portugueses não lavam os dentes

Cerca de um terço dos portugueses não escova os dentes como devia

Por | Saúde Oral

Mais de um terço dos portugueses (35%) não cumpre as recomendações de escovagem dos dentes, cuidados que são determinantes para manter não só os dentes, mas a própria saúde, já que esta prática simples contribui para reduzir o risco de doenças orais e para a saúde geral e qualidade de vida de cada um.

Os dados são do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e resultam de um inquérito feito pelo seu Departamento de Epidemiologia, que teve como objetivo descrever a prevalência de hábitos de higiene oral na população portuguesa em 2015.

Através dos dados do primeiro Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico é possível concluir que 65% da população adulta portuguesa (entre os 25 e os 74 anos) escova os dentes pelo menos duas vezes ao dia, uma delas antes de dormir.

São as mulheres as que mais se preocupam, revela a mesma fonte (75,1% contra 53,9% no caso dos homens), assim como as pessoas que residem em áreas urbanas e com um nível de instrução mais elevado.

Escovagem duas vezes por dia: a receita para uma boca saudável

As recomendações da Direção-Geral da Saúde são simples: os dentes devem ser escovados pelo menos duas vezes ao dia, sendo uma destas antes de dormir.

É essencial que a pasta de dentes tenha flúor na sua composição (1000-1500 ppm), uma vez que este ajuda a remover a placa bacteriana (conjunto de bactérias, saliva e restos de alimentos), ao mesmo tempo que promove a remineralização dos dentes, tornando-os mais resistentes.

No que diz respeito à duração, os dentes devem ser escovados durante dois a três minutos. 

A escolha da escova de dentes nem sempre é fácil, tendo em conta a variedade da oferta. Aqui, recomenda-se que o tamanho deve ser adequado à boca de quem a utiliza, com uma textura macia ou média, que deve ser substituída quando os pelos começam  a ficar deformados, o que acontece, por norma, de três em três meses.

os riscos da epilepsia

Saúde oral dos doentes com epilepsia em risco

Por | Saúde Oral

Em Portugal, cerca de 50 mil pessoas sofrem de epilepsia, a doença neurológica mais comum no mundo. Um problema que, explica João Braga, médico dentista do grupo Best Quality Dental Centers (BQDC), tem consequências não só devido “aos efeitos secundários da medicação efetuada para tratamento/prevenção de crises”, mas também resultante dos “acidentes que podem ocorrer durante uma convulsão”. 

A propósito do Dia Internacional da Epilepsia, que se assinala a 11 de fevereiro, o especialista salienta o “risco aumentado de cáries, aumento do volume do tecido gengival, sangramento gengival, sensação de boca seca, aumento da incidência de úlceras e aftas e cicatrização mais demorada”, que são as implicações orais mais comuns que decorrem do tratamento feito por quem vive com epilepsia.

Cortes e perda de dentes na sequência de ataques

Ainda que cerca de dois terços destes doentes tenham as suas crises bem controladas, resultado do cumprimento diário da sua medicação, estas podem acontecer.

E, com elas, “traumatismos faciais, lacerações da língua e lábios devido a mordeduras, deslocação do disco da articulação temporomandibular, o que pode implicar incapacidade de fechar a boca e até perda dos dentes anteriores”. Situações que, explica o médico, são resultantes de “possíveis quedas durante um ataque epilético”.

É, por isso, importante “uma vigilância regular no médico dentista”, uma vez que, reforça João Braga, “todos estes problemas são detetados com um bom exame intraoral e possuem tratamento”.

prevenção do cancro oral

Autoexame da boca ajuda na prevenção do cancro oral

Por | Saúde Oral

É o 6º cancro mais comum em Portugal e no mundo. No entanto, continua a ser frequentemente esquecido e são poucos os portugueses que sabem que, à semelhança do que se faz para o cancro da mama, também para o cancro oral existe um autoexame, que pode ajudar a identificar precocemente lesões.

Juntamente com a ida regular ao médico dentista, estes gestos podem fazer a diferença, alerta João Braga, médico dentista do Best Quality Dental Centers (BQDC) que, a propósito do Dia Mundial de Luta contra o Cancro, que se assinala no próximo dia, reforça a necessidade de mais prevenção e deteção precoce.

