cães ajudam a diagnosticar cancro

Estudo confirma: cães conseguem mesmo detetar a presença de cancro

Por | Cancro

Cães a identificarem doenças através do olfato? Pode parecer coisa de filmes, mas esta é uma capacidade real, mostra um novo estudo, que confirma que o melhor amigo do homem consegue usar o seu poderoso olfato para identificar a presença de cancro em amostras de sangue, com quase 97% de precisão.

Os responsáveis são os recetores olfativos caninos, 10.000 vezes mais precisos que os dos humanos, que os tornam altamente sensíveis a odores que nos passam despercebidos. E que podem dar origem a novas abordagens de rastreio do cancro, menos dispendisosos, mais precisas e não invasivas.

“Embora atualmente não exista cura para o cancro, a deteção precoce oferece a melhor esperança de sobrevivência”, refere Heather Junqueira, investigadora principal da BioScentDx, uma empresa que se dedica ao tema, e autora do estudo.

“Um teste altamente sensível para detetar o cancro poderia salvar milhares de vidas e mudar a forma como a doença é tratada.”

Uma nova forma de diagnosticar cancro

Para o novo estudo, a especialista e os colegas usaram uma forma de treino para ensinar quatro beagles a distinguir entre soro normal e amostras de doentes com cancro do pulmão maligno.

E ainda que um dos animais não tenha conseguido, os restantes três foram capazes de identificar corretamente amostras de cancro do pulmão em 96,7% dos casos e amostras normais em 97,5% das vezes.

“Este trabalho é muito emocionante porque abre caminho para novas investigações que podem levar a novas ferramentas de deteção do cancro”, refere a investigadora.

“Uma delas usa o olfato canino como um método de triagem para cancro, e a outra vai determinar os compostos biológicos que os cães detetam e projetar testes de triagem de cancro com base nestes compostos”, acrescenta.

A BioScentDx planeia usar esta capacidade canina para desenvolver uma forma não invasiva de rastreio da doença oncológica e de outras que ameaçam a vida.

O passo seguinte será um estudo sobre o cancro da mama, no qual as participantes doam amostras da sua respiração para a triagem de cães treinados para farejar a doença. 

menos casos de cancro da mama

Cancro deverá matar 1,4 milhão de pessoas em 2019

Por | Cancro

No conjunto da União Europeia (UE) e comparando com os dados de 2014, este ano espera-se que as taxas de mortalidade por cancro da mama caiam em todos os países da UE, com exceção da Polónia.

A análise, publicada na revista Annals of Oncology, da autoria de Carlo La Vecchia, professor da Escola de Medicina da Universidade de Milão (Itália), e da sua equipa, prevê uma redução de quase 9%. Na Polónia, o aumento será de mais de 2%.

No entanto, os investigadores alertam que, embora as taxas de mortalidade padronizadas por idade, referentes ao cancro da mama, caiam de 14,6 por 100.000 da população (2014) para 13,4 pelos mesmos 100.000 (2019), o número real de mortes associadas à doença continua a aumentar devido ao crescente número de pessoas idosas.

O cancro da mama continua a ser o segundo maior tipo de tumor maligno entre as mulheres após o cancro do pulmão.

“Em 2014 houve 92.000 mortes por cancro da mama na Europa e em 2019 estamos a prever 92.800”, afirma o professor La Vecchia. “Isso significa que a carga da doença continuará a aumentar, com consequentes implicações para a saúde pública e custos para a sociedade.”

“As melhorias nas taxas de mortalidade por cancro da mama são devidas a programas nacionais de rastreio, diagnóstico precoce e melhorias na gestão e tratamento da doença.”

De acordo com o especialista, “as tendências mais favoráveis ​​foram encontradas em mulheres com idades entre os 50 e os 69 anos, que é o grupo etário geralmente visado pelo rastreio organizado”.

Rastreio bem-sucedido

Comparando com o período entre 2010-2014, prevê-se que as taxas de mortalidade padronizadas por idade diminuam 16% em 2019 nas mulheres com idades entre os 50 e os 69 anos, mas apenas 6% nas mulheres entre os 70 e os 79 anos.

“A implementação do rastreio organizado do cancro da mama, com base na população, na UE, melhorou significativamente entre 2007 e 2016, com muitos outros países a implementar programas e muitas mais mulheres rastreadas”, refere La Vecchia.

Mas pode ser muito cedo para observar um efeito benéfico na faixa etária de 70 a 79 anos. “Esta também pode ser a faixa etária que menos beneficia das melhorias nas terapias, já que outras condições de saúde e problemas podem impedir o seu uso em mulheres mais velhas”, acrescenta.

Maior redução no Reino Unido

Os investigadores analisaram as taxas de mortalidade por cancro nos 28 Estados-Membros da UE como um todo e também nos seis maiores países – França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha e Reino Unido – para todos os cancros e, individualmente, para o do estômago, intestinos, pâncreas, pulmão, mama, útero (incluindo colo do útero), ovário, próstata, bexiga e leucemias em homens e mulheres.

Uma avaliação que permitiu concluir que, dos seis maiores países, o Reino Unido tem a maior redução prevista nas mortes por cancro da mama em 2019 (13%), seguida da França (10%), Alemanha (9%), Itália (7%), Espanha (5%). No caso da Polónia, há um aumento previsto de 2%.

Contas feitas, espera-se 1,4 milhões de mortes por todos os tipos de cancro na UE em 2019 (787.000 em homens e 621.900 em mulheres), um aumento de cerca de 4,8% face a 2014.

Haverá, no entanto, um declínio na taxa padronizada de acordo com idade de 139 por 100.000 homens em 2014 para 131 por 100.000 em 2019 (uma queda de 6%) e de 86 por 100.000 mulheres para 83 por 100.000 mulheres (menos 3,6%).

Cancro do pulmão, o mais mortífero

O cancro do pulmão continua a ser o que mais mata em ambos os sexos, com 183.200 mortes previstas nos homens em 2019 e 96.800 nas mulheres.

No caso dos elementos do sexo masculino, as taxas de mortalidade estão a cair, passando de 36 por 100.000 em 2014 para 32 por 100.000 em 2019 (queda de 9%). No entanto, as taxas ainda estão a aumentar nas mulheres – de 14,2 por 100,00 em 2014 para 14,8 por 100.000 em 2019 (aumento de 4%).

Dos dez tipos de cancro avaliados, o do pâncreas foi outro que não revelou uma tendência favorável. Nos homens, as taxas serão estáveis ​​em 2019 (taxa padronizada de idade de 7,92 por 100.000; 45,600 mortes), enquanto nas mulheres haverá um aumento de 1,6% (taxa padronizada por idade de 5,57 por 100.000; 45,100 mortes). 

“Isso provavelmente reflete as diferentes tendências no tabagismo, que é o principal fator de risco para esse cancro”, afirma La Vecchia.

“Para além disso, o excesso de peso e a diabetes – que estão associados ao cancro do pâncreas – aumentaram, e o progresso neste tipo de tumor é dificultado pelo facto de a investigação sobre prevenção e tratamento estar subfinanciada, particularmente porque há poucos sobreviventes a longo prazo”, alerta o médico.

Mais de cinco milhões de vidas poupadas

Olhando para estes dados e para os de 1988, o caminho tem sido grande, assim como as diferenças. Desde então, mais de cinco milhões de mortes por cancro foram prevenidas na UE. Destas, 440.000 foram mortes por cancro da mama.

Só em 2019, um total de 360.000 mortes por cancro devem ser evitado (237.000 em homens e 122.000 em mulheres).

“As tendências do cancro do pulmão há muito que têm vindo a diminuir entre os homens europeus. No entanto, eles são menos favoráveis ​​que os dos EUA. Mais de 20% dos adultos europeus ainda fumam, em comparação com menos de 15% nos EUA. Isto exige intervenções urgentes sobre o tabaco para homens e mulheres na UE”, reforça o coautor do estudo, Fabio Levi.

ensaios clínicos a aumentar

Número de pessoas em ensaios clínicos no IPO-Porto bate recorde

Por | Cancro

Foram mais de 400 as pessoas que, em 2018, participaram em ensaios clínicos no IPO-Porto. Um número que, de acordo com a instituição, representa um recorde nos últimos cinco anos.

Segundo Laranja Pontes, presidente do Conselho de Administração do IPO-Porto, os dados “espelham uma grande maturidade dos doentes e um grande compromisso de todos os profissionais de saúde, no sentido de assegurar o acesso e o desenvolvimento de novas terapêuticas no tratamento oncológico”.

Um resultado que é ainda mais significativo, uma vez que se enquadra no âmbito da iniciativa “Dia da Esperança”, que o IPO-Porto celebra esta quarta-feira (20 de março), que pretende divulgar a importância dos ensaios clínicos.

Neste dia, que é também o primeiro da primavera, será lançado o movimento “Uma flor pela esperança”, protagonizado por Ana Bravo, Carla Ascenção, Jorge Gabriel e Miguel Guedes, que convida todos os portugueses a partilhar, nas redes sociais, uma fotografia sua com uma flor, com a referência #umaflorpelaesperança.

Flor que simboliza a esperança dos doentes oncológicos, de todos os que participam em ensaios clínicos, sendo ao mesmo tempo um agradecimento a todos os profissionais de saúde, familiares, amigos e cuidadores.

Mais participantes em ensaios clínicos 

“Queremos tornar este dia num dia nacional porque sentimos que é muito importante homenagear todos os que participaram em ensaios clínicos e, mais que isso, aumentar o conhecimento e a consciência nacional da investigação clínica, tal como motivar as pessoas a serem participantes ativos no desenvolvimento da ciência médica”, explica Laranja Pontes.

“Há cinco anos, o número de participantes em ensaios clínicos era menos de metade, o que significa que estamos a fazer o caminho certo neste campo”, acrescenta José Dinis, Coordenador da Unidade de Investigação Clínica do IPO-Porto.

O “Dia da Esperança” é celebrado no IPO-Porto desde 2015 e, pela importância do tema, no ano passado foi entregue uma petição na Assembleia da República, com cerca de sete mil assinaturas, para o transformar em Dia Nacional da Esperança.

A petição obteve parecer positivo, em unanimidade, na sessão plenária de 31 de janeiro de 2019 e existe já um projeto de resolução, subscrito pelos deputados do PS, PSD, CDS/PP e BE, que está apenas à espera de aprovação para ser promulgado em Diário da República.

Esta é uma iniciativa do IPO-Porto, que conta com o apoio da Roche Farmacêutica, cujo vídeo pode ser visto aqui.

histórias de cancro

Exposição conta histórias de quem sobreviveu ao cancro

Por | Cancro

São todas mulheres e partilham uma experiência comum a milhares de pessoas em Portugal e milhões em todo o mundo: sobreviveram a um cancro. Fotografadas pela lente do fotógrafo Daniel Vieira, as suas histórias e experiências vão estar, em forma de imagem, expostas no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), a partir do próximo dia 25.

Inserida no projeto ‘Cancro, a história que nos une’, da iniciativa do Fundo iMM – Laço, organismo que financia projetos de investigação na área do cancro da mama, a exposição resulta de uma parceria com o blog Dia de Mudança, de Gabriela Fonseca, também ela sobrevivente.

A história que as une

O átrio dos Hospitais da Universidade de Coimbra recebe esta iniciativa, que serve de ponto de partida para a campanha que tem como lema, #juntasvencemosocancro e que tem como objetivo inspirar aqueles a quem foi diagnosticada uma doença oncológica, mas também todos os que de perto vivem ou convivem com essas situações ou outros problemas de saúde que exigem sempre uma grande força de superação.

A campanha conta com a participação de doze doentes oncológicas – Ana Bee, Gabriela Fonseca, Inês Ribeiro, Isadora Lum, Isabel Arcanjo, Margarete Santos, Margarida Vale, Marta Machado, Marília Pereira, Paula Patuxa, Sandra Lucas e Sónia Leiriao, todas elas com histórias de vida difíceis mas que conseguiram superar tornando-as mais fortes.

São testemunhos de coragem e determinação que pretendem ajudar a sensibilizar para uma causa que todos os anos afeta milhares de mulheres em Portugal.

A exposição ficará patente no átrio dos HUC até ao dia 25 de março de 2019.

risco de sobreviver ao cancro de pele

Risco de sobreviver a cancro de pele cai 40% para os fumadores

Por | Cancro

Ter cancro de pele já é mau. Mas para quem fuma, pode ser ainda pior, revela um estudo, que confirma que os doentes com melanoma e com um passado associado ao tabagismo têm uma probabilidade 40% inferior de sobreviver ao tumor.

Realizado junto de mais de 700 pessoas com diagnóstico de melanoma, a forma mais agressiva de cancro de pele, o estudo aponta para a relação perigosa entre o cancro e o tabaco, sugerindo que o segundo tem a capacidade de prejudicar a resposta imunitária contra o primeiro e reduzir a sobrevida.

Descobertas feitas por investigadores da Universidade de Leeds, publicadas na revista científica Cancer Research, que acrescenta mais uma razão à já longa lista de motivos pelos quais as pessoas devem abandonar o vício do tabaco.

Fumo afeta sistema imunitário

Em geral, e de acordo com os investigadores, os fumadores têm uma probabilidade 40% inferior de sobreviver à doença, quando comparando com aqueles que nunca fumaram.

E isto porque, acrescentam, o fumo dos cigarros afeta diretamente a forma como o organismo responde às células cancerígenas do melanoma, explica Julia Newton-Bishop, principal autora do estudo e professora de dermatologia da Universidade de Leeds. 

“O sistema imunitário é como uma orquestra, com múltiplas partes. Esta investigação sugere que fumar pode atrapalhar a forma como funciona em sintonia, permitindo que os músicos continuem a tocar, mas possivelmente de uma forma mais desorganizada”.

“O resultado é que os fumadores ainda podem montar uma resposta imunitária para tentar destruir o melanoma, mas parece ser menos eficaz do que a dos não fumadores”, acrescenta a especialista

Por isso, e com base nestas descobertas, “parar de fumar deve ser altamente recomendado para pessoas diagnosticadas com cancro de pele”.

Ajuda para deixar de fumar

Os investigadores acreditam que o fumo pode ter um impacto no sistema imunitário dos doentes, capaz de alterar a sua capacidade para combaterem o cancro de pele, assim como aumentar o risco de outros problemas de saúde associados ao tabagismo.

“No geral, estes resultados revelam que fumar pode limitar a probabilidade de sobrevivência dos doentes com melanoma. Por isso, é especialmente importante que recebam todo o apoio possível para deixar de fumar”, acrescenta Julie Sharp, responsável do Cancer Research UK, instituição que financiou o estudo. 

cancro infantil em debate

Dúvidas e preocupações das famílias de crianças com cancro em debate

Por | Cancro

Que mitos e verdades estão associados à alimentação e ao cancro quando se trata das crianças? São realmente as escolas inclusivas para os mais pequenos com um diagnóstico de cancro? Como se encontra a investigação em oncologia pediátrica? Estas serão algumas questões em debate no 5º Seminário de Oncologia Pediátrica, que se realiza a 16 de fevereiro, no IPO do Porto.

O encontro, uma iniciativa da Fundação Rui Osório de Castro (FROC) e que recebeu o Alto Patrocínio de sua Excelência o Presidente da República, pretende desmistificar perceções erradas, como aquelas que estão associadas à alimentação, refere Cristina Potier, diretora-geral da FROC.

“Existem muitos mitos à volta da alimentação… muitas propostas ‘milagrosas’. A alimentação é fundamental como complemento ao tratamento e não como substituição. Também queremos falar aqui sobre a importância de uma alimentação saudável, mesmo no pós-tratamento, para o bem-estar e também como prevenção do cancro no adulto.”

Escolas inclusivas apenas no papel?

A escola inclusiva estará também em debate, depois de, em 2017, ter saído uma portaria que pretendia regulamentar “o procedimento a adotar para a concessão das medidas educativas especiais [para a criança com doença oncológica], assim como as condições para beneficiar das mesmas e o regime da sua implementação e acompanhamento”.

Saber se estas medidas estão efetivamente a ser cumpridas é um dos objetivos da discussão do tema no seminário, isto porque, adianta a diretora-geral da FROC, “até aqui, o que se sentia é que esta resposta dependia de escola para escola, de professor para professor e isto não podia ser”.

Investigação ainda escassa

A promoção da investigação em oncologia pediátrica, escassa não só no nosso país, mas também lá fora, é parte integrante da missão da FROC e um dos temas que será levado também a debate.

Esta é uma realidade que ainda não está enraizada, nem mesmo junto dos familiares da criança com cancro. “A preocupação dos pais é garantir que, de facto, o tratamento que o médico prescreveu é o melhor para o seu filho. Se existe investigação, não é para a maioria uma prioridade.”

Sobre os tratamentos, Cristina Potier aproveita para tranquilizar os pais e garantir que, “em Portugal, existem tratamentos de excelência e que se porventura o médico considerar que existe um tratamento mais adequado para a criança fora do País, esta será encaminhada”.

Falar dos pais e restantes familiares, sobretudo daqueles que têm o papel de cuidador da criança com cancro é também importante e, por isso, um dos temas escolhidos, isto porque “um pai ou uma mãe com uma criança doente esquece-se, na grande maioria das vezes, de si próprio e é preciso que entendam a importância do seu bem-estar para melhor poderem apoiar o seu filho/a”.

Dar respostas às questões dos pais

De ano para ano, a escolha dos temas tem em conta o feedback recolhido durante estes seminários e os contactos que a FROC vai recebendo.

“Pontualmente somos contactados por pais, com questões sobretudo ligadas a possíveis causas, tratamentos e apoios existentes. Mas recebemos também muitos desabafos, onde o desespero e impotência é muitas vezes sentido”, afirma a diretora-geral da FROC, que considera, por isso, ser fundamental organizar este tipo de eventos pelo País.

“As três primeiras edições deste seminário realizaram-se em Lisboa, em 2018 em Coimbra e agora em 2019 no Porto. Queremos desta forma dar oportunidade às famílias de outras zonas do País de participarem neste seminário, procurando em cada um dos painéis ter profissionais que esclareçam e também testemunhos de quem, por experiência, sabe do que fala.”

Para Cristina Potier “este é um momento em que realmente percebemos o que preocupa os familiares destas crianças, sendo um evento dirigido sobretudo a estes, mas também aberto a todos os que acompanham ou acompanharam esta realidade no seu dia a dia – sobreviventes e suas famílias, voluntários, estudantes e profissionais de Oncologia Pediátrica – que, com a sua experiência, em muito enriquecem esta partilha de informação, acabando por ser um ponto de encontro único no ano em que todas as partes de juntam para debater um tema que interessa a todos”.

No decorrer do seminário será ainda entregue o prémio no valor de 15.000€ ao vencedor da 3ª edição do Prémio Rui Osório de Castro/Millennium BCP, que apoia projetos que promovam a melhoria dos cuidados prestados a crianças com doença oncológica.

medo pode afastar do rastreio do cancro do colo do útero

Vergonha pode afastar as mulheres do rastreio do cancro do colo do útero

Por | Cancro

Os estigmas sociais e os mitos à volta do vírus do papiloma humano (HPV) podem deixar as mulheres ansiosas, levá-las a colocar em causa a fidelidade dos parceiros e colocá-las fora do rastreio do cancro do colo do útero, revela um inquérito apresentado na Early Diagnosis Conference, em Birmingham.

Realizado junto de mais de 2.000 mulheres do Jo’s Cervical Cancer Trust, os dados mostram que os estigmas associados ao HPV incluem vergonha, medo e promiscuidade.

Quase 40% das inquiridas revelaram preocupação com aquilo que as pessoas pensam deles se dissessem que tinham HPV e mais de 40% confessam sentirem-se preocupadas com o facto do seu parceiro ter sido infiel.

Sete em cada dez mulheres admitem medo de saber que têm HPV e dois terços preocupam-se que isso se traduza em cancro.

Informações erradas e desconhecimento

Os resultados permitem concluir que muitas mulheres não entendem o vínculo entre o HPV e o cancro: uma em cada três não sabe que pode este vírus causar cancro do colo do útero e quase todas desconhecem que pode causar cancro da garganta ou da boca.

De acordo com os investigadores, apenas 15% das entrevistadas sabem que a infeção pelo HPV é frequente. De facto, oito em cada 10 mulheres têm alguma forma de infeção por HPV durante a sua vida, mas apenas muito poucas vão desenvolver tipos específicos de alto risco, que dão origem ao cancro.

