estigmatizar, já que isso fará provavelmente aumentar o risco de obesidade”.

combater a depressão

Dez dicas para não entrar em depressão

Por | Saúde Mental

É ainda pouco compreendida, apesar de afetar milhões em todo o mundo. Por cá, a prevalência da depressão torna Portugal o segundo país da Europa com mais casos de doenças mentais, com valores que, em 2017, chegavam aos 9,8%. Contas feitas, no fim desse ano havia quase um milhão de portugueses com diagnóstico de depressão nos cuidados de saúde primários e mais de 650 mil com diagnóstico de ansiedade. Hoje, dos 400 mil portugueses que sofrem de depressão por ano, um terço não recebe qualquer tipo de ajuda ou tratamento.

Numa das suas reflexões sobre a depressão, o filósofo e investigador Fabiano de Abreu define a importância de se perceber verdadeiramente do que se trata esta doença, como forma de evitar um pré-julgamento errado.

“Este é o tipo de sentimento que só sabe realmente os seus sintomas quem tem ou teve, pois é tão grave e pode ser tão intenso que pode levar a morte. Em busca dos holofotes, há quem diga que depressão é coisa da cabeça. No entanto, isso é uma grande fake news de julgadores que, a meu ver, são pessoas que não se compreendem nem a si mesmos e não têm a possibilidade, profissional e intelectual, de compreender o que realmente é a depressão, e logo julgam de forma ansiosa e precipitada a questão.”

De onde vem a depressão

Para o filósofo, a depressão surge na sequência de uma acumulação de problemas não resolvidos. Por isso, “devemos tentar combater a solidão resolvendo os pormenores que no seu somatório pode chegar à depressão”.

É que, “quando esta chega, dependendo da gravidade, somente através de tratamento com profissionais da área médica é possível superá-la, podendo tornar-se algo fora de controlo quando se está impregnada na nossa mente”.

“A depressão é a acumulação de tristezas que podem ser ocasionadas por uma tristeza inicial não resolvida que se potencia, e ao potenciar-se, projeta nas nossas demais tristezas também uma potência, além de criar mais tristezas, multiplicando-se, como um cancro que se espalha. E assim todos estes sentimentos e tristezas potenciadas formam a depressão.”

Dicas para melhorar a sua vida

Combater a depressão não tem de ser um fardo. Por isso, Fabiano de Abreu deixa 10 conselhos, aparentemente muito simples, que podem ser eficazes na prevenção e combate deste problema de saúde.

Primeiro, há que ver o lado positivo em tudo. “Tudo na vida tem um lado positivo. Todos os acontecimentos ruins têm um lado positivo, que agora ou lá na frente descobriremos. Basta um pouco de criatividade para encontrá-lo e assim encontrar o alívio necessário para não sofrer.”

O especialista aconselha ainda a resolver a sua tristeza “para que ela não se potencie e assim potencie as demais tristezas acumuladas dentro de si, de modo que se transforme numa depressão”. E a resolver os seus problemas. “Não os protele. Os nossos problemas existem para serem resolvidos.”

Tudo na vida passa. “Não tome medidas impulsivas, já que tudo se transforma, se modifica.” E, mais do que isso, “o passado já passou. Não se prenda ao passado. Viva o melhor presente para que no futuro tenha as melhores recordações.”

Fabiano de Abreu aconselha a que se faça um auto-reconhecimento “para saber lidar melhor com todo o universo que o faz ser o melhor de si”, assim como um desabafo “com pessoas da sua confiança. A opinião do outro pode ajudar ou causar alívio”.

Ocupe o seu tempo “para cumprir as suas metas: sejam elas profissionais ou para o bem-estar físico” e aja agora. Ou seja, “não deixe para amanhã o que podes fazer hoje, ou o marasmo e a falta de acontecimentos e resultados poderão resultar em depressão”.

Finalmente, transforme sentimentos e emoções. “Use a ansiedade para ocupar o seu tempo com coisas úteis. Use a sua ira para transformá-la em criatividade, para assim obter novas conquistas. Deste modo, não terá tempo de pensar nas coisas ruins da vida e terá mais momentos felizes e de plenitude.”

redes sociais e depressão nos adolescentes

Uso das redes sociais associado à depressão na adolescência

Por | Saúde Mental

Não é o primeiro e muito certamente não será o último estudo feito para compreender como as redes sociais podem influenciar a vida humana. Este último, realizado por especialistas da Universidade de Montreal, no Canadá, quis perceber de que forma o mundo digital pode afetar a saúde mental dos adolescentes. E conclui que o impacto é, tal como se esperava, grande e nem sempre positivo.

