histórias de cancro

Exposição conta histórias de quem sobreviveu ao cancro

Por | Cancro

São todas mulheres e partilham uma experiência comum a milhares de pessoas em Portugal e milhões em todo o mundo: sobreviveram a um cancro. Fotografadas pela lente do fotógrafo Daniel Vieira, as suas histórias e experiências vão estar, em forma de imagem, expostas no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), a partir do próximo dia 25.

Inserida no projeto ‘Cancro, a história que nos une’, da iniciativa do Fundo iMM – Laço, organismo que financia projetos de investigação na área do cancro da mama, a exposição resulta de uma parceria com o blog Dia de Mudança, de Gabriela Fonseca, também ela sobrevivente.

A história que as une

O átrio dos Hospitais da Universidade de Coimbra recebe esta iniciativa, que serve de ponto de partida para a campanha que tem como lema, #juntasvencemosocancro e que tem como objetivo inspirar aqueles a quem foi diagnosticada uma doença oncológica, mas também todos os que de perto vivem ou convivem com essas situações ou outros problemas de saúde que exigem sempre uma grande força de superação.

A campanha conta com a participação de doze doentes oncológicas – Ana Bee, Gabriela Fonseca, Inês Ribeiro, Isadora Lum, Isabel Arcanjo, Margarete Santos, Margarida Vale, Marta Machado, Marília Pereira, Paula Patuxa, Sandra Lucas e Sónia Leiriao, todas elas com histórias de vida difíceis mas que conseguiram superar tornando-as mais fortes.

São testemunhos de coragem e determinação que pretendem ajudar a sensibilizar para uma causa que todos os anos afeta milhares de mulheres em Portugal.

A exposição ficará patente no átrio dos HUC até ao dia 25 de março de 2019.

risco de sobreviver ao cancro de pele

Risco de sobreviver a cancro de pele cai 40% para os fumadores

Por | Cancro

Ter cancro de pele já é mau. Mas para quem fuma, pode ser ainda pior, revela um estudo, que confirma que os doentes com melanoma e com um passado associado ao tabagismo têm uma probabilidade 40% inferior de sobreviver ao tumor.

Realizado junto de mais de 700 pessoas com diagnóstico de melanoma, a forma mais agressiva de cancro de pele, o estudo aponta para a relação perigosa entre o cancro e o tabaco, sugerindo que o segundo tem a capacidade de prejudicar a resposta imunitária contra o primeiro e reduzir a sobrevida.

Descobertas feitas por investigadores da Universidade de Leeds, publicadas na revista científica Cancer Research, que acrescenta mais uma razão à já longa lista de motivos pelos quais as pessoas devem abandonar o vício do tabaco.

Fumo afeta sistema imunitário

Em geral, e de acordo com os investigadores, os fumadores têm uma probabilidade 40% inferior de sobreviver à doença, quando comparando com aqueles que nunca fumaram.

E isto porque, acrescentam, o fumo dos cigarros afeta diretamente a forma como o organismo responde às células cancerígenas do melanoma, explica Julia Newton-Bishop, principal autora do estudo e professora de dermatologia da Universidade de Leeds. 

“O sistema imunitário é como uma orquestra, com múltiplas partes. Esta investigação sugere que fumar pode atrapalhar a forma como funciona em sintonia, permitindo que os músicos continuem a tocar, mas possivelmente de uma forma mais desorganizada”.

“O resultado é que os fumadores ainda podem montar uma resposta imunitária para tentar destruir o melanoma, mas parece ser menos eficaz do que a dos não fumadores”, acrescenta a especialista

Por isso, e com base nestas descobertas, “parar de fumar deve ser altamente recomendado para pessoas diagnosticadas com cancro de pele”.

Ajuda para deixar de fumar

Os investigadores acreditam que o fumo pode ter um impacto no sistema imunitário dos doentes, capaz de alterar a sua capacidade para combaterem o cancro de pele, assim como aumentar o risco de outros problemas de saúde associados ao tabagismo.

“No geral, estes resultados revelam que fumar pode limitar a probabilidade de sobrevivência dos doentes com melanoma. Por isso, é especialmente importante que recebam todo o apoio possível para deixar de fumar”, acrescenta Julie Sharp, responsável do Cancer Research UK, instituição que financiou o estudo. 

cancro infantil em debate

Dúvidas e preocupações das famílias de crianças com cancro em debate

Por | Cancro

Que mitos e verdades estão associados à alimentação e ao cancro quando se trata das crianças? São realmente as escolas inclusivas para os mais pequenos com um diagnóstico de cancro? Como se encontra a investigação em oncologia pediátrica? Estas serão algumas questões em debate no 5º Seminário de Oncologia Pediátrica, que se realiza a 16 de fevereiro, no IPO do Porto.

O encontro, uma iniciativa da Fundação Rui Osório de Castro (FROC) e que recebeu o Alto Patrocínio de sua Excelência o Presidente da República, pretende desmistificar perceções erradas, