Nova forma de administrar insulina

Nova cápsula pode vir a substituir injeções de insulina

Por | Investigação & Inovação

E se, em vez das injeções de insulina que têm de levar todos os dias, os doentes com diabetes tipo 1 pudessem fazer a medicação de forma oral? Uma equipa de investigadores liderada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) criou uma cápsula que pode vir a tornar esta hipótese uma realidade.

Crédito: Felice Frankel

Do tamanho de um mirtilo, a cápsula contém uma pequena agulha feita de insulina comprimida, injetada depois desta chegar ao estômago. Nos testes feitos em animais, os investigadores revelaram que pode fornecer insulina suficiente para baixar o açúcar no sangue em níveis comparáveis ​​aos que são conseguidos pelas injeções dadas através da pele.

Também demonstraram que o dispositivo pode ser adaptado para fornecer outro tipo de medicação.

“Estamos realmente esperançosos que este novo tipo de cápsula possa, algum dia, ajudar os doentes com diabetes e talvez aqueles que precisem de terapêuticas que agora só podem ser administradas por injeção ou infusão”, afirma Robert Langer, membro do MIT. 

Uma agulha que injeta a insulina no estômago

Há alguns anos, Robert Langer e os colegas desenvolveram uma pílula, revestida com pequenas agulhas, que poderia ser usada para injetar medicação no revestimento do estômago ou do intestino delgado.

Esta nova cápsula é uma reformulação dessa ideia, sendo que, aqui, os investigadores alteraram o desenho, para que existisse apenas uma agulha, cuja ponta é feita de insulina 100% comprimida e liofilizada e cujo eixo, que não entra na parede do estômago, é feito de outro material biodegradável.

Dentro da cápsula, a agulha é presa a uma mola comprimida, mantida no lugar por um disco feito de açúcar. Quando a cápsula é engolida, a água no estômago dissolve o disco de açúcar, libertando a mola e injetando a agulha na parede do estômago.

Parede esta que, por não tem recetores de dor, os investigadores acreditam que os doentes não serão capazes de sentir a injeção.

Uma vez injetada, a insulina dissolve-se a um ritmo que pode ser controlado pelos investigadores. Neste estudo, demorou cerca de uma hora para que toda a insulina fosse totalmente libertada na corrente sanguínea.

Depois de libertar o seu conteúdo, a cápsula pode passar inofensivamente pelo sistema digestivo. 

Utilidade para outras doenças

Maria José Alonso, professora de biofarmacêutica e tecnologia farmacêutica da Universidade de Santiago de Compostela, em Espanha, descreve a nova cápsula como uma “tecnologia radicalmente nova”, capaz de beneficiar muitos doentes.

“Não estamos a falar de melhorias incrementais na absorção de insulina, que é o que a maioria dos investigadores no campo tem feito até agora”, refere.

“Esta é de longe a mais inovadora e impactante tecnologia inovadora divulgada até agora para a entrega de peptídeos orais.”

A equipa do MIT vai continuar o trabalho, até porque acredita que este tipo de medicamento pode ser útil para qualquer medicação proteica que necessite de ser injetada, como é o caso dos imunossupressores usados ​​para tratar a artrite reumatoide ou a doença inflamatória intestinal. 

“A nossa motivação é tornar mais fácil para os doentes tomarem medicamentos, especialmente medicamentos que requerem uma injeção”, diz Traverso. “O clássico é a insulina, mas existem muitos outros.”

ressaca com vinho e cerveja

Cerveja antes do vinho ou vice-versa: qual evita a ressaca?

Por | Investigação & Inovação

Beber cerveja antes do vinho ou vice-versa: qual é a receita para evitar a ressaca? É a ciência que dá a resposta, que promete não agradar a quem bebe: não importa a ordem. O que importa é que, se beber demais, vai sentir-se mal. 

