Provedor do doente no CHULC

Centro Hospitalar de Lisboa Central vai ter um provedor do doente

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Ouvir ativamente e dar resposta aos doentes que procuram ajuda e esclarecimento sobre o atendimento e cuidados prestados em todas as áreas clínicas é a missão do Provedor do Doente do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC). Uma novidade agora apresentada.

A ideia é, explica-se em comunicado, dar início a uma “mudança de paradigma”, que se pretende aplicar ao Novo Hospital de Lisboa, a construir na zona oriental, e que tem como princípio-base trazer o doente para o processo de decisão.

Na sua função de dar voz aos cidadãos que recorrem ao hospital, o Provedor estará atento aos atuais desafios do Serviço Nacional de Saúde, que passam pelo “recrudescimento das exigências da comunidade, pelo aumento das tecnologias na prestação de cuidados de saúde, a par de uma maior longevidade e de uma acrescida incidência das doenças crónicas”.

Desafios que exigem um envolvimento mais incisivo do doente e da sua família nas instituições de saúde, permitindo potenciar o sentimento de confiança e o grau de satisfação dos cidadãos.

Agindo como representante do Conselho de Administração, o Provedor do Doente constitui uma peça essencial deste modelo mais participado, em que “o hospital segue o doente”, e não o contrário, “e em que se aposta no desenvolvimento das relações doente-hospital, antecipando as necessidades, programando a atividade de acordo com as características específicas dos doentes e ativando os recursos internos de forma integrada”.

O nome do Provedor ainda não é conhecido – será em breve – e, entre outras, terá as tarefas de representar os interesses dos doentes e suas famílias; solicitar todos os esclarecimentos e informações a quaisquer estruturas do centro hospitalar, reunir com o Conselho de Administração com vista à correção de condutas e melhoria contínua dos cuidados, assinalar dificuldades e obstáculos a uma melhor prestação assistencial e propor soluções e apresentar propostas para a divulgação dos direitos dos doentes e planos de ação para a informação dos utentes e famílias.

centro para estudar artrite reumatoide

Portugal vai ter centro dedicado à investigação clínica da artrite reumatoide

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É, por enquanto, apenas uma maqueta, mas o projeto que a Associação Nacional de Doentes com Artrite Reumatoide (A.N.D.A.R.) quer ver concluído em 2022 vai ser muito mais do que isso: para além de muitas valências, a nova sede vai ter ainda o primeiro centro dedicado à investigação e aos doentes com artrite reumatoide em Portugal

De acordo com Arsisete Saraiva, presidente da A.N.D.A.R., que fala no âmbito do Dia Nacional do Doente com Artrite Reumatoide, que se assinala esta sexta-feira (5 de abril), o projeto servirá muitos propósitos, que vão do acolhimento e apoio a doentes diagnosticados sem acesso a tratamento adequado e divulgação da doença e do seu tratamento.

Para Arsisete Saraiva, “este é o realizar de um sonho. É um centro criado e pensado de raiz para doentes com artrite reumatoide”.

O novo edifício, uma obra que continua em busca de investidores que ajudem a tornar-se realidade, terá sete pisos acima do solo e dois em cave, apresentando-se com uma imagem singular, espelho de segurança, conforto, sofisticação e tecnologia.

Terá gabinetes médicos, salas de tratamentos e exames, sala de trabalho de enfermagem, ginásio, fisioterapia e hidroterapia (piscina), um núcleo de internamento, com uma unidade de cuidados continuados integrados, um centro de dia e ainda um auditório com capacidade para 300 lugares, e sala de exposição técnica, para além do já referido Centro de Investigação.

As vantagens da investigação clínica

Maria Carmo-Fonseca, presidente do Instituto de Medicina Molecular, considera este “um excelente exemplo”, ao mesmo tempo que justifica a importância da investigação clínica.

“Investigação é uma palavra geral, mas há vários tipos. Há a investigação mais laboratorial e depois há a investigação feita com os próprios doentes, a clínica, que tem muito a ver com a especificidade de cada doente”, refere.

Até porque, acrescenta, “o mesmo medicamento administrado a pessoas diferentes pode provocar efeitos, também diferentes, alguns adversos, cabendo aos médicos aprender o que é que está a funcionar de forma diferente nas várias pessoas e, com isto, não só corrigir o tratamento, mas aprender para o futuro”.

Oradora nas jornadas da A.N.D.A.R., que contam com o Alto Patrocínio do Presidente da República, a especialista vai falar exatamente sobre ‘A Importância dos Centros de Investigação Clínica’, cujas vantagens são muitas para os doentes.

“Penso que é uma forma de se sentirem mais à vontade e terem uma maior confiança em participar no processo de investigação”, explica.

“Fora do ambiente hospitalar, dos grandes hospitais, um ambiente mais restrito e mais acolhedor vai facilitar as idas dos doentes com mais frequência, permitindo que sejam seguidos de forma mais regular, o que facilita a investigação, ao mesmo tempo permite que o doente se sinta mais confortável. Acho que é uma enorme mais-valia esta iniciativa da A.N.D.A.R., que é a própria a fazer inovação.”

Doença com graves consequências

Recorde-se que, em Portugal, são cerca de 50.000 a 70 000 os doentes diagnosticados com artrite reumatoide, uma doença inflamatória crónica que pode limitar os gestos diários.

Trata-se de uma doença reumática inflamatória crónica, que ocorre em todas as idades com mais prevalência no sexo feminino e apresenta, como manifestação predominante, o envolvimento repetido e habitualmente crónico das estruturas articulares e periarticulares.

Quando não tratada precoce e corretamente, acarreta, em geral, graves consequências para os doentes, traduzidas em incapacidade funcional e para o trabalho.

riscos do tabaco aquecido

Tabaco aquecido apresenta graves riscos para a saúde, alertam especialistas portugueses

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Os novos produtos de tabaco aquecido e as alegações que os têm acompanhado levaram 12 sociedades científicas e organizações de saúde portuguesas a unirem-se numa posição conjunta, em que se declaram “fortemente preocupadas”.

“Não devemos permitir que o debate em torno dos novos produtos do tabaco nos distraia do principal objetivo em questão – promover medidas regulatórias que sabemos serem eficazes na redução do tabagismo e continuar a apoiar aqueles que desejem parar de fumar”, referem, em comunicado.

“Em conclusão, as sociedades médicas e científicas aqui representadas não recomendam a utilização de produtos de tabaco aquecido.”

E alertam “para os seus riscos e mantêm a firme convicção de que a melhor forma de salvaguardar a saúde humana é a prevenção da iniciação de qualquer forma de consumo e o apoio médico para cessação tabágica”.

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia, Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar/Grupo de Estudo de Doenças Respiratórias, Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo, Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular, Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária, Sociedade Portuguesa de Medicina do Trabalho, Sociedade Portuguesa de Oncologia, Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia, Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e Sociedade Portuguesa de Pediatria são as entidades signatárias desta posição conjunta.

O que está em causa

Quando se referem a tabaco aquecido, estas organizações remetem para os dispositivos eletrónicos com um pequeno cigarro contendo tabaco, que produzem aerossóis com nicotina e outros químicos que são inalados pelo utilizador.

O que aqui motiva preocupação é o conteúdo de nicotina, substância altamente aditiva que existe no tabaco, causando dependência nos seus utilizadores, para além de estarem presentes outros produtos adicionados que não existem no tabaco e que são frequentemente aromatizados.

Para além disso, os especialistas referem que este tipo de tabaco permite imitar o comportamento dos fumadores de cigarro convencional, podendo haver o risco de os fumadores alterarem o seu consumo para estes novos produtos em vez de tentarem parar de fumar.

A isto junta-se o facto de serem “uma tentação para não fumadores e menores de idade iniciarem os seus hábitos tabágicos. Atualmente, a experimentação e uso de cigarros eletrónicos e outros produtos de tabaco pelos adolescentes e jovens está a sofrer um crescimento exponencial”.

Estudos que deixam a desejar

No que diz respeito à segurança e risco para a saúde, não existe evidência que demonstre que o tabaco aquecido é menos prejudicial do que o cigarro convencional.

Ainda que a indústria do tabaco afirme haver uma redução de 90 a 95% na quantidade de substâncias nocivas e na toxicidade dos cigarros aquecidos, “grande parte destas alegações baseia-se em estudos publicados pela própria indústria, com conflitos de interesse evidentes, havendo muitas evidências de que não se deve confiar neste tipo de estudos”.

portugueses com anemia

Um em cada cinco portugueses adultos tem anemia

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É um problema de saúde pública que, segundo o estudo EMPIRE, afeta um em cada cinco portuguese adultos. Em vésperas do Dia Mundial da Saúde, que se assinala no próximo domingo (07 de abril), o Anemia Working Group Portugal (AWGP) alerta para a anemia, confirmando que a maioria das pessoas não está diagnosticada.

A estes números junta-se outro: mais de 50% de todos os casos de anemia são provocados por défice de ferro, um nutriente essencial para o organismo, para a saúde física e mental e para manter os níveis de energia adequados à actividade.

A deficiência de ferro pode provocar vários sintomas, como fadiga, tonturas, falta de ar, maior suscetibilidade para infeções, aftas, dores de cabeça, queda de cabelo, intolerância ao frio, etc.

A anemia causada por deficiência de ferro tem um impacto significativo na saúde, aumentando o risco de morbilidade e mortalidade por agravamento de outras doenças subjacentes. Os doentes com anemia apresentam sintomas de fadiga e têm uma qualidade de vida reduzida quando comparados com doentes não-anémicos, tendo um impacto negativo na sua produtividade.

Para Robalo Nunes, presidente do AWGP, “é essencial sensibilizar a população para este tema, pois normalmente subvalorizam um dos sintomas mais comuns – a fadiga – associando-o a outras situações. No entanto, a deficiência de ferro ou a anemia, quando não é tratada, podem ter implicações sérias na qualidade de vida do doente”.

Perante o diagnóstico o tratamento depende do que é mais adequado a cada situação e a cada doente.

Exames cardiovasculares com radiação podem causar cancro

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As Sociedades Científicas e a Comunidade Europeia da Energia Atómica há muito que recomendam o uso preferencial de métodos complementares sem radiação. Mas essa não é a prática em Portugal e noutros países da Europa, onde o primeiro exame com imagem usado para estudo da doença coronária continua a ser a cintigrafia de perfusão miocárdica, um exame mais caro e que pode usar doses elevadas de radiação. 

A garantia é dada por Carlos Cotrim, médico cardiologista e presidente da 1ª reunião do Heart Center do Hospital da Cruz Vermelha, que irá decorrer no próximo dia 30 de março, no Museu do Oriente e vai debater a existência de exames prejudiciais para a saúde do doente e quais as alternativas a usar nos hospitais portugueses.

“A cintigrafia de perfusão miocárdica que é utilizada para o diagnóstico não invasivo de doença coronária aterosclerótica pode usar doses de radiação que chegam a ultrapassar o equivalente a 500 radiografias do tórax, o que significa um impacto muito negativo para o doente”, explica o médico.

“A relação entre a radiação e o desenvolvimento do cancro é amplamente compreendida: uma única tomografia computadorizada, ou cintigrafia de perfusão miocárdica, expõe o paciente a uma quantidade de radiação que a evidência epidemiológica mostra que pode causar cancro”, reforça a mesma fonte. 

Alternativa é mais segura e custa metade do preço

“Em alternativa à cintigrafia de perfusão miocárdica, que tem sido usada na maioria dos hospitais do SNS, o que deve ser utilizado é a ecocardiografia de sobrecarga”, esclarece Carlos Cotrim.

Um exame com “benefícios para o doente e para quem analisa os resultados que são amplamente maiores”.

No entanto, ainda de acordo com o especialista, “o SNS continua a financiar, sem qualquer obstáculo a cintigrafia. Pelo contrário o médico de família não tem a possibilidade de solicitar um ecocardiograma de esforço, apesar do preço de uma cintigrafia ultrapassar o dobro do preço de um ecocardiograma de esforço (cerca de 200 euros um ecocardiograma de esforço e cerca de 400 euros uma cintigrafia)”.

Mas há mais. “Para além dos custos económicos dos exames com radiação serem maiores, também os riscos biológicos com o aumento da incidência de cancro nos devem levar a analisar a prática atual, em que a cintigrafia de perfusão miocárdica continua a ser o exame mais utilizado em Portugal para deteção de doença coronária”.

A 1ª reunião do Heart Center do Hospital da Cruz Vermelha vai receber médicos especialistas nacionais e internacionais, para troca de experiências e divulgação de trabalhos clínicos e de investigação sobre o tema. 

Dia Nacional do Doente com AVC

Metade dos AVC podem ser prevenidos, mas ainda se pensa pouco na prevenção

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O acidente vascular cerebral (AVC) é uma doença que se pode prevenir e tratar. É para reforçar estas mensagens que, no próximo dia 31, se assinala mais um Dia Nacional do Doente com AVC.

O alerta da Sociedade Portuguesa do AVC (SPAVC) incide sobretudo no combate aos fatores de risco, na divulgação das medidas de prevenção, assim como dos sinais de alerta para o AVC, desenvolvendo, para isso, atividades gratuitas e abertas à participação de todos os interessados.

Apesar de grande causador de incapacidade permanente e de mortalidade, o AVC é uma doença que se pode prevenir e tratar de forma eficaz na maioria dos casos, se forem cumpridos determinados cuidados.

De facto, metade dos AVC poderiam ser prevenidos através de gestos simples, como o controlo da pressão arterial ou deixando de fumar.

E, da mesma forma, o tratamento adequado na fase aguda pode reduzir as taxas de morte e incapacidade em 50%.

“Ainda se pensa pouco na prevenção em Portugal”

No entanto, “ainda se pensa pouco na prevenção em Portugal”, refere o presidente da SPAVC, que reforça o papel da associação que preside na divulgação das medidas preventivas desta patologia.

Nesta data, voltam a ser reforçadas as principais mensagens a reter sobre AVC.

“É preciso conhecer os sinais de alerta – os chamados 3 F’s (falta de força num braço, desvio da face e dificuldade na fala) – e saber que, perante o aparecimento de um deles, a única atitude correta é a de acionar de imediato os serviços de emergência, através do 112”, destaca o médico neurologista.

Os fatores de risco são bem conhecidos, desde a hipertensão arterial, a diabetes, o tabagismo, a fibrilhação auricular, até à obesidade e ao sedentarismo.

Para além disso, de norte a sul do País são relembradas as medidas de prevenção do AVC, que passam pela adoção de estilos de vida saudáveis como uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, não fumar, controlar os valores da pressão arterial, da diabetes e do colesterol, controlando também o peso corporal e limitando o consumo de bebidas alcoólicas.

Almada, Cascais, Coimbra, Évora, Santarém ou Viseu são apenas alguns dos locais onde vão decorrer ações, que podem ser conhecidas aqui.

Em Portugal, número de abortos caiu 25% em seis anos

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Nos últimos anos, o número de interrupções da gravidez de forma voluntária tem vindo a cair. Contas feitas, entre 2011 e 2017, a redução foi na ordem dos 25%.

Os dados são do relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS), referentes a dados de 2017, ano em que se contaram 14.899 interrupções da gravidez por opção da mulher até às 10 semanas, o valor mais baixo desde que a prática é legal em Portugal e menos 3,4% face a 2016.

Do total de abortos feitos no ano passado, por opção ou por motivos médicos, 11.035 tiveram lugar em serviços públicos e 4.457 em serviços privados.

A maioria das mulheres (56,4%) que fizeram um aborto em 2017 tinha pelo menos um filho – 28,7% tinham um filho, 20,6% tinham dois e 7,2% tinham três ou mais filhos -, sendo que 70,7% estavam a realizar pela primeira vez o procedimento.

Mais casos em Lisboa e Vale do Tejo

É na região de Lisboa e Vale do Tejo (57,3%) e no Norte (22,8%) que se encontra o maior número de casos. No que diz respeito à idade, a avaliação dos dados oficiais permite concluir que, no ano passado, a idade média das mulheres que o fizeram foi 28 anos.

Ao todo, 64% do total de interrupções foram efetuadas por mulheres entre 20 e 34 anos de idade, sendo raras as situações abaixo dos 15 (0,30%) e acima dos 44 anos (0,76%).

De acordo com o relatório, “estima-se que a mulher que engravida entre os 30 e os 34 anos, seja a que tem probabilidade mais elevada (90,7%) de prosseguir com a gravidez”.

Outras nacionalidades

Em 2017, 18,3% das interrupções da gravidez no quadro legal foi feita em mulheres de nacionalidade não portuguesa, um valor semelhante ao observado em 2015 e ligeiramente superior ao de 2016 (17,7%).

Caboverdianas, brasileiras, angolanas, guineenses e são-tomenses foram as nacionalidades mais frequentes, depois das portuguesas, nacionalidades eram também as mais frequentes em 2016.

Em média, as mulheres que realizaram IG por opção até às 10 semanas, fizeram-no com 7,43 semanas de gestação. Ao todo, 70,2% foi medicamentoso e 28,8% foi cirúrgico, com anestesia geral. 

Os números permitem também verificar que 2,4% das mulheres que interromperam a gravidez já o tinha feito três ou mais vezes antes.

conhecimento sobre suporte básico de vida

Conhecimento sobre suporte básico de vida deixa a desejar entre os portugueses

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É uma manobra fundamental nas situações em que existe uma paragem cardíaca, com grande impacto no futuro de quem dela sofre. Mas saberão os portugueses quais os fundamentos para o suporte básico de vida? Esta é a pergunta a que um novo estudo quis dar resposta.

Publicado na Acta Médica Portuguesa, o trabalho procura também avaliar a associação ao treino/educação prévia e a autoperceção do conhecimento sobre este tema, assim como a opinião sobre as necessidades de treino quando em causa está o suporte básico de vida.

Manobras que são tanto mais importantes se tivermos em conta que uma das principais causas de morte na Europa é a paragem cardíaca súbita, que afeta 55 a 113 pessoas por cada 100 mil habitantes, isto todos os anos.

Falta evidente de conhecimento

De acordo com o European Resuscitation Council, a reanimação cardiopulmonar feita por não profissionais aumenta duas a quatro vezes a taxa de sobrevivência, reforçando, por isso, a importância do suporte básico de vida.

Socorrendo-se de uma amostra de 655 pessoas, os participantes foram convidados a responder a um questionário com 21 questões, que permitem concluir que há uma falta de treino e conhecimento na população em geral sobre o suporte básico de vida.

No geral, a maioria dos entrevistados demonstrou uma evidente falta de conhecimento, com apenas uma pequena percentagem (15,3%) a conseguir mais do que 70% no que diz respeito ao conhecimento global.

Mais da metade dos participantes (55,4%) sabe posicionar as mãos para fazer as compressões torácicas, mas apenas 20,9% conhecem a frequência e 13,4% a profundidade correta.

Para as questões técnicas, um número relevante de participantes (variando de 15% a quase 50%, dependendo da questão) escolheu o “não sabe”.

Os participantes reconhecem que o seu conhecimento em suporte básico de vida é residual ou baixo e estão motivados a participar em cursos de treino e/ou revalidação.

Resultados que levam os especialistas envolvidos no trabalho a considerarem ser necessário reforçar o treino prático e regular de suporte básico de vida, idealmente no local de trabalho e no início da vida.

Hospital Garcia de Orta com novo exame

Hospital Garcia de Orta realiza exame inovador

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O Serviço de Medicina Nuclear do Hospital Garcia de Orta, em Almada, tornou-se o único com Tomografia por Emissão de Positrões (PET) a sul do Tejo, sendo o hospital a segunda instituição pública na região de Lisboa (apenas o IPO possui idêntico equipamento).