Ao longo de quatro anos, os investigadores observaram 3,826 adolescentes, quase metade (47%) do sexo feminino, alunos do 7.º ano de escolaridade de 31 escolas da região de Montreal. Numa primeira fase, foram monitorizados os consumos de produtos digitais e as reações a estes associadas, tendo como referência os sentimentos relacionados com a depressão, como solidão ou tristeza. 

O que permitiu concluir que, de todos os meios digitais ao dispor dos adolescentes, as redes sociais são a atividade mais nociva, seguida da televisão. A esta junta-se outra conclusão: quanto mais tempo passam a realizar estas duas atividades, mais deprimidos se sentem, ainda que o tempo passado a jogar online não tenha apresentado qualquer associação à depressão.

Teorias explicam relações nas redes sociais

O que justifica este resultado foi o que os investigadores procuraram saber em seguida, tendo, para isso, formulado três hipóteses.

À primeira deram o nome de comparação social ascendente, que consiste na ideia de que as redes sociais são prejudiciais para a autoestima, uma vez que ‘bombardeiam’ os utilizadores com a vida perfeita que os outros aparentam ter. E eles não têm.

A segunda hipótese, a da espiral reforçada, defende que os utilizadores apenas procuram informação consistente com as suas próprias visões e opiniões.

A terceira, do sentimento de deslocação, confirma a ideia de que o tempo passado em frente a um ecrã pode afetar a saúde mental, o que acontece porque o tempo aqui gasto não permite a realização de outras atividades consideradas mais saudáveis, como desporto ou convívio com os amigos. 

Das três hipóteses apresentadas, os investigadores defendem que a do sentimento de deslocação tem pouco impacto, o que não acontece com as outras duas. No caso da hipótese da comparação social ascendente, os adolescentes acabam por se comparar com as pessoas que seguem nas redes sociais e na televisão e, como aparentemente estes estão numa situação superior à sua (seja física, social ou financeira), acabam por sentir-se incapazes de alcançar tais objetivos, o que motiva a depressão.

Já em relação à teoria da espiral reforçada, o ser humano tem tendência a selecionar e a consumir conteúdos relacionados com o seu estado mental. Comportamento que é exacerbado pelas redes sociais, uma vez que, aqui, os algoritmos têm como função apresentar conteúdos semelhantes àqueles com os quais interagimos, acabando por perpetuar o seu consumo. 

futebol para o cérebro

Melhore a saúde do seu cérebro com… futebol

Por | Saúde Mental

O futebol não é apenas um desporto que arrasta multidões ou o passatempo preferido um pouco por todo o mundo. De acordo com a Alzheimer’s Foundation of America (AFA), é um bom remédio para a saúde dos cérebros de todas as idades.

As razões que o justificam são variadas e, em comunicado, a AFA ajuda a descobri-las. Primeiro, o futebol proporciona um treino cardiovascular completo, o que é bom para o coração é para o cérebro.

Durante um jogo de 90 minutos, os jogadores correm de um lado ao outro do campo, mantendo elevada a frequência cardíaca e eliminando a acumulação de placa dentro das artérias. Tudo isto aumenta o fluxo sanguíneo, de oxigénio e nutrientes para o cérebro.

Mas há mais. O futebol fornece prática de coordenação olho-pé, uma habilidade controlada pelo cerebelo que requer que os olhos entendam os objetos em relação ao nosso corpo e respondam de forma controlada e apropriada.

Esta habilidade permite que os jogadores façam passes e chutem com precisão. Com um declínio na prática de coordenação olho-pé, o cérebro pode ter problemas para comunicar de forma eficiente quando diz aos pés para realizarem um movimento.

Futebol, um jogo completo

O futebol proporciona ainda alívio do stress, que é importante para a saúde do cérebro, uma vez que a longo prazo, o stress pode interferir na cognição, atenção, memória e sono. Uma partida de futebol amigável irá reduzir os níveis de cortisol, associados à ansiedade e aumenta as endorfinas.

Porque, normalmente, o futebol joga-se ao ar livre, permite uma exposição à luz solar, o que ajuda a aumentar os níveis de vitamina D. E, de acordo com as descobertas feitas pelos cientistas, níveis baixos de vitamina D estão associados a comprometimento cognitivo e um maior risco de demência.