Muitos são as que o sentem, aquele momento em que se percebe, da pior forma, que se devia ter bebida menos. Conhecida como ressaca, trata-se de uma resposta do organismo que pode reduzir a produtividade, prejudicar o desempenho, seja no trabalho ou nas aulas, e ser mesmo um risco para a realização de tarefas diárias, como conduzir ou operar máquinas pesadas.

Os seus sintomas surgem quando as concentrações de álcool no sangue acima do normal caem para zero. E, ainda que generalizado, cientificamente falando este fenómeno não é completamente compreendido, embora se acredite que as suas causas subjacentes incluam a desidratação, a resposta imunitário e distúrbios do metabolismo, assim como as hormonas.

Um olhar científica sobre as bebidas

Uma cura eficaz não existe, apesar das promessas em forma de receitas populares, que incluem um conselho: beber cerveja antes de vinho não causa ressaca.

Foi esta afirmação, presente em diferentes culturas, que motivou a investigação de um grupo de especialistas da Universidade Witten/Herdecke, na Alemanha, e Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que avaliou cientificamente se esta sabedoria consagrada pelo tempo realmente reduz ou não a ressaca.

Os resultados são publicados no American Journal of Clinical Nutrition, em forma de estudo, que contou com a participação de 90 voluntários com idade entre 19 e 40 anos, divididos em três grupos.

O primeiro consumiu cerca de dois litros e meio de cerveja, seguido de quatro grandes copos de vinho.

O segundo consumiu as mesmas quantidades de álcool, mas na ordem inversa.

O terceiro, que serviu de controlo, consumiu apenas cerveja ou vinho e nunca os dois.

Resultados contrariam crença popular

Questionados sobre o seu bem-estar em intervalos regulares, os participantes foram ainda solicitados a avaliar o seu nível percebido de embriaguez numa de 0 e 10. Antes da hora de dormir, todos receberam uma quantidade individualizada de água refrigerada adaptada ao seu peso corporal e todos foram mantidos sob supervisão médica durante a noite.

No dia seguinte, foram questionados sobre a sua ressaca e receberam uma pontuação de 0-56, com base em fatores como sede, fadiga, dor de cabeça, tonturas, náuseas, dor de estômago, frequência cardíaca aumentada e perda de apetite.

Resultado: nenhum dos três grupos tinha uma pontuação de ressaca significativamente diferente, ainda que as mulheres tendessem a ter uma ressaca pior que a dos homens.

Moral da história

“Não encontramos nenhuma verdade na ideia de que beber cerveja antes de vinho dá uma ressaca mais branda do que o contrário”, diz o primeiro autor do estudo, Jöran Köchling.

“A verdade é que beber muito, seja qual for a bebida alcoólica, pode ter como resultado a ressaca. A única forma confiável de prever o quanto se vai sentir infeliz no dia seguinte é a quantidade do que bebe e se está doente. Todos deveríamos prestar atenção a estas bandeiras vermelhas ao beber.”

Kai Hensel, investigador sénior da Universidade de Cambridge e outro dos autores do estudo, acrescenta que, “por mais desagradáveis ​​que sejam as ressacas, devemos lembrar que estas têm um benefício importante: são um sinal de alerta e certamente ajudaram os humanos ao longo dos tempos a mudar o seu comportamento futuro. Por outras palavras, podem ajudar-nos a aprender com os nossos erros”.

crise económica fez reduzir a mortalidade

Mortalidade na Europa caiu durante a crise económica de 2008

Por | Investigação & Inovação

A taxa de mortalidade na Europa tem vindo a cair, fruto de muitos e diferentes fatores. Mas o que aconteceu durante a crise económica? Houve alterações nesta tendência? De acordo com um novo estudo, não só se manteve esta redução, como ainda se acentuou.

Relaizado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) e publicado na revista Nature Communications, o trabalho tinha como objetivo descobrir se a tendência de queda da mortalidade europeia acelerou durante os períodos de crise económica.

Para isso, os pesquisadores analisaram os dados sobre a mortalidade diária e as variações registadas no Produto Interno Bruto (PIB) per capita em 140 regiões de 15 países europeus, entre os quais Portugal, para o período de 2000 a 2010.