“Numa consulta de medicina oral, o médico dentista efetua um exame visual de toda a cavidade oral e estruturas anexas, permitindo que lesões suspeitas sejam detetadas em fases precoces”, explica. “Com estas consultas é possível efetuar um rastreio da doença, identificar/tratar lesões potencialmente malignas, ensinar o paciente a efetuar o autoexame da cavidade oral”, acrescenta.

Consultas que são ainda mais importantes nos doentes de risco, “nomeadamente fumadores, pessoas com hábitos etílicos, pessoas regularmente expostas à radiação solar (cancro do lábio). E são também importantes para a educação e sensibilização da população para a problemática do cancro oral”.

Associação perigosa

Porque a cavidade oral faz parte do organismo, “todos os seus problemas poderão afetar a saúde geral”, reforça o médico. E há mesmo estudos recentes que indicam que aqueles que possuem uma má saúde oral têm maior probabilidade de voltar a sofrer de cancro oral.

“Está também comprovado que existe uma associação entre grandes níveis de placa bacteriana e morte prematura por cancro.”

Uma associação compreensível, “já que as mesmas bactérias que causam periodontite (uma doença inflamatória que afeta as gengivas e tecidos que circundam o dente) têm um papel importante no desenvolvimento de cancro pancreático e cancro do trato gastrointestinal superior”.

Doentes com cancro desconhecem importância da saúde oral

No que diz respeito aos doentes já diagnosticados com cancro, também aqui a saúde oral é determinante. Explica João Braga que os doentes oncológicos submetidos a tratamentos de quimioterapia e/ou radioterapia “sentem, na maior parte das vezes, alterações diversas na sua boca. Alterações que serão mais graves e desconfortáveis se o estado inicial de saúde oral do paciente não for saudável. Por este motivo, também, todos os pacientes deverão zelar pela sua saúde oral”.

Consultar o médico dentista após o diagnóstico e antes de iniciar os tratamentos é, pois, essencial para que este possa avaliar o estado de saúde oral, “efetuar os tratamentos necessários e receber instruções de como deve fazer a sua higiene oral e como deve atuar quanto aos efeitos secundários dos tratamentos oncológicos”.

Consultas que devem continuar durante os tratamentos, para que o “médico dentista possa aconselhar o paciente a minimizar os inevitáveis efeitos secundários”.

Ainda de acordo com o especialista, “genericamente, e porque os efeitos dos tratamentos variam muito de paciente para paciente, este deve ser mais rigoroso ainda na sua higiene oral diária: deve usar uma escova suave e pasta fluoretada, fio ou fita dentária e um higienizador de língua”.

No que diz respeito à alimentação, o especialista aconselha que se evitem alimentos picantes, crocantes e ácidos, “dando preferência a alimentos moles e fáceis de mastigar, a fim de prevenir úlceras e feridas”.

Apesar da importância destes cuidados, João Braga considera que, “atualmente, esta ainda é uma área negligenciada. Embora se observe, cada vez mais, o alerta por parte da equipa médica para a importância da saúde oral, penso que os doentes portugueses com cancro ainda não estão completamente sensíveis da sua importância para o seu tratamento e bem-estar. Há uma tendência para se preocuparem apenas com os problemas mais graves e negligenciar tudo o resto”.

Para uma vida saudável

Para prevenir doenças oncológicas, para além de todos os conselhos no sentido de uma vida mais saudável, “as pessoas devem adotar cuidados diários de higiene oral (escovar os dentes e gengivas pelo menos duas vezes por dia, usar fio dentário e escovilhões, higienizar a língua) e efetuar visitas regulares ao seu médico dentista”.

Para além disto, deve ainda evitar-se “a exposição solar direta, adotado o uso de creme labial com proteção para a radiação solar e efetuada a vacinação contra o HPV”.

prevenir a placa dentária

Tecnologia criada em Coimbra promete revolucionar a saúde oral

Por | Saúde Oral

A placa dentária é um problema que afeta muitos portugueses, mas pode ter os dias contados. Pelo menos se depender de uma inovação nacional, que promete ser uma revolução na saúde oral, ao impedir, de forma simples, a sua formação.

