doação de sangue

IPO Lisboa quer mais dadores de sangue

Por | País

Em 2018, o IPO Lisboa registou 4.120 dádivas de sangue, de um total de 4.527 dadores inscritos, 1.150 dos quais novos dadores. Agora, por ocasião do Dia Mundial do Dador de Sangue, que se assinala no próximo dia 14, o IPO Lisboa inaugura as novas instalações do Serviço de Imunohemoterapia (SIH) e apela à dádiva, para conseguir ultrapassar o desejado: 20 dádivas diárias.

No novo espaço, que está em funcionamento desde março de 2019, concentram-se todas as valências do serviço: Banco de Sangue, Laboratório de Imunohematologia, Hospital de Dia de Transfusão e Unidade de Dadores de Sangue. 

Obras que representaram um investimento de cerca de 700 mil euros e visam melhorar as condições de tratamento dos doentes, aumentar a capacidade do serviço na área das colheitas/dadores de sangue e oferecer as melhores condições de trabalho aos profissionais de saúde.

Aumentar as dádivas de sangue

“A ampliação e requalificação das instalações do Serviço de Imunohemoterapia insere-se num plano integrado de melhoria e continuidade do IPO, que visa melhorar as condições de prestação de cuidados para os doentes e profissionais e responder ao crescente aumento da procura de cuidados em oncologia”, sublinha em comunicado Sandra Gaspar, vogal executiva do Conselho de Administração.

Neste dia, explica Dialina Brilhante, diretora do SIH do IPO Lisboa, “queremos realçar a importância da doação de sangue e de componentes na nossa instituição, com o objetivo ultrapassar as 20 doações por dia. Queremos aumentar o número de dadores e de dádivas para podermos fazer face às necessidades crescentes: cerca de 1.700 doentes, nove mil concentrados de eritrócitos e entre 15 a 20 mil concentrados de plaquetas”.

Para a médica, a mensagem do IPO Lisboa é clara: “Queremos continuar a contar com os dadores regulares e lembrar os mais jovens que a dádiva de sangue ou de componentes é um dever de cidadania e um gesto de generosidade e de solidariedade que permite salvar vidas”.

doentes satisfeitos com IPO Lisboa

Doentes satisfeitos com o IPO Lisboa

Por | País

Os doentes em tratamento no Instituto Português de Oncologia de Lisboa (IPO Lisboa) confiam nos profissionais de saúde, sentem-se seguros e reconhecem a qualidade do trabalho desenvolvido, apreciam o conforto dos serviços de internamento, sente-se respeitados e estão muito satisfeitos com a assistência e o acompanhamento que recebem. Quem o diz são os próprios, na sequência da resposta ao Inquérito de Satisfação dos Utentes realizado no final de 2018.

Foram, ao todo, contabilizadas 929 respostas de doentes do internamento e do ambulatório, 56% dos quais mulheres. Metade vive no distrito de Lisboa, 45% têm o ensino secundário e 22% têm nível de ensino superior. Quase três em cada 10 (28%) vão ao IPO Lisboa entre uma a seis vezes por ano, 12% duas a três vezes por mês e 8% uma vez por semana.      

Além do grau de satisfação, o questionário distribuído visa avaliar as necessidades e as expectativas dos utentes. E nesta matéria, as principais sugestões passam por um atendimento telefónico mais rápido e eficiente, realização das consultas médicas às horas marcadas e reforço do número de profissionais nalguns setores.

Curiosamente, nas propostas que fazem, alguns doentes referem mesmo que é urgente “desbloquear” as contratações de pessoal e remunerar melhor os recursos humanos do setor público da saúde, pois “nestas condições é humanamente impossível fazer mais”.      

Pedida melhoria na comunicação médico/doente no IPO Lisboa

De entre as áreas avaliadas, destacam-se também a relação com os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos, administrativos, assistentes operacionais) e a qualidade e a segurança dos atos clínicos e administrativos, todos com índice de satisfação que varia entre os 90 e os 98%.

Quanto à informação prestada pelos diferentes grupos profissionais, mais de 80% consideram-se satisfeitos, mas a melhoria da comunicação médico/doente é um dos pontos onde muitos utentes desejam ver melhorias.            

