cancro do pâncreas a aumentar

Número de casos de cancro do pâncreas aumentou 130% em 27 anos

Por | Cancro

A mortalidade por cancro do pâncreas e as taxas de incidência de cancro colorretal aumentaram 10% entre 1990 e 2017, revelam os resultados de um grande estudo feito em 195 países e que foi apresentado na UEG (United European Gastroenterology) Week Barcelona 2019. 

Financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates e publicado no The Lancet Gastroenterology & Hepatology, o estudo Global Burden of Disease é o primeiro a dar estimativas globais abrangentes da carga, características epidemiológicas e fatores de risco de várias doenças digestivas. 

E revela que o número de casos de cancro do pâncreas aumentou 130% no período de 27 anos do estudo, passando de 195.000 em 1990, para 448.000 em 2017.

A este dado, junta outro, referente ao cancro do estômago, que deixou de ser a segunda principal causa de morte por cancro no mundo, passando a ocupar o terceiro lugar, atrás do cancro do pulmão e colorretal.

O estudo confirma ainda que o número de casos de doença inflamatória intestinal (DII) aumentou 84%, passando de 3,7 milhões em 1990 para 6,8 milhões em 2017.

Herbert Tilg, presidente do Comité Científico da UEG, considera que “esta análise fornece a imagem mais abrangente da carga global de doenças digestivas até o momento. O exame destas tendências entre populações oferece informações vitais sobre a carga mutável de doença e ajuda na alocação correta de recursos para melhorar os resultados dos doentes”.

Obesidade e diabetes fazem aumentar casos de cancro do pâncreas

Além do aumento dos casos de cancro do pâncreas, o número de mortes também aumentou, passando de 196.000 em 1990, para 448.000 em 2017.

Embora parte deste aumento possa ser explicado pelo aumento da população e da longevidade, mesmo após considerar as mudanças na população, as taxas de incidência e mortalidade por cancro do pâncreas aumentaram 12% e 10%, respetivamente.

Os especialistas acreditam que o aumento está relacionado com a crescente prevalência da obesidade e diabetes, refletida pelos fatores de risco, como o Índice de Massa Corporal alto e níveis mais altos de glicose no sangue, que são dois dos principais fatores de risco para cancro do pâncreas.

“O cancro do pâncreas é um dos tumores mais mortais do mundo, com uma taxa de sobrevida global a cinco anos de apenas 5% nos países de rendimentos altos, médios e baixos”, revela Reza Malekzadeh, principal autor do estudo.

“Os principais fatores de risco para o cancro, como tabagismo, diabetes e obesidade, são amplamente modificáveis ​​e apresentam uma enorme oportunidade de prevenção.” 

Deteção precoce faz a diferença

Entre 1990 e 2017, as taxas de incidência padronizadas por idade para o cancro colorretal aumentaram 9,5% globalmente, mas as taxas de mortalidade padronizadas por idade diminuíram 13,5%.

Os investigadores acreditam que isso se deve à introdução de programas de rastreio do cancro colorretal, levando à deteção mais precoce e a uma maior probabilidade de sobrevivência.

Da mesma forma, nos países onde os programas de triagem foram estabelecidos duas ou três décadas antes, foram observadas reduções nas taxas de mortalidade, apoiando os benefícios atribuíveis aos rastreios.

O estudo indicou também que os fatores de risco para o cancro colorretal são diferentes em homens e mulheres e, por isso, devem ser contemplados nas políticas nacionais e nos programas de prevenção.

O uso de álcool, tabaco e as dietas com baixo teor de cálcio, leite e fibras representam um fardo considerável para os homens. Para as mulheres, os riscos alimentares, mas não o uso de álcool ou o tabaco, foram considerados os principais riscos.

mutações nos genes BRCA

Interesse gerado pelas mutações nos genes BRCA aumenta, mas falta informação

Por | Cancro

As mutações nos genes BRCA são um tema que, segundo Tamara Milagre, presidente da Evita – Associação de Apoio a Portadores de Alterações nos Genes Relacionados com Cancro Hereditário, gera cada vez mais curiosidade, mas onde se sente “uma enorme falta de consciencialização de alguns profissionais de saúde, como o médico de família, que está na linha da frente e que muitas vezes desconhece a possibilidade de haver uma síndrome de cancro hereditário na família, mesmo tendo os casos todos pela frente”.

