doenças que afetam as gengivas

Oito em cada dez adultos sofrem com doenças nas gengivas

Por | Saúde Oral

Gengivas saudáveis, sorriso bonito. A afirmação serve de lema do Dia Europeu da Saúde Periodontal, que se assinala no próximo dia 12 e que alerta para as doenças da gengiva, o problema médico mais comum nos adultos, com impacto na saúde em geral.

Afetam oito em cada dez pessoas com mais de 35 anos de idade. E as doenças das gengivas são, confirmam os especialistas, a principal razão para a perda de dentes em adultos, que causa problemas de mastigação e afeta a nutrição, a qualidade de vida e a autoestima.

Não só isso, mas estão também relacionadas com o aumento dos riscos de doenças cardiovasculares, diabetes, doença renal crónica, artrite reumatoide e outras doenças graves.

“Cuidar das gengivas é importante para a saúde oral e para a saúde geral ao longo da vida”, confirma Lior Shapira, coordenador da Federação Europeia de Periodontologia, que organiza o Dia Europeu da Saúde Periodontal.

“Gengivas saudáveis ​​criam também belos sorrisos, preservando os nossos dentes e os contornos faciais.”

Conselhos para umas gengivas saudáveis

Para ter gengivas saudáveis, os conselhos são simples. É importante limpar entre os dentes todos os dias com um fio interdentário e escovar os dentes por pelo menos dois minutos, duas vezes por dia.

Evitar fumar, ter uma dieta saudável, rica em frutas e vegetais e pobre em açúcar, e fazer exercícios diariamente são dicas válidas para uma vida saudável, que inclui a saúde oral.

A visita ao dentista pelo menos duas vezes por ano, assim como o controlo dos níveis de açúcar no sangue, para quem tem diabetes, integram também a lista.

Para assinalar este dia, mais de 100 cidades em todo o mundo preparam-se para realizar exames periodontais gratuitos, distribuir informação e realizar workshops sobre o tema.

exercício e saúde oral

Se vai praticar exercício, tenha cuidado com a sua boca

Por | Saúde Oral

Quando pensamos em atividades desportivas, a ideia de vir a ter problemas dentários pode não nos ocorrer. Mas devia. O alerta vem de João Carlos Ramos, médico dentista do grupo Best Quality Dental Centers (BQDC) que, a propósito do Dia Mundial da Atividade Física, que se assinala no próximo sábado (06 de abril), chama a atenção para o risco de traumatismos orais.

E não são apenas os suspeitos do costume, como andar de bicicleta ou skate que pode causar danos nos dentes. “Os desportos de contacto que não usam regularmente protetores bucais para prevenção, como basquetebol, futebol ou andebol são os que têm uma prevalência de traumatologia oral maior”, confirma o médico.

A estes acrescenta outros, como andar de bicicleta, skate, trotinete, desportos aquáticos, etc., que podem estar associados a lesões.

“Estes são os desportos que originam maiores ocorrência de traumatismos orais porque são praticados por crianças, jovens e adultos que não usam qualquer tipo de protetor bucal.”

Cuidados para prevenir o pior

De forma a evitar os traumatismos orais na prática de desporto, existem alguns cuidados preventivos a ter. João Carlos Ramos explica que, em primeiro lugar, todos os desportistas devem consultar o médico dentista para avaliação do seu estado de saúde oral e, no caso de serem portadores de fatores de risco intrínseco, proceder aos tratamentos dentários necessários;

Em segundo lugar, devem-se usar protetores bucais adequados ao tipo e intensidade do desporto de cada praticante. A extensão, espessura, desenho e material de confeção varia em função do risco do desporto. Tal como a utilização, ou não, de aparelhos ortodônticos que também vai influenciar o tipo de protetores bucais a usar.

Por último, não se devem comprar protetores bucais standard ou adaptáveis em centros comerciais e em plataformas online. “Os protetores bucais devem ser totalmente individualizados e confecionados pelos profissionais de saúde oral.”

A importância de consultar o dentista

No caso de ocorrência de um traumatismo oral, ainda que parcial, deve sempre ser consultado um médico dentista para um correto diagnóstico e tratamento.

