tráfego marítimo gera poluição

Estudo nacional confirma que tráfego marítimo gera poluição preocupante

Por | País

A poluição atmosférica na costa portuguesa provocada pelo tráfego marítimo representa cerca de 20% da poluição causada pelos óxidos de nitrogénio (NOx), um dos poluentes mais nocivos à saúde humana e ao meio ambiente. O alerta é feito por um estudo nacional, que aponta uma lista de medidas urgentes a serem colocadas em prática para minimizar o problema.

“As emissões marítimas, que compreendem sobretudo os poluentes NOx e o dióxido de enxofre (SO2), têm impacto máximo junto às rotas internacionais, mas este impacto chega à zona costeira, com contribuições que vão de 10 a 20% no caso dos NOx e acima de 20% para o SO2”, refere Alexandra Monteiro, investigadora do Departamento de
Ambiente e Ordenamento e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, uma das unidades de investigação da Universidade de Aveiro (UA).

A coordenadora do estudo garante tratar-se de um “cenário preocupante” que é urgente combater. “É muito importante colocar no terreno as medidas propostas pela investigação, algumas promovidas pela própria regulação europeia, sobretudo face ao contínuo e esperado aumento do tráfego marítimo.”

Dependência de combustíveis fósseis

De acordo com os investigadores, atualmente cerca de 90% (75% na Europa, com tendência a crescer) de toda a troca de mercadorias e bens em todo mundo é realizada por via marítima, o que torna este meio de transporte preocupante em termos de impacto ambiental, sobretudo devido à sua grande dependência no que diz respeito ao uso de combustíveis fósseis, com emissões atmosféricas associadas e potencial impacto na qualidade do ar.

Coordenado por Alexandra Monteiro, o projeto AIRSHIP , financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e que terminou recentemente, visou avaliar o impacto na qualidade do ar das emissões do transporte marítimo em Portugal e, com maior detalhe, ao nível local/portuário, tendo como caso de estudo o Porto Leixões e a área urbana envolvente.

Cruzeiros contribuem para tráfego marítimo 

Os investigadores da UA, em colaboração com o Instituto Meteorológico Finlandês, estimaram as emissões atmosféricas associadas ao transporte marítimo em Portugal e avaliaram a contribuição destas emissões na qualidade do ar, recorrendo a um sistema de modelação numérica.

Os resultados revelaram que estas emissões têm um impacto na qualidade do ar máximo junto às rotas marítimas, chegando até às zonas costeiras onde se verificam contribuições de 10 a 20% para as concentrações de NOx e inferior a 10% no caso das partículas, dois dos poluentes mais críticos em Portugal, com excedências aos valores limite legislados.

Relativamente aos cruzeiros, as estimativas revelam que as emissões associadas correspondem apenas a cerca de 5% do total do transporte marítimo. Os estudos que os apontam como grandes poluentes, referem-se principalmente às emissões de SO2 (um poluente que apresenta valores residuais em termos de qualidade do ar em Portugal), já que é verdade que os cruzeiros emitem 28 vezes mais SO2 que o transporte rodoviário (mas 17 vezes menos NOx).

Medidas para reduzir impacto

Os estudos feitos no projeto AIRSHIP, quer ao nível regional, quer local (caso de estudo Porto de Leixões), envolveram ainda a investigação de medidas estratégicas mitigadoras para as emissões associadas ao transporte marítimo (focadas sobretudo no uso de combustíveis alternativos e práticas sustentáveis) e à atividade portuária, e elaboração de linhas de orientação para a sua implementação.

Entre as dezenas de medidas apontadas, os investigadores sublinham a importância da redução da velocidade dos  navios enquanto estão em operação através da redução das rotações por minuto do motor e a utilização de combustíveis alternativos, de modo a diminuir o uso dos combustíveis mais tradicionais no transporte marítimo.

Alterações nos motores do navio, de forma a torná-los mais limpos, e a implementação nos navios de um sistema de limpeza de gases de exaustão são outras das muitas medidas propostas.

