volante previne acidentes

Volante criado em Aveiro alerta condutores em caso de fadiga

Por | Investigação & Inovação

É um dos motivos para os acidentes rodoviários e é para contrariar os números que identificam o cansaço do condutor como um dos responsáveis por um em cada cinco acidentes que uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro desenvolveu uma capa para volante, que alerta para a necessidade de parar e descansar.

Como? É a tecnologia que o permite, aquela que torna possível integrar dispositivos eletrónicos nas fibras têxteis mantendo o espeto, a flexibilidade e o toque do tecido. É também ela que torna possível medir, nas mãos dos condutores durante qualquer viagem, a resposta galvânica da pele.

O mesmo é dizer, os sensores registam a condutividade elétrica da pele, uma propriedade que funciona como um indicador do estado psicológico e fisiológico dos indivíduos, permitindo identificar alterações na condutividade e relaciona-las com padrões de comportamento humano.

Alerta enviado para o condutor

É no CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro, uma das unidades de investigação das Universidade de Aveiro, que os sinais são analisados, em tempo real, por um algoritmo desenvolvido no Instituto Superior Técnico e no Instituto de Telecomunicações, no polo de Lisboa.

Este, ao analisar os dados, reconhece, através do volante, sinais associados à fadiga. Havendo cansaço, o sistema envia um alerta para o telemóvel ou para o smartwatch do condutor.

Em comunicado, a investigadora Helena Alves refere que “o protótipo transmite os dados via bluetooth, o que permite a emissão de notificações, por exemplo, para um telemóvel ou smartwatch”.

A coordenadora do projeto antevê que, num futuro próximo, “será possível convergir para cenários em que o sistema está ligado diretamente ao veículo e é o próprio computador de bordo a apresentar as notificações ou a alterar o comportamento do mesmo”.

medicamentos no fundo do mar

Fundo do mar esconde possíveis soluções contra a obesidade

Por | Investigação & Inovação

Sejam algas ou cianobactérias, as chamadas algas azuis que se desenvolvem em águas doces superficiais, estuários ou no mar, são vários os organismos marinhos capazes de produzir substâncias que podem ajudar a tratar doenças. Agora, um grupo da Universidade do Porto descobriu compostos capazes de combater a obesidade.

É um artigo científico publicado na revista na revista Marine Drugs que o explica. Realizado no âmbito do projeto CYANOBESITY, a investigação está a cargo do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR-UP) e dá conta da identificação de dois derivados da clorofila nas cianobactérias marinhas, que mostraram ter capacidade de reduzir os lípidos neutros, como é o caso dos triglicéridos.

Um desses compostos, o hydroxy-pheophytin a, não é desconhecido da comunidade científica, mas o segundo, o hydroxy-pheofarnesin a, surge como uma novidade.

Tesouros escondidos no mar

Testados pelos investigadores do CIIMAR-UP, foi comprovada a capacidade de ambos para a redução dos lípidos neutros em larvas de peixe-zebra, o que revelou efeitos em todo o organismo, sem toxicidade detetada nas doses administradas. Para além, confirmou-se a atividade em células que armazenam gordura de ratinhos.

Dos dois compostos, o hydroxy-pheophytin foi o que deu mostras de ter a maior atividade, tendo sido estudada a sua presença em diversos produtos aprovados para consumo humano, como é o caso da spirulina, o que pode vir a dar origem a nutracêuticos ou alimentos funcionais com capacidade anti-obesidade.

O estudo, de olhos postos no mar, tem a duração de três anos, envolve um consórcio de quatro países: Portugal, Suécia, Alemanha e Islândia e é cofinanciado pela Fundação da Ciência e Tecnologia.

Jantar tarde e evitar o pequeno-almoço, uma combinação que pode ser fatal

Por | Investigação & Inovação

As pessoas que não tomam o pequeno-almoço e que jantam perto da hora de deitar têm piores resultados depois de um enfarte, conclui um novo estudo, que confirma que estes dois hábitos alimentares aumentam quatro a cinco vezes o risco de morte, outro enfarte ou angina (dor no peito) 30 dias após a alta hospitalar.

