depressão através da voz

Estudo abre a porta à deteção da depressão através da voz

Por | Saúde Mental

São vários os estudos que sugerem que o timbre da nossa voz contém informações sobre o nosso humor. Partindo desta premissa, investigadores da Universidade de Alberta, no Canadá, garantem que os algoritmos de inteligência artificial conseguem detetar com mais precisão quem sofre de depressão, usando apenas o som da voz.

Mashrura Tasnim e Eleni Stroulia, do Departamento de Ciência da Computação daquela instituição, desenvolveram uma metodologia que combina vários algoritmos de inteligência artificial, para reconhecer a depressão com mais precisão usando os sinais acústicos.

O objetivo final, explica Stroulia, é desenvolver aplicações significativas a partir desta tecnologia.

“Um cenário realista é que as pessoas usem uma ‘app’, que irá recolher amostras de voz enquanto falam naturalmente. A aplicação, executada no telefone do utilizador, reconhecerá e rastreará indicadores de humor, como a depressão, ao longo do tempo”, refere a especialista.

“Assim como tem um contador de passos no telefone,  pode ter um indicador de depressão baseado na sua voz enquanto usa o telefone.”

Dois em cada dez portugueses com depressão

De acordo com os dados da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, a depressão afeta cerca de 20% da população portuguesa e é considerada a principal causa de incapacidade e a segunda de perda de anos de vida saudáveis. 

Em média, o início dos sintomas de doença mental surge aos 22 anos, passando 2,3 anos, também em média, entre o início dos sintomas e a primeira consulta de especialidade.

Números que justificam a importância desta ferramenta, que pode ser útil para apoiar o trabalho dos prestadores de cuidados ou para ajudar as pessoas a refletirem sobre os seus próprios humores ao longo do tempo. “Este trabalho é apenas o primeiro passo”, acrescenta Stroulia.

apatia é sintoma de demência

Apatia: o sintoma esquecido da demência

Por | Saúde Mental

É um dos sintomas mais comuns da demência, com um impacto maior do que a perda de memória, mas a apatia continua subinvestigada e muitas vezes esquecida. Um novo estudo descobriu agora que está presente em quase metade de todas as pessoas com demência, sendo muitas vezes diferente da depressão.

Embora comum, é frequentemente ignorada, já que é menos perturbadora em ambientes como os lares de idosos do que a agressão. Definida como uma perda de interesse e emoções, é extremamente angustiante para as famílias e está associada a casos mais graves de demência.

Agora, uma investigação realizada por especialistas da Universidade de Exeter, e apresentada na Conferência Internacional da Associação Americana de Alzheimer, em Los Angeles, analisou 4.320 pessoas com doença de Alzheimer, participantes em 20 estudos, para examinar a prevalência da apatia ao longo do tempo.

Quase metade dos doentes com apatia

No início do estudo, 45% dos participantes apresentavam apatia e 20% apatia persistente ao longo do tempo. De acordo com os investigadores, uma proporção tinha apatia sem depressão, o que sugere que o sintoma pode ter o seu próprio perfil clínico e biológico.

Segundo Miguel da Silva Vasconcelos, especialista da Universidade de Exeter e do King’s College London, “a apatia é um sintoma de demência pouco investigado e muitas vezes ignorado”.

Algo que pode acontecer porque “as pessoas com apatia parecem menos perturbadoras. Mas esta tem um enorme impacto na qualidade de vida de quem vive com demência, e das suas famílias. Afasta as pessoas das atividades, pode acelerar o declínio cognitivo e sabemos que há maiores taxas de mortalidade em pessoas com apatia”.