“Esperamos que estes resultados possam ser particularmente importantes e úteis na gestão e ação política na área do transporte marítimo e dos seus impactes ambientais, colocando assim a ciência e a investigação ao verdadeiro serviço da sociedade”, diz Alexandra Monteiro.

doenças intersticiais pulmonares

Doenças intersticiais pulmonares responsáveis por um quinto das consultas de pneumologia

Por | País

São muitas e diferentes as doenças intersticiais pulmonares (DIP) que, explica António Morais, pneumologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, correspondem a um grupo de mais de cem doenças, “muito heterogéneas”. Doenças consideradas raras mas que, garante o especialista, surpreendem pelo seu número. “No seu conjunto, representam uma significativa percentagem das consultas de pneumologia. Eu diria que cerca de um quinto das consultas de pneumologia serão relacionadas com estes doenças”, refere.

Luís Rosa, radiologista e diretor clínico da Affidea, confirma. “É rara a semana que eu, como radiologista, não veja um doente com patologia do interstício pulmonar, porque abrange um grupo muito vasto de doenças. No seu conjunto, a incidência é elevada, o que tem como consequência um custo elevado para o País”, reforça.

É que se tratam de “doenças, muitas delas com um prognóstico fechado, outras crónicas, que representam e afetam pessoas que a partir do momento do diagnóstico passam o resto da sua vida dependentes de qualquer tipo de apoio médico, da realização de exames e tratamentos mais ou menos inovadores e muitas acabam em insuficiência respiratória, que também tem exigências do ponto de vista hospitalar e não hospitalar muito grandes”. 

Segundo António Morais, o impacto é, de facto, grande. “As terapêuticas que atualmente existem, as mais recentes, são caras, o que envolve um esforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e, por outro lado, também pode ser necessário o transplante. É que num número razoável destes doentes a doença é progressiva e, porque não conseguimos controlar essa progressão desfavorável, vai acabar por ser necessário o transplante. Por isso, aquilo que o SNS precisa de disponibilizar para estes doentes é significativo.”

O tabaco e as doenças intersticiais pulmonares

O tema esteve em destaque no Interstitial Lung Disease Multidisciplinary Meeting, um congresso científico, organizado pela Affidea, que apresentou uma visão geral das DIP. E onde se falou também nas doenças intersticiais pulmonares relacionadas com os cigarros.

E se estes já preocupam os especialistas, a nova versão de tabaco – os cigarros eletrónicos -, que recentemente saltou para a ribalta pelas piores razões, junta-se agora aos motivos de preocupação.

“Relativamente ao debate que existe sempre sobre as melhores formas de cigarro, aquilo que nós dizemos é um conceito que é muito simples e perfeitamente entendível: o pulmão foi feito para respirar ar puro. Tudo o que não for isso vai necessariamente condicionar uma agressão e mais tarde ou mais cedo, de uma forma mais grave ou menos grave, teremos a resposta a essa mesma agressão”, refere António Morais. 

De acordo com o especialista, as notícias que têm vindo dos EUA, e que dão conta de mais de duas dezenas de mortes associadas aos cigarros eletrónicos, não são uma surpresa.

“É algo que seria previsível. E falando agora do tabaco aquecido, que se tornou uma forma de cigarro mais apelativo, é só uma questão de tempo. Porque as pessoas estão a inalar substâncias estranhas para o seu pulmão, estão a agredir o seu pulmão e obviamente que o seu pulmão vai reagir. Vamos saber como mais tarde ou mais cedo.”

Embora algumas das DIP sejam mais fáceis de diagnosticar, outras transformam-se em verdadeiros desafios, que exigem o envolvimento de equipas multidisciplinares.

No encontro científico, que se realizou em Cascais, alguns dos maiores especialistas, nacionais e internacionais, estiveram à conversa sobre estes desafios.