Ao todo, cerca de 72% das mulheres portadoras de mutações patogénicas no gene BRCA1 e cerca de 69% das mulheres portadoras de mutações patogénicas no gene BRCA2 vão desenvolver cancro da mama até aos 80 anos, revelam os dados mais recentes.

No Mês Internacional de Prevenção do Cancro da Mama, que se assinala em outubro, o tema está em destaque com a campanha “saBeR mais ContA”, no âmbito da qual se realiza, esta quinta-feira, a sessão de esclarecimento “As mutações genéticas BRCA e o cancro”.

Pelas 15 horas, no Auditório do IPO Lisboa, a conversa vai ser moderada por Adelaide de Sousa e contará com especialistas na área da oncologia e genética humana, associações de doentes e testemunhos reais.

Falta de resposta para quem tem mutações nos genes BRCA

Antes da pessoa saber se é portador de mutação, a primeira abordagem, na maioria dos casos, é ‘Como posso fazer o teste genético?”, refere Tamara Milagre.

“Depois, as dúvidas dependem da situação”, acrescenta, mas costumam ser muitas, algumas sem resposta atempada.

“O maior desafio atualmente é o seguimento correto numa consulta multidisciplinar, pois os centros especializados precisam de aumentar a sua capacidade de resposta para quem decide avançar com cirurgias preventivas.”

De acordo com a presidente da Evita, “o tempo de espera neste momento é bastante longo em algumas instituições”.

O cancro da mama é um tumor que, apesar de ser dos que apresenta maior capacidade de prevenção secundária, “tem uma alta incidência e uma alta mortalidade”, acrescenta Vítor Rodrigues, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC). Para o especialista, é “a combinação do diagnóstico precoce e, particularmente do rastreio, e os progressos terapêuticos alcançados que permitiram uma significativa diminuição da taxa de mortalidade”, considerada, no entanto, “insuficiente”.

“É necessário também que o cancro da mama diagnosticado seja objeto, por parte das instituições de saúde (estruturando a oferta do serviço) e dos médicos (referenciando os casos suspeitos), de atenção quanto à possibilidade, felizmente diminuta, de se estar perante uma síndrome familiar. Caso esta exista, pode permitir formas de prevenção dirigidas a familiares que podem estar em risco.”

Quem deve fazer o teste

No que diz respeito aos testes que identificam as mutações genéticas, Isália Miguel, oncologista do IPO Lisboa, esclarece que “uma pessoa saudável pode ser referenciada se tiver confirmadas as mutações nos genes BRCA num familiar próximo”.

Devem ser também ser referenciados “utentes em cuja família existam diagnósticos oncológicos, nas seguintes situações: tenham ascendência judaica e um ou mais casos de cancro da mama ou ovário; haja três casos de cancro da mama em duas gerações consecutivas, com um diagnosticado antes dos 50 anos em familiares de primeiro grau; exista um caso de cancro de mama e um caso de cancro do ovário em familiares de primeiro grau; hajam dois casos de cancro do ovário e agregação de casos de cancro da mama e cancro da próstata (pelo menos dois casos, um deles antes dos 65 anos)”.

Quanto à referenciação, esta deve ser feita “pelo médico de família, por médicos de especialidades hospitalares, ou a pedido do próprio ou da família”, pedidos que “são sujeitos a uma triagem prévia pela equipa médica e de enfermagem da clínica de risco familiar”. 

Após a entrega do resultado do teste genético, “é feito aconselhamento, que inclui não só uma proposta de vigilância (clínica, imagiológica e analítica) e estratégias de redução de risco. No que diz respeito aos familiares, é explicado ao doente que existe 50% de risco de transmissão da mutação ao longo das gerações e que esta é independente do sexo, sendo os seus familiares convidados a fazer o teste genético”.

Exposição na primeira pessoa

A campanha “saBeR mais ContA”, uma iniciativa da Evita, da Liga Portuguesa Contra o Cancro, da Sociedade Portuguesa de Genética Humana, da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, da Sociedade Portuguesa de Senologia, da Sociedade Portuguesa de Oncologia e da AstraZeneca, conta ainda com uma exposição fotográfica, com testemunhos de famílias onde houve diagnóstico de cancro da mama e/ou ovário, associados à mutação BRCA, e outros que realizaram o teste genético.