Clive Ballard, da Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter, não tem dúvidas que “este é o sintoma esquecido da demência, mas pode ter consequências devastadoras. A nossa investigação mostra o quão comum é em pessoas com demência, e agora precisamos de a compreender melhor, para que possamos encontrar novos tratamentos eficazes”.

depressão nas vítimas de enfarte

Sobreviventes de enfarte em risco devido a depressão

Por | Saúde Mental

A ciência já tinha comprovado que o stress emocional, como a depressão e ansiedade, afeta o prognóstico dos doentes que sofreram um enfarte. Um novo estudo mostra agora que isso acontece apenas quando esse stress persiste ao longo de pelo menos um ano. Ou seja, estes doentes, que têm depressão prolongada ou ansiedade, correm mesmo maior risco de morte.

A conclusão surge publicada no European Journal of Preventive Cardiology, uma revista da Sociedade Europeia de Cardiologia, onde se lê que “as mudanças de humor temporárias, se não forem muito frequentes ou dramáticas, são uma parte normal da vida”.

De acordo com Erik Olsson, da Universidade de Uppsala, na Suécia, “sentir-se um pouco deprimido depois de um enfarte até pode ser uma coisa boa se isso fizer com que a pessoa descanse mais. Os estados emocionais ajudam-nos a regular os nossos comportamentos”.

No entanto, acrescenta, “o sofrimento emocional crónico torna mais difícil adotar as mudanças no estilo de vida que melhoram o prognóstico após um enfarte. Estes incluem parar de fumar, ser fisicamente ativo, comer de forma saudável, reduzir o stress e tomar a medicação prescrita”.

Relação entre depressão e coração

Este foi o primeiro estudo a examinar o prognóstico de acordo com a duração do sofrimento, um trabalho que incluiu 57.602 doentes que sobreviveram pelo menos um ano após um primeiro enfarte. O sofrimento emocional (incluindo depressão e ansiedade) foi medido dois e 12 meses após o ataque cardíaco e os doentes foram seguidos por uma mediana de 4,3 anos.

E o estudo revela que o stress emocional persistente ao longo de um ano tem impacto no prognóstico, enquanto o sofrimento de curto prazo não o afeta.

Em comparação com aqueles sem sofrimento emocional, os doentes que se sentiam deprimidos ou ansiosos tiveram até 54% de maior risco de morrer por causas cardiovasculares e não cardiovasculares durante o acompanhamento. 

E, ao todo, mais de 20% dos doentes foram incluídos na categoria de sofrimento emocional persistente.

Cerca de 15% dos participantes sentiam-se ansiosos ou deprimidos aos dois meses, mas depois recuperavam. “É provável que estas pessoas sejam de nível socioeconómico mais alto e tenham bons mecanismos para lidar com as adversidades”, refere Olsson.

Como ultrapassar o enfarte

Para se recuperar da reação emocional inicial após um enfarte, o especialista considera que o doente deve “continuar a fazer as suas atividades habituais, pelo menos as positivas. Há pessoas que começam a evitar exercícios e sexo porque têm medo de provocar outro evento, mas a maioria das coisas que parecem arriscadas não o são”.

“Se nunca esteve deprimido ou ansioso anteriormente, ou pelo menos não com muita frequência, não se preocupe com isso. É provavelmente uma reação normal a um evento com risco de vida que também é parcialmente biológico.”

palavras cruzadas

Fazer palavras cruzadas e quebra-cabeças associado a um cérebro mais jovem

Por | Saúde Mental

Se é fã de palavras cruzadas e quebra-cabeças com números, saiba que está no bom caminho para ter um cérebro mais jovem, revela o maior estudo online realizado até hoje.

Quanto mais regularmente os maiores de 50 anos fizerem este tipo de jogos, como as palavras cruzadas ou Sudoku, melhor a sua função cerebral, pelo menos de acordo com a investigação feita com mais 19.000 pessoas, liderada pela Universidade de Exeter e pelo King’s College de Londres.

Os especialistas pediram aos participantes do estudo PROTECT, a maior coorte online de adultos mais velhos, que relatassem a frequência com que se faziam quebra-cabeças de palavras e números e que fizessem uma série de testes cognitivos sensíveis à sua função cerebral.