Para além dos danos físicos e imediatos, podem existir outro tipo de consequências a médio e longo prazo. “A literatura documenta que, principalmente as crianças e adolescentes que sofrem acidentes traumatológicos orais que implicam tratamentos complexos e demorados, não ou incorretamente resolvidos, padecem frequentemente de problemas emocionais e sociais”.

“Mesmo no que respeita aos danos físicos, é importante referir que, por vezes, os mais importantes nem sempre são aqueles que ocorrem de imediato no momento dos traumatismos orais”, alerta o especialista.

“Algumas complicações podem ocorrer apenas a médio e longo prazo (muitos anos depois), pelo que o controlo regular anual do paciente é de crucial importância. Quanto mais cedo se diagnosticarem as complicações, mais possibilidades existe de implementar um tratamento com sucesso. Importa referir que, como em muitas outras áreas, o preço da prevenção é significativamente mais baixo que os custos dos tratamentos quando necessários.”

os riscos da periodontite

Estudo sugere que médicos de família façam rastreio de saúde oral

Por | Saúde Oral

As pessoas que não visitam um dentista regularmente deveriam ser examinadas pelo médico de família. O conselho é dado por um estudo, que alerta para os riscos de periodontite, uma inflamação grave das gengivas e estruturas que sustentam os dentes e que, se não for tratada, pode levar à perda de dentes e inflamação em todo o corpo.

Contas feitas pelos especialistas, cerca de 50% das pessoas com mais de 30 anos têm periodontite, associada a riscos mais altos de diabetes, enfarte e AVC.

Eduardo Montero, da Universidade Complutense de Madrid, em Espanha, e primeiro autor do estudo, alerta que ” a periodontite é uma das doenças não transmissíveis mais comuns, com impacto direto na saúde oral e na saúde em geral”.

“Muitos doentes não são diagnosticados porque não consultam um dentista – de acordo com o nosso estudo, mais de 40% dos adultos não tinha ido ao dentista no ano anterior.”

Porque as visitas aos médicos de família são mais comuns, os especialistas criaram uma ferramenta de triagem com cinco informações de rotina, que permitem identificar as pessoas em risco de periodontite, encaminhadas depois para um dentista para diagnóstico e tratamento. Ferramenta que usa dados referentes à idade, sexo, etnia, tabagismo e açúcar no sangue.

Corneliu Sima, professor assistente de medicina oral na Harvard School of Dental Medicine, nos EUA, e responsável pelo estudo, não tem dúvidas que “há uma necessidade de ferramentas de apoio à decisão clínica para integrar melhor os cuidados orais e os médicos em todo o mundo, melhorar a qualidade de vida e reduzir os custos dos cuidados de saúde”.

Para este especialista, a triagem da periodontite nos cuidados primários podem ter um grande impacto na saúde pública. “O tratamento da periodontite melhora a saúde oral, ajuda as pessoas com diabetes a controlar o açúcar no sangue e reduz a inflamação sistémica e outros fatores indiretamente associados ao desenvolvimento de artérias obstruídas (aterosclerose)”.

Conselhos simples de prevenção

Gengivas vermelhas, inchadas e com sangue são os principais sintomas da periodontite, que pode ser prevenida de forma simples:

  • Fazer a limpeza entre os dentes todos os dias com fio dentário.
  • Escovar os dentes durante pelo menos dois minutos, duas vezes ao dia.
  • Evitar fumar, ter uma dieta saudável, rica em frutas e vegetais e pobre em açúcar, e fazer exercício diariamente.
  • Visitar o dentista duas vezes por ano.
  • Controlar o nível de açúcar no sangue se tiver diabetes.
disfunção erétil e saúde oral

Estudo deixa aviso aos homens: escovar mal os dentes pode causar disfunção erétil

Por | Saúde Oral

Que os cuidados com boca e dentes têm um grande impacto no resto da saúde, já se sabia. Mas a mensagem agora é dirigida especificamente aos homens, para quem fica o aviso: aqueles que sofrem de periodontite, doença caracterizada pela inflamação das gengivas, têm um risco acrescido de disfunção erétil. 

