Mulheres são as que mais sofrem com incontinência urinária

Por | Opinião
Mário Rodrigues, especialista em incontinência urinária

Mário Rodrigues, médico urologista no Hospital da Cruz Vermelha

Se olharmos para números, e ao definir incontinência urinária como pelo menos um episódio de perda de urina nos últimos 12 meses, ela ocorre em até 69% das mulheres e até 39% dos homens. Definida como uma qualquer perda involuntária de urina pela uretra, é uma condição que pode diminuir muito significativamente a qualidade de vida caso não tenha o diagnóstico e tratamento adequado.

É na mulher que é mais pedominante, tendo como principais fatores que não só a podem originar, como agravar, a gravidez, parto (por via) vaginal, obesidade, falta de estrógenos, diabetes mellitus, perda de capacidade cognitiva e demência. Pelo contrário, tabaco, dieta, depressão, infeções urinárias e exercício físico não são fatores de risco.

A incontinência urinária de esforço ou incontinência urinária por urgência miccional são, na mulher, onde é mais predominante esta patologia, os dois tipos mais frequentes, que podem ocorrer de forma isolada ou em simultâneo.

A incontinência urinária de esforço é provocada por tosse, espirros, esforços, levantamentos de peso, enquanto na incontinência por urgência miccional existe vontade súbita de urinar mas não há tempo para chegar ao local apropriado.

Problema tem tratamento

Apesar de existirem vários tratamentos de incontinência urinária, o doente vive, a maior parte do tempo, envergonhado e com medo de ter perdas de urina e que estas sejam notadas. Assim, evita sair de casa ou realizar atividades que podem desencadear as perdas, evita falar com a família e amigos sobre o problema e até esconde o problema do seu médico de família.

Atitudes erradas, até porque que os tratamentos atuais permitem resolver o problema, tais como fisioterapia (indicada para casos de incontinência urinária de esforço ligera) ou exercícios de kegel, exercícios simples, realizados sem assistência médica, que consistem em contrações dos músculos do pavimento pélvico.

Os cones vaginais, onde se usam halteres para a musculação convencional, a reabilitação perineal ou reeducação pélvica, que consiste num programa de exercícios complementados com a utilização de dispositivos especificamente concebidos para o efeito são outras alternativas.

O bio-feedback, técnica que demonstra a utilização da contração dos grupos musculares corretos e ideais para o controle e melhoria das queixas de incontinência urinária, a eletroestimulação, que promove o fortalecimento da musculatura do pavimento pélvico através de contrações induzidas eletricamente através de elétrodos colocados na pele da região do períneo e, por último, existe sempre a opção de recorrer a medicamentos.

Mas mesmo antes do tratamento aconselha-se a que se façam exames complementares de diagnóstico mais relevantes, tais como o estudo urodinâmico, um estudo funcional do aparelho urinário baixo, que na mulher consiste na bexiga, na uretra e nas suas estruturas envolventes.

Tem particular importância na determinação da causa da incontinência urinária e na definição do tipo de terapêutica e expectativas com o tratamento. É um exame invasivo que demora cerca de 30 a 60 minutos.

A Citoscopoia é um exame que permite a observação do interior da uretra e da bexiga através da introdução de um aparelho endoscópico pela uretra. Está indicado na presença de hematúria (presença de sangue na urina, micro ou macroscópica), sintomas relacionados com o enchimento da bexiga, ou outra patologia associada.

Mário Rodrigues, médico urologista no Hospital da Cruz Vermelha

Ecocardiografia de esforço na criança, um exame de futuro

Por | Opinião
Carlos Cotrim, Hospital da Cruz Vermelha

Carlos Cotrim, Médico Cardiologista no Hospital da Cruz Vermelha, especialista em Ecocardiografia de Sobrecarga

O Hospital da Cruz Vermelha desenvolveu, nos últimos quatro anos, no seu Laboratório de Ecocardiografia, uma atividade crescente na área da ecocardiografia de sobrecarga com particular relevo para a ecocardiografia de esforço em tapete rolante.