Finalmente, o futebol é um jogo de equipa, que fomenta a interação social. E a ciência já confirmou que ter uma rede social de apoio afeta positivamente o cérebro e pode reduzir o risco de demência. 

depressão através da voz

Estudo abre a porta à deteção da depressão através da voz

Por | Saúde Mental

São vários os estudos que sugerem que o timbre da nossa voz contém informações sobre o nosso humor. Partindo desta premissa, investigadores da Universidade de Alberta, no Canadá, garantem que os algoritmos de inteligência artificial conseguem detetar com mais precisão quem sofre de depressão, usando apenas o som da voz.

Mashrura Tasnim e Eleni Stroulia, do Departamento de Ciência da Computação daquela instituição, desenvolveram uma metodologia que combina vários algoritmos de inteligência artificial, para reconhecer a depressão com mais precisão usando os sinais acústicos.

O objetivo final, explica Stroulia, é desenvolver aplicações significativas a partir desta tecnologia.

“Um cenário realista é que as pessoas usem uma ‘app’, que irá recolher amostras de voz enquanto falam naturalmente. A aplicação, executada no telefone do utilizador, reconhecerá e rastreará indicadores de humor, como a depressão, ao longo do tempo”, refere a especialista.

“Assim como tem um contador de passos no telefone,  pode ter um indicador de depressão baseado na sua voz enquanto usa o telefone.”

Dois em cada dez portugueses com depressão

De acordo com os dados da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, a depressão afeta cerca de 20% da população portuguesa e é considerada a principal causa de incapacidade e a segunda de perda de anos de vida saudáveis. 

Em média, o início dos sintomas de doença mental surge aos 22 anos, passando 2,3 anos, também em média, entre o início dos sintomas e a primeira consulta de especialidade.

Números que justificam a importância desta ferramenta, que pode ser útil para apoiar o trabalho dos prestadores de cuidados ou para ajudar as pessoas a refletirem sobre os seus próprios humores ao longo do tempo. “Este trabalho é apenas o primeiro passo”, acrescenta Stroulia.

apatia é sintoma de demência

Apatia: o sintoma esquecido da demência

Por | Saúde Mental

É um dos sintomas mais comuns da demência, com um impacto maior do que a perda de memória, mas a apatia continua subinvestigada e muitas vezes esquecida. Um novo estudo descobriu agora que está presente em quase metade de todas as pessoas com demência, sendo muitas vezes diferente da depressão.

Embora comum, é frequentemente ignorada, já que é menos perturbadora em ambientes como os lares de idosos do que a agressão. Definida como uma perda de interesse e emoções, é extremamente angustiante para as famílias e está associada a casos mais graves de demência.

Agora, uma investigação realizada por especialistas da Universidade de Exeter, e apresentada na Conferência Internacional da Associação Americana de Alzheimer, em Los Angeles, analisou 4.320 pessoas com doença de Alzheimer, participantes em 20 estudos, para examinar a prevalência da apatia ao longo do tempo.

Quase metade dos doentes com apatia

No início do estudo, 45% dos participantes apresentavam apatia e 20% apatia persistente ao longo do tempo. De acordo com os investigadores, uma proporção tinha apatia sem depressão, o que sugere que o sintoma pode ter o seu próprio perfil clínico e biológico.

Segundo Miguel da Silva Vasconcelos, especialista da Universidade de Exeter e do King’s College London, “a apatia é um sintoma de demência pouco investigado e muitas vezes ignorado”.

Algo que pode acontecer porque “as pessoas com apatia parecem menos perturbadoras. Mas esta tem um enorme impacto na qualidade de vida de quem vive com demência, e das suas famílias. Afasta as pessoas das atividades, pode acelerar o declínio cognitivo e sabemos que há maiores taxas de mortalidade em pessoas com apatia”.

Clive Ballard, da Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter, não tem dúvidas que “este é o sintoma esquecido da demência, mas pode ter consequências devastadoras. A nossa investigação mostra o quão comum é em pessoas com demência, e agora precisamos de a compreender melhor, para que possamos encontrar novos tratamentos eficazes”.

depressão nas vítimas de enfarte

Sobreviventes de enfarte em risco devido a depressão

Por | Saúde Mental

A ciência já tinha comprovado que o stress emocional, como a depressão e ansiedade, afeta o prognóstico dos doentes que sofreram um enfarte. Um novo estudo mostra agora que isso acontece apenas quando esse stress persiste ao longo de pelo menos um ano. Ou seja, estes doentes, que têm depressão prolongada ou ansiedade, correm mesmo maior risco de morte.