Uma exposição que poderá ser visitada até 21 de outubro na estação de metro do Marquês de Pombal, em Lisboa (junto ao acesso à linha amarela).

exercício contra o cancro

Exercício prescrito como medicação para o cancro? Sim, defende grupo de especialistas

Por | Cancro

O exercício ajuda a prevenir e tratar várias doenças. Quanto a isso não há muitas dúvidas. Mas menos conhecidos são os benefícios da atividade física para as pessoas que vivem com cancro e aqueles que conseguiram ultrapassar a doença. Ou eram, porque uma nova iniciativa, chamada Moving Through Cancer (Mexendo-se através do Cancro), de uma equipa internacional de especialistas espera mudar este cenário.

Liderada por Kathryn Schmitz, professora de Ciências da Saúde Pública no Penn State College of Medicine, a ideia é apresentada num artigo publicado na revista CA: A Cancer Journal for Clinicians, onde se descrevem as novas recomendações de exercício para pessoas que vivem com e para além do cancro.

“Com mais de 43 milhões de sobreviventes de cancro em todo o mundo, temos uma necessidade crescente de abordar os problemas de saúde exclusivos das pessoas que vivem com e para além da doença e entender melhor como o exercício pode ajudar a prevenir e controlar o cancro“, refere Kathryn Schmitz.

“Este grupo teve como objetivo traduzir as mais recentes evidências científicas em recomendações práticas para os médicos e o público e criar impacto global através de uma voz única.”

Trinta minutos de exercício aeróbico

De acordo com os investigadores, o exercício é importante para a prevenção do cancro e pode diminuir o risco de desenvolver cancro do cólon, mama, endométrio, rim, bexiga, esófago e estômago.

Durante e após o tratamento pode ajudar a melhorar a fadiga, ansiedade, depressão, função física e qualidade de vida, além de melhorar a sobrevida após o diagnóstico de cancro da mama, cólon ou próstata.

Dependendo dos níveis e capacidade do doente, os investigadores geralmente recomendam 30 minutos de exercício aeróbico moderadamente intenso três vezes por semana e 20 a 30 minutos de exercício resistido duas vezes por semana.

No entanto, acrescenta Schmitz, os profissionais de saúde também podem personalizar a prescrição de exercício para os doentes de forma individual.

“Através da nossa investigação, chegamos a um ponto em que podemos fornecer prescrições específicas de exercícios FITT – que significa frequência, intensidade, tempo e tipo – para resultados específicos, como qualidade de vida, fadiga, dor e outros”, explica.

“Por exemplo, se estivermos a ver um doente com cancro da cabeça e pescoço com um conjunto específico de sintomas, poderíamos dar-lhe uma prescrição de exercícios personalizada.”

Mudar a ideia do público em geral 

Resultado de uma mesa redonda de especialistas formada por vários investigadores e elementos do American College of Sports Medicine, as recomendações visam também aumentar a consciencialização pública sobre os benefícios do exercício físico para as pessoas que vivem com cancro e que já o ultrapassaram.

“Atualmente, uma pessoa sabe que o exercício é bom para prevenir e tratar doenças cardíacas, mas não para o melanoma”, refere Schmitz.

“Queremos mudar isso. Quando os investigadores, na década de 1950, construíram uma base de evidências para exercícios e doenças cardíacas, houve uma mudança no conhecimento público sobre essa conexão. Agora é hora de acontecer o mesmo com exercício e cancro.”

cancro infantil

Cancro infantil: “Ter 100% das crianças curadas não é uma utopia”

Por | Cancro

Foi há uma década que a Fundação Rui Osório de Castro (FROC) se apresentou à sociedade portuguesa com uma missão: apoiar e proteger quem sofre com cancro infantil e os seus familiares, concentrando a sua atividade em duas grandes áreas – informar e promover a investigação. Dez anos depois, Cristina Potier, diretora-geral da fundação, acredita que “chegar a uma taxa de sobrevivência de 100% não é uma utopia”, uma vez que “a evolução da medicina e da ciência já nos trouxeram, em poucas décadas, os 80% de sobrevivência”.

Ainda assim, mesmo com este registo de 80% de sobrevivência, o cancro continua a ser a primeira causa de morte por doença em crianças e adolescentes.

E o facto de representar apenas 1% de todos os cancros faz com que, segundo Cristina Potier, não seja “uma prioridade, o que justifica que não se veja uma estratégia e por sua vez investigação nesta área”.

Para melhorar estes resultados é preciso apostar na investigação e dar oportunidade a que mais crianças participem em ensaios clínicos. E a Fundação quer contribuir para estes resultados.