Menos poluição, menos acidentes de trabalho e de trânsito

A análise estatística do conjunto de dados não só mostrou uma aceleração da queda da mortalidade durante o período da crise económica, mas também revelou que os países e regiões onde a recessão foi maior corresponderam àqueles onde a redução foi mais acentuada.

Uma relação que, segundo os especialistas, está associada a vários fatores. “Os períodos de recessão macroeconómica estão associados a reduções nos níveis de poluição, assim como no número de acidentes de trabalho e de trânsito, que são os fatores que provavelmente têm o maior impacto no aumento da queda na mortalidade”, explica Joan Ballester, investigador do ISGlobal e primeiro autor do estudo.

“Há também um menor consumo de álcool e tabaco e uma diminuição no estilo de vida sedentário e obesidade, embora os mecanismos subjacentes ainda não estejam bem estabelecidos. Há estudos que apontam para a influência de fatores como o stress no trabalho”, acrescenta. 

A investigação encontrou uma grande diversidade de casos no contexto europeu. Em Espanha, por exemplo, onde a mortalidade antes da recessão foi reduzida a uma taxa de 2% ao ano, o impacto da crise económica foi profundo, de tal forma que a mortalidade caiu para 3% ao ano.

Na Alemanha, por outro lado, onde a recessão não foi tão grave, a redução da mortalidade passou de uma queda de 2,4% ao ano para apenas 0,7%.

“Deve ser especificado que as recessões em si não são um fator desejável para fomentar um aumento da expectativa de vida. Nesse sentido, devemos tentar garantir que períodos de expansão económica sejam compatíveis com melhor qualidade do ar, menos acidentes e melhores hábitos de vida”, refere Joan Ballester.

envelhecimento do cérebro

O cérebro das mulheres é mais jovem que o dos homens

Por | Investigação & Inovação

Não é preciso recorrer à ciência para perceber que homens e mulheres são diferentes. Mas é esta que se encarrega de confirmar essas diferenças, como aquela que revela que os cérebros dos homens encolhem mais depressa do que os das mulheres.

O passar dos anos não perdoa e isto é real para eles e para elas. O que significa que o metabolismo do cérebro diminui à medida que as pessoas envelhecem, mas não ao mesmo ritmo.

A garantia é dada por um estudo da Escola de Medicina da Universidade de Washington, que descobriu que os cérebros das mulheres parecem ser cerca de três anos mais jovens do que os dos homens da mesma idade cronológica.

Descobertas que pode ajudar a justificar porque é que as mulheres tendem a ser mentalmente mais astutas.

“Estamos apenas a começar a entender como vários fatores relacionados com o sexo podem afetar a trajetória do envelhecimento cerebral e como isso pode influenciar a vulnerabilidade do cérebro a doenças neurodegenerativas”, afirma Manu Goyal, autor principal do estudo e professor de radiologia.

“O metabolismo cerebral pode ajudar a entender algumas das diferenças que vemos entre homens e mulheres à medida que envelhecem.”

Cérebro das mulheres é 3,8 anos mais jovens

O cérebro funciona com açúcar, usado à medida que as pessoas crescem e envelhecem. Enquanto os bebés e as crianças usam uma parte importante deste combustível cerebral no desenvolvimento e maturação do cérebro, o valor vai caindo com a idade, estabilizando-se em quantidades muito baixas quando as pessoas têm 60 anos.

Os investigadores conhecem pouco sobre as diferentes no metabolismo cerebral entre homens e mulheres. Foi para isso que decidiram avaliar 205 pessoas para descobrir como os seus cérebros usam o açúcar.

Os participantes, 121 mulheres e 84 homens, com idades entre os 20 e 82 anos, foram submetidos a vários exames que, com a ajuda de um algoritmo, concluíram que as idades cerebrais das mulheres são, em média, 3,8 anos mais jovens que suas idades cronológicas.

No caso dos homens, as suas idades cerebrais são 2,4 anos superiores às suas idades verdadeiras.