A Biolocker, assim chamada pelos especialistas das Faculdades de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e de Medicina (FMUC) da Universidade de Coimbra (UC), que a criaram, deve chegar ao mercado dentro de dois anos, representando uma mudança de paradigma na higiene oral, uma vez que previne a formação precoce da placa bacteriana sem os efeitos negativos das soluções de cuidados orais existentes. 

E tudo feito com base numa molécula orgânica natural.

A diferença dos produtos disponíveis

É verdade que já existem antisséticos com a promessa de eliminar a placa bacteriana. Mas são de largo espectro. O que significa que, para além das más bactérias, eliminam também as boas, o que pode danificar a flora oral residente, que é extremamente benéfica para a saúde geral do organismo.

A grande inovação desta tecnologia anti-placa, que se encontra em processo de registo de patente internacional, “está na capacidade de bloquear as principais interações bacterianas que ocorrem após a ingestão de alimentos, ou seja, impossibilita a ação das bactérias que lideram o processo de formação da placa bacteriana, as designadas colonizadoras iniciais”

A explicação é de Daniel Abegão, Filipe Antunes e Sérgio Matos, os ‘pais’ da Biolocker, que acrescentam que “como estas bactérias (género streptococcus) funcionam como alicerce, ao retirar a âncora impedimos que todas as bactérias a jusante se possam fixar”.

Trocado por miúdos, esta tecnologia funciona como uma espécie de revestimento antiaderente, impedindo que as bactérias se agarrem ao esmalte dentário e formem a placa bacteriana.

Um método que promete proteger”por muito mais tempo, durante todo o dia, complementando a eficácia da escovagem, suplantando as limitações dos atuais produtos de higiene oral”, sublinham os investigadores em comunicado.

Uma nova forma de prevenção

Sérgio Matos, médico dentista e professor da Faculdade de Medicina da UC, confirma que, em termos de saúde oral, ou mesmo numa perspetiva de política de saúde pública, a grande mais-valia da biolocker é a contribuição extraordinária para a prevenção de problemas dentários, “permitindo que, através de uma tecnologia massificada e barata, a população passe a ter acesso a uma melhor higiene oral”.

“Em Portugal, a saúde oral é maioritariamente proporcionada por cuidados privados e, consequentemente, muito onerosos. A maneira mais eficaz de podermos combater todas as patologias da cavidade oral é através da prevenção, reduzindo custos com tratamentos.”

Tendo em conta que a “cárie e as doenças gengivais são as patologias infecciosas mais prevalentes no mundo, o desenvolvimento de ferramentas preventivas é essencial” reforça o investigador.

Mas as vantagens não se ficam por aqui. A versatilidade é outra característica importante desta inovação, que permite que seja “incorporada em pastas dentífricas, elixires, fio dental ou até pastilhas elásticas”, explicam Daniel Abegão e Filipe Antunes.

saúde oral pode causar malnutrição

Falta de dentes nos idosos pode conduzir à malnutrição

Por | Saúde Oral

A falta de dentes naturais é uma realidade frequente entre a população portuguesa, como mostram os dados do III Barómetro da Saúde Oral, que fala em 68% de pessoas desdentados. Destas, uma  maioria são idosos. A propósito do Dia Mundial da Terceira Idade, que se assinala no próximo dia 28, João Caramês, especialista em medicina dentária, alerta para as limitações de saúde oral da população sénior, que podem conduzir à malnutrição.

O diretor clínico do Instituto de Implantologia, centro do Best Quality Dental Centers em Portugal, revela que, “de acordo com dados europeus, a percentagem de pacientes com mais de 70 anos a requerer tratamentos dentários aumentou consideravelmente ao longo dos últimos 13 anos”.

E, tendo em conta as necessidades de reabilitação oral da população em geral, “estimou-se que aproximadamente 21% dos pacientes candidatos a reabilitação oral com implantes tenha uma idade igual ou superior a 70 anos”.

“Realidade histórica sombria da saúde oral em Portugal”

“A ausência de dentes naturais na população espelha uma realidade histórica sombria da saúde oral em Portugal”, afirma o especialista.

Uma realidade que resulta do facto de, “durante várias décadas, o acesso a cuidados primários e secundários ter sido muito reduzido, não apenas pela pouca informação e sensibilização dos pacientes para a importância da saúde oral, como também por um limitado número de profissionais capazes de um exercício clínico conservador e esclarecido”.