“São doenças, do ponto de vista de diagnóstico, muito complexas. E o que acontece é que as classificações da doença, as formas de diagnosticar e mesmo a forma como os achados encontrados nas radiografias e TACs devem ou não ser interpretados, sofrem modificações frequentes. Há uma atividade de publicação científica à volta destas doenças que exige uma constante atualização”, explica Luís Rosa.

oftalmologia

Oftalmologistas criam solução para as longas listas de espera

Por | País

No Dia Mundial da Visão, que se assinala esta quinta-feira, Fernando Falcão Reis, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), relembra que “zelar para que não seja posta em risco a saúde das pessoas é um dever a que SPO está obrigada por estatuto. Assim, é neste contexto, de defesa da saúde ocular dos portugueses, que a SPO decidiu avançar com a associação COESO – Consultórios de Especialistas de Oftalmologia”.

São três os objetivos desta rede. Primeiro, incentivar a abertura e instalação de consultórios privados autónomos e independentes, através da facilitação do início da atividade de jovens especialistas, fornecendo apoio para a abertura de consultórios em todo o território nacional.

Criar ainda uma rede de consultórios, agregando o maior número de oftalmologistas, de modo a garantir uma efetiva cobertura nacional.

Está já desenvolvida, e pronta a funcionar a partir de janeiro de 2020, uma aplicação de marcação de consultas para os médicos aderentes. Qualquer pessoa, em qualquer parte do País, pode encontrar um especialista por geolocalização ou por nome do médico.  Deste modo as pessoas terão a certeza de ser atendidas por um médico especialista e não por um ‘especialista da visão’.

Finalmente, pretende-se ainda estabelecer um protocolo com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), de modo a garantir uma consulta de proximidade a toda a população portuguesa.

Argumentos a favor do estabelecimento de um tal protocolo não faltam. “Regiões com menos de 15.000 pessoas, afastadas dos principais centros urbanos, sem oferta de serviços de oftalmologia no SNS ou nos hospitais privados estão condenadas a ver perpetuada esta situação por incapacidade do Estado e desinteresse dos privados”, refere o especialista.

“Os custos com deslocações constituem um fardo para os doentes e um encargo assinalável para o Estado. Custos que ultrapassam em muito o custo previsível de uma consulta. A triagem pré-hospitalar passaria a ser feita efetiva e eficazmente. O seguimento após intervenções hospitalares passaria a ser feito em proximidade. Os optometristas, que dão ‘consultas’ que podem colocar em perigo a visão, ou mesmo a saúde dos doentes, seriam menos procurados.”

A SPO está certa que “o ministério da Saúde não deixará de se pronunciar sobre o potencial de um projeto como este, que a SPO, por intermediação da COESO, consubstancia. A COESO aspira a ser o interlocutor que o Ministério da Saúde deseja para a implementação da, sempre adiada, rede nacional de cuidados primários em oftalmologia a que todos portugueses tenham acesso”.

Oftalmologia contra pressão da optometria

A SPO relembra “que a assistência oftalmológica em Portugal tem sido desde sempre assegurada por oftalmologistas e as longas listas de espera para uma consulta da especialidade hospitalar resultam de uma opção política e não na falta de oftalmologistas”.

Fernando Falcão Reis reforça que “em Portugal existem mais de 1.000 oftalmologistas, o que dá um ratio aproximado de 1 médico por 10.000 habitantes, o que coloca o País entre os da Europa com mais oftalmologistas, bem acima do ratio recomendado pela Organização Mundial de Saúde de 1 por 15.000 habitantes. Ao contrário do divulgado, formar mais oftalmologistas não resolverá o problema das listas de espera se os novos médicos optarem, como tem acontecido até à data, por abandonar SNS. Parece evidente que a solução passa por envolver os médicos que estão fora do SNS na prestação de cuidados de saúde primários”.

“Nos últimos anos tem havido uma indisfarçável pressão em várias frentes, também na frente política, para incluir a classe dos técnicos optometristas na área da prestação dos cuidados da saúde”, acrescenta o presidente da SPO.