Partilhar informação sobre cancro infantil

Com uma década de vida, a FROC partilha outra inquietação dos tempos atuais: o facto de a realidade não ser verdadeiramente conhecida, já que a última informação estatística nacional no que diz respeito ao cancro infantil é referente a 2005.

“Desta forma, como podemos ter a pretensão de melhorar uma realidade que de facto não conhecemos? É urgente que o registo nacional em oncologia pediátrica seja feito”, apela Cristina Potier.

No que diz respeito à área da informação, a Fundação promete continuar a trabalhar: a criar conteúdos para o Portal PIPOP, um meio online de referência com notícias e informações na área da oncologia pediátrica, a editar publicações, a organizar o Seminário de Oncologia Pediátrica, um evento de referência para familiares, sobreviventes e profissionais de saúde, que continuará a percorrer o País anualmente, e que já vai para a sua 5ª edição.

E a realizar workshops com uma duração máxima de meio dia direcionados para as famílias, doentes e sobreviventes, promovendo assim uma maior proximidade e adequação da informação.

exame de sangue para detetar cancro

Novo exame de sangue é capaz de detetar vários tipos de cancro

Por | Cancro

Na luta contra o cancro, as batalhas travam-se em várias frentes e uma delas é no laboratório. Por todo o mundo, grupos de cientistas procuram novas armas no combate à doença, entre os quais os investigadores do Instituto do Cancro Dana-Farber, que acabam de apresentar um novo exame de sangue capaz de rastrear vários tipos de cancro com um elevado grau de precisão. 

Tornado público no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica, o exame de sangue, desenvolvido pela GRAIL, Inc., usa a tecnologia de sequenciamento de última geração para investigar o ADN em busca de minúsculas marcas químicas que influenciam se os genes são ativos ou inativos.

Quando aplicado a quase 3.600 amostras de sangue, algumas de doentes com cancro, outras de pessoas sem diagnóstico no momento da colheita, o teste foi capaz de captar, com sucesso, um sinal de cancro nas amostras de quem sofria da doença, tendo identificado corretamente o tecido onde o cancro começou (o tecido de origem).

A especificidade do teste, ou seja, a sua capacidade de proporcionar um resultado positivo quando o cancro se encontra realmente presente, foi alta, assim como a sua capacidade de identificar o órgão ou tecido de origem.

Exame de sangue com enfoque no ADN

O novo teste procura ADN que as células cancerígenas lançam na corrente sanguínea quando morrem. Em contraste com as “biópsias líquidas”, que detetam mutações genéticas ou outras alterações relacionadas com o cancro, esta tecnologia concentra-se nas modificações do ADN, conhecidas como grupos metilo.

Estes são unidades químicas que se podem associar ao DNA, num processo chamado metilação, para controlar quais os genes que estão “ativados” e quais os que estão “desativados”.

Os padrões anormais de metilação acabam por ser, em muitos casos, mais indicadores de cancro – e do tipo de cancro – do que as mutações. 

“O nosso trabalho anterior indicou que os ensaios baseados em metilação superam as abordagens tradicionais de sequenciamento de ADN para detetar múltiplas formas de cancro em amostras de sangue”, diz o principal autor do estudo, Geoffrey Oxnard, médico no Dana-Farber.

“Os resultados do novo estudo demonstram que estes ensaios são uma forma viável de rastrear as pessoas em busca de cancro.”

Resultados muito promissores

No estudo, os investigadores analisaram 3.583 amostras de sangue, incluindo 1.530 de doentes diagnosticados com cancro e 2.053 de pessoas sem cancro.

As amostras compreenderam mais de 20 tipos de cancro, incluindo mama, colorretal, esófago, vesícula biliar, gástrica, cabeça e pescoço, pulmão, leucemia linfoide, mieloma múltiplo, ovário e cancro do pâncreas.

A especificidade geral do exame de sangue foi de 99,4%, o que significa que apenas 0,6% dos resultados indicaram incorretamente a presença de cancro.

doentes queixam-se da oncologia

Associações de doentes alertam para “racionamento” no acesso aos cuidados em oncologia

Por | Cancro

Várias associações de doentes nacionais deixam o alerta, em forma de comunicado, para o agravamento dos cuidados de saúde em oncologia em Portugal, denunciado “o constante não cumprimento pelas entidades oficiais dos prazos para aprovação dos chamados medicamentos inovadores”, assim como “o atraso na aprovação das Autorizações de Utilização Excecional (AUE) e Programa de Acesso Precoce (PAP)”.

” As recentes afirmações dos responsáveis de saúde, em Portugal, de que “não faltarão medicamentos aos doentes oncológicos” desde que “exista risco imediato de vida” parece-nos, no mínimo, desumana e a ser aplicada esta regra, os doentes oncológicos, metastizados ou não, ver-se-ão privados de terapêuticas que poderão estabilizar a sua doença e limitar a sua progressão”, lê-se no documento.

“O critério de “risco de vida imediato” aplicado aos doentes oncológicos significa que o doente já não tem condições para qualquer tipo de tratamento específico”, referem associações como a Europacolon Portugal, a Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas ou a Pulmonale – Associação Portuguesa de Luta contra o Cancro do Pulmão.

Para além dos atrasos no Infarmed, “e mesmo recusas das autorizações especiais dos fármacos que ainda estão em avaliação farmacoeconómica “, as associações denunciam a existência, “a nível das Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT) hospitalares e da CFT nacional atrasos muito relevantes na autorização de fármacos já aprovados”.

Processos de aprovação em oncologia sem transparência

Dão ainda conta “do enorme alargamento do prazo para a realização de exames complementares de diagnóstico, necessário para a definição do diagnóstico e início de terapêutica, bem como as necessárias ao estadiamento da doença, para doentes em tratamento”, o que está na origem de “agravamento significativo da doença dado que, em oncologia, é determinante a rapidez do diagnóstico e o início da terapêutica”.

As associações juntam-se então para informar que:

“São totalmente contra qualquer tipo de racionamento no acesso aos melhores tratamentos para os doentes oncológicos, desde que prescritos pelo seu médico assistente e se congratulam pela posição pública que os profissionais de saúde têm mantido sobre este tema, em defesa dos doentes.”

Consideram que “os processos de aprovação de novos medicamentos, na área de Oncologia, devem ser de total transparência e de conhecimento público, não devem ser vedados, muito menos limitados à exigência do “risco imediato” de vida”.

E pedem que “se tomem medidas urgentes, claras e públicas para que se diminua o tempo de realização de exames complementares de diagnóstico, que os médicos não deixem de informar e explicar aos pacientes as melhores opções terapêuticas e as eventuais limitações que porventura possam estar a ser impostas pela entidade reguladora, que os cidadãos estejam atentos, interventivos e que junto dos médicos assistentes participem nas decisões terapêuticas, informando-se de todos os processos relativos à sua doença”.

E ainda que “os cidadãos não deixem de contactar as associações de doentes oncológicos e que exponham as dificuldades que encontrem ou se informem de qualquer assunto com ela relacionada.

sintomas do cancro do ovário

Conhece os sintomas de cancro do ovário?

Por | Cancro

Todos os meses, cerca de 30 mulheres perdem a vida em Portugal na sequência de um cancro do ovário. Os dados disponíveis, referentes a 2018, referem-no como a oitava doença oncológica mais mortal para o sexo feminino, que roubou a vida a 412 portuguesas nesse ano. Conhecer o risco é, por isso, fundamental.

“Qualquer mulher que sinta inchaço inexplicável, dor de estômago, urgência em urinar ou dor abdominal ao longo de algumas semanas deve procurar um médico”, refere a propósito Stephanie V. Blank, diretora de oncologia ginecológica do Mount Sinai Health System, uma rede de hospitais nos EUA.

“E se o médico não levar a sério esses sintomas, ela deverá procurar outro médico”, acrescenta.

“Muitas vezes, as mulheres são enviadas para o médico errado, ou informadas de que estão apenas a envelhecer ou a ganhar peso ao ter este tipo de sintomas, o que significa que estão a perder um tempo valioso”, reforça a especialista, que chama a atenção para a importância da deteção precoce.

Os principais sintomas de cancro do ovário 

Porque os ovários são pequenos e pelo facto de se encontrarem situados na cavidade abdominal, a deteção desta forma de cancro é difícil e muitas vezes feita com atraso. Uma vez que o prognóstico depende do estágio do tumor ou da sua deteção antes que se espalhe para outras parte do corpo, é especialmente importante reconhecer os sintomas.

Os mais importantes são os distúrbios gastrointestinais, como gases, indigestão ou náusea, dor ou desconforto pélvico e/ou abdominal, inchaço pélvico e/ou abdominal, fadiga, perda ou ganho inexplicado de peso e sangramento fora do normal.