A informação é partilhada, em forma de estudo, por um grupo de investigadores do Departamento de Cirurgia e Especialidades Cirúrgicas e do Departamento de Estomatologia da Universidade de Granada, em Espanha.

Definida como a incapacidade de um homem atingir uma ereção, devido a fatores que podem ser físicos ou psicológicos, ou uma combinação dos dois, a disfunção erétil surge agora associada à periodontite, uma inflamação crónica das gengivas, que destrói progressivamente o osso alveolar e os tecidos conectivos que mantêm os dentes no seu lugar e que, se não for tratada, pode levar mesmo à perda de dentes.

De acordo com os especialistas, as bactérias periodontais, que têm origem nas gengivas infetadas, prejudicam as células vasculares, podendo afetar o fluxo sanguíneo no pénis. Resultado: a impotência.

Risco aumenta mais de duas vezes 

Realizado com uma amostra de 80 homens, os investigadores pediram aos participantes que facultassem os seus dados sociodemográficos e que se submetessem a um exame periodontal, testes aos níveis de testosterona, perfil lipídico, proteína C-reativa, níveis de glicose no sangue e hemoglobina glicada.

A análise destes dados permitiu concluir que 74% dos doentes com disfunção erétil apresentavam sinais de periodontite. E aqueles que tinham disfunção mais grave eram os que tinham os piores danos periodontais.

Contas feitas, quem sofria com periodontite apresentava 2,28 vezes mais risco de ter disfunção erétil, quando comparando com os homens com gengivas saudáveis.

Trata-se do primeiro estudo do género a ser realizado com uma população europeia, com os resultados apresentados no Journal of Clinical Periodontology, o principal periódico científico internacional de investigação periodontal.

portugueses não lavam os dentes

Cerca de um terço dos portugueses não escova os dentes como devia

Por | Saúde Oral

Mais de um terço dos portugueses (35%) não cumpre as recomendações de escovagem dos dentes, cuidados que são determinantes para manter não só os dentes, mas a própria saúde, já que esta prática simples contribui para reduzir o risco de doenças orais e para a saúde geral e qualidade de vida de cada um.

Os dados são do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e resultam de um inquérito feito pelo seu Departamento de Epidemiologia, que teve como objetivo descrever a prevalência de hábitos de higiene oral na população portuguesa em 2015.

Através dos dados do primeiro Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico é possível concluir que 65% da população adulta portuguesa (entre os 25 e os 74 anos) escova os dentes pelo menos duas vezes ao dia, uma delas antes de dormir.

São as mulheres as que mais se preocupam, revela a mesma fonte (75,1% contra 53,9% no caso dos homens), assim como as pessoas que residem em áreas urbanas e com um nível de instrução mais elevado.

Escovagem duas vezes por dia: a receita para uma boca saudável

As recomendações da Direção-Geral da Saúde são simples: os dentes devem ser escovados pelo menos duas vezes ao dia, sendo uma destas antes de dormir.

É essencial que a pasta de dentes tenha flúor na sua composição (1000-1500 ppm), uma vez que este ajuda a remover a placa bacteriana (conjunto de bactérias, saliva e restos de alimentos), ao mesmo tempo que promove a remineralização dos dentes, tornando-os mais resistentes.

No que diz respeito à duração, os dentes devem ser escovados durante dois a três minutos. 

A escolha da escova de dentes nem sempre é fácil, tendo em conta a variedade da oferta. Aqui, recomenda-se que o tamanho deve ser adequado à boca de quem a utiliza, com uma textura macia ou média, que deve ser substituída quando os pelos começam  a ficar deformados, o que acontece, por norma, de três em três meses.

os riscos da epilepsia

Saúde oral dos doentes com epilepsia em risco

Por | Saúde Oral

Em Portugal, cerca de 50 mil pessoas sofrem de epilepsia, a doença neurológica mais comum no mundo. Um problema que, explica João Braga, médico dentista do grupo Best Quality Dental Centers (BQDC), tem consequências não só devido “aos efeitos secundários da medicação efetuada para tratamento/prevenção de crises”, mas também resultante dos “acidentes que podem ocorrer durante uma convulsão”. 