A conclusão surge publicada no European Journal of Preventive Cardiology, uma revista da Sociedade Europeia de Cardiologia, onde se lê que “as mudanças de humor temporárias, se não forem muito frequentes ou dramáticas, são uma parte normal da vida”.

De acordo com Erik Olsson, da Universidade de Uppsala, na Suécia, “sentir-se um pouco deprimido depois de um enfarte até pode ser uma coisa boa se isso fizer com que a pessoa descanse mais. Os estados emocionais ajudam-nos a regular os nossos comportamentos”.

No entanto, acrescenta, “o sofrimento emocional crónico torna mais difícil adotar as mudanças no estilo de vida que melhoram o prognóstico após um enfarte. Estes incluem parar de fumar, ser fisicamente ativo, comer de forma saudável, reduzir o stress e tomar a medicação prescrita”.

Relação entre depressão e coração

Este foi o primeiro estudo a examinar o prognóstico de acordo com a duração do sofrimento, um trabalho que incluiu 57.602 doentes que sobreviveram pelo menos um ano após um primeiro enfarte. O sofrimento emocional (incluindo depressão e ansiedade) foi medido dois e 12 meses após o ataque cardíaco e os doentes foram seguidos por uma mediana de 4,3 anos.

E o estudo revela que o stress emocional persistente ao longo de um ano tem impacto no prognóstico, enquanto o sofrimento de curto prazo não o afeta.

Em comparação com aqueles sem sofrimento emocional, os doentes que se sentiam deprimidos ou ansiosos tiveram até 54% de maior risco de morrer por causas cardiovasculares e não cardiovasculares durante o acompanhamento. 

E, ao todo, mais de 20% dos doentes foram incluídos na categoria de sofrimento emocional persistente.

Cerca de 15% dos participantes sentiam-se ansiosos ou deprimidos aos dois meses, mas depois recuperavam. “É provável que estas pessoas sejam de nível socioeconómico mais alto e tenham bons mecanismos para lidar com as adversidades”, refere Olsson.

Como ultrapassar o enfarte

Para se recuperar da reação emocional inicial após um enfarte, o especialista considera que o doente deve “continuar a fazer as suas atividades habituais, pelo menos as positivas. Há pessoas que começam a evitar exercícios e sexo porque têm medo de provocar outro evento, mas a maioria das coisas que parecem arriscadas não o são”.

“Se nunca esteve deprimido ou ansioso anteriormente, ou pelo menos não com muita frequência, não se preocupe com isso. É provavelmente uma reação normal a um evento com risco de vida que também é parcialmente biológico.”

palavras cruzadas

Fazer palavras cruzadas e quebra-cabeças associado a um cérebro mais jovem

Por | Saúde Mental

Se é fã de palavras cruzadas e quebra-cabeças com números, saiba que está no bom caminho para ter um cérebro mais jovem, revela o maior estudo online realizado até hoje.

Quanto mais regularmente os maiores de 50 anos fizerem este tipo de jogos, como as palavras cruzadas ou Sudoku, melhor a sua função cerebral, pelo menos de acordo com a investigação feita com mais 19.000 pessoas, liderada pela Universidade de Exeter e pelo King’s College de Londres.

Os especialistas pediram aos participantes do estudo PROTECT, a maior coorte online de adultos mais velhos, que relatassem a frequência com que se faziam quebra-cabeças de palavras e números e que fizessem uma série de testes cognitivos sensíveis à sua função cerebral.

E verificaram que quanto mais a regularidade com que se envolviam nestes jogos, melhor o desempenho em tarefas que avaliavam atenção, raciocínio e memória.

A partir daqui foi possível calcular os ganhos e confirmar que os que fazem estes jogos têm uma função cerebral entre oito a dez anos mais jovem do que a sua idade real.

“As melhorias são particularmente claras na velocidade e precisão do seu desempenho”, refere Anne Corbett, investigadora da Escola de Medicina da Universidade de Exeter, líder do trabalho.

“Em algumas áreas, a melhoria foi bastante dramática – em medidas de resolução de problemas, as pessoas que regularmente fazem estes quebra-cabeças têm resultados equivalentes às que são oito anos mais jovens.”

Acrescenta, no entanto, não ser ainda possível afirmar que “estes quebra-cabeças reduzem o risco de demência na vida adulta, mas esta investigação vai ao encontro de descobertas anteriores, que indicam que o uso regular de quebra-cabeças com palavras e números ajuda a manter os nossos cérebros a funcionar melhor, por mais tempo”.