Ainda que não seja uma doença associada ao envelhecimento, a verdade é que o risco aumenta com a idade. Os números provam isso mesmo: a maioria dos cancros do ovário surgem após a menopausa e metade é diagnosticada em mulheres com 63 anos ou mais de idade.

cancro infantil

Portugal sem registo nacional dos casos de cancro infantil

Por | Cancro

Apesar de raras, as neoplasias são a principal causa de morte por doença em crianças e adolescentes, sendo responsáveis por 32% da mortalidade entre os cinco e os 14 anos e por 22% da mortalidade entre os 15 e os 18 anos, revelam os dados da Direção-geral da Saúde. Dados que chegam para perspetivar o futuro da oncologia pediátrica. Por isso, no mês de sensibilização para o cancro infantil, a Fundação Rui Osório de Castro, que comemora este ano uma década de trabalho, apela à importância da existência de um registo e de uma estratégia nacional para o cancro infantil.

“Apesar de legislada a sua obrigatoriedade, a falta de recursos, sobretudo humanos, faz com que a existência deste registo não seja ainda uma realidade”, afirma Cristina Potier, diretora-geral da FROC.

“Sem conhecermos uma realidade não é possível melhorá-la” e, embora os dados apontem para uma taxa de sobrevida a cinco anos, o cancro continua a ser a maior causa de morte por doença em crianças e jovens, existindo ainda um grande desconhecimento sobre as suas causas.

“É fundamental que exista investigação clínica e ensaios clínicos específicos para a oncologia pediátrica, porque as características e as reações e os protocolos seguidos no cancro de uma criança podem, e geralmente são, muito diferentes do adulto.”

Cristina Potier acrescenta ainda que, por isso, é “preciso investir, planear e organizar a investigação nesta área, para percebermos melhor quais as causas, para procurar tratamentos com menos efeitos secundários, para fazer crescer a taxa de sobrevivência para perto dos 100% e para garantir uma qualidade de vida na sobrevivência com o mínimo de sequelas possível”.

O apoio da FROC à luta contra o cancro infantil

Além do apoio financeiro que a FROC disponibiliza para a realização de ensaios clínicos em Portugal, o Prémio Rui Osório de Castro/Millennium bcp, que este ano tem a sua 4ª edição, é outra das formas através da qual a FROC apoia a investigação em Oncologia Pediátrica em Portugal.

Melhorar a qualidade e a quantidade de informação disponível para os familiares e amigos das crianças com cancro também tem sido um dos focos do seu trabalho. Exemplo disso é o portal PIPOP, criado em 2010 com informação sobre a doença, direcionada para o adulto e para a criança, com notícias e eventos da área e que, desde o seu lançamento, já conta com mais de 310.000 visitas.

Para marcar os 10 anos da Fundação e assinalar também o Setembro Dourado, o Maestro Rui Massena une-se à Fundação Rui Osório de Castro para um concerto solidário, que acontece já no próximo dia 27, às 21 horas, no Teatro São Luiz, em Lisboa.

Os bilhetes já estão à venda e variam entre 11€ e 22€, revertendo a totalidade da receita de bilheteira para a instituição. 

ensaio clínico sobre cancro do pulmão

Metade dos doentes com cancro do pulmão não sabe o que é um ensaio clínico

Por | Cancro

Um inquérito feito a doentes com cancro do pulmão de vários países europeus revela que metade não sabe o que é um ensaio clínico sobre cancro e mais de um em cada cinco nunca ouviu falar de tal coisa. Dados que confirmam o desafio que se colocam quando o tema é os ensaios clínicos.

Foi no congresso da Associação Internacional para o Estudo do Cancro do Pulmão, que decorre em Barcelona, que A. M. Baird, em nome da Lung Cancer Europe (LuCE), a voz das pessoas afetadas pelo cancro do pulmão na Europa e que visa aumentar o conhecimento sobre a doença, divulgou os dados.

De acordo com A. M. Baird, o estudo foi realizado com o objetivo de melhor compreender a experiência do ensaio clínico do ponto de vista do doente e melhorar a compreensão dos clínicos e da saúde pública sobre a consciencialização e as atitudes dos doentes face a esta temática.

A equipe do LuCE desenvolveu inquérito e formulou as perguntas, partilhadas com elementos da comunidade médica, representantes de organizações de defesa de doentes e indústria farmacêutica e, claro, com os doentes, que lhes deram resposta.