A propósito do Dia Internacional da Epilepsia, que se assinala a 11 de fevereiro, o especialista salienta o “risco aumentado de cáries, aumento do volume do tecido gengival, sangramento gengival, sensação de boca seca, aumento da incidência de úlceras e aftas e cicatrização mais demorada”, que são as implicações orais mais comuns que decorrem do tratamento feito por quem vive com epilepsia.

Cortes e perda de dentes na sequência de ataques

Ainda que cerca de dois terços destes doentes tenham as suas crises bem controladas, resultado do cumprimento diário da sua medicação, estas podem acontecer.

E, com elas, “traumatismos faciais, lacerações da língua e lábios devido a mordeduras, deslocação do disco da articulação temporomandibular, o que pode implicar incapacidade de fechar a boca e até perda dos dentes anteriores”. Situações que, explica o médico, são resultantes de “possíveis quedas durante um ataque epilético”.

É, por isso, importante “uma vigilância regular no médico dentista”, uma vez que, reforça João Braga, “todos estes problemas são detetados com um bom exame intraoral e possuem tratamento”.

prevenção do cancro oral

Autoexame da boca ajuda na prevenção do cancro oral

Por | Saúde Oral

É o 6º cancro mais comum em Portugal e no mundo. No entanto, continua a ser frequentemente esquecido e são poucos os portugueses que sabem que, à semelhança do que se faz para o cancro da mama, também para o cancro oral existe um autoexame, que pode ajudar a identificar precocemente lesões.

Juntamente com a ida regular ao médico dentista, estes gestos podem fazer a diferença, alerta João Braga, médico dentista do Best Quality Dental Centers (BQDC) que, a propósito do Dia Mundial de Luta contra o Cancro, que se assinala no próximo dia, reforça a necessidade de mais prevenção e deteção precoce.

“Numa consulta de medicina oral, o médico dentista efetua um exame visual de toda a cavidade oral e estruturas anexas, permitindo que lesões suspeitas sejam detetadas em fases precoces”, explica. “Com estas consultas é possível efetuar um rastreio da doença, identificar/tratar lesões potencialmente malignas, ensinar o paciente a efetuar o autoexame da cavidade oral”, acrescenta.

Consultas que são ainda mais importantes nos doentes de risco, “nomeadamente fumadores, pessoas com hábitos etílicos, pessoas regularmente expostas à radiação solar (cancro do lábio). E são também importantes para a educação e sensibilização da população para a problemática do cancro oral”.

Associação perigosa

Porque a cavidade oral faz parte do organismo, “todos os seus problemas poderão afetar a saúde geral”, reforça o médico. E há mesmo estudos recentes que indicam que aqueles que possuem uma má saúde oral têm maior probabilidade de voltar a sofrer de cancro oral.

“Está também comprovado que existe uma associação entre grandes níveis de placa bacteriana e morte prematura por cancro.”

Uma associação compreensível, “já que as mesmas bactérias que causam periodontite (uma doença inflamatória que afeta as gengivas e tecidos que circundam o dente) têm um papel importante no desenvolvimento de cancro pancreático e cancro do trato gastrointestinal superior”.

Doentes com cancro desconhecem importância da saúde oral

No que diz respeito aos doentes já diagnosticados com cancro, também aqui a saúde oral é determinante. Explica João Braga que os doentes oncológicos submetidos a tratamentos de quimioterapia e/ou radioterapia “sentem, na maior parte das vezes, alterações diversas na sua boca. Alterações que serão mais graves e desconfortáveis se o estado inicial de saúde oral do paciente não for saudável. Por este motivo, também, todos os pacientes deverão zelar pela sua saúde oral”.

Consultar o médico dentista após o diagnóstico e antes de iniciar os tratamentos é, pois, essencial para que este possa avaliar o estado de saúde oral, “efetuar os tratamentos necessários e receber instruções de como deve fazer a sua higiene oral e como deve atuar quanto aos efeitos secundários dos tratamentos oncológicos”.

Consultas que devem continuar durante os tratamentos, para que o “médico dentista possa aconselhar o paciente a minimizar os inevitáveis efeitos secundários”.