Relação com problemas cognitivos

“A diferença média na idade cerebral calculada entre homens e mulheres é significativa e reproduzível”, refere Goyal. “É mais forte do que muitas diferenças sexuais que foram relatadas, mas não é nem de longe tão grande quanto algumas diferenças de sexo, como a altura”, acrescenta.

A juventude relativa do cérebro das mulheres foi detetável mesmo entre os participantes mais jovens, na faixa dos 20 anos.

“Não é que o cérebro dos homens envelheça mais depressa – eles começam a vida adulta cerca de três anos mais tarde do que as mulheres, e isso persiste ao longo da vida”, refere o especialista.

“O que não sabemos é o que isso significa. Acho que isso pode significar que a razão pela qual as mulheres não sentem tanto declínio cognitivo nos últimos anos é porque os seus cérebros são efetivamente mais jovens, e atualmente estamos a trabalhar num estudo para confirmar isso.”

As mulheres mais velhas tendem a pontuar melhor do que os homens da mesma idade em testes de memória e na resolução de problemas. Agora, os especialistas estão a acompanhar um grupo de adultos para perceber se as pessoas com cérebros mais jovens têm menor probabilidade de desenvolver problemas cognitivos.

novo rastreio para apneia do sono

Novo teste permite rastreio mais rápido da apneia do sono

Por | Investigação & Inovação

Identificar de uma forma mais rápida e simples a apneia do sono, que afeta cerca de um milhão de portugueses, é o que pretende um novo teste, que promete gerar uma poupança de milhares de euros.

É verdadeiramente uma doença que não deixa dormir. A apneia obstrutiva do sono é uma perturbação da respiração, que torna a a hora de ir para a cama mais difícil, uma vez que se caracteriza pelo corte do fluxo respiratório mais de cinco vezes por hora, durante mais de 10 segundos. 

Uma situação que pode ser grave, mas cuja confirmação passa atualmente, entre outros, pela realização de um teste, a polissonografia, exame que visa analisar a qualidade do sono e detetar perturbações, ainda que cerca de 34% das que são feitas por suspeita de apneia do sono tenham um resultado normal. 

Para além de dispendioso, este teste exige a presença de técnicos, implica longas listas de espera e está muito limitado às áreas urbanas, o que dificulta a sua realização.

Ferramenta promete detetar mais de 90% dos casos de apneia do sono

O novo método, a usar na prática clínica, pretende detetar mais de 90% dos casos da doença e evitar que uma em cada cinco pessoas realize a polissonografia, com poupanças de milhares de euros em exames, consultas e recursos humanos. Até porque, segundo os dados disponíveis, cada exame custa cerca de mil euros.

Criado por uma equipa de investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, trata-se de uma ferramenta inovadora, cujo “objetivo é fazer uma triagem, identificando as pessoas que provavelmente sofrem desta doença, dando-lhes prioridade na marcação do exame”, explica Daniela Ferreira Santos, primeira autora do estudo sobre esta novidade, publicado na revista International Journal of Data Science and Analytics, que avaliou cerca de três centenas de doentes. 

“Da mesma forma, podemos evitar que muitas pessoas façam este exame desnecessariamente.”

A ferramenta online, que integra uma tabela de risco e um modelo gráfico, pode ser usada a partir de agora pelos médicos, entre os quais os médicos de família nos Cuidados de Saúde Primários, para calcular automaticamente a probabilidade de alguém sofrer de apneia do sono.

hipertensão na gravidez

Dieta rica em vegetais e peixe reduz risco de hipertensão na gravidez

Por | Investigação & Inovação

Se está grávida, ou se pensa engravidar, a receita para uma gestação saudável é simples: uma alimentação rica em vegetais e peixe. É que, de acordo com um novo estudo, esta está associada a um menor risco de hipertensão, assim como pré-eclâmpsia, um problema a esta associado.

Publicado na revista International Journal of Obstetrics and Gynecology, o estudo confirma que uma dieta rica em batatas, carne, pão branco e gordura aumenta a probabilidade de desenvolver os problemas referidos acima na gravidez.