Publicado no European Journal of Preventive Cardiology, uma revista da Sociedade Europeia de Cardiologia, o estudo é o primeiro a avaliar estes comportamentos não saudáveis ​​em doentes com síndromes coronárias agudas, envolvendo pessoas que tinham sofrido uma forma particularmente grave de enfarte, denominado enfarte agudo do miocárdio, com supradesnivelamento do segmento ST (STEMI).

“Um em cada 10 doentes com STEMI morre no decorrer de um ano e a nutrição é uma forma relativamente barata e fácil de melhorar o prognóstico”, explica Marcos Minicucci, da Universidade do Estado de São Paulo, Brasil, autor do estudo.

Comer pelo menos duas horas antes de deitar

Um intervalo mínimo de duas horas entre o jantar e a hora de dormir é o que recomenda o especialista, que acrescenta ainda que “a melhor maneira de viver é tomar um pequeno-almoço digo de um rei”.

O que significa  que do menu devem fazer parte “produtos lácteos (leite, iogurte e queijo sem gordura ou com baixo teor de gordura), um hidrato de carbono (pão integral, cereais) e frutas inteiras. Deve conter 15 a 35% do total de calorias ingeridas diariamente”.

Estudos anteriores já tinham revelado que as pessoas que não tomam o pequeno-almoço e têm um jantar atrasado são mais propensas a ter outros hábitos não saudáveis, como tabagismo e baixos níveis de atividade física.

“A nossa investigação mostra que os dois comportamentos alimentares estão independentemente associados a resultados mais pobres após um enfarte, mas ter um conjunto de maus hábitos só vai piorar as coisas”, refere Minicucci.

“As pessoas que trabalham até tarde podem ser particularmente suscetíveis a um jantar tardio e depois não sentir fome pela manhã. Também achamos que a resposta inflamatória, o stress oxidativo e a função endotelial podem estar envolvidos na associação entre comportamentos alimentares não saudáveis ​​e desfechos cardiovasculares”, acrescenta.

antibióticos programáveis

Um passo mais próximo dos antibióticos desenhados à medida

Por | Investigação & Inovação

Criar uma nova geração de antibióticos muito seletivos, “desenhados à medida” e capazes de evitar as resistências é o objetivo do trabalho de um grupo de investigadores da Universidade Politécnica de Madrid e do Instituto Pasteur, que garante estar próximo de o conseguir.

Os antibióticos são a linha de defesa essencial ao dispor da medicina na luta contra as bactérias. Mas uma das suas maiores desvantagens é que atacam de forma indiscriminada todos os tipos de bactérias, incluindo as benéficas, fomentando as multirresistências.

De resto, e de acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde, estima-se que, até 2050, a resistência aos antibióticos seja responsável por cerca de 10 milhões de mortes anuais.

Publicado na revista Nature Biotechnology, o novo estudo visa projetar um tipo de antibióticos programáveis, adaptados para o ataque apenas das bactérias “más” e prevenção do surgimento de resistências. 

Matar apenas as bactérias más

“Assim como estamos a desenvolver probióticos para regular as bactérias que temos na nossa microbiota intestinal, nós projetamos ‘bactérias sentinela’ programáveis, capazes de detetar e matar apenas as bactérias nocivas sem afetar as boas”, explica Alfonso Rodríguez-Patón, professor do Departamento de Inteligência Artificial da Escola de Engenharia de Computação da Universidade Politécnica de Madrid (UPM) e um dos autores deste trabalho.

Para o conseguir, os investigadores desenvolveram o que chamam de “bomba programável genética”. “O nosso antibiótico, transportado por bactérias sentinela, é uma toxina programada para se ativar e matar somente quando  reconhecer as bactérias más”, acrescenta Rodríguez Paton.