Ainda de acordo com o especialista, “genericamente, e porque os efeitos dos tratamentos variam muito de paciente para paciente, este deve ser mais rigoroso ainda na sua higiene oral diária: deve usar uma escova suave e pasta fluoretada, fio ou fita dentária e um higienizador de língua”.

No que diz respeito à alimentação, o especialista aconselha que se evitem alimentos picantes, crocantes e ácidos, “dando preferência a alimentos moles e fáceis de mastigar, a fim de prevenir úlceras e feridas”.

Apesar da importância destes cuidados, João Braga considera que, “atualmente, esta ainda é uma área negligenciada. Embora se observe, cada vez mais, o alerta por parte da equipa médica para a importância da saúde oral, penso que os doentes portugueses com cancro ainda não estão completamente sensíveis da sua importância para o seu tratamento e bem-estar. Há uma tendência para se preocuparem apenas com os problemas mais graves e negligenciar tudo o resto”.

Para uma vida saudável

Para prevenir doenças oncológicas, para além de todos os conselhos no sentido de uma vida mais saudável, “as pessoas devem adotar cuidados diários de higiene oral (escovar os dentes e gengivas pelo menos duas vezes por dia, usar fio dentário e escovilhões, higienizar a língua) e efetuar visitas regulares ao seu médico dentista”.

Para além disto, deve ainda evitar-se “a exposição solar direta, adotado o uso de creme labial com proteção para a radiação solar e efetuada a vacinação contra o HPV”.

prevenir a placa dentária

Tecnologia criada em Coimbra promete revolucionar a saúde oral

Por | Saúde Oral

A placa dentária é um problema que afeta muitos portugueses, mas pode ter os dias contados. Pelo menos se depender de uma inovação nacional, que promete ser uma revolução na saúde oral, ao impedir, de forma simples, a sua formação.

A Biolocker, assim chamada pelos especialistas das Faculdades de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e de Medicina (FMUC) da Universidade de Coimbra (UC), que a criaram, deve chegar ao mercado dentro de dois anos, representando uma mudança de paradigma na higiene oral, uma vez que previne a formação precoce da placa bacteriana sem os efeitos negativos das soluções de cuidados orais existentes. 

E tudo feito com base numa molécula orgânica natural.

A diferença dos produtos disponíveis

É verdade que já existem antisséticos com a promessa de eliminar a placa bacteriana. Mas são de largo espectro. O que significa que, para além das más bactérias, eliminam também as boas, o que pode danificar a flora oral residente, que é extremamente benéfica para a saúde geral do organismo.

A grande inovação desta tecnologia anti-placa, que se encontra em processo de registo de patente internacional, “está na capacidade de bloquear as principais interações bacterianas que ocorrem após a ingestão de alimentos, ou seja, impossibilita a ação das bactérias que lideram o processo de formação da placa bacteriana, as designadas colonizadoras iniciais”

A explicação é de Daniel Abegão, Filipe Antunes e Sérgio Matos, os ‘pais’ da Biolocker, que acrescentam que “como estas bactérias (género streptococcus) funcionam como alicerce, ao retirar a âncora impedimos que todas as bactérias a jusante se possam fixar”.

Trocado por miúdos, esta tecnologia funciona como uma espécie de revestimento antiaderente, impedindo que as bactérias se agarrem ao esmalte dentário e formem a placa bacteriana.

Um método que promete proteger”por muito mais tempo, durante todo o dia, complementando a eficácia da escovagem, suplantando as limitações dos atuais produtos de higiene oral”, sublinham os investigadores em comunicado.

Uma nova forma de prevenção

Sérgio Matos, médico dentista e professor da Faculdade de Medicina da UC, confirma que, em termos de saúde oral, ou mesmo numa perspetiva de política de saúde pública, a grande mais-valia da biolocker é a contribuição extraordinária para a prevenção de problemas dentários, “permitindo que, através de uma tecnologia massificada e barata, a população passe a ter acesso a uma melhor higiene oral”.

“Em Portugal, a saúde oral é maioritariamente proporcionada por cuidados privados e, consequentemente, muito onerosos. A maneira mais eficaz de podermos combater todas as patologias da cavidade oral é através da prevenção, reduzindo custos com tratamentos.”

Tendo em conta que a “cárie e as doenças gengivais são as patologias infecciosas mais prevalentes no mundo, o desenvolvimento de ferramentas preventivas é essencial” reforça o investigador.

Mas as vantagens não se ficam por aqui. A versatilidade é outra característica importante desta inovação, que permite que seja “incorporada em pastas dentífricas, elixires, fio dental ou até pastilhas elásticas”, explicam Daniel Abegão e Filipe Antunes.

saúde oral pode causar malnutrição

Falta de dentes nos idosos pode conduzir à malnutrição

Por | Saúde Oral

A falta de dentes naturais é uma realidade frequente entre a população portuguesa, como mostram os dados do III Barómetro da Saúde Oral, que fala em 68% de pessoas desdentados. Destas, uma  maioria são idosos. A propósito do Dia Mundial da Terceira Idade, que se assinala no próximo dia 28, João Caramês, especialista em medicina dentária, alerta para as limitações de saúde oral da população sénior, que podem conduzir à malnutrição.

O diretor clínico do Instituto de Implantologia, centro do Best Quality Dental Centers em Portugal, revela que, “de acordo com dados europeus, a percentagem de pacientes com mais de 70 anos a requerer tratamentos dentários aumentou consideravelmente ao longo dos últimos 13 anos”.

E, tendo em conta as necessidades de reabilitação oral da população em geral, “estimou-se que aproximadamente 21% dos pacientes candidatos a reabilitação oral com implantes tenha uma idade igual ou superior a 70 anos”.

“Realidade histórica sombria da saúde oral em Portugal”

“A ausência de dentes naturais na população espelha uma realidade histórica sombria da saúde oral em Portugal”, afirma o especialista.

Uma realidade que resulta do facto de, “durante várias décadas, o acesso a cuidados primários e secundários ter sido muito reduzido, não apenas pela pouca informação e sensibilização dos pacientes para a importância da saúde oral, como também por um limitado número de profissionais capazes de um exercício clínico conservador e esclarecido”.

Hoje, o cenário alterou-se com uma classe de médicos dentistas maior em quantidade e qualidade. Contudo, os indicadores de saúde oral em Portugal estão ainda abaixo da média europeia. E a ausência de dentes naturais, traz consigo várias consequências, explica o médico.

“Todos os pacientes deveriam ter direito a partilhar um sorriso sem receio da sua condição dentária. Infelizmente, observo que a maioria dos pacientes mais idosos não o faz por deterioração da sua saúde oral.”

Para além de uma perda da autoestima, que “muitas vezes inconscientemente, altera a sua forma de estar e comunicar com quem os rodeia”, o médico salienta também que “a sua expressão facial sofre alterações significativas em função do aprofundamento de sulcos cutâneos, colapso dos tecidos labiais e ou perda de dimensão vertical de oclusão”.

As consequências na mastigação

A questão da mastigação não pode ser esquecida, uma vez que a ausência dentária se traduz “quase sempre uma perda significativa da função mastigatória e um ajuste na sua dieta, que em alguns casos conduz a malnutrição, problemas do sistema digestivo, ou a um pior controlo da glicemia na situação de pacientes diabéticos”.

As próteses removíveis, “embora possam minimizar algumas destas condições, tornam-se desadaptadas e desconfortáveis à medida que o maxilar e a mandíbula se vão atrofiando. A sua utilização ao longo de vários anos contribui para uma insatisfação crónica do paciente”.

Situação que se pode evitar “fomentando uma cultura preventiva junto do paciente. A realização de consultas de higiene oral e ou visita ao  médico sentista, com uma periodicidade variável consoante o perfil e os fatores de risco do paciente, devem permitir um diagnóstico precoce e tratamento de lesões de cárie dentária e ou da doença periodontal”.

No máximo, reforça o médico, “estas consultas deverão ocorrer de seis em seis meses”, mesmo que não existam queixas. 

Especialista alerta para risco que correm sorrisos nacionais

Futuro dos sorrisos nacionais pode estar em risco

Por | Saúde Oral

Há quem lhe chame espelho da alma, mas o sorriso é hoje um verdadeiro cartão-de-visita, capaz de abrir portas na vida pessoal e profissional. Ainda que, de uma forma geral, os portugueses estejam mais conscientes da importância de um sorriso bonito, João Paulo Tondela, médico dentista do grupo Best Quality Dental Centers (BQDC), salienta que “27% dos portugueses nunca visitaram esta especialidade ou o fizeram apenas em urgência e 41,3%  e não o fazem há mais de um ano”.

