má postura no trabalho

Tecnologia incorporada na roupa alerta para má postura

Por | Investigação & Inovação

Dor nas costas, ombros ou joelhos. Uma má postura no local de trabalho costuma ter consequências e muitas destas são em forma de dor. E se pudesse ter um alerta sempre que a sua postura é incorreta, que lhe permitisse sentar-se como deve ser? Um desejo que pode em breve tornar-se realidade.

Especialistas da TU Kaiserslautern (TUK) e do Centro Alemão de Investigação em Inteligência Artificial (DFKI) decidiram lançar mãos à obra e criar um sistema de sensores que, colocados na roupa e no calçado, monitorizam os braços, pernas e costas, detetando sequências de movimento e o respetivo software que avalia estes dados.

Um sistema que fornece ao utilizador um feedback direto, através de um smartwatch, para que possa corrigir o movimento ou a postura.

Uma novidade que vai ser apresentada na International Consumer Electronics Fair (IFA), em Berlim, entre os dias 6 e 11 de setembro.

Dores nas costas: consequência de uma má postura

Sejam numa linha de montagem, onde as costas se curvam, a levantar pesos ou simplesmente a escrever um email no computador, o trabalho, a maioria das pessoas não presta atenção a uma postura ergonomicamente sensata ou a uma sequência suave de movimentos.

As dores nas costas são uma constante a nível global muito por culpa destes movimentos e posições. É para o seu alívio que nasce uma nova tecnologia, que usa sensores ligados a diferentes partes do corpo, como braços, coluna e pernas.

“Entre outras coisas, eles medem as acelerações e as chamadas velocidades angulares. Estes dados são processados ​​pelo nosso software”, explica Gabriele Bleser, que lidera o grupo de trabalho no TUK.

O software calcula os parâmetros de movimento, como ângulos articulares no braço e no joelho, ou o grau de flexão ou torção da coluna. “A tecnologia reconhece imediatamente se um movimento é executado incorretamente ou se uma postura incorreta é adotada”, continua Mathias Musahl, do Departamento de Visão Aumentada da DFKI.

O smartwatch é projetado para informar o utilizador diretamente, a fim de corrigir o seu movimento ou postura. Entre outras coisas, os investigadores planeiam instalar os sensores em roupas de trabalho e calçado, uma tecnologia interessante para quem trabalha na indústria, mas também para ajudar a prestar mais atenção ao próprio corpo na vida diária, seja no escritório ou em casa.

sensores colados à pele

Criados sensores sem fio que colam à pele e informam sobre a saúde

Por | Investigação & Inovação

É o maior órgão do corpo humano e conhecido por atuar como barreira protetora contra agentes do meio ambiente. No entanto, a pele pode fazer mais, como detetar sinais fisiológicos. Função que levou especialistas da Universidade de Stanford a criarem sensores que se colam à pele como pensos rápidos, transmitindo dados sobre a saúde para um recetor preso à roupa.

Para demonstrar esta tecnologia, os investigadores colocaram sensores no pulso e abdómen, que detetam como a pele estica e contrai a cada batimento cardíaco ou respiração.

Da mesma forma, os adesivos colados nos cotovelos e nos joelhos acompanham os movimentos dos braços e das pernas, refletidos pela pele.

Zhenan Bao, o professor de engenharia química responsável pelo laboratório onde foi desenvolvida a inovação, acredita que esta tecnologia, a que foi dado o nome de BodyNet, será usada, inicialmente, em ambientes médicos, como monitorização de pessoas com distúrbios do sono ou problemas cardíacos.

E o seu laboratório já está a tentar desenvolver novos adesivos para detetar o suor e outras secreções, capazes de rastrear variáveis ​​como a temperatura corporal e o stress.

O seu objetivo final é criar uma série de sensores sem fio que se prendem à pele e trabalham em conjunto com roupas inteligentes, para rastrear com mais precisão uma variedade maior de indicadores de saúde do que os smartphones ou relógios que os consumidores usam atualmente.

“Acreditamos que um dia será possível criar uma matriz de sensores de pele para recolher dados fisiológicos sem interferir no comportamento normal de uma pessoa.”

Sensores confortáveis, funcionais e inovadores

Os investigadores Simiao Niu e Naoji Matsuhisa lideraram a equipa de 14 pessoas que passou três anos a projetar os sensores. O seu objetivo era desenvolver uma tecnologia que fosse confortável de usar e não tivesse baterias ou circuitos rígidos, para evitar que os adesivos se estendessem e se contraíssem com a pele.

Assim nasceu o BodyNet, semelhante ao cartão de identificação usado para entrar em salas fechadas, fazendo leituras da pele e enviando-as de volta para o recetor, que se encontra próximo.

Esta versão inicial conta com minúsculos sensores de movimento, destinados a obter leituras de respiração e de pulso. Agora, os investigadores estão a estudar como integrar o suor, a temperatura e outros sensores nos seus sistemas, para levar a tecnologia para além das aplicações clínicas e integrá-la em dispositivos destinados ao consumidor comum.

marte

Vinho tinto pode ajudar exploradores de Marte a manterem força

Por | Investigação & Inovação

Marte está a cerca de nove meses de distância da Terra, graças à tecnologia disponível hoje, calcula a NASA. A corrida espacial, que pretende culminar com a chegada do homem ao planeta vermelho, já começou, mas a questão que os investigadores de Harvard agora colocam é outra: como se pode garantir que quem lá chega aguenta a jornada?

Publicado na revista Frontiers in Physiology, o mais recente estudo desta universidade norte-americana mostra que a resposta pode estar no vinho tinto, ou melhor, numa substância nele existente, o resveratrol, que preserva substancialmente a massa muscular e a força, pelo menos em ratinhos expostos aos efeitos devastadores da gravidade simulada de Marte.

É que, no espaço, a falta de gravidade deixa marcas, enfraquecendo os músculos e os ossos. “Após apenas três semanas no espaço, o músculo solear, existente na perna, encolhe um terço”, explica Marie Mortreux, autora principal deste estudo, financiado pela NASA.

“Isto é acompanhado por uma perda de fibras musculares de contração lenta, que são necessárias para a resistência.”

A importância do resveratrol nas missões a Marte

Para permitir que os astronautas operem com segurança em longas missões a Marte serão necessárias estratégias para evitar esta perda muscular.

“As estratégias dietéticas podem ser fundamentais”, acrescenta a especialista, “especialmente porque os astronautas que viajam para Marte não terão acesso ao tipo de máquinas de exercícios implantadas na Estação Espacial Internacional”.

É aqui que entra o resveratrol, um composto encontrado na casca da uva e mirtilos, que tem sido amplamente investigado pelos seus efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes e antidiabéticos.

“Demonstrou-se que o resveratrol preserva a massa óssea e muscular em ratos, de forma análoga à microgravidade durante voos espaciais. Portanto, supomos que uma dose diária moderada ajudaria a mitigar a perde de condicionamento muscular”.

São precisos mais estudos, reforça a cientista, “para explorar os mecanismos envolvidos, bem como os efeitos de diferentes doses de resveratrol em machos e fêmeas. Além disso, será importante confirmar a falta de quaisquer interações potencialmente perigosas do resveratrol com outras drogas administradas a astronautas durante missões espaciais”.

cascas de ovos ajudam nos ossos

Cascas de ovos podem ajudar a tratar fraturas ósseas

Por | Investigação & Inovação

Estrelados, escalfados ou como ingrediente de múltiplas receitas, os ovos fazem parte da alimentação de milhões de pessoas em todo o mundo. E se até agora as cascas tinham apenas um destino, o lixo, graças ao trabalho de um grupo de investigadores da Universidade de Massachusetts, nos EUA, isso pode vir a mudar, depois da descoberta de que podem ajudar na recuperação de fraturas ósseas.

Os especialistas criaram um biomaterial, que tem como principal protagonista as cascas de ovo em pó que, misturadas com um hidrogel, permitem a ajudar na regeneração óssea.