Esta bomba é transmitida pela bactéria sentinela às bactérias vizinhas através de um processo chamado de conjugação. “A conjugação é um mecanismo de transmissão de ADN usado por bactérias”, acrescenta.

Este mecanismo de ativação seletiva pode ser usado para atacar diferentes bactérias resistentes e é possível graças a uma molécula chamada “inteína”, para a qual o Instituto Pasteur solicitou uma patente.

Um trabalho de cinco anos

Testada experimentalmente em organismos vivos, como peixes-zebra e crustáceos infetados com a bactéria aquática da cólera, esta nova geração de antibióticos foi bem-sucedida.

“Conseguimos que o nosso antibiótico eliminasse a cólera resistente aos antibióticos neste peixe infetado e que o resto das bactérias presentes nestes peixes não fossem afetadas e sobrevivessem. Isto é relevante, porque a cólera também afeta mais de um milhão de pessoas por ano e, em casos graves, causa a morte”, refere o especialista.

O trabalho foi realizado por engenheiros, físicos e microbiologistas da UPM e do Instituto Pasteur graças ao projeto de pesquisa europeu PLASWIRES (“PLASmids-asWIRES”), dirigido por Rodríguez-Patón.

“Esta investigação e os resultados que temos alcançado não teriam sido possíveis sem o apoio de um projeto interdisciplinar europeu, que nos permitiu ser muito ambiciosos e enfrentar este novo tipo de antibióticos sabendo que havia uma elevada probabilidade de fracasso”, explica Rodríguez Paton.

“Foram cinco longos anos de trabalho, variações nos desenhos de circuitos genéticos, experiências malsucedidas. Mas no final, graças à tenacidade e trabalho de toda a equipa e especialmente ao grupo do Instituto Pasteur de Paris, conseguimos.”

app para devolver voz

Investigadores nacionais querem dar voz a quem a perdeu

Por | Investigação & Inovação

Seja por afonia temporária ou permanente, doenças oncológicas (cancro da tiroide ou da laringe), esclerose múltipla, Parkinson ou distúrbios psicológicos, como a ansiedade, perder a voz é perder um pedaço de nós. É para ajudar os milhões que, no mundo, são afetados por falta de voz que um grupo de investigadores portugueses pretende criar um sistema inovador para a reconstrução da voz natural.

O projeto DyNaVoiceR já arrancou, reunindo engenheiros, otorrinolaringologistas e terapeutas da fala, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e da Universidade de Aveiro.

“O objetivo é criar um assistente tecnológico avançado que converta sinais de fala sussurrada em sinais de fala natural”, ou seja, uma aplicação, refere ao Notícias UP Aníbal Ferreira, investigador principal e professor da FEUP.

Sistema projeta e corrige a voz

O sistema em que agora trabalham pretende ser um “amplificador modificado, mas inteligente”, capaz de projetar a voz e, ao mesmo tempo, de a corrigir.

O DyNaVoiceR surge na sequência de outros projetos na área da voz falada e cantada, como o projeto ARTTS, também liderado por Aníbal Ferreira.

Financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, conta ainda com a participação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e do Instituto de Engenharia Electrónica e Telemática de Aveiro.

o caso de Rose

O estranho caso de Rose, a mulher que tinha os órgãos do lado errado

Por | Investigação & Inovação

Rose Marie Bentley era uma mulher de armas, mas uma norte-americana como muitas outras. Ou pelo menos assim se pensava. Só depois da sua morte, com 99 anos, é que se descobriu que Rose era diferente e que a sua anatomia era tudo menos típica: Rose tinha todos os órgãos no sítio errado, com exceção de um, o coração.

Rose viveu a maior parte de sua vida adulta perto da cidade rural de Oregon, nos EUA, onde ela e o marido, James Bentley, tinham uma loja de alimentos para animais. Pertencia à Igreja Metodista local, onde cantou no coro, cuidava de um horta que servia para alimentar a família e viajou  com o marido para todos os 50 estados do país e fora deste, até à reforma, em 1980.