Os doentes pedem ainda salas de espera mais confortáveis e acolhedoras, menos tempo no transporte residência/hospital/residência, mais conforto e privacidade no Hospital de Dia e no Serviço de Atendimento não Programado, mais informação na área da nutrição/alimentação, aumento do número de lugares de estacionamento e melhoria dos arruamentos.      

No geral, a limpeza, o conforto e a privacidade das instalações também merecem uma avaliação muito positiva. Já a sinalética é considerada boa, tendo vários doentes sinalizado a necessidade de melhorar a informação sobre a localização de alguns serviços, no interior do IPO Lisboa.      

cuidados paliativos em Portugal

Mais de 50 mil pessoas morrem em Portugal com necessidade de cuidados paliativos

Por | País

Todos os anos, mais de 50 mil pessoas perdem a vida em Portugal com necessidade de cuidados paliativos, um país que não tem mais do que 96 serviços que oferecem estes cuidados para adultos, revelam os dados do Atlas de Cuidados Paliativos na Europa 2019, um trabalho publicado recentemente.

Foram, ao todo, avaliados 51 países europeus, numa região onde se estima que, por ano, morram cerca de 4,5 milhões de pessoas portadoras de doença. Ao todo, o Velho Continente conta com 6.388 serviços especializados neste tipo de cuidados, 47% dos quais concentrados em quatro países: Alemanha, Reino Unido, França e Itália.

Ainda de acordo com o Atlas, 40% das nações do continente têm metade ou menos do número de unidades recomendado pela Associação Europeia de Cuidados Paliativos (EAPC), que é de dois por 100.000 habitantes. Portugal não vai além dos 0.9.

Crianças também precisam de cuidados paliativos

Os autores do Atlas recordam que não é apenas a população adulta que requer estes cuidados: 140.000 crianças europeias morrem por ano com necessidade de os receber, sendo apenas 38 os países com programas paliativos pediátricos. Portugal está entre eles, com seis programas domiciliários e cinco hospitalares.

Nesta que é a sua terceira edição, o Atlas explora pela primeira vez aspetos como a integração dos paliativos nos cuidados primários e noutros departamentos, o voluntariado e o trabalho das sociedades científicas para o desenvolvimento dessa disciplina.

Em relação à primeira questão, 12 países possuem sistemas, nos cuidados de saúde primários, para identificar doentes que precisam de paliativos, embora a maioria ofereça este atendimento no último mês de vida. Da mesma forma, 10 nações integram este serviço desde o início na área da oncologia, oito na cardiologia e 14 em casas de repouso.

Em relação à vitalidade da profissão, contam-se 41 países com uma associação nacional deste tipo de cuidados (Portugal é um deles), sendo apenas oito aqueles que dispõem demais de mil voluntários registados para dar apoio aos trabalhadores da saúde.

Para continuar a crescer, os autores ressalvam a importância do treino, enfatizando que 13 países têm o ensino obrigatório dos cuidados paliativos a mais de 50% dos seus estudantes de medicina e nove a mais de 50% dos seus estudantes de enfermagem. No caso de Portugal, apenas 25% das Faculdades de Medicina e 70% das Faculdades de Enfermagem treinam os seus alunos nesta disciplina.

Heart Center no Hospital Cruz Vermelha

Hospital Cruz Vermelha abre centro inovador para tratar doenças cardiovasculares

Por | País

É um centro inovador em Portugal, um espaço especializado em tratamentos cardiovasculares, que abre esta sexta-feira portas no Hospital Cruz Vermelha e que oferece, nesse mesmo dia rastreios cardiovasculares gratuitos à população.

Aberto 24 horas por dia, 365 dias por ano, o Heart Center distingue-se dos serviços clássicos de cardiologia ou da área cerebrovascular, por ser um centro dedicado à prevenção, através da prestação de cuidados de saúde especializados com base em tecnologias inovadoras e altamente diferenciadas e, ao mesmo tempo, a todo o tipo de tratamentos com procedimentos minimamente invasivos e cirurgias complexas.

Tudo com o apoio de uma equipa multidisciplinar, composta por especialistas de topo das diversas áreas, desde a cardiologia, cirurgia cardio-torácica ou cirurgia vascular, passando pelos exames complementares de diagnóstico como a ecocardiografia ou a imagiologia, até à reabilitação cardíaca, completando todo o ciclo.

“O doente encontra aqui resposta ampla para qualquer problema do foro cardiovascular, com um modelo integrado de abordagem, sempre da forma menos invasiva e mais efetiva possível, com acompanhamento constante e multidisciplinar em articulação com os vários níveis de cuidados e equipas, o que já se faz nos países mais avançados, como na Alemanha e Estados Unidos, mas que ainda falta trazer a Portugal”, refere Luis Baquero, coordenador do Heart Center.

Inovação sem igual no Hospital Cruz Vermelha

Os novos equipamentos deste centro são uma novidade em Portugal e primam por uma inovação sem igual.

“Os mais recentes equipamentos adquiridos permitem fazer o acompanhamento dos doentes em casa, com recurso à telessaúde e a transmissão de dados, que permitem avaliar e acompanhar sinais como a pressão arterial, o peso ou as arritmias”, reforça o especialista.

“O doente passa a ser parte ativa do seu tratamento, permanentemente acompanhado pela equipa médica. Temos dispositivos únicos com equipamentos de última geração, que vão permitir intervenções minimamente invasivas com redução de infeções e das incisões que permitem a redução de complicações.”

Ao nível do investimento, o Hospital Cruz Vermelha soma cerca de 10 milhões de euros aplicados neste projeto. Um investimento que, segundo Teresa Magalhães, presidente da Comissão Executiva do hospital, “faz sentido para a nossa estratégia, que passa por nos posicionar como centro de referência na prevenção e tratamento das doenças cardiovasculares. Sentimos que ainda há muito a fazer em Portugal na área das doenças cardiovasculares e queremos oferecer o que de melhor se faz em Portugal”.

O Heart Center vem, por fim e como princípio, consolidar os valores do hospital. “Prestar os melhores cuidados de saúde ao doente, através dos mais prestigiados meios técnicos e humanos, baseados no rigor e na melhor prática clínica. Serão sempre estes os valores do novo centro e do nosso hospital”.

biotecnologia e inovação

Biotecnologia é a 5.ª área tecnológica com mais patentes em Portugal

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Considerado um dos setores prioritários para a competitividade da economia nacional, o setor da biotecnologia apresenta elevada capacidade de inovar e de difundir inovação, cenário confirmado pelo Estudo de Caracterização do Setor da Biotecnologia, apresentado no BIOMEET, que revela que a biotecnologia é, em Portugal, a 5.ª área tecnológica com mais patentes – na Europa dos 28, este setor não vai além da 15.ª posição.

Em Portugal, de acordo com o estudo, o setor conta atualmente com mais de 80 empresas que têm a biotecnologia como atividade primária, às quais se juntam outras 100 que a têm como atividade secundária.

E, do total de empresas analisadas, 24% estão associadas a publicações de patentes: entre 2000 e 2019, foram submetidas por estas empresas um total de 369 patentes. Ao todo, 25% das empresas com registo de patentes são responsáveis por 80% das patentes registadas.

“Setor mais maduro e a dar os seus frutos”

O sector tem registado um crescimento expressivo. A título de exemplo, entre 2011 e 2017 o crescimento de empresas com biotecnologia como atividade primária foi de 102%. No mesmo intervalo de tempo, o crescimento de emprego foi de 125%.

“Este estudo demonstra que o sector da biotecnologia está muito mais maduro e a dar os seus frutos. No entanto, o potencial de crescimento é enorme até chegar ao nível dos países líderes, como a Dinamarca ou Holanda”, afirma Filipe Assoreira, presidente da P-Bio.

“Certo é que estes países começaram muito mais cedo o seu investimento nesta área. A P-Bio continuará a apoiar as empresas  e a criar estes tipo de estudos para que as empresas e instituições Portuguesas possam ter ferramentas para defender o investimento no nosso ecossistema.”

Numa altura em que está a comemorar os seus 20 anos de atividade, a P-Bio volta a realizar o BIOMEET, dedicado à temática dos medicamentos órfãos e ao balanço dos seus últimos anos em Portugal, onde se apresentou também o “Livro Branco dos Medicamentos Órfãos”.

insuficiência cardíaca grave

Cerca de 50% dos doentes com insuficiência cardíaca grave têm anemia

Por | País

O estudo EMPIRE já comprovou que a prevalência da anemia na população portuguesa adulta é muito maior do que a Organização Mundial de Saúde previa. Ou seja, a prevalência estimada de 15% é, na realidade de 20.4%, constituindo, por isso, um problema de saúde pública. Aqui, juntam-se outras preocupações, que têm a ver com a insuficiência cardíaca. É que, em cerca de metade dos casos, a anemia resulta de uma deficiência de ferro, que é uma comorbilidade frequente nos doentes com insuficiência cardíaca crónica.

Contas feitas, cerca de 50% dos doentes com insuficiência cardíaca grave têm anemia e muitos têm ferropenia, mesmo na ausência de anemia, alerta o Anemia Working Group Portugal (AWGP), no âmbito do mês de maio, mês do coração.

É importante, por isso, que a população em geral, profissionais de saúde e decisores políticos estejam sensibilizados para esta questão.

Corrigir a anemia com ganhos no prognóstico da insuficiência cardíaca grave

Quando está presente, a anemia agrava o prognóstico da insuficiência cardíaca. Mas, mais importante que a anemia, é a deficiência de ferro, quer esta se faça acompanhar por anemia quer não.

Cândida Fonseca, cardiologista e membro do AWGP, confirma que “nos esquecemos muitas vezes de corrigir a anemia e a mais forte razão, a ferropenia, nestes doentes”.

No entanto, a investigação demonstrou que, quando se corrige a ferropenia e a anemia em doentes com insuficiência cardíaca, há ganhos no prognóstico: a qualidade de vida melhora significativamente e a taxa de internamentos diminui.

Para o doente, “o diagnóstico atempado e a correção da anemia e da ferropénia representam uma mais-valia, pelo que é imprescindível fazer o rastreio sistemático destas situações aquando do primeiro diagnóstico de insuficiência cardíaca”.

obras em dez hospitais

Há 91 milhões de euros para obras em dez hospitais do SNS

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São 10 os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que vão beneficiar de um investimentos de 91 milhões de euros nos próximos três anos, verbas parcialmente provenientes de financiamento comunitário.

Para além da recuperação e da melhoria de infraestruturas e equipamentos, pretende-se ainda melhorar a rede e aumentar a atual capacidade instalada do SNS, o que passa pela aquisição de equipamentos para radioterapia, a requalificação de instalações e equipamentos e projetos com vista à eficiência energética.

Caberá, agora, aos hospitais realizar as ações necessárias à concretização o mais rápida possível destes investimentos.

Os hospitais da lista

Da lista de instituições que vão ser contempladas com investimento fazem parte o Centro Hospitalar Tondela/Viseu, que vai ter obras de alargamento e remodelação da urgência polivalente, o Centro Hospitalar Barreiro/Montijo, para o qual será adquirido um acelerador linear para radioterapia, sofrendo ainda obras de adaptação e o Centro Hospitalar Póvoa Varzim/ Vila do Conde, com reabilitação e melhoria de instalações.

O Centro Hospitalar Trás-os-Montes e Alto Douro vai ter direito a um novo acelerador linear e à reabilitação dos sistemas energéticos;  o Centro Hospitalar do Médio Ave terá uma requalificação da unidade de Santo Tirso, enquanto o Centro Hospitalar do Baixo Vouga recebe verba para um projeto de eficiência energética.

No Centro Hospitalar de Lisboa Norte será feita a construção da Central Térmica do Hospital de Santa Maria; no Centro Hospitalar de Setúbal será construído um novo edifício para o serviço de Urgência; no Instituto Português de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil será feita a requalificação do edifício de Cirurgia e no Hospital das Forças Armadas a requalificação do polo de Lisboa.

Obras na urgência do São José arrancam no dia 6

As obras de requalificação e modernização do Serviço de Urgência Geral do Hospital São José, em Lisboa, vai arrancar já no próximo dia 6 de maio.

A intervenção, que vai custar 1,2 milhões de euros, irá durar até ao fim do ano e “corresponde à necessidade inadiável de aumentar e modernizar as instalações onde funciona a urgência”.

As obras vão permitir aumentar as instalações em cerca de 30% e, no início de 2020, haverá “mais gabinetes médicos e todas as especialidades oferecidas nas urgências ficarão concentradas na mesma zona, revela o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central.

Na psiquiatria, as obras vão permitir “significativos melhoramentos, ganhando uma sala de contenção e outra de observação”.