Algo que é possível devido ao facto de a casca de ovo ser rica em carbonato de cálcio, uma substância usada frequentemente para suplementar a falta de cálcio na alimentação.

Descoberta associada às cascas de ovos já patenteada

As primeiras experiências com este material foram realizadas em laboratório. Numa segunda fase, os alvos foram ratos. Aqui, para se perceber de que forma atuava o material, foi-lhes aplicado o hidrogel no local onde ocorreu uma fratura do osso.

Resultado: devido à elevada quantidade presente de cálcio nesta mistura, o osso não só criou tecido ósseo, como solidificou mais rapidamente, diminuindo o tempo de cura da lesão. 

Uma experiência que leva os investigadores a concluir que este hidrogel pode ser aplicado em seres humanos. Para tal, será apenas necessário que os profissionais de saúde retirem uma amostra óssea do doente em questão, para verificar a compatibilidade do mesmo com a substância, de forma a evitar uma rejeição.

A preparar já os passos seguintes, este grupo de cientistas decidiu patentear a descoberta. Além disso, o grupo acredita que as aplicações deste biomaterial podem ser variadas, uma vez que a regeneração de outros tecidos, como a cartilagem, dentes, tendões bem como a criação de tecidos para transplantes, podem ser algumas das muitas aplicações que este hidrogel poderá vir a ter no futuro. 

visão devolvida

Implante cerebral devolve visão parcial a cegos

Por | Investigação & Inovação

Serve de nome para um gigante caçador da mitologia grega e para uma das constelações modernas. Agora, Orion é também a designação de um sistema que já deu provas de conseguir devolver a visão a quem não a tem.

A novidade surge anunciada por um grupo de neurocirurgiões da Baylor College of Medicine, no Texas e da Universidade da Califórnia, os mesmos que desenvolveram uma técnica capaz de restaurar a visão, ainda que de forma parcial, socorrendo-se da tecnologia: através do uso de um implante cerebral e de uma pequena câmara de filmar.

O sistema, que mais parece saído de um qualquer filme de ficção científica, consiste na implantação de um dispositivo na zona do córtex visual primário, ou seja, a área do cérebro responsável por processar a visão.

Este dispositivo recebe as imagens captadas através de uma pequena câmara de filmar, instalada num par de óculos, que as envia ao cérebro, permitindo que este processe a informação recebida. Uma espécie de “ligação direta”, que é apenas possível porque o olho recebe os impulsos de luz, sendo estes depois percecionados pelo cérebro, que transforma esses mesmos impulsos em imagens.

Visão de forma funcional: objetivo para o futuro

Não é a cura para a cegueira, até porque o sistema Orion não permite uma visão clara. Ainda assim, este sistema devolve aos cegos a possibilidade de identificarem texturas, formas e obstáculos, como passeios, paredes ou até janelas, o que permite melhorar a sua qualidade de vida.

Testado em seis pessoas, os resultados revelam-se, segundo os autores do trabalho, promissores. Tanto que a equipa espera vir a conseguir melhorar a tecnologia para tornar possível devolver a visão de forma funcional a quem sofreu lesões no nervo ótico.

Os investigadores acreditam que tal pode ser feito através de uma estimulação mais eficaz desta região do cérebro, como explica Daniel Yoshor, um dos líderes da investigação. “Teoricamente, se tivéssemos centenas de milhares de elétrodos no nosso cérebro, seríamos capazes de produzir uma imagem visual de qualidade elevada.”

recolher energias a fazer caminhadas

Pôr os aparelhos a funcionar com a energia gerada por… caminhadas

Por | Investigação & Inovação

Se melhorar a saúde não é incentivo suficiente para que comece a fazer caminhadas, talvez a possibilidade de poupar seja. Com uma tecnologia desenvolvida por um grupo de investigadores da Universidade Chinesa de Hong Kong, pôr os seus dispositivos móveis a trabalhar apenas andando é uma possibilidade que pode estar mais próxima do que aquilo que pensa.