E verificaram que quanto mais a regularidade com que se envolviam nestes jogos, melhor o desempenho em tarefas que avaliavam atenção, raciocínio e memória.

A partir daqui foi possível calcular os ganhos e confirmar que os que fazem estes jogos têm uma função cerebral entre oito a dez anos mais jovem do que a sua idade real.

“As melhorias são particularmente claras na velocidade e precisão do seu desempenho”, refere Anne Corbett, investigadora da Escola de Medicina da Universidade de Exeter, líder do trabalho.

“Em algumas áreas, a melhoria foi bastante dramática – em medidas de resolução de problemas, as pessoas que regularmente fazem estes quebra-cabeças têm resultados equivalentes às que são oito anos mais jovens.”

Acrescenta, no entanto, não ser ainda possível afirmar que “estes quebra-cabeças reduzem o risco de demência na vida adulta, mas esta investigação vai ao encontro de descobertas anteriores, que indicam que o uso regular de quebra-cabeças com palavras e números ajuda a manter os nossos cérebros a funcionar melhor, por mais tempo”.

problemas mentais que afetam doentes com psoríase

Doentes com psoríase correm maior risco de problemas mentais

Por | Saúde Mental

Os doentes com psoríase têm um risco aumentado de problemas mentais, que surgem, em média, dois a três meses após o diagnóstico.

Michelle Z. Leisner, especialista do Hospital Universitário de Aarhus, na Dinamarca, e os colegas examinaram a relação entre a psoríase e o desenvolvimento de problemas mentais em 13.675 pessoas com a doença, comparadas com quem não tinha o diagnóstico.

E verificaram que, independentemente do problema mental, a percentagem de risco era superior, quando comparando com aqueles que não tinham a doença.

Chul Hwan Bang, da Universidade Católica da Coreia, em Seul, usou dados locais para determinar quanto tempo levava até que as comorbilidades de saúde mental se manifestassem após o diagnóstico nestes doentes.

Um trabalho que incluiu 12.762 doentes, comparados com um grupo de controlo, tendo verificado que o risco de episódios depressivos, transtornos de ansiedade, neuróticos e perturbações do sono foram, em média, mais de duas vezes superiores nos doentes com psoríase, tendo o seu início surgido entre 80 e 200 dias depois do diagnóstico.

“O início precoce do tratamento adequado para doenças de pele é importante para diminuir as comorbidades de saúde mental”, referem os autores, nos trabalhos publicados na revista JAMA Dermatology.

Doença afeta 1 a 3% da população

De acordo com a Associação Portuguesa da Psoríase, trata-se de uma doença crónica da pele, não contagiosa, que pode surgir em qualquer idade e que afeta 1 a 3% da população.

“O seu aspeto, extensão, evolução e gravidade são muito variáveis, caracterizando-se, geralmente, pelo aparecimento de lesões vermelhas, espessas e descamativas, que afetam preferencialmente os cotovelos, joelhos, região lombar e couro cabeludo”, mas que, nos casos mais graves, podem cobrir extensas áreas do corpo. 

criança vítima de bullying

Bullying na escola aumenta em 40% risco de doença mental

Por | Saúde Mental

Ser vítima de bullying na escola secundária aumenta drasticamente a probabilidade de problemas de saúde mental e desemprego na vida adulta.

A garantia é dada por um novo estudo, realizado por investigadores da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, que dão contas das consequências graves sentidas pelos alunos vítimas deste tipo de violência, sobretudo aqueles que são submetidos a intimidação persistente ou violenta.

Emma Gorman e Ian Walker foram os especialistas de serviço. E, juntamente com colegas australianos, confirmaram que sofrer bullying em crianças aumenta a extensão de problemas de saúde mental em 40% quando se chega aos 25 anos.

Mais ainda, aumenta também o risco de desemprego, na mesma idade, em cerca de 35%, reduzindo em 2% o rendimento dos que conseguem trabalho.