“Os auto-designados ‘especialistas da visão’, apesar da usurpação do termo especialista, habitualmente percebido em contexto de saúde como sinónimo de médico, e da ambiguidade da palavra visão, na confusão que gera com ‘aparelho visual’, não conseguiram conquistar a confiança da população. Falta de confiança que se explica na base das várias insuficiências que os técnicos exibem pela ausência de formação médica adequada. Falta de confiança que radica, também e sobretudo, na ligação entre os técnicos optometristas e a atividade comercial nas lojas de óculos”, reforça.

A SPO considera que a presença constante de entrevistas e de artigos sobre patologias oculares assinados por estes ‘especialistas da visão’ nos meios de comunicação social constitui uma ameaça à saúde pública.

E, segundo explica o representante da SPO, “não só pelas imprecisões, quando não erros científicos, que propalam. Mas sobretudo porque tem sido preocupante verificar que a presença mediática tem tido como objetivo, não o esclarecimento das pessoas, mas tão somente promover a atividade dos inúmeros consultórios de ‘especialistas’ espalhados por todo o País”.

autodiagnóstico do VIH

Infarmed proíbe venda de teste de autodiagnóstico do VIH chinês

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O Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde revela a proibição de colocação no mercado do teste rápido de autodiagnóstico para o VIH do fabricante chinês Zhuhai Encode Medical Engeneering, por falta de conformidade com a diretiva europeia.

De acordo com a agência nacional do medicamento, foi no âmbito de uma ação de fiscalização que a autoridade competente Sueca identificou que o dispositivo médico não ostentava a marcação CE, pelo que não evidencia cumprir os requisitos da Diretiva aplicável aos dispositivos médicos para diagnóstico in vitro.

Por isso mesmo, ordenou a proibição da sua colocação no mercado e distribuição.

Em Portugal, o Infarmed partilha a inexistência de um registo da comercialização do referido dispositivo médico deste fabricante. No entanto, tendo em conta “que existe livre circulação de produtos no Espaço Económico Europeu e que este produto era vendido online, o Infarmed recomenda que este não seja adquirido nem utilizado”.

Mais ainda, “a existência deste dispositivo em Portugal deve ser reportada à Direção de Produtos de Saúde do
Infarmed”.

Testes de autodiagnóstico são vendidos nas farmácias

Recorde-se que os testes de autodiagnóstico – ou autotestes – de rastreio da infeção por VIH já são vendidos nas farmácias portuguesas, permitindo a realização do teste em casa, através de uma picada no dedo. O resultado, esse chega em apenas minutos.

O teste tem um custo associado, que deverá rondar os 20 a 25 euros, ainda que seja livre, o que significa que o mesmo será definido pelas farmácias que o decidam vender.

Uma iniciativa do Ministério da Saúde, que tem como objetivo aumentar o rastreio populacional, já que Portugal apresenta ainda uma das mais elevadas incidências de infeção VIH na Europa.

hipercolesterolemia familiar

Hipercolesterolemia familiar, uma doença que continua subdiagnosticada em Portugal

Por | País

Chama-se hipercolesterolemia familiar e é uma doença genética e hereditária, caracterizada por elevados níveis de colesterol desde o nascimento, que levam ao aparecimento de aterosclerose e doenças cardiovasculares precoces. O que significa que as pessoas com esta doença, com idades entre os 20 e os 40 anos, têm um risco 100 vezes superior de desenvolver doença cardiovascular, nomeadamente enfarte do miocárdio. Um risco que pode ser prevenido, isto se a patologia for identificada precocemente. No entanto, a falta de diagnóstico é uma realidade nacional.

Em Portugal, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, através do seu Departamento de Doença de Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças Não Transmissíveis, já identificou geneticamente 858 indivíduos com  a hipercolesterolemia familiar. 

Mas as estimativas apontam para a existência de cerca de 20 mil pessoas com esta doença, que se juntam aos cerca de dois milhões que, na Europa, vivem com o problema, segundo as contas da Sociedade Europeia de Aterosclerose. Ou seja, por cá, de acordo com o Estudo Português de Hipercolesterolemia Familiar, estão atualmente apenas identificados cerca de 4,5% desses indivíduos, num total de mais de 1.000 famílias estudadas.