Sara Hiom, uma das diretoras do Cancer Research UK, considera “preocupante que haja muitos mal-entendidos sobre o HPV. É um vírus muito comum e, na maior parte das vezes, fica inativo e não causa problemas”.

“O teste ao vírus é uma forma de melhor identificar as pessoas que podem ter alterações no colo do útero que, se não forem tratadas, podem transformar-se em cancro do colo do útero. Portanto, o rastreio do HPV é uma excelente forma de prevenir o desenvolvimento deste cancro.”

A especialista acrescenta ainda que “todas as mulheres têm a escolha de fazer o rastreio, mas acabar com os mitos e remover os estigmas à volta do HPV é vital para garantir que as pessoas se sintam mais confiantes para marcar consultas e ir aos rastreios do colo do útero”.

animais ajudam na luta contra o cancro

Como os cães ajudam a sinalizar o cancro nos humanos

Por | Cancro

Costuma dizer-se que os animais são nossos amigos. Mas mais do que isso, revela agora um novo estudo nacional, os animais de companhia, sobretudo os cães, podem servir como alerta para o surgimento de casos de cancro nos seres humanos.

É por isso que os especialistas envolvidos no trabalho consideram os animais como “sentinelas para o aparecimento de doenças oncológicas”, sublinhando a sua importância para a investigação e prevenção do cancro. Ou seja, olhar para estes no âmbito do conceito de ‘One Health’ (‘Uma Saúde’), em que saúde humana, animal e ecossistemas “está interligada”.

Neste sentido, Katia Pinello, primeira autora do estudo e um dos elementos do Departamento de Saúde Pública Veterinária do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), refere ser fundamental começar a sensibilizar médicos e ambientalistas para a importância dos animais nesta área.

“Da mesma forma que se pergunta aos pacientes se algum familiar tem ou teve um cancro, seria pertinente perguntar se os animais domésticos também têm ou tiveram a patologia. Muitos donos têm repetidamente animais de companhia com cancro e isso pode ser um alerta de que algo possa não estar bem do ponto de vista ambiental.”

A conclusão é de um trabalho realizado por especialistas do (ISPUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), publicado na revista científica The Veterinary Journal.

De acordo com os dados existentes, cerca de 70% dos casos de cancro são causados por fatores ambientais, e isto é uma realidade tanto para as pessoas como para os animais. Uma vez que estes últimos têm uma vida mais curta, podem servir de alerta para perigos de saúde a que a população humana está exposta.

Onde há mais casos humanos, há mais casos animais

O trabalho realizado por especialistas nacionais debruçou-se sobre a distribuição geográfica do linfoma não-Hodgkin, um cancro dos linfócitos, as células de defesa do organismo, nos humanos e nos cães da área do Grande Porto e avaliou as suas semelhanças e características epidemiológicas.

“Escolhemos o linfoma não-Hodgkin porque se trata de um cancro que apresenta muitas semelhanças entre humanos e animais”, refere ao site da Universidade do Porto Katia Pinello.

O trabalho feito revela uma correlação geográfica. O que significa que onde há uma maior prevalência de casos humanos, também há em cães, sendo as zonas urbanas do Porto, Matosinhos e Maia aquelas que apresentam mais casos.

“Esta é mais uma evidência que demonstra que, onde existe cancro em seres humanos também existe em cães, pelo que pode haver algum fator ambiental que provoca a doença em ambas as espécies”, refere explica a investigadora.

As semelhanças não se ficam por aqui. Parece que, tal como existe uma maior incidência deste tipo de cancro nos homens, também há nos machos, ainda que o linfoma apareça mais cedo nas cadelas e mais tarde nas mulheres.

doentes informados em relação ao cancro do pulmão

Doentes mais informados querem participar nas decisões de tratamento

Por | Cancro

Os desafios dos novos medicamentos para o cancro do pulmão, o diagnóstico, as novidades no rastreio, o perfil genómico, os tratamentos do presente e futuro… São vários e diferentes os temas em destaque na 13ª edição do Inspired Evolution que, este ano, debate o papel do doente informado, cada vez mais uma realidade nacional. Porque, como confirma a pneumologista Encarnação Teixeira, “os doentes têm mais informação e gostam de participar nas decisões de tratamento, algo que não acontecia há alguns anos”.