Decidiu doar o corpo para a ciência, que o recolheu a 11 de outubro de 2017, data em que faleceu e que os estudantes de medicina da Oregon Health & Science University começaram a estudar a sua anatomia.

Rose Marie Bentley viveu 99 anos sem saber que era um caso raro: sofria de situs inversus com levocardia, o que significa que o seu fígado, estômago e outros órgãos abdominais, em vez de se encontrarem do lado direito, estavam todos à esquerda, ainda que o coração permanecesse onde devia, do mesmo lado.

“Demorou algum tempo até percebermos”, explica Cam Walker, o médico e professor de anatomia, que ajudou os estudantes a desvendar o mistério da anatomia de Bentley. 

Uma entre muitos milhões

Situs inversus com levocardia ocorre cerca de uma vez a cada 22.000 nascimentos e é frequentemente associado a doenças cardíacas com risco de vida e outros problemas.

Bentley pode mesmo ser sido a pessoa mais velha conhecida com esta condição. Até porque, de acordo com o especialista, estima-se que apenas uma em cada 50 milhões de pessoas nascidas com este problema específico viva o tempo suficiente para chegar à idade adulta.

De acordo com a família de Rose, esta vivia sem doenças crónicas, para além de artrite. Teve três órgãos removidos durante a vida, mas apenas um cirurgião, que lhe retirou o apêndice, registou a sua localização incomum. Nenhum dos cinco filhos de Rose sabia que a minha tinha os órgãos do lado errado e acreditam que ela também não soubesse.

O caso mereceu mesmo um estudo, já publicado e agora apresentado numa reunião científica.

Rose Marie Bentley

Rose Marie Bentley viveu até aos 99 anos. Fotografia cortesia da família.

genoma da gripe A

Equipa nacional descobre mecanismo de formação do vírus da gripe A

Por | Investigação & Inovação

O vírus da gripe A é conhecido por formar novas estirpes todos os anos, que resultam de pequenas variações que acontecem ao nível do genoma e fazem com que o vírus se torne diferente e deixe de ser reconhecido pelo sistema imunitário. Graças a um novo estudo nacional, foi possível perceber onde se montam os genomas do vírus da gripe A dentro das células infetadas, o que pode contribuir para criar medicamentos capazes de prevenir ou combater as novas estirpes. 

Realizado pela equipa de Maria João Amorim, do Instituto Gulbenkian de Ciência, o estudo, publicado na revista Nature Communications ajudar a perceber mais sobre este vírus, que só se consegue multiplicar dentro das células do organismo que infetou, porque precisa da maquinaria celular do hospedeiro.

No momento da infeção, o vírus entra na célula e liberta o seu material genético e algumas proteínas. Mas estes vírus têm uma particularidade fora do comum: o seu genoma está segmentado em oito partes distintas.

O que significa que, durante a multiplicação do vírus, as oito partes do material genético são replicadas muitas vezes. A formação de novos vírus requer que esses oito segmentos sejam agrupados dentro de uma mesma partícula viral, o que implica uma seleção muito precisa a partir de milhares de moléculas que se encontram misturadas.

Um trabalho inovador

Até agora desconhecia-se onde é que essa seleção era feita. Mas o estudo da equipa de Maria João Amorim revela que a seleção do material genético se faz em compartimentos chamados inclusões virais.

Compartimentos que, segundo os investigadores, não estão delimitados por uma membrana, como acontece com os organelos tradicionalmente conhecidos nas células. Em vez disso, as inclusões virais separam-se do meio que os rodeia por um processo designado por separação de fases, semelhante ao que acontece com o vinagre e azeite quando colocados juntos.

