Opinião: “Era uma vez…a comunicação no futuro”

Por | Opinião

Como é que mudanças a que assistimos hoje vão ter impacto, a médio e a longo prazo, nos modelos económicos, na sustentabilidade ambiental ou na saúde e, numa análise mais micro, nas interações comunicacionais?

 

 

Nada é mais entusiasmante do que tentar prever e discutir o futuro. O que será do mundo daqui a 10, 20 ou mesmo 100 anos? O mundo está sempre a mudar mas hoje vivemos tempos e dinâmicas geográficas novas que nos deverão fazer refletir e agir. A tecnologia fez com que passássemos de indivíduos passivos a manifestantes, sempre em busca da última indignação digital. E a uma velocidade supersónica!

Nunca, como hoje, foi tão complexa a relação das empresas com os seus públicos-alvo. De uma comunicação unidirecional que constituía o processo relacional no século passado – uns falavam e os outros ouviam – passámos para uma fórmula relacional bidirecional, ampliada pela conjugação de uma realidade multicanal, com a existência de um consumidor mais atento e interventivo que descobriu o seu poder de influência e vive hoje inebriado por ele. E a área da saúde não é imune a esta dinâmica.

As pessoas sempre gostaram de ouvir histórias e elas fazem parte do nosso quotidiano desde que nascemos. Todos, de alguma forma, prestam atenção a uma boa narrativa quando alguém diz as palavras mágicas “Era uma vez…”. Seja uma criança ou um adulto, as histórias sempre tiveram presentes ao longo da nossa vida. São elas que nos fazem sonhar, emocionar e até enfatizar determinados valores.

Olhemos para o exemplo da comunicação em saúde. Usualmente temos o diagnóstico da doença (o vilão), a descoberta do tratamento certo (o bom da história), a luta contra a mesma e nas melhores narrativas, a superação (clímax).

Contar histórias ainda hoje é a técnica mais eficaz de transmitir conhecimento e reter a atenção do público. A diferença dos tempos modernos está na multiplicidade de canais para o fazer sem esquecer que a tecnologia nunca poderá sobrepor-se ao factor emocional da narrativa. Porque, independentemente de tudo, seja em 2030 ou 2050 somos e seremos humanos e por que mais que o mundo se transforme este facto manter-se- á como uma verdade inexorável.

Jorge Azevedo, Managing Partner da Guess What Comunicação e Relações Públicas