A forma de o conseguir é, aparentemente, simples. Um mecanismo destinado a recolher energia é ligado ao joelho do utilizador, podendo gerar 1,6 microwatts de energia enquanto este caminha, sem nenhum esforço adicional. A energia é suficiente para alimentar pequenos equipamentos eletrónicos, como equipamentos de monitorização da saúde e dispositivos GPS.

Os investigadores usaram um material especial, de macrofibra inteligente, que gera energia a partir de qualquer tipo de flexão, para criar um mecanismo de manivela deslizante, semelhante ao que aciona um motor.

Caminhadas que garantem autossuficiência

O joelho foi a zona onde se optou por fixar o dispositivo, devido à grande amplitude de movimento da articulação, em comparação com a maioria das outras articulações humanas.

Devido ao contínuo vai-e-vem que o material encontra quando o utilizador caminha, sempre que o joelho flexiona, o dispositivo dobra e gera eletricidade. Isso significa que pode “capturar energia biomecânica, através do movimento natural do joelho humano”, explica um dos autores do trabalho, Wei-Hsin Liao.

O protótipo pesa apenas 307 gramas e foi testado em seres humanos, a uma velocidade de dois a 6,5 ​​quilómetros por hora (cerca de um a quatro quilómetros por hora). Os investigadores compararam os padrões de respiração dos utilizadores com e sem o dispositivo e determinaram que a energia necessária para caminhar não foi alterada, o que significa que o dispositivo está a gerar energia sem nenhum custo para o ser humano.

“O equipamento com alimentação própria permite que os utilizadores se livrem da inconveniente carga diária”, diz Liao. “Este ‘colhedor’ de energia promoveria o desenvolvimento de dispositivos wearable autoalimentados.”

gonorreia está a aumentar

Incidência global da gonorreia está a aumentar e o beijo pode explicar porquê

Por | Investigação & Inovação

É uma doença sexualmente transmissível que, de acordo com os dados mais recentes, está a crescer a nível global. Em 2016, contaram-se 87 milhões de pessoas diagnosticadas com gonorreia, que é também, deste tipo de doenças, a mais resistente aos antibióticos. Mas a que se deve este aumento?

Kit Fairley, professor da Monash University e diretor da Melbourne Sexual Health Clinic, na Austrália, foi ao Canadá apresentar dados que indicam que uma rota significativa e não reconhecida da transmissão desta infeção bacteriana é… o beijo.

Publicados no The Lancet Infectious Diseases, os dados revelam que beijar é um importante fator de risco para a gonorreia.

Com base num estudo feito junto de mais de 3600 homens que fazem sexo com outros homens durante um período de 12 meses a partir de março de 2016, foi possível mapear aqueles que só beijaram os parceiros, em comparação os que fizeram sexo. Desta forma, foi possível perceber que a transmissão da doença é elevada nas pessoas que apenas se beijam, tendo sido mais elevada junto daqueles que fazem sexo com beijos, comparando com os que não se beijam durante o ato sexual.

“É preciso reconhecer que a gonorreia está em ascensão e que deve haver uma maior consciência dos riscos de beijar como uma rota de transmissão”, alerta, por isso, Kit Fairley.

“Compreender como é transmitida a doença é a chave para entender como a podemos controlar. Se a transmissão é feita através de beijos, que é uma via essencial de transmissão, então é importante investigar novos métodos de controlo, como o antisséticos orais”, acrescenta.

O que é e como se transmite a gonorreia

A gonorreia é, como já foi referido, uma doença sexualmente transmitida, que pode afetar o pénis, a vagina, o colo do útero, a uretra, o ânus ou a garganta.

Ainda que a sua via de transmissão principal seja a sexual, através do contacto com uma pessoa infetada, parece que o beijo adquire aqui um papel importante.

cicatrização mais rápida

Cientistas criam adesivo que torna cicatrização das feridas mais rápida e eficaz

Por | Investigação & Inovação

Costuma dizer-se que o tempo ajuda a sarar todas as feridas, mas e se lhe pudéssemos dar uma ajudinha? É isso que se propõe um novo adesivo, em fase de desenvolvimento, que promete acelerar a cicatrização de feridas.