“Os nossos resultados abrem caminho a terapias alternativas que ataquem a formação do genoma, ou o local onde o genoma é formado”, explica Maria João Amorim, que confirma que “este trabalho é inovador pois é uma das observações iniciais que demonstra que as infeções virais recorrem a processos de separação de fases”.

a melhor posição para dormir para as grávidas

Risco para o bebé aumenta mais de duas vezes quando as grávidas dormem de costas

Por | Investigação & Inovação

Não se sabe quantas são as grávidas que, em busca da melhor posição para descansar, preferem dormir de costas. É para estas que fica o conselho, que resulta de uma investigação recente: o melhor mesmo é dormirem de lado, uma vez que a primeira posição pode colocar em risco a vida do bebé.

Liderado por uma professora da Universidade de Huddersfield, em Inglaterra, o estudo revelou que, dormir de costas, aumenta o risco de morte do bebé. De tal forma que a descoberta se tornou mesmo recomendação no serviço nacional de saúde britânico.

Tomasina Stacey trabalhava na Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, e foi lá que decidiu avaliar se a posição ao dormir contribui para a morte fetal.

E foi lá também que concluiu que as grávidas que dormem de costas correm um risco maior, porque o peso do útero pode reduzir o fluxo sanguíneo para o bebé.

As suas descobertas foram depois descritas num artigo publicado pelo British Medical Journal, tendo este sido o primeiro estudo a associar práticas relacionadas com o sono materno à mortalidade à nascença, o que levou à realização de novos estudos, um dos quais de larga escala, que reuniu dados da Nova Zelândia, Reino Unido, Austrália e EUA.

Ao todo, 851 mães enlutadas e 2.257 mulheres com gravidez em curso participaram na avaliação, agora publicada no The Lancet.

Estudo transforma-se em recomendação nacional

A principal descoberta é que dormir de costas após as 28 semanas de gravidez aumenta o risco para o bebé em 2,6 vezes. Este risco elevado ocorre independentemente de outros fatores de risco conhecidos para os bebés que nascem sem vida.

A Tommy’s, uma organização sem fins lucrativos britânica que financia investigação sobre esta temática, tinha incluído estas descobertas sobre a posição no sono nos seus conselhos para mulheres grávidas.

Agora, foi a vez do sistema nacional de saúde britânico (NHS) fazer o mesmo, afirmando que, “na gravidez tardia (depois de 28 semanas), é mais seguro dormir de lado do que de costas”.

estudo sobre autismo

Investigadores nacionais desenvolvem modelo inovador para estudar autismo

Por | Investigação & Inovação

Uma equipa de investigadores nacionais desenvolveu um novo modelo para o estudo do autismo. Um trabalho que pretende encontrar resposta para algumas das questões associadas a esta perturbação do desenvolvimento.

Os cientistas do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveram, em colaboração com investigadores do Massachusetts Institute of Technology, dos EUA, um novo modelo animal para estudar o autismo, trabalho recentemente publicado na revista científica Nature Communications.

Caracterizado por ações repetitivas, alterações na linguagem e nos comportamentos sociais, o espectro do autismo é um transtorno neurológico geralmente causado por mutações de diferentes genes, que resultam em formas distintas da doença.

Isto apesar de existirem alterações comuns às várias formas de autismo, como modificações ao nível de um conjunto de recetores específico dos neurónios: é no estudo destes recetores que trabalho da equipa do CNC-UC alcançou um relevante avanço.

O papel do gene GPRASP2 

“Com este estudo pretendemos ter um conhecimento mais profundo sobre determinados aspetos importantes da patologia do autismo. O nosso trabalho é o primeiro a olhar para o gene GPRASP2 em detalhe. Achamos que este é um alvo interessante pois poderá ser utilizado na regulação de múltiplas formas desta doença”, refere em comunicado João Peça, líder da equipa de investigação.

O estudo demonstrou em ratinhos que a remoção do gene GPRASP2, que faz a reciclagem dos recetores metabotrópicos durante a comunicação neuronal, afeta o funcionamento do cérebro e os comportamentos dos animais.