Relação negativa entre bullying e educação

“O bullying é difundido nas escolas e muitos estudos documentam uma relação negativa entre este tipo de violência e os resultados ao nível da educação”, refere Emma Gorman.

“O bullying também é uma questão política importante uma vez que, para além dos resultados educacionais, sofrer bullying pode levar a impactos negativos na vida dos jovens a longo prazo, como baixa autoestima, condições de saúde mental e perspetivas de emprego precárias.”

E é isso que, de acordo com a especialista, revela a investigação agora divulgada, “que mostra que sofrer bullying tem impacto negativo em importantes resultados a longo prazo, especialmente no desemprego, rendimentos e problemas de saúde. Ser intimidado causa efeitos prejudiciais na vida das crianças não apenas no curto prazo, mas ao longo de muitos anos”.

Metade sofreu este tipo de violência

Apresentada na conferência anual da Royal Economic Society, na Universidade de Warwick, a investigação analisou dados confidenciais de mais de 7.000 alunos ingleses, com idades entre os 14 e os 16 anos.

Cerca de metade dos envolvidos, que foram entrevistados em intervalos regulares até os 21 anos, e mais uma vez aos 25 anos, relataram ter experimentado algum tipo de bullying entre os 14 e os 16 anos.

A informação relatada tanto pelas crianças, como pelos pais, registou a frequência com que as crianças foram vítimas de bullying e que tipo de bullying sofreram, que incluíam chamar nomes, ser excluído dos grupos sociais, ser ameaçado de violência ou ser vítima de violência.

Assim como as consequências ao longo da vida, a investigação revela que o bullying afeta o desempenho académico das vítimas enquanto estão na escola secundária e ainda no ensino superior.

ir ao cinema previne depressões

Visitas regulares ao cinema, teatro ou museus previnem depressão

Por | Saúde Mental

O que é que as visitas regulares ao cinema, teatro ou a museus têm a ver com a saúde? Há um novo estudo que garante que podem prevenir a depressão.

A teoria era dos investigadores da University College London. E o trabalho por estes levado a cabo descobriu uma ligação clara entre a frequência do “envolvimento cultural” e a probabilidade de uma pessoa com mais de 50 anos vir a ter depressão.

O que significa que não só as atividades culturais ajudam as pessoas a recuperarem-se de uma depressão, como podem realmente ajudar a preveni-la.

Risco pode ser quase 50% inferior

Publicado no British Journal of Psychiatry, o estudo confirma que as pessoas que assistem a filmes, peças teatrais ou exposições artísticas regularmente apresentam um risco 32% inferior de desenvolver depressão, percentagem que aumenta para os 48% quando a frequência se torna mensal.

Agora, Daisy Fancourt, principal autora do trabalho, alerta para a necessidade de uma maior consciencialização para estes benefícios, para que as pessoas possam ter um melhor controlo de sua própria saúde mental.

“De um modo geral, as pessoas conhecem os benefícios para a saúde física e mental de comer várias vezes ao dia e da prática de exercício, mas há muito pouca consciência de que as atividades culturais também têm benefícios semelhantes”, afirma.

“As pessoas envolvem-se com a cultura pelo puro prazer de o fazer, mas também precisamos de estar conscientes dos seus benefícios mais amplos”, acrescenta.

Benefícios indiferentes às diferenças sociais

O estudo analisou os dados de mais de 2.000 pessoas com idade superior a 50 anos, que participaram no Longitudinal Study of Ageing, o que serviu de fonte de informações sobre problemas de saúde, sociais, de bem-estar e económicos entre os idosos ingleses.

Os especialistas analisaram as respostas aos questionários e às entrevistas individuais feitas ao longo de dez anos, o que incluía informação sobre frequência das idas ao teatro, concertos ou ópera, cinema, galerias de arte, exposições ou museus. As respostas revelaram também quantos foram diagnosticados com depressão.