Cortes, arranhões, bolhas, queimaduras, lascas… A pele está sujeita a diferentes agressões, com a maioria dos tratamentos para as feridas cutâneas a envolverem a colocação de uma barreira (normalmente uma gaze) que a mantenha húmida, limitando a dor e reduzindo a exposição a micróbios infecciosos, o que pouco faz pelo processo de cicatrização.

Há pensos mais sofisticados, capazes de monitorizar aspetos da cicatrização como o pH e a temperatura, assim como administrar medicação, mas são complexos de fabricar, caros e difíceis de personalizar, limitando o seu potencial de uso generalizado.

É que entra a nova abordagem, com base em hidrogel sensível ao calor, mecanicamente ativo, elástico, resistente, altamente adesivo e antimicrobiano, criada por investigadores do Universidade de Harvard e da Universidade McGill.

Os novos adesivos podem fechar feridas significativamente mais rápido que outros métodos e prevenir o crescimento bacteriano sem a necessidade de qualquer aparelho adicional ou estímulos. 

“Esta tecnologia tem o potencial de ser usada não apenas para ferimentos na pele, mas também para feridas crónicas como úlceras diabéticas e úlceras de pressão, para administração de medicamentos e como componente de terapias baseadas em robótica”, refere David Mooney, um dos autores do documento que descreve esta inovação.

Inspirado na cicatrização embrionária

Inspirados nos embriões, que têm a capacidade de curar completamente as feridas sem formar tecido cicatricial, os investigadores utilizaram adesivos de hidrogel resistentes, aos quais adicionaram um polímero termorresistente, o PNIPAm, que repele a água e encolhe a cerca de 32° celsius.

O hidrogel híbrido começa a contrair quando exposto à temperatura corporal e transmite a força do componente PNIPAm ao tecido subjacente, com as nanopartículas de prata incorporadas a fornecer proteção antimicrobiana.

“O adesivo aderiu à pele de porco com uma força mais de dez vezes superior à de um penso normal e impediu o crescimento de bactérias. Portanto, esta tecnologia já é significativamente melhor do que os produtos de proteção de ferimentos mais usados, mesmo antes de considerar a suas propriedades para fechar feridas”, refere Benjamin Freedman, líder do projeto.

solidão afeta os mais velhos

Solidão compromete saúde dos idosos, conclui estudo nacional

Por | Investigação & Inovação

A esmagadora maioria (91%) dos idosos seguidos nos Cuidados de Saúde Primários revelam sentir algum grau de solidão. Mais ainda, conclui um estudo liderado por investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, em parceria com a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte), esta solidão interfere com os cuidados que recebem.

Perceber qual o impacto da solidão nos idosos seguidos num Centro de Saúde foi o objetivo do trabalho, que contou com a participação de 150 pessoas, com 65 anos ou mais, de uma zona urbana do Norte de Portugal, entrevistadas para o efeito.

Os resultados revelaram que a solidão interfere, de facto, com os cuidados médicos, sendo os idosos que reportam níveis de solidão elevados mais frequentemente polimedicados.

“A solidão leva a um aumento do recurso aos serviços de saúde, como comprovamos através da relação desta com o consumo crónico de medicamentos, especialmente entre os idosos com mais de 80 anos de idade”, explicam os investigadores do estudo, publicado na revista científica Family Medicine & Primary Care Review.

Pedem-se estratégias para combater a solidão

Paulo Santos, investigador do CINTESIS, e Catarina Rocha-Vieira, da ARS-Norte, defendem, por isso, que “é importante que se perceba que a solidão nos idosos leva a maior somatização do seu sofrimento e aumenta o risco de serem sobremedicados”.

O que os leva a apelar para que se definam “estratégias para reduzir a solidão entre os idosos, como forma de melhorar os indicadores individuais de saúde e diminuir o risco de sobrediagnóstico e de polimedicação”.

Atos simples como procurar companhia, participar na vida familiar e manter rotinas diárias ativas, que assegurem o contacto com outras pessoas, são exemplos de estratégias que podem reduzir a solidão e melhorar a saúde da população mais idosa, exemplificam os autores.