A utilização de ecocardiografia de sobrecarga no adulto é atualmente recomendada como exame de primeira linha no estudo do doente cardíaco pela Sociedade Europeia de Cardiologia.

O uso da ecocardiografia de esforço na criança está menos disseminado e não faz ainda parte do algoritmo diagnóstico da avaliação da criança com sintomas de dor torácica ou lipotimias relacionadas com o esforço e de causa potencialmente cardíaca.

No entanto, a nossa experiência demonstra que, nos últimos anos, a ecocardiografia de esforço deverá, no futuro, passar a ser um exame de primeira linha neste contexto clínico. Esta tese será desenvolvida e apresentada na primeira reunião do Heart Center, que se irá realizar no dia 30 de março.

Em algumas destas situações clínicas, os achados observados no ecocardiograma em repouso não traduzem a resposta que ocorre no coração, em resposta ao esforço que é o causador dos sintomas.

Salientamos de entre as múltiplas aplicações(1) o seu uso na deteção de gradientes intraventriculares durante o esforço associados ou não a SAM da válvula mitral, como causa de sintomas relacionados com o esforço.

Carlos Cotrim, Médico Cardiologista no Hospital da Cruz Vermelha

(1)Cotrim C 1 , João I, Fazendas P, Almeida AR, Lopes L, Stuart B, Cruz I, Caldeira D, Loureiro MJ, Morgado G, Pereira H. Clinical applications of exercise stress echocardiography in the treadmill with upright evaluation during and after exercise. Cardiovasc Ultrasound. 2013 Jul 22;11:26. doi: 10.1186/1476-7120-11-26.

Opinião: “Era uma vez…a comunicação no futuro”

Por | Opinião

Como é que mudanças a que assistimos hoje vão ter impacto, a médio e a longo prazo, nos modelos económicos, na sustentabilidade ambiental ou na saúde e, numa análise mais micro, nas interações comunicacionais?

 

 

Nada é mais entusiasmante do que tentar prever e discutir o futuro. O que será do mundo daqui a 10, 20 ou mesmo 100 anos? O mundo está sempre a mudar mas hoje vivemos tempos e dinâmicas geográficas novas que nos deverão fazer refletir e agir. A tecnologia fez com que passássemos de indivíduos passivos a manifestantes, sempre em busca da última indignação digital. E a uma velocidade supersónica!

Nunca, como hoje, foi tão complexa a relação das empresas com os seus públicos-alvo. De uma comunicação unidirecional que constituía o processo relacional no século passado – uns falavam e os outros ouviam – passámos para uma fórmula relacional bidirecional, ampliada pela conjugação de uma realidade multicanal, com a existência de um consumidor mais atento e interventivo que descobriu o seu poder de influência e vive hoje inebriado por ele. E a área da saúde não é imune a esta dinâmica.

As pessoas sempre gostaram de ouvir histórias e elas fazem parte do nosso quotidiano desde que nascemos. Todos, de alguma forma, prestam atenção a uma boa narrativa quando alguém diz as palavras mágicas “Era uma vez…”. Seja uma criança ou um adulto, as histórias sempre tiveram presentes ao longo da nossa vida. São elas que nos fazem sonhar, emocionar e até enfatizar determinados valores.

Olhemos para o exemplo da comunicação em saúde. Usualmente temos o diagnóstico da doença (o vilão), a descoberta do tratamento certo (o bom da história), a luta contra a mesma e nas melhores narrativas, a superação (clímax).

Contar histórias ainda hoje é a técnica mais eficaz de transmitir conhecimento e reter a atenção do público. A diferença dos tempos modernos está na multiplicidade de canais para o fazer sem esquecer que a tecnologia nunca poderá sobrepor-se ao factor emocional da narrativa. Porque, independentemente de tudo, seja em 2030 ou 2050 somos e seremos humanos e por que mais que o mundo se transforme este facto manter-se- á como uma verdade inexorável.

Jorge Azevedo, Managing Partner da Guess What Comunicação e Relações Públicas