Mesmo quando os resultados foram ajustados às diferenças de idade, género, saúde, níveis de riqueza, educação e exercício, os benefícios das atividades culturais permaneceram claros.

Benefícios que também eram independentes do facto de as pessoas terem ou não contacto com amigos e familiares ou participado em atividades sociais, como clubes e sociedades.

Por isso, os investigadores acreditam que o poder dessas atividades culturais reside na combinação da interação social, criatividade, estímulo mental e atividade física que encorajam.

“Ficamos agradavelmente surpreendidos com os resultados. Notavelmente, encontramos a mesma relação entre o envolvimento cultural e a depressão nas pessoas com rendimentos mais baixos e com diferentes níveis de educação – a única coisa que difere é a frequência de participação”, explica Daisy Fancourt.

Gestos simples que protegem a saúde

De acordo com os especialistas, o “envolvimento cultural” é aquilo a que se chama de “mercadoria perecível”. Ou seja, para que haja benefícios a longo prazo para a saúde mental, é preciso um envolvimento de uma forma regular. O que é semelhante ao exercício físico: se fizermos uma corrida em janeiro, em outubro já não sentimos os seus benefícios, a não ser que se tenha continuado a correr.

“Se nos estamos a começar a sentir em baixos ou isolados, então o envolvimento cultural é algo simples que podemos fazer para ajudar proativamente a nossa própria saúde mental, antes que chegue ao ponto de precisarmos de ajuda médica profissional.”

doença mental e estudantes universitários

42% dos universitários portugueses tiveram experiência de doença mental

Por | Saúde Mental

Mais de quatro em cada dez estudantes universitários portugueses (42,7%) já tiveram experiência de doença mental em algum momento da sua vida e um em cada cinco sofre atualmente de doença mental, revelam os dados de um inquérito ontem apresentado.

Tendo por base um inquérito sobre Estigma em Saúde Mental, promovido junto da população universitária portuguesa e que inquiriu 1.092 pessoas, o estudo confirma que a maioria dos estudantes inquiridos teve contacto com doenças mentais durante o período de faculdade (51,5%), com maior predominância em níveis de graduação mais elevados.

Os estudantes diagnosticados com doença mental no ensino superior (16,8%) têm maior propensão para conhecerem outras pessoas que tenham tido diagnóstico de doença mental (85,7% dos 51,5% com contacto com doenças mentais), revelam os dados, apresentados numa conferência que debateu o tema, enquadrada na 9ª Edição dos AUA! – ANGELINI UNIVERSITY AWARD.

Para a maioria dos inquiridos (66,7%), ter uma doença mental é diferente de ter uma doença física, com mais de 20% a admitirem que, se liderassem um processo de recrutamento para um emprego, a decisão de recrutar seria influenciada negativamente se conhecessem historial de doença mental do candidato.

Estigma promovido pela comunicação social

Para os jovens deste estudo, os meios de comunicação social são um dos principais responsáveis na promoção do estigma que existem face à doença mental, sobretudo pela forma como caracterizam os doentes mentais e as instituições de psiquiatria em novelas, filmes e séries.

A falta de  debate pelos agentes políticos nesta matéria foi também referenciada, salientando-se a necessidade de literacia em saúde mental, revelam os inquiridos, com uma idade média de 23 anos, a maioria dos quais do sexo feminino (86,3% eram mulheres), com 46,5% da amostra a residir nos distritos de Lisboa e Porto e 53,8% a frequentar cursos relacionados com a área da saúde.

Sintomas de depressão nos alunos da escola

Sintomas de depressão aumentaram nos jovens do 3.º ciclo e secundário

Por | Saúde Mental

Estão a aumentar os sintomas de depressão entre os alunos do 3.º ciclo do ensino básico e do ensino secundário, revelam os dados do programa de prevenção de comportamentos suicidários em meio escolar + Contigo, referentes ao último ano letivo.