Provedor do doente no CHULC

Centro Hospitalar de Lisboa Central vai ter um provedor do doente

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Ouvir ativamente e dar resposta aos doentes que procuram ajuda e esclarecimento sobre o atendimento e cuidados prestados em todas as áreas clínicas é a missão do Provedor do Doente do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC). Uma novidade agora apresentada.

A ideia é, explica-se em comunicado, dar início a uma “mudança de paradigma”, que se pretende aplicar ao Novo Hospital de Lisboa, a construir na zona oriental, e que tem como princípio-base trazer o doente para o processo de decisão.

Na sua função de dar voz aos cidadãos que recorrem ao hospital, o Provedor estará atento aos atuais desafios do Serviço Nacional de Saúde, que passam pelo “recrudescimento das exigências da comunidade, pelo aumento das tecnologias na prestação de cuidados de saúde, a par de uma maior longevidade e de uma acrescida incidência das doenças crónicas”.

Desafios que exigem um envolvimento mais incisivo do doente e da sua família nas instituições de saúde, permitindo potenciar o sentimento de confiança e o grau de satisfação dos cidadãos.

Agindo como representante do Conselho de Administração, o Provedor do Doente constitui uma peça essencial deste modelo mais participado, em que “o hospital segue o doente”, e não o contrário, “e em que se aposta no desenvolvimento das relações doente-hospital, antecipando as necessidades, programando a atividade de acordo com as características específicas dos doentes e ativando os recursos internos de forma integrada”.

O nome do Provedor ainda não é conhecido – será em breve – e, entre outras, terá as tarefas de representar os interesses dos doentes e suas famílias; solicitar todos os esclarecimentos e informações a quaisquer estruturas do centro hospitalar, reunir com o Conselho de Administração com vista à correção de condutas e melhoria contínua dos cuidados, assinalar dificuldades e obstáculos a uma melhor prestação assistencial e propor soluções e apresentar propostas para a divulgação dos direitos dos doentes e planos de ação para a informação dos utentes e famílias.

centro para estudar artrite reumatoide

Portugal vai ter centro dedicado à investigação clínica da artrite reumatoide

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É, por enquanto, apenas uma maqueta, mas o projeto que a Associação Nacional de Doentes com Artrite Reumatoide (A.N.D.A.R.) quer ver concluído em 2022 vai ser muito mais do que isso: para além de muitas valências, a nova sede vai ter ainda o primeiro centro dedicado à investigação e aos doentes com artrite reumatoide em Portugal

De acordo com Arsisete Saraiva, presidente da A.N.D.A.R., que fala no âmbito do Dia Nacional do Doente com Artrite Reumatoide, que se assinala esta sexta-feira (5 de abril), o projeto servirá muitos propósitos, que vão do acolhimento e apoio a doentes diagnosticados sem acesso a tratamento adequado e divulgação da doença e do seu tratamento.

Para Arsisete Saraiva, “este é o realizar de um sonho. É um centro criado e pensado de raiz para doentes com artrite reumatoide”.

O novo edifício, uma obra que continua em busca de investidores que ajudem a tornar-se realidade, terá sete pisos acima do solo e dois em cave, apresentando-se com uma imagem singular, espelho de segurança, conforto, sofisticação e tecnologia.

Terá gabinetes médicos, salas de tratamentos e exames, sala de trabalho de enfermagem, ginásio, fisioterapia e hidroterapia (piscina), um núcleo de internamento, com uma unidade de cuidados continuados integrados, um centro de dia e ainda um auditório com capacidade para 300 lugares, e sala de exposição técnica, para além do já referido Centro de Investigação.

As vantagens da investigação clínica

Maria Carmo-Fonseca, presidente do Instituto de Medicina Molecular, considera este “um excelente exemplo”, ao mesmo tempo que justifica a importância da investigação clínica.

“Investigação é uma palavra geral, mas há vários tipos. Há a investigação mais laboratorial e depois há a investigação feita com os próprios doentes, a clínica, que tem muito a ver com a especificidade de cada doente”, refere.

Até porque, acrescenta, “o mesmo medicamento administrado a pessoas diferentes pode provocar efeitos, também diferentes, alguns adversos, cabendo aos médicos aprender o que é que está a funcionar de forma diferente nas várias pessoas e, com isto, não só corrigir o tratamento, mas aprender para o futuro”.