Hoje, o cenário alterou-se com uma classe de médicos dentistas maior em quantidade e qualidade. Contudo, os indicadores de saúde oral em Portugal estão ainda abaixo da média europeia. E a ausência de dentes naturais, traz consigo várias consequências, explica o médico.

“Todos os pacientes deveriam ter direito a partilhar um sorriso sem receio da sua condição dentária. Infelizmente, observo que a maioria dos pacientes mais idosos não o faz por deterioração da sua saúde oral.”

Para além de uma perda da autoestima, que “muitas vezes inconscientemente, altera a sua forma de estar e comunicar com quem os rodeia”, o médico salienta também que “a sua expressão facial sofre alterações significativas em função do aprofundamento de sulcos cutâneos, colapso dos tecidos labiais e ou perda de dimensão vertical de oclusão”.

As consequências na mastigação

A questão da mastigação não pode ser esquecida, uma vez que a ausência dentária se traduz “quase sempre uma perda significativa da função mastigatória e um ajuste na sua dieta, que em alguns casos conduz a malnutrição, problemas do sistema digestivo, ou a um pior controlo da glicemia na situação de pacientes diabéticos”.

As próteses removíveis, “embora possam minimizar algumas destas condições, tornam-se desadaptadas e desconfortáveis à medida que o maxilar e a mandíbula se vão atrofiando. A sua utilização ao longo de vários anos contribui para uma insatisfação crónica do paciente”.

Situação que se pode evitar “fomentando uma cultura preventiva junto do paciente. A realização de consultas de higiene oral e ou visita ao  médico sentista, com uma periodicidade variável consoante o perfil e os fatores de risco do paciente, devem permitir um diagnóstico precoce e tratamento de lesões de cárie dentária e ou da doença periodontal”.

No máximo, reforça o médico, “estas consultas deverão ocorrer de seis em seis meses”, mesmo que não existam queixas. 

Especialista alerta para risco que correm sorrisos nacionais

Futuro dos sorrisos nacionais pode estar em risco

Por | Saúde Oral

Há quem lhe chame espelho da alma, mas o sorriso é hoje um verdadeiro cartão-de-visita, capaz de abrir portas na vida pessoal e profissional. Ainda que, de uma forma geral, os portugueses estejam mais conscientes da importância de um sorriso bonito, João Paulo Tondela, médico dentista do grupo Best Quality Dental Centers (BQDC), salienta que “27% dos portugueses nunca visitaram esta especialidade ou o fizeram apenas em urgência e 41,3%  e não o fazem há mais de um ano”.

A propósito do Dia Mundial do Sorriso, que se assinala esta sexta-feira (dia 5), o especialista considera que “a saúde oral dos portugueses tem melhorado”. Mas teme pelo futuro.

“Apenas 32% da população apresentava dentição completa em 2017 e, se considerarmos que 60% das crianças com seis anos nunca consultou o médico dentista, o futuro não deverá trazer uma realidade muito diferente.”

Redução da capacidade de mastigar

A ausência de cuidados é, de resto, bem visível e com consequências. “Atualmente, 68% da população tem falta de dentes e 30% destes têm falta de seis ou mais dentes, o que se traduz numa diminuição significativa da qualidade da mastigação”, explica o médico.

“Apenas cerca de metade destes desdentados procurou reabilitação (tratamento de substituição dos dentes ausentes) e apenas 6,7% o fizeram com recurso a tratamentos fixos, que permitem atingir uma capacidade mastigatória semelhante à dentição natural”, acrescenta.

O que significa que “11% da população portuguesa vive com uma diminuição efetiva da qualidade mastigatória e que 50% apresenta um compromisso mastigatório mais ou menos satisfatoriamente compensado.”

Mas os reflexos dos maus cuidados não se ficam por aqui. De acordo com o especialista, “há uma relação entre algumas patologias sistémicas e a saúde oral, entre a diabetes e a doença periodontal, mas também um aumento do risco em pacientes com patologia cardiovascular e com compromisso da saúde oral”.

A isto juntam-se as alterações nutricionais, uma vez que uma má saúde oral pode “induzir alteração de hábitos alimentares, como aumento da ingestão de dietas moles e açucaradas e consequente risco de obesidade” e o impacto na comunicação e no relacionamento interpessoal. 