Os resultados, apresentados na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) no âmbito do VII Encontro + Contigo, reunião anual deste programa de prevenção do suicídio que está no terreno desde 2009, referem que 27,5% dos cerca de 6.200 alunos do território nacional abrangidos, em 2017-2018, por este programa apresentaram sintomas de depressão, um aumento de cerca de 2% face ao ano anterior. Destes, 14,9% tinha sintomas moderados ou graves.

Raparigas são mais vulneráveis

Os alunos manifestaram maiores vulnerabilidades no ensino secundário do que no 3.º ciclo, sendo o 10.º ano determinante para a diferença registada, apontam os resultados das intervenções do + Contigo.

Os dados revelam ainda que os alunos que participaram no + Contigo melhoraram os índices de bem-estar e várias dimensões (enfrentamento ou esforço para lidar com situações de dano, ameaça ou dor), com as raparigas a manifestarem maiores vulnerabilidades na quase totalidade das variáveis estudadas (exceção do coping).

Programa no terreno desde 2009

O + Contigo trabalha aspetos como o estigma em saúde mental, o autoconceito e a capacidade de resolução de problemas, devidamente enquadrados na fase da adolescência.

O projeto, que tem como população-alvo alunos do 3.º ciclo do ensino básico e do ensino secundário, foi iniciado, em 2009, pela ESEnfC e pela Administração Regional de Saúde do Centro e dispõe já de uma rede de parceiros de norte a sul de Portugal, tendo ainda um grande potencial de crescimento.

Especialistas recomendam novo ‘medicamento’ para doenças mentais

Por | Saúde Mental

Há um novo ‘medicamento’ recomendado para o tratamento da esquizofrenia e depressão, que não só não tem efeitos secundários, como tem benefícios que chegam a outras áreas da saúde. Para a Associação Europeia de Psiquiatria, não há dúvidas que o exercício físico pode e deve ser promovido como tratamento adicional para as doenças mentais.

A revisão de vários estudos deu origem a um conjunto de diretrizes, que sugerem que um regime de exercício estruturado deve ser adicionado à medicação padrão e à psicoterapia. 

Bastarão 150 minutos de exercício aeróbico de intensidade moderada, duas a três vezes por semana, para reduzir os sintomas de depressão e esquizofrenia e melhorar a cognição e a saúde cardiorrespiratória nestes doentes.

“A revisão abrangente que fizemos mostra de forma clara que a atividade física tem um papel central na redução da carga de sintomas de saúde mental em pessoas com depressão e esquizofrenia”, refere Brendon Stubbs, especialista do King’s College London, Reino Unido.

“É hora de retirar a atividade física da periferia da saúde e torná-la uma componente central no tratamento dos problemas de saúde mental.”

Associação pede ginásios nos hospitais

Mesmo com medicação adequada, a recuperação total e de longo prazo de quem sofre com doença mental fica frequentemente por conseguir. E, aos problemas mentais, estes doentes juntam uma saúde física pobre, o que leva esta população a morrer prematuramente.

“Os sinais e sintomas de doenças cardiovasculares prematuras podem ser identificados no início do curso da doença mental, quando os doentes estão na casa dos 30, 40 anos”, refere Kai G. Kahl,  da Escola de Medicina de Hannover, na Alemanha.

“São claramente necessárias intervenções que modificam os riscos cardiometabólicos e devem ser recomendadas o mais cedo possível, como parte integrante de um plano de tratamento multimodal.”

O que significa que são urgentemente necessários novos tratamentos adicionais para as doenças mentais, capazes de permitir a recuperação completa e abordar os problemas de saúde física que afetam estes doentes.

Nesse sentido, a Associação Europeia de Psiquiatria vai mais longe e defende mudanças estruturais nos hospitais e nas instituições encarregues do tratamento dos transtornos mentais, apelando à criação de espaços para a prática de exercício e à existência de profissionais destinados a dar-lhe apoio.