Uma em cada dez grávidas afetadas

A pressão arterial elevada, conhecida como hipertensão arterial, afeta cerca de uma em cada 10 grávidas. Pode existir antes da gravidez ou desenvolver-se durante a mesma, a hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia, estes problemas que afetam entre duas e oito mulheres em cada 100, surgindo a partir de cerca da 20ª semana de gestação.

Foi para avaliar o papel da alimentação da mãe no risco de pressão alta e pré-eclâmpsia que uma equipa de investigadores realizou um  estudo sobre os hábitos alimentares das grávidas e os riscos associados.

Foram, ao todo, seguidas 55.138 mulheres dinamarquesas, entrevistadas às 12 e 30 semanas de gestação e seis e 18 meses após o parto, tendo também sido convidadas a responder a um questionário que avaliou a ingestão alimentar na 25ª semana de gestação.

De acordo com os resultados, uma alimentação rica em vegetais e peixe diminuiu a probabilidade de hipertensão gestacional em 14% e pré-eclâmpsia em 21%.

Já uma dieta rica em batata e carne aumentou o risco de hipertensão gestacional em 18% e o de pré-eclâmpsia em 40%.

“As nossas descobertas reforçam a importância de se ter uma dieta saudável e balanceada, rica em vegetais e peixes e de se cortar nos alimentos processados ​​sempre que possível. Isso ajudará a reduzir o risco de uma mulher desenvolver hipertensão e pré-eclâmpsia durante a gravidez”, explica Emmanuella Ikem, autora do estudo e investigadora na Faculdade de Medicina da Universidade de Bristol. 

As vantagens de uma alimentação saudável

Atualmente, aconselha-se a ingestão de pelo menos cinco porções de frutas e vegetais diferentes todos os dias, em vez de alimentos ricos em gordura.

É geralmente seguro consumir peixe durante a gravidez – não mais de duas porções de peixe oleoso, como cavala ou salmão, por semana e não mais do que dois filetes de atum fresco ou quatro latas de atum de tamanho médio por semana. 

Pat O’Brien, obstetra e porta-voz do Royal College of Obstetricians and Gynecologists, reforça que “a hipertensão arterial e a pré-eclâmpsia podem resultar em complicações prejudiciais para a mãe e o bebé. São problemas que devem ser geridos com medicamentos e monitorizados de perto pelos profissionais de saúde durante a gravidez e o parto”.

“Estas últimas descobertas são encorajadoras, pois revelam que há passos adicionais que uma mulher pode dar para reduzir o risco destas doenças, ao comer de forma saudável.”

O que comer e o que evitar

De acordo com o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, as grávidas devem:

 

no caminho de novos antibióticos

Descobertas nacionais abrem porta ao desenho de novos antibióticos

Por | Investigação & Inovação

Cientistas nacionais identificaram novos alvos para combater um tipo de bactérias (micobactérias) atípicas responsáveis por infeções pulmonares graves, um passo importante na luta contra as doenças causadas por estes agentes, extremamente resistentes a condições ambientais adversas, a desinfetantes e à maioria dos antibióticos, e cada vez mais frequentes em pessoas com sistema imunitário enfraquecido, incluindo doentes crónicos ou idosos.

Investigadores do Centro de Neurociências (CNC) e Biologia Celular da Universidade de Coimbra e do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S/IBMC) da Universidade do Porto, com a participação de um grupo do Instituto de Tecnologia Química Biológica da Universidade Nova de Lisboa, uniram os seus esforços para uma descoberta, publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences of the USA.

Um trabalho de cinco anos, que passou por compreender como estas bactérias constroem uma parede protetora única que, segundo Nuno Empadinhas, investigador do CNC, “poderá ser a chave para a conseguir “derrubar””.

No caminho do desenho de novos antibióticos

Passos importantes, confirmam os especialistas, que podem ser fundamentais para o futuro desenho de antibióticos de alta precisão. 