É preciso mais informação sobre ensaio clínico

“Cerca de 80% dos entrevistados desejaram descobrir mais sobre ensaios clínicos, enquanto 75% acreditavam que seria benéfico para os doentes trabalharem em conjunto com investigadores no processo de desenvolvimento de ensaios clínicos”, referiu a especialista.

Os participantes identificaram várias barreiras ao acesso aos ensaios clínicos para o cancro do pulmão, incluindo dificuldades no acesso transfronteiriço, barreiras linguísticas, falta de informações precisas e acessíveis, falta de consciencialização dos doentes e médicos e disparidades no acesso em toda a Europa.

“A comunidade do cancro do pulmão deve trabalhar em conjunto para superar estas barreiras e garantir o acesso a ensaios clínicos a todas as pessoas afetadas pelo cancro do pulmão”, conclui Baird.

cancro mata mais que doenças cardiovasculares

Nos países mais ricos, cancro mata mais que doenças cardiovasculares

Por | Cancro

As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte entre adultos de meia idade em todo o mundo. Mas nos países com maiores rendimentos, as mortes por cancro tornaram-se duas vezes mais frequentes que aquelas associadas às doenças cardiovasculares.

A garantia é dada pelo primeiro grande estudo internacional que documenta a frequência de doenças comuns e as taxas de mortalidade em geografias onde a riqueza é mais alta, média e baixa, através de uma abordagem padronizada.

Publicado na revista The Lancet e apresentada no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, o trabalho envolveu dados de mais de 162.500 adultos com idades entre os 35 e os 70 anos, de 21 países, seguidos por uma mediana de 9,5 anos.

“O facto de as mortes por cancro serem agora duas vezes mais frequentes que as mortes por doenças cardiovasculares nos países de elevados rendimentos indica uma transição nas causas predominantes de morte na meia-idade”, refere em comunicado Salim Yusuf, investigador principal do estudo e professor de medicina na McMaster University.

“Como os casos de doenças cardiovasculares diminuíram em muitos países na sequência da prevenção e tratamento, é provável que a mortalidade por cancro se venha a tornar a principal causa de morte globalmente.”

“A elevada mortalidade nos países mais pobres não se deve a uma carga maior de fatores de risco, mas provavelmente a outros fatores, incluindo baixa qualidade e menor assistência médica”, acrescenta o especialista.

Mortalidade por doenças cardiovasculares mais alta

Foram 21 os países envolvidos no estudo (Canadá, Arábia Saudita, Suécia e Emirados Árabes Unidos, Argentina, Brasil, Chile, China, Colômbia, Irão, Malásia, Palestina, Filipinas, Polónia, Turquia e África do Sul, Bangladesh, Índia, Paquistão, Tanzânia e Zimbábue), mas segundo Salim Yusuf, os resultados do estudo serão provavelmente aplicáveis ​​a outros países com características económicas e sociais e cuidados de saúde semelhantes.

No geral, e isto para todas as causas de morte com exceção do cancro, a mortalidade por 1.000 pessoas/ano foi mais baixa nos países de rendimentos mais altos (3,4%), intermédia nos de rendimento médio (6,9%) e mais alta nos mais pobres (13,3%).

Em relação às mortes, as doenças cardiovasculares foram a causa mais comum em geral, com 40%, mas com variações: nas nações mais ricas, a percentagem ficou-se pelos 23%, chegando aos 43% nos mais pobres, embora os fatores de risco para doenças cardiovasculares fossem mais altos no primeiros.

O cancro foi a segunda causa de morte mais frequente, com 26% das mortes, mas essa proporção variou e foi responsável por 55% das mortes no países mais ricos e de 15% nos mais pobres.

Prevenção reforçada para o cancro

O estudo conclui ainda que os países mais pobres apresentam uma maior proporção de mortes e hospitalizações por doenças não transmissíveis, em comparação com as doenças infecciosas e que, nestas nações, existe uma associação inversa entre os cuidados hospitalares e os medicamentos efetivos versus os óbitos, o que sugere que cuidados de saúde de menor qualidade podem ser responsáveis, pelo menos em parte, pela maior mortalidade nos países mais pobres.

“Daqui se percebe que, ao mesmo tempo que os países mais ricos devem manter esforços contínuos para prevenir e tratar as doenças cardiovasculares, são precisos novos esforços para reduzir o cancro”, refere Darryl Leong, coautor principal do estudo.