A propósito do Dia Mundial do Sorriso, que se assinala esta sexta-feira (dia 5), o especialista considera que “a saúde oral dos portugueses tem melhorado”. Mas teme pelo futuro.

“Apenas 32% da população apresentava dentição completa em 2017 e, se considerarmos que 60% das crianças com seis anos nunca consultou o médico dentista, o futuro não deverá trazer uma realidade muito diferente.”

Redução da capacidade de mastigar

A ausência de cuidados é, de resto, bem visível e com consequências. “Atualmente, 68% da população tem falta de dentes e 30% destes têm falta de seis ou mais dentes, o que se traduz numa diminuição significativa da qualidade da mastigação”, explica o médico.

“Apenas cerca de metade destes desdentados procurou reabilitação (tratamento de substituição dos dentes ausentes) e apenas 6,7% o fizeram com recurso a tratamentos fixos, que permitem atingir uma capacidade mastigatória semelhante à dentição natural”, acrescenta.

O que significa que “11% da população portuguesa vive com uma diminuição efetiva da qualidade mastigatória e que 50% apresenta um compromisso mastigatório mais ou menos satisfatoriamente compensado.”

Mas os reflexos dos maus cuidados não se ficam por aqui. De acordo com o especialista, “há uma relação entre algumas patologias sistémicas e a saúde oral, entre a diabetes e a doença periodontal, mas também um aumento do risco em pacientes com patologia cardiovascular e com compromisso da saúde oral”.

A isto juntam-se as alterações nutricionais, uma vez que uma má saúde oral pode “induzir alteração de hábitos alimentares, como aumento da ingestão de dietas moles e açucaradas e consequente risco de obesidade” e o impacto na comunicação e no relacionamento interpessoal. 

Cuidado com os tratamentos estéticos

Tendo em conta a definição de saúde da Organização Mundial de Saúde, que inclui o bem-estar físico, psíquico e social do indivíduo, “é óbvio que uma boa saúde oral é também reflexo e reflete uma boa saúde”. Por isso, não só o sorriso “traduz um estado anímico positivo, de confiança e otimismo, como também estimula o bem-estar, ao induzir alterações endócrinas. Sorrir é bom e sorrir faz bem!”, refere João Paulo Tondela.

O que justifica o aumento da procura de tratamentos estéticos. Mas, aqui, o especialista deixa um alerta: “a recuperação funcional e estética do sorriso é apenas o primeiro passo de uma caminhada que os pacientes devem compreender desde o início: nada poderá ser feito, alcançado ou mantido sem o seu compromisso e empenho”.

O que significa que a aposta não pode ser apenas no lado da cosmética. “Com os tratamentos cosméticos há a possibilidade de apenas camuflar o problema, mantendo o compromisso funcional muitas vezes subjacente e que mais tarde sobressairá”. Por isso, o médico dentista chama a atenção para “tratamentos aparentemente fáceis e pouco invasivos, como alguns tratamentos protéticos, que garantem resultados rápidos e imediatos, mas assentam apenas no tratamento da parte estética visível com recurso a técnicas irreversíveis para a estrutura dentária.”

Receita para um sorriso bonito

A receita para um sorriso bonito e saudável continua a ser a mesma: a prevenção. “Um sorriso bonito adquire-se e começa a preservar-se em criança e com corretos tratamentos de manutenção, de ortodoncia intercetiva e corretiva”, explica o especialista.

“Os tratamentos restauradores e reabilitadores protéticos (reparação e substituição de dentes) a ocorrer em idade adulta devem merecer o mesmo empenho e dedicação, com o foco centrado na motivação e instrução de uma correta e eficaz higiene oral”, acrescenta.

E, claro, “as visitas regulares ao médico dentista são essenciais para adquirir e preservar estes sorrisos… temos que semear para colher, mas quem semeia ventos colhe tempestades.”