Destes, cerca de 30% são crianças, que estão agora a receber tratado adequado para não desenvolverem doença cardiovascular prematura.

Ainda de acordo com a mesma fonte, Alentejo e os Açores são as regiões com a maior percentagem de casos identificados.

Genes responsáveis por hipercolesterolemia familiar 

Desde 1999 que o Instituto Ricardo Jorge estuda esta doença, no âmbito do estudo já referido, realizado em colaboração com médicos de todo o País e financiado pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia e a Fundação para a Ciência e Tecnologia. 

Considerada uma das doenças genéticas mais frequentes e a que mais se associa ao aumento do risco cardiovascular, a hipercolesterolemia familiar surge devido a uma alteração num gene responsável pela remoção do colesterol do sangue, apresentando os indivíduos com esta alteração um risco muito elevado de sofrerem uma doença cardiovascular prematura.

benefícios da água das salinas

Água das salinas tem compostos que beneficiam sistema imunitário

Por | País

Das salinas vem o sal, mas de acordo com a descoberta feita por uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA), pode vir muito mais. É que a salmoura, ou seja, a água das salinas, apresenta compostos que beneficiam o sistema imunitário e que podem ser usados pela indústria alimentar e farmacêutica.

Os benefícios estendem-se ainda à economia, já que o aproveitamento da salmoura pode dar um importante impulso à sobrevivência das salinas nacionais.

“Para além dos sais, a salmoura é rica noutros compostos, nomeadamente fibras, que têm potencial atividade imunoestimuladora”, refere Cláudia Nunes, investigadora do CICECO-Instituto de Materiais de Aveiro.

“Os compostos com esta propriedade podem ser usados em diferentes produtos alimentares como ingredientes ou como suplementos alimentares, potenciando a nossa resposta imune, podendo também ser utilizados pela indústria farmacêutica”, explica a coordenadora do trabalho que utilizou salmoura da Marinha de Santiago da Fonte da Academia de Aveiro.

Revitalização das salinas

Facilmente extraídos da salmoura, que é a água saturada de sal da qual, por evaporação, surgem os cristais de cloreto de sódio, os compostos podem ser retirados por uma simples filtração e evaporação da água.

Para além dos benefícios para as indústrias alimentares e farmacêuticas e, naturalmente, para os consumidores, a comercialização destes compostos imunoestimuladores, descreve Cláudia Nunes, “poderia ser uma forma de ajudar a reativação da atividade de produção de sal através de um outro produto, a água da salmoura, que podia ser rentabilizado”.

Neste momento, os investigadores estão a preparar a candidatura a um projeto com uma empresa portuguesa produtora de sal para o desenvolvimento de novos produtos com base nestes compostos.

doentes com esclerose múltipla sem acesso a medicação

Doentes com esclerose múltipla sem acesso a medicamentos inovadores

Por | País

Aumentar a consciencialização para a Esclerose Múltipla (EM) e o acesso aos medicamentos inovadores, capazes de travar a progressão da doença, são duas das medidas reivindicadas pelas associações representativas dos cidadãos com EM, os seus familiares e cuidadores que, juntos, subscrevem uma Carta Aberta de Princípios Orientadores para Tratar, Gerir e Cuidar o Cidadão com Esclerose Múltipla.

Apresentado esta quinta-feira, o documento visa transmitir à sociedade os anseios, as expectativas, as necessidades que permitam garantir a todos uma vida digna, sem estigmas nem constrangimentos e com uma plena integração na  comunidade.

A carta inclui vários princípios que pretendem assegurar que os portugueses que vivem com esta doença neurológica crónica, inflamatória e degenerativa, que afeta todos os aspetos da vida da pessoa desde o seu diagnóstico, de forma permanente e progressiva, tenham assegurados os seus direitos enquanto cidadãos.

“É muito importante que os doentes com EM tenham acesso aos medicamentos inovadores, que estabilizam a doença e permitem uma maior qualidade de vida, não só para quem tem o diagnóstico, mas para todos aqueles que os acompanham. Esse é um dos pontos da carta, ao qual se juntam outros, que pretendem tornar mais fácil a vida de todos”, afirma Alexandre Guedes Silva, presidente da SPEM.

“Ainda esta semana foram apresentados resultados muito importantes com diversos medicamentos, num Congresso internacional de Esclerose Múltipla (ECTRIMS), que infelizmente ainda não estão disponíveis para os doentes portugueses”, acrescenta.

“Há estudos que mostram, por exemplo, que é possível manter autonomia e adiar a utilização de cadeira de rodas se os tratamentos adequados forem utilizados desde o início da doença. Isto tem um impacto muito significativo na vida das pessoas e das suas famílias. Temos de assegurar que os doentes portugueses têm acesso a estes tratamentos”, refere ainda Alexandre Guedes da Silva.

Carta pede mais apoio para doentes com esclerose múltipla

Preocupados com esta problemática, a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, Associação Nacional de Esclerose Múltipla e Associação Todos pela Esclerose Múltipla uniram-se a outras associações internacionais e elaboraram uma carta de princípios orientadores, que agora subscrevem e tornam pública.

Assim, os seguintes princípios pretendem assegurar que os portugueses que vivem com esta doença veem assegurados os seus direitos enquanto cidadãos nas seguintes dimensões: diagnóstico, tratamento, acompanhamento, proteção social, emprego, etc.

Para isso, as associações reclamam:

1. Aumento da consciencialização sobre a EM, incluindo a natureza invisível dos sintomas da doença.

2. Definir normas nacionais para o diagnóstico precoce, tratamento e elegibilidade para uma melhor proteção social, garantindo o seu real acompanhamento e implementação.

3. No caso de suspeita de EM, as pessoas devem ser imediatamente encaminhadas para um médico especialista na doença que garanta o acesso aos melhores tratamentos em tempo útil e de forma equitativa.

4. Todas as pessoas com EM devem ter acesso a um plano integrado de gestão da doença, que inclua: formação, acesso adequado a serviços de reabilitação e/ou psicológicos e aos melhores tratamentos de forma atempada e adequada a cada caso, bem como a uma monitorização contínua deste plano.

5. Reconhecimento do papel do cuidador e dos seus benefícios indiretos para a sociedade, não descurando o apoio financeiro necessário e adequado que permita o cumprimento deste importante papel.

6. Implementação do registo nacional da doença, que capture todos os seus apetos, desde o diagnóstico, passando pela informação sobre os tratamentos, caracterizando a progressão e medindo a qualidade de vida do doente e seu agregado familiar. Dados fundamentais que permitam medir os resultados reais em saúde.

7. Garantir condições flexíveis de educação e emprego para as pessoas afetadas pela EM, doentes, cuidadores e familiares, incluindo medidas para mitigar o estigma.

Para as associações signatárias, estas medidas abrem caminho para que o cidadão com EM veja reconhecidos pela sociedade e implementados pelo Governo os passos necessários à sua integração plena na comunidade, sem discriminação nem estigma.

fibrose pulmonar idiopática

Diagnóstico de Fibrose Pulmonar Idiopática pode demorar até 24 meses

Por | País

Falta de ar, tosse seca e persistente e menor resistência física. Estes podem ser sintomas de muitas doenças, mas entre elas encontra-se a Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI), uma doença rara, que afeta gravemente e de forma progressiva os pulmões, cujo diagnóstico é difícil. António Morais, pneumologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), afirma que pode demorar entre 12 a 24 meses, isto porque os sintomas são muitas vezes desvalorizados pelo doente e confundidos numa primeira fase com outras doenças cardíacas e respiratórias.

Na FPI, os pulmões são danificados, resultado de um processo de cicatrização, a fibrose, que os torna mais rígidos. A troca de ar nos pulmões fica, assim, comprometida e, consequentemente, a respiração deixa de ser normal. Por isso, setembro, mês de sensibilização para a Fibrose Pulmonar Idiopática, é o momento ideal para alertar a população para esta doença, que afeta pessoas acima dos 50 anos, com maior incidência entre os 60 e os 70 anos. 

“Inicialmente, o doente tende a interpretar a dispneia de esforço (falta de ar, dificuldade em respirar) como uma consequência normal do avanço da idade”, refere o especialista.

Por outro lado, António Morais explica que inicialmente “são despistadas doenças mais frequentes, como a insuficiência cardíaca ou a DPOC, não havendo a sensibilidade de procurar igualmente a Fibrose Pulmonar Idiopática, mesmo quando as outras doenças não são diagnosticadas”. 

Doentes não devem desvalorizar os sintomas

Entre os exames que permitem identificar os casos de FPI encontram-se “a TAC torácica que, se evidenciar um padrão de Pneumonia Intersticial Usual definitiva, é suficiente para diagnóstico. Nos outros casos, existem situações que necessitam da realização de biopsia pulmonar”.

A cura está apenas no transplante pulmonar, mas existem medicamentos antifibróticos que permitem uma desaceleração na progressão da doença. 

O presidente da SPP deixa, por isso, um alerta aos especialistas: “quando despistadas as doenças comuns do foro cardíaco e respiratório, o médico deve pensar neste diagnóstico quando o doente se queixar de dispneia de esforço e/ou tosse seca e apresentar crepitações inspiratórias basais na auscultação pulmonar”.

Quanto ao doente, importa “não desvalorizar os sintomas e procurar um médico quando a falta de ar, o cansaço e a tosse seca forem persistentes”.

aplicação para idosos

Politécnico de Leiria lança aplicação para idosos com declínio cognitivo

Por | País

Chama-se Digi&Mind e é um programa digital de estimulação para idosos com declínio cognitivo. A plataforma conta com uma aplicação (app) a ser utilizada pelos idosos, sozinhos ou acompanhados, e com um website, acessível apenas a profissionais de saúde.

Apresentado no Dia Mundial da Doença de Alzheimer, que se assinala a 23 de setembro, na Escola Superior de Saúde do Politécnico de Leiria, pela equipa de investigadores da Escola Superior de Saúde – Politécnico de Leiria e da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, a plataforma pretende promover a saúde mental de idosos com declínio cognitivo, nomeadamente Alzheimer, permitindo que os profissionais de saúde acompanhem os resultados da evolução dos utentes.

Desenvolvido durante o projeto de investigação “Mind&Gait – Promoção da autonomia de idosos frágeis através da melhoria da cognição e capacidade de marcha e utilização de produtos de apoio”, o projeto, que inclui a aplicação, envolveu um grupo de investigadores do Politécnico de Leiria, Instituto Politécnico de Coimbra, Instituto Politécnico de Santarém, Cáritas Diocesana de Coimbra, e Santa Casa da Misericórdia de Alcobaça, coordenado pela Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.

Synlab no Parque das Nações

SYNLAB abre novo centro de análises clínicas no Parque das Nações

Por | País

A SYNLAB acaba de inaugurar uma nova unidade de saúde no Parque das Nações, em parceria com a Clínica Ecran. Localizada na Alameda dos Oceanos, a clínica passa assim a disponibilizar o serviço de análises clínicas nos dias úteis e sábados (manhãs), com possibilidade de envio de resultados por email e/ou urgentes, ou seja, entrega no próprio dia.

Esta nova unidade SYNLAB dispõe de acordo com o Serviço Nacional de Saúde e principais seguradoras e, para além das análises gerais e de rotina, disponibiliza também um variado leque de testes especiais de genética, anti-aging, wellness e nutrição, entre outros com grande interesse por parte da população, como rastreio pré-natal, estudo de intolerância alimentar, avaliação de alterações no sono e stress, impacto da genética no desporto e nutrição, entre muitos outros.

Esta é a terceira unidade SYNLAB na zona do Parque das Nações, reforçando assim o plano de expansão da marca que tem, como objetivo principal, ampliar o acesso da população de todas as regiões ao serviço de análises clínicas.