Através de engenharia genética, foi comprovado que esta função de reciclagem é extremamente importante, pois na sua ausência há uma menor maturação dos neurónios durante o desenvolvimento cerebral, particularmente na região do hipocampo, a zona do cérebro que possibilita a aprendizagem e a formação de novas memórias.

“As novas questões em que estamos a trabalhar passam por compreender um pouco melhor que outras zonas do cérebro e que tipos celulares é que realmente são responsáveis pelas diversas disfunções que nós observamos nos animais com mutação no gene GPRASP2. Desse modo, iremos também perceber que circuitos conseguimos modular com alterações neste gene”, refere o investigador.

“Por exemplo, interrogamo-nos se as alterações nos comportamentos sociais dos animais não serão devido a
alterações no hipotálamo, uma outra região onde há grande expressão deste gene”, acrescenta.

“Motiva-nos compreender se uma futura terapia que regule os níveis de GPRASP2 poderá ser utilizada em formas de autismo onde há perturbação dos recetores metabotrópicos. Por isso, estudo é uma semente para projetos futuros.”

uso de robôs

No Hospital de Braga, as refeições são distribuídas por… robôs

Por | Investigação & Inovação

Chamam-se os dois Edgar. São robôs e estão a ser testados no Hospital de Braga, para ajudar na distribuição de refeições aos doentes internados.

Desenvolvidos pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), os dois protótipos são flexíveis e fáceis de adaptar aos materiais e equipamentos já existentes para a distribuição de refeições em ambiente hospitalar.

Uma ideia que visa a simplificação. É que, atualmente, as soluções existentes no mercado para transporte hospitalar exigem espaço e equipamentos significativos.

Foi por isso que uma empresa da área da alimentação, a GERTAL, decidiu apostar na inovação e financiar o desenvolvimento destes robôs.

Tecnologia ao serviço da saúde

“Os robôs distinguem-se em vários aspetos das soluções que existem atualmente no mercado, nomeadamente pelo sistema de tração que têm, que permite que se agarrem aos carrinhos já existentes através de uma adaptação mecânica mínima”, refere, em comunicado, Germano Veiga, investigador sénior do Centro de Robótica Industrial e Sistemas Inteligentes do INESC TEC.

Mas há outras novidades, como o “sistema de localização que têm e que faz com que saibam, a cada instante, onde se encontram, aproveitando assim ao máximo as características naturais do edifício que percorrem, sem necessidade de utilizar marcadores ou fitas magnéticas, pela autonomia das baterias que apresentam ou, até mesmo, pela ligação contínua à rede wireless que faz com que o seu funcionamento seja constantemente monitorizado”.

Os robôs incluem ainda um sistema de navegação que possibilita o desvio de pequenos obstáculos, controlo dos elevadores e o carregamento baseado em tecnologia de carga sem contacto, via wireless.

Uma solução que vai permitir uma melhor gestão dos recursos humanos, ao deixarem de ter que efetuar operações de elevada exigência física e de baixo valor acrescentado.

Libertar humanos para outras tarefas

“A médio e longo prazo, os robôs vão permitir agilizar os processos de distribuição de refeições num hospital e libertar os colaboradores das empresas de catering para outras tarefas a realizar em ambiente hospitalar”, explica Rosalina Telo, da GERTAL.

Os robôs têm sido testados no Hospital de Braga, por se tratar de um edifício novo, com corredores largos e as demonstrações têm sido bem-sucedidas.

Nas palavras de Jorge Maia Gomes, Administrador Executivo do Hospital de Braga, este projeto “é uma mais-valia pois contribui para uma maior eficiência de processos e permite a adaptação a outras áreas hospitalares como é o caso da rouparia, gestão de resíduos, entre outras”.

Apesar de atualmente o custo dos robôs ser elevado por se tratarem de protótipos, estima-se que com um escalamento do projeto e capacidade de produção de cerca de 10 robôs, o custo de cada um ronde os 15 mil euros.