“Devem ser tomadas medidas políticas, legislativas, sociais e de saúde que promovam a manutenção de uma vida ativa após a reforma, de modo a estimular o sentido de utilidade dos idosos, protegendo-os da solidão e das suas consequências em termos de saúde.”

Estar casado é fator de protação

Os investigadores concluíram ainda que ter mais de 80 anos, viver sozinho, possuir um baixo nível educacional (menos de nove anos), estar insatisfeito com os rendimentos e ter uma estrutura familiar disfuncional são os principais fatores que se associam à solidão. Em contrapartida, ser casado ou viver em união de facto, e manter uma atividade profissional surgiram como fatores protetores.

Este estudo foi conduzido numa zona urbana do Norte de Portugal que apresenta uma proporção de população idosa ligeiramente abaixo da média nacional (estimada em 19%). Na realidade do território nacional, e sobretudo nas regiões mais envelhecidas, como nos distritos do interior e no Alentejo, o problema pode ser ainda maior.

A solidão é comum na população geriátrica e interfere significativamente com os cuidados de saúde, devendo ser considerada um determinante de saúde.

“Incorporar esse fator no raciocínio de decisão clínica é fundamental para melhorar os cuidados de saúde”, concluem os investigadores.

nanopartículas para tratar a paralisia

Cientistas criam nanopartículas que podem prevenir a paralisia

Por | Investigação & Inovação

Por vezes, é o próprio sistema imunitário que, quando ocorre uma lesão na espinal medula, causa a paralisia subsequente. Num futuro não muito distante, poderá ser possível evitá-lo, graças a uma injeção de nanopartículas, capaz de impedir que o sistema imunitário reaja exageradamente ao trauma.

O sistema já existe. A chamada EpiPen, dadas as semelhanças com a ‘caneta’ de epinefrina, usada pelas pessoas com alergia grave, está a ser testada em ratos de laboratório, na Universidade do Michigan, EUA, tendo as nanopartículas melhorado a cicatrização, reprogramando as células imunitárias agressivas.

Em qualquer espécie, e os humanos não são exceção, o trauma ativa uma resposta imunitária. No caso de uma lesão normal, as células do sistema imunitário infiltram-se na zona danificada e limpam os detritos para dar início ao processo regenerativo.

Mas uma lesão na espinal medula causa um excesso de zelo nas células imunitárias, o que pode danificar o delicado tecido neural das células do sistema nervoso central. Normalmente, estes tecidos são protegidos por uma membrana. Mas no caso de uma lesão na espinal medula, essa não resiste e as células imunitárias entram.

Resultado: inflamação nos tecidos neurais, que leva à morte rápida dos neurónios, causando danos às bainhas isolantes que se encontram à volta das fibras nervosas e dando origem a cicatrizes que bloqueiam a regeneração das células nervosas da espinal medula.

Tudo isto contribui para a perda da função abaixo do nível da lesão, o que inclui desde paralisia até perda de sensibilidade.

Novas formas de impedir a paralisia em caso de trauma

Não é a primeira vez que se procura compensar as complicações desta resposta imunitária. Tentativas anteriores incluíram o uso de esteroides injetáveis, uma prática descartada tendo em conta as consequências provocadas.

Agora, os cientistas desenharam as nanopartículas para intercetarem as células imunitárias no seu caminho para a medula, redirecionando-as para longe da lesão. E mesmo aquelas que lá conseguem chegar acabam por ser alteradas para se tornarem pró-regenerativas.

O que as nanopartículas fazem é uma reprogramação das células do sistema imunitário, o que acontece sem os efeitos secundários indesejados.

Com menos células imunitárias no local do trauma, há menos inflamação e deterioração dos tecidos. E maior possibilidade destes se regenerarem.

“Espera-se que esta tecnologia possa dar origem a novas estratégias terapêuticas, não apenas para doentes com lesões medulares, mas também para aqueles com várias doenças inflamatórias”, explica Jonghyuck Park, investigadora da Universidade do Michigan.