Oradora nas jornadas da A.N.D.A.R., que contam com o Alto Patrocínio do Presidente da República, a especialista vai falar exatamente sobre ‘A Importância dos Centros de Investigação Clínica’, cujas vantagens são muitas para os doentes.

“Penso que é uma forma de se sentirem mais à vontade e terem uma maior confiança em participar no processo de investigação”, explica.

“Fora do ambiente hospitalar, dos grandes hospitais, um ambiente mais restrito e mais acolhedor vai facilitar as idas dos doentes com mais frequência, permitindo que sejam seguidos de forma mais regular, o que facilita a investigação, ao mesmo tempo permite que o doente se sinta mais confortável. Acho que é uma enorme mais-valia esta iniciativa da A.N.D.A.R., que é a própria a fazer inovação.”

Doença com graves consequências

Recorde-se que, em Portugal, são cerca de 50.000 a 70 000 os doentes diagnosticados com artrite reumatoide, uma doença inflamatória crónica que pode limitar os gestos diários.

Trata-se de uma doença reumática inflamatória crónica, que ocorre em todas as idades com mais prevalência no sexo feminino e apresenta, como manifestação predominante, o envolvimento repetido e habitualmente crónico das estruturas articulares e periarticulares.

Quando não tratada precoce e corretamente, acarreta, em geral, graves consequências para os doentes, traduzidas em incapacidade funcional e para o trabalho.

riscos do tabaco aquecido

Tabaco aquecido apresenta graves riscos para a saúde, alertam especialistas portugueses

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Os novos produtos de tabaco aquecido e as alegações que os têm acompanhado levaram 12 sociedades científicas e organizações de saúde portuguesas a unirem-se numa posição conjunta, em que se declaram “fortemente preocupadas”.

“Não devemos permitir que o debate em torno dos novos produtos do tabaco nos distraia do principal objetivo em questão – promover medidas regulatórias que sabemos serem eficazes na redução do tabagismo e continuar a apoiar aqueles que desejem parar de fumar”, referem, em comunicado.

“Em conclusão, as sociedades médicas e científicas aqui representadas não recomendam a utilização de produtos de tabaco aquecido.”

E alertam “para os seus riscos e mantêm a firme convicção de que a melhor forma de salvaguardar a saúde humana é a prevenção da iniciação de qualquer forma de consumo e o apoio médico para cessação tabágica”.

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia, Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar/Grupo de Estudo de Doenças Respiratórias, Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo, Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular, Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária, Sociedade Portuguesa de Medicina do Trabalho, Sociedade Portuguesa de Oncologia, Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia, Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e Sociedade Portuguesa de Pediatria são as entidades signatárias desta posição conjunta.

O que está em causa

Quando se referem a tabaco aquecido, estas organizações remetem para os dispositivos eletrónicos com um pequeno cigarro contendo tabaco, que produzem aerossóis com nicotina e outros químicos que são inalados pelo utilizador.

O que aqui motiva preocupação é o conteúdo de nicotina, substância altamente aditiva que existe no tabaco, causando dependência nos seus utilizadores, para além de estarem presentes outros produtos adicionados que não existem no tabaco e que são frequentemente aromatizados.

Para além disso, os especialistas referem que este tipo de tabaco permite imitar o comportamento dos fumadores de cigarro convencional, podendo haver o risco de os fumadores alterarem o seu consumo para estes novos produtos em vez de tentarem parar de fumar.

A isto junta-se o facto de serem “uma tentação para não fumadores e menores de idade iniciarem os seus hábitos tabágicos. Atualmente, a experimentação e uso de cigarros eletrónicos e outros produtos de tabaco pelos adolescentes e jovens está a sofrer um crescimento exponencial”.

Estudos que deixam a desejar

No que diz respeito à segurança e risco para a saúde, não existe evidência que demonstre que o tabaco aquecido é menos prejudicial do que o cigarro convencional.

Ainda que a indústria do tabaco afirme haver uma redução de 90 a 95% na quantidade de substâncias nocivas e na toxicidade dos cigarros aquecidos, “grande parte destas alegações baseia-se em estudos publicados pela própria indústria, com conflitos de interesse evidentes, havendo muitas evidências de que não se deve confiar neste tipo de estudos”.