É com a experiência conferida por mais de 20 anos de trabalho na área do tratamento do cancro do pulmão que a especialista do Centro Hospitalar Lisboa Norte – Hospital Pulido Valente reforça que as mudanças são muito grandes a este nível, tendo-se passado de um cenário de doentes que aceitavam sem questionar para outro diferente.

“A partilha de conhecimento e decisões entre o clínico e o doente está muito melhor. Ainda que a decisão de tratamento continue a ser baseada na evidência, o doente hoje questiona, quer saber quais as opções terapêuticas, quer saber pormenores sobre a doença. E ainda bem.”

Desafios do tratamento em destaque

Os desafios no tratamento do cancro do pulmão vão também ser alvo de debate no encontro, que vai juntar especialistas nacionais e internacionais, já no próximo dia 9 de fevereiro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Desafios que Encarnação Teixeira conhece bem. “Aquilo que o médico deseja é o medicamento certo para o doente certo, no momento certo. E cada vez mais temos terapias personalizadas, ou seja, temos esse medicamento certo. O que nem sempre acontece é termos acesso atempado às terapias inovadoras.”

E este é, reforça, um dos maiores desafios para os médicos. “Apesar de ser cada vez mais a inovação, nem sempre o acesso a esta acontece no tempo desejado. É preciso maior rapidez nas aprovações”, alerta.

Futuro cada vez mais personalizado

Para o futuro, a especialista espera o reforço da investigação nesta área, até “porque quanto mais longe for a investigação, maior será a probabilidade desta se aplicar à prática”.

Não tem dúvidas que a evolução vai continuar, no caminho de uma medicina cada vez mais personalizada. “Aumenta o número de biomarcadores que nos orientam na terapêutica e acredito que o futuro vai passar, muito provavelmente, pela combinação de terapêuticas, sendo o objetivo prolongar a vida dos doentes, mas sem agravar a sua qualidade de vida, que é o que os doentes desejam.”

investigação sobre cancro colorretal

Será o microbioma a chave para o combate ao cancro colorretal? A resposta em breve

Por | Cancro

Todos os anos, de acordo com os dados disponíveis, mais de sete mil pessoas são, em Portugal, diagnosticadas com cancro colorretal, o segundo com mais incidência no País e o segundo também na lista dos mais mortíferos. É no seu combate que estão envolvidos investigadores internacionais, que acreditam que o microbioma de cada um, ou seja, o conjunto de bactérias, fungos e vírus que compõem o nosso organismo, pode ser a chave para o tratamento deste tipo de cancro.

Para aprofundarem os seus estudos, os cientistas da Universidade de Leeds receberam cerca de 2,8 milhões de euros para investigar como os muitos milhões de microrganismos que habitam no nosso corpo podem ser manipulados para tratar o cancro colorretal.

Com estes vão colaborar especialistas dos EUA, Canadá, Holanda e Espanha que, juntos, receberam 17 milhões de euros do Cancer Research UK, um dos maiores financiamentos já concedidos por aquela instituição, inserido num fundo criado para revolucionar a prevenção, diagnóstico e tratamento do cancro.

Microbioma saudável vs microbioma associado ao cancro

Existem muitos fatores associados ao estilo de vida, como a dieta e a obesidade, que influenciam o risco de sofrer da doença. Os investigadores descobriram que o impacto destes fatores no microbioma pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento do cancro colorretal.

Entender a diferença entre um microbioma saudável e um associado ao cancro e encontrar formas de manipular essa coleção de micro-organismos para melhor prevenir e tratar o cancro é um dos objetivos do trabalho que agora começa.

“O nosso objetivo é que este projeto de investigação possa ajudar a revolucionar a nossa compreensão do papel que o microbioma desempenha no desenvolvimento do cancro”, explica em comunicado Philip Quirke, professor de Patologia da Universidade de Leeds.

“Isso poderia ajudar a encontrar novas formas de prevenir a doença e também novos tratamentos para os doentes no futuro.”