Cuidado com os tratamentos estéticos

Tendo em conta a definição de saúde da Organização Mundial de Saúde, que inclui o bem-estar físico, psíquico e social do indivíduo, “é óbvio que uma boa saúde oral é também reflexo e reflete uma boa saúde”. Por isso, não só o sorriso “traduz um estado anímico positivo, de confiança e otimismo, como também estimula o bem-estar, ao induzir alterações endócrinas. Sorrir é bom e sorrir faz bem!”, refere João Paulo Tondela.

O que justifica o aumento da procura de tratamentos estéticos. Mas, aqui, o especialista deixa um alerta: “a recuperação funcional e estética do sorriso é apenas o primeiro passo de uma caminhada que os pacientes devem compreender desde o início: nada poderá ser feito, alcançado ou mantido sem o seu compromisso e empenho”.

O que significa que a aposta não pode ser apenas no lado da cosmética. “Com os tratamentos cosméticos há a possibilidade de apenas camuflar o problema, mantendo o compromisso funcional muitas vezes subjacente e que mais tarde sobressairá”. Por isso, o médico dentista chama a atenção para “tratamentos aparentemente fáceis e pouco invasivos, como alguns tratamentos protéticos, que garantem resultados rápidos e imediatos, mas assentam apenas no tratamento da parte estética visível com recurso a técnicas irreversíveis para a estrutura dentária.”

Receita para um sorriso bonito

A receita para um sorriso bonito e saudável continua a ser a mesma: a prevenção. “Um sorriso bonito adquire-se e começa a preservar-se em criança e com corretos tratamentos de manutenção, de ortodoncia intercetiva e corretiva”, explica o especialista.

“Os tratamentos restauradores e reabilitadores protéticos (reparação e substituição de dentes) a ocorrer em idade adulta devem merecer o mesmo empenho e dedicação, com o foco centrado na motivação e instrução de uma correta e eficaz higiene oral”, acrescenta.

E, claro, “as visitas regulares ao médico dentista são essenciais para adquirir e preservar estes sorrisos… temos que semear para colher, mas quem semeia ventos colhe tempestades.”

Impacto da saúde oral no coração

Má saúde oral pode originar problemas no coração

Por | Saúde Oral

O que é que a saúde oral tem a ver com o coração? Muito, garantem os especialistas que, nas vésperas do Dia Mundial do Coração, que se assinala no próximo dia 29, deixam o alerta: cuide da boca para melhorar a saúde do coração.

Ricardo Faria Almeida, médico dentista da Associação Best Quality Dental Centers (BQDC), explica que a patologia cardíaca mais comum que advém da falta de saúde oral é a endocardite bacteriana, uma doença sistémica que afeta as válvulas cardíacas.

“Os pacientes que já sofrem determinada patologia cardíaca e que não cuidam da sua saúde oral apresentam elevado risco de desenvolver endocardites bacterianas por contaminação de bactérias através do sangue”, refere.

A esta junta-se outra, resultante “da perpetuação de infeções e inflamações crónicas na cavidade oral”, que é a ativação endotelial vascular.

No entanto, são vários estudos que associam a doença periodontal e as doenças cardiovasculares no geral, devido aos “níveis de marcadores pró-inflamatórios, reconhecidos indicadores de risco para estas doenças”, principalmente na doença coronária, “onde já se observou, em amostragem, um aumento de 25% no risco de doença coronária em pacientes com periodontite”.

Cuidar da boca para prevenir problemas no coração

De acordo com o especialista, “o corpo humano é um todo e a saúde deve ser entendida como a necessidade de cuidar esse todo, não somente os órgãos vitais”.

“Devemos, por isso, e no que à saúde oral diz respeito, consultar o médico dentista não com o objetivo único de tratar mas também de prevenir e evitar a necessidade de tratamento, porque se o fizermos evitamos seguramente males maiores, quer sejam cardiovasculares ou outros.”

dentistas nos centros de saúde

Todos os agrupamentos de centros de saúde vão ter dentista

Por | Saúde Oral

Chama-se ‘Saúde Oral Para Todos’ e dá nome a um evento que, esta terça-feira, resultou na assinatura de protocolos de colaboração entre 65 municípios e as cinco Administrações Regionais de Saúde (ARS), para permitir mais médicos dentistas nos cuidados de saúde primários.