“Todos estes passos em sincronia foram determinantes, não só porque nos permitiram conhecer a um nível fundamental um pouco mais da fisiologia destas micobactérias ambientais, mas também porque fornecem plataformas eventualmente únicas para o desenvolvimento futuro de estratégias antimicobacterianas mais eficientes do que as que existem atualmente”, acrescenta Nuno Empadinhas.

“Este é um claro exemplo de como os esforços coordenados das várias equipas envolvidas alcançaram um resultado que dificilmente estaria acessível a qualquer delas individualmente”, reforça Pedro Pereira, investigador principal do i3S/IBMC.

Ou seja, “um mapa molecular único e detalhado deste importante processo biológico, que não só serve de ponto de partida para o nosso trabalho futuro nesta área como esperamos venha a facilitar futuramente o combate às infeções causadas por micobactérias atípicas”.

minimizar a osteoartrite do joelho

Projeto de implantes para o joelho, liderado por grupo nacional, recebe 5,5 milhões

Por | Investigação & Inovação

A osteoartrite é o distúrbio articular mais comum e a principal causa de incapacidade nos idosos, afetando, em todo o mundo, qualquer coisa como 242 milhões de pessoas. É para atrasar o seu aparecimento ou mesmo diminui-lo que estão a trabalhar especialistas de vários países, um trabalho liderado por uma equipa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto – i3S, e que agora recebeu um financiamento de 5,5 milhões de euros.

Regenerar a cartilagem, afetada por este problema, é o que 10 instituições de sete países pretendem, no âmbito de um projeto, o RESTORE, que visa criar matrizes 3D com nanomateriais inteligentes para reparar defeitos de cartilagem do joelho.

Ao site de notícias da Universidade do Porto, Meriem Lamghari, investigadora do i3S que lidera o consórcio europeu, explica que estas matrizes “são desenhadas para serem implantadas à medida e preencherem o espaço do defeito e responder às forças mecânicas da articulação do joelho”.

A isto juntam-se as “nanopartículas inteligentes com propriedades regeneradoras, anti-inflamatórias e antimicrobianas, que têm propriedades regeneradoras e podem ser ativadas remotamente, sem métodos invasivos, sempre que for necessário”.

Para isso, será também desenvolvida uma joelheira “equipada com sensores capazes de ativar as nanopartículas que se encontram na matriz implantada”.

Cerca de um milhão para o i3S

Dos 5,5 milhões de financiamento, cerca de um milhão de euros irá para a equipa do i3S, que vai trabalhar na “produção das nanopartículas para libertação de fármacos, testar a sua segurança e eficácia, incorporá-las nas matrizes e voltar a testar a funcionalidade”.

Um trabalho que será desenvolvido ao longo dos próximos 44 meses, com a participação de parceiros de Espanha, Itália, Alemanha, Islândia, Noruega, Suécia e Finlândia, em articulação com outro projeto europeu, o MIRACLE, centrado no diagnóstico da degradação da articulação do joelho. 

gordura abdominal e cérebro

Mais barriga, menos cérebro

Por | Investigação & Inovação

Mais barriga, menos cérebro e isto literalmente. De acordo com um estudo recente, a gordura abdominal, que a ciência concluiu ser prejudicial à saúde, está associada ao cérebro, ou melhor, ao encolhimento do mesmo.

Especialistas da Universidade de Loughborough, no Reino Unido, confirmaram isso mesmo, que as pessoas que apresentavam mais gordura acumulada na zona abdominal, aquela que tem sido associada a um risco superior de doenças cardiovasculares ou diabetes do tipo 2, apresentavam menores volumes cerebrais.

A avaliação de 9.652, pessoas com idade média de 55 anos, entrevistadas e examinadas, a quem foi medido o índice de massa corporal (IMC) e o rácio cintura-anca, que permitiu concluir que 19% eram obesos. A esta análise juntaram-se imagens de ressonâncias magnéticas, que mediram os volumes da massa branca e cinzenta.