O Tomógrafo PET/CT foi adquirido pelo hospital em 2018, pelo valor de 1.772.000 €, cofinanciado em 50% pelo Projeto ‘+ Acesso, Melhor Qualidade’, no âmbito do Programa Portugal 2020.

Um projeto que visa contribuir para a promoção de uma cada vez maior inclusão social na região, através de melhor acesso aos serviços prestados por aquela instituição de saúde na área dos meios complementares de diagnóstico, refere o hospital em comunicado.

Já em funcionamento, estima-se que, com o Tomógrafo PET/CT, sejam realizados mais de 2.800 exames no Garcia de Orta até ao fim do ano.

A esta vantagem junta-se outra: a redução da despesa, uma vez que se evita o recurso ao exterior. A acessibilidade a estes exames irá melhorar significativamente, sendo a capacidade disponível partilhada com outros hospitais da zona sul.  

Exame inovador e não invasivo

A PET utiliza moléculas que incluem um componente radioativo que, quando administrado no corpo humano, permite detetar e localizar reações bioquímicas associadas a determinadas doenças, sobretudo nas áreas da oncologia, neurologia e cardiologia.

Este inovador exame é inócuo, não invasivo, indolor e permite avaliar o modo como os órgãos, tecidos e células funcionam, ao contrário da ressonância magnética ou da tomografia computorizada, que fornecem uma informação mais estática.

Por outro lado, permite também a realização de diagnósticos mais precoces do que a ressonância ou a tomografia, o que é importante para o sucesso do tratamento.

desfibrilhadores no País

São já mais de 1.700 os espaços públicos no País com desfibrilhadores

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Centros comerciais, aeroportos, estações ferroviárias, de metro e de camionagem, recintos desportivos e de lazer. São cada vez mais os espaços que, em Portugal, dispõem de desfibrilhadores automáticos externos. Contas feitas pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), existem atualmente no Continente 1.736 espaços públicos com estes dispositivos e mais de 19 mil pessoas formadas em Suporte Básico de Vida e e capazes de utilizar estes equipamentos. 

De resto, ainda de acordo com a mesma fonte, 2018 foi o ano em que se licenciaram mais Programas de Desfibrilhação Automática Externa para utilização de desfibrilhadores, 403 no total, desde a criação do Programa Nacional de Desfibrilhação Automática Externa, em 2009.

“O número de espaços públicos tem vindo a aumentar de forma progressiva ao longo dos últimos anos, denotando a aplicação da legislação em vigor, designadamente do Decreto-Lei 184 de 2012, que veio tornar obrigatória a instalação de equipamentos de Desfibrilhação Automática Externa em determinados locais de acesso público, nomeadamente nos estabelecimentos comerciais de dimensão relevante”, lê-se no comunicado do INEM.

Uso de desfibrilhadores pode salvar vidas

De acordo com a lei, é obrigatória a existência destes equipamentos em estabelecimentos de comércio a retalho, isoladamente considerados ou inseridos em conjuntos comerciais, que tenham uma área de venda igual ou superior a 2000 m2, conjuntos comerciais que tenham uma área bruta locável igual ou superior a 8000 m2;, aeroportos e portos comerciais, estações ferroviárias, de metro e de camionagem, com fluxo médio diário superior a 10 000 passageiros e recintos desportivos, de lazer e de recreio, com lotação superior a 5000 pessoas.

Recorde-se que a morte súbita cardíaca é causada por uma arritmia cardíaca chamada fibrilhação ventricular, que impede o coração de bombear o sangue.

O único tratamento eficaz para a fibrilhação é a desfibrilhação elétrica, que consiste na administração de choques elétricos ao coração parado, possibilitando que o ritmo cardíaco volte ao normal.

Nestes casos, a probabilidade de sobrevivência é tanto maior quanto menor for o tempo decorrido entre a fibrilhação e a desfibrilhação.

A experiência internacional demonstra que em ambiente fora do hospital, a utilização de desfibrilhadores por pessoal não médico aumenta significativamente a probabilidade de sobrevivência das vítimas.

“Ser reanimado é um direito e saber reanimar é um dever cívico”, reforça o INEM.