A meta tinha sido definida pelo Governo que, no seu Programa para a Saúde, estabelecia a criação de pelo menos um gabinete de saúde oral por agrupamento de centros de saúde até ao fim desta legislatura.

Em 2016 tiveram início as experiências-piloto, em 13 centros de saúde, replicadas depois noutras regiões. Hoje, contam-se já 63 gabinetes de saúde oral nos cuidados de saúde primários de norte a sul do País.

Foi na sequência desta experiência e como resultado da mesma que, de olhos postos na importância da saúde oral, essencial para o bem-estar físico, mental e social das populações, o Ministério da Saúde decidiu ir mais longe. Agora, quer aumentar e melhorar a cobertura dos cuidados de saúde oral ao nível dos cuidados de saúde primários.

Rácio médico/doente a descer

De acordo com os dados da Ordem dos Médicos Dentistas, Portugal atingiu no ano passado um rácio de um médico dentista por 1.033 habitantes, praticamente o dobro da recomendação da Organização Mundial de Saúde – um médico dentista por 2.000 habitantes.

Em termos relativos, e tendo em conta o número de profissionais inscritos naquela organização, é no Baixo Alentejo e no Alentejo Litoral que se encontram menos médicos dentistas ativos por habitante.

No reverso da medalha, com um menor rácio de número de habitantes por médico dentista estão a Área Metropolitana do Porto, Região de Coimbra, Viseu Dão-Lafões, Terras de Trás-os-Montes, Cávado e Área Metropolitana de Lisboa, que ultrapassam mesmo a média nacional.

Desta forma, a Ordem considera que, tendo em conta o número previsto de médicos dentistas ativos em Portugal e a diminuição do número de habitantes em território português, a partir do próximo ano, exista um médico dentista para menos de 1.000 habitantes.

cuidados nas férias com a saúde oral

O risco e os perigos de dar férias à saúde oral

Por | Saúde Oral

Verão é sinónimo de férias, de descanso, de dias de lazer. E ainda que se mudem as rotinas, não se devem descurar os cuidados no que à saúde oral diz respeito. O melhor é seguir o conselho de João Carlos Ramos, médico dentista da Associação Best Quality Dental Centers (BQDC): “não dê férias à sua saúde oral”.

O especialista explica porquê: “a alteração sazonal de hábitos alimentares ou lúdicos pode iniciar ou agravar alguns sinais e sintomas de determinadas patologias”. E a última coisa que se quer é ir de urgência ao dentista. 

Tudo começa com os hábitos alimentares. “O maior consumo de refrigerantes ácidos açucarados, de gelados, de saladas temperadas com vinagre ou limão, de mais frutas e sumos naturais, muitos deles acídicos, de bebidas isotónicas energéticas, muitas vezes associadas à prática desportiva, ou até mesmo de determinados cocktails em momentos sociais, pode ser lesivo e criar condições para o aparecimento ou agravamento de problemas dentários”, refere o especialista.

Um destes problemas é a “erosão (corrosão) dentária, desgaste provocado por causas químicas internas e/ou externas, que é um dos problemas dentários mais comuns e muitas vezes subdiagnosticado”, com qualquer coisa como “quase 30% da população adulta europeia a sofrer de desgaste dentário (esta prevalência tem vindo a aumentar e pode até assumir valores mais significativos em determinados escalões etários)”.

Isto porque, refere o médico, “a ingestão de alimentos e bebidas acídicas provocam uma desmineralização dos tecidos duros dos dentes (nomeadamente do esmalte, mas também do cemento e dentina, quando expostos), com diminuição da sua resistência e dureza, criando condições para a sua perda progressiva”.

Para evitar que isto aconteça, não tem de abdicar do divertimento em férias, mas tentar reforçar os cuidados: “reduzir a exposição aos fatores etiológicos, aumentar a resistência dos tecidos dentários à desmineralização e reduzir o desgaste mecânico provocado pela escovagem, mastigação ou mesmo hábitos parafuncionais como ‘apertar os dentes’ ou roer as unhas, por ex.”.

O que fazer para proteger a saúde oral

Se tem alguns dos sintomas ou doença acima descritos, “deve evitar este tipo de alimentos e bebidas, ou pelo menos minimizar o seu consumo e os seus efeitos”, explica João Ramos, que para isso deixa outros conselhos.

“Por exemplo, quando consome bebidas acídicas, como um simples sumo de laranja ou limonada, deve fazê-lo com recurso a uma ‘palhinha’, o que só por si reduz o contacto e o efeito na superfície dentária”.

Durante o exercício físico, se consumir bebidas acídicas, “deve terminar com um golo ou dois de água simples, que deve manter na boca durante alguns segundos”.

A estes cuidados juntam-se outros como evitar “escovar os dentes de imediato, pois aumenta-se o risco de desgastar os tecidos dentários por abrasão mecânica da escova e da pasta. Deve-se esperar que a saliva neutralize e remineralize, se possível, os tecidos desmineralizados superficialmente (pelo menos 30 minutos). Por outro lado, pacientes de elevado risco de erosão e desgaste dentário podem usar escovas e pastas menos abrasivas e com maior concentração de flúor”.

Escovar os dentes, mesmo fora de casa

Para quem tem por hábito trocar a comida caseira pela ida ao restaurante, este não deve ser um motivo para deixar a higiene oral em casa. “Pelo contrário”, reforça o médico dentista.

“Podem socorrer-se de kits de viagem mais pequenos, podem também mastigar uma pastilha elástica neutra e sem açúcar (ou até mesmo contendo fosfato de cálcio) durante alguns minutos, que promove alguma limpeza mecânica e estimula a secreção salivar e/ou até efetuar bochechos com elixires apropriados (fluoretados). Importa referir que nenhum destes procedimentos complementares substitui a correta escovagem e passagem do fio dentário.”

Fundamental é ainda, antes da ida para férias, agendar uma consulta com o dentista, para “todos os pacientes e mormente para aqueles que já possuem os problemas diagnosticados”.

dieta ajuda a melhorar gengivite

Dieta saudável reduz a gengivite em quatro semanas

Por | Saúde Oral

Bastam quatro semanas de uma dieta saudável para reduzir significativamente a gengivite, revela um estudo apresentado no EuroPerio9, o congresso mundial de periodontologia e implantodontia.

Definido como uma inflamação das gengivas, resultante sobretudo da acumulação de bactérias nos espaços entre as gengivas e os dentes, este é um problema comum, cujos principais sintomas são o sangramento, inchaço e dificuldade em mastigar. E que, se não for tratado, pode levar a uma situação mais grave e complexa (periodontite).

Johan Wölber, investigador do Centro de Medicina Dentária do University Medical Center Freiburg, na Alemanha e autor principal do estudo, explica que este trabalho dividiu um grupo de doentes: de um lado os que seguiam uma dieta especial com redução de hidratos de carbono e proteínas animais, mas rica em ácidos gordos ómega 3, vitaminas C e D, antioxidantes, nitratos e fibras vegetais; do outro os que nada fizeram.

“Estes continuaram a ter uma dieta ocidental comum, rica em hidratos de carbono e ácidos gordos saturados e pobre em micronutrientes. Pedimos a ambos os grupos para não fazerem a limpeza entre os dentes durante o estudo e avaliamos os parâmetros clínicos periodontais e inflamatórios no início e após quatro semanas”, refere.

Conselhos para uma vida mais saudável

Foi com surpresa que os especialistas verificaram serem apenas necessárias quatro semanas de uma dieta saudável para que se reduzisse de forma substancial a inflamação das gengivas. “No geral, encontramos uma redução da gengivite em cerca de 40%”, acrescenta o investigador.

“Parece claro que uma dieta ocidental impulsiona a inflamação. Este estudo mostra que uma mudança na dieta é boa para os doentes com gengivite, mas também pode ser favorável para doentes com periodontite.”

E o que é isto de uma dieta ideal? É aquela onde se reduzem os hidratos de carbono processados, como açúcar ou farinha branca e as gorduras saturadas e aumentam os micronutrientes das plantas, vitamina D, ácidos gordos ómega-3, fibras e plantas. 

“Devido ao baixo teor de hidratos de carbono, essa é uma dieta que também ajuda a prevenir cáries e a promove a perda de peso. Por isso, os profissionais de saúde oral devem sentir-se confiantes ao recomendar uma dieta saudável aos seus doentes, da mesma forma que promovem a higiene oral, pois beneficiará tanto esta como a saúde geral.”