Depois de ajustados os dados para outros fatores que podem contribuir para uma redução do volume cerebral, como a idade, a atividade física, o tabagismo e a pressão arterial elevada, os investigadores descobriram que um índice de massa corporal elevado estava associado a volumes cerebrais ligeiramente mais baixos, ou seja, menos massa cinzenta.

O que surgiu primeiro? 

Obtidos os resultados, fica a questão: foi a gordura abdominal que contribuiu para a redução do cérebro ou foi a redução do cérebro que facilitou a obesidade?

Esta é uma questão que fica por resolver. “Embora o nosso estudo tenha descoberto que a obesidade está associada a volumes mais baixos da substância cinzenta, não está claro se estas anormalidades na estrutura do cérebro leva à obesidade ou se é a obesidade que leva a estas alterações no cérebro”, explica Mark Hamer, professor na Universidade de Loughborough.

Embora a massa cinzenta esteja envolvida no processo de recompensa e em certos aspetos do controlo do comportamento, estes dados não permitem perceber se a gordura corporal é um fator determinante das mudanças encontradas na massa cinzenta ou se é o resultado delas.

Vão ser precisos mais estudos, garante. Mas talvez venha a ser possível que, “uma medição regular do IMC ajude a determinar a saúde cerebral”.

canábis está mais perigosa

Estudo alerta para aumento do risco do consumo de canábis na Europa

Por | Investigação & Inovação

A canábis disponível na Europa está mais forte e mais perigosa, revela um estudo europeu, que alerta para a necessidade de maior controlo sobre esta substância.

O trabalho, publicado na revista Addiction e realizado por investigadores da Universidade de Bath e King’s College London com base nos dados de 28 Estados-Membros da União Europeia, Noruega e Turquia, recolhidos em pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, confirma que a resina (haxixe) e a canábis em erva aumentaram significativamente em termos de potência e preço.

No caso da canábis em erva, as concentrações de THC, o principal componente psicoativo da canábis, têm aumentado de forma regular anualmente, passando de 5% em 2006 para 10% em 2016.

Para a resina (ou haxixe), as concentrações de THC permaneceram relativamente estáveis até 2011, tendo depois aumentado rapidamente entre 2011 e 2016, passando de 10% para 17%.

O preço, esse também aumentou.

Substância tem vindo a tornar-se mais prejudicial

Segundo Tom Freeman, principal autor do estudo e investigador do Addiction and Mental Health Group do Departamento de Psicologia da Universidade de Bath, “estas descobertas revelam que a resina de canábis mudou rapidamente em toda a Europa, tornando-se num produto mais potente e de maior valor”.

Ao contrário do que acontece com canábis em erva, o haxixe contém canabidiol (CBD), que tem sido alvo de grande interesse devido ao seu potencial para tratar vários problemas de saúde, desde epilepsia, psicose ou ansiedade.

Quando se encontra presente na canábis, pode compensar alguns dos efeitos nocivos do THC, como a paranóia e o comprometimento da memória.

De resto, a ciência já demonstrou que canábis com níveis mais elevados de THC e/ou níveis mais baixos de CBD tem sido associada a danos maiores a longo prazo, como o desenvolvimento de dependência e um risco aumentado de doença psicótica.

No entanto, as novas técnicas de produção de resinas em Marrocos e na Europa fizeram aumentar os níveis de THC, mas não de CBD.

“O CBD tem o potencial de tornar esta substância mais segura, sem limitar os efeitos positivos que os utilizadores procuram. O que estamos a ver na Europa é um aumento no THC e níveis estáveis ​​ou decrescentes de CBD, tornando a canábis mais prejudicial”, alerta Tom Freeman.

“Estas mudanças no mercado ilícito estão escondidas da investigação científica e são difíceis de responder pelos formuladores de políticas. Uma opção alternativa poderia ser tentar controlar o conteúdo de THC e CBD através de regulamentação.”

Estima-se que 24 milhões dos (7,2%) adultos europeus consumiram canábis em 2017, valor que chega, a nível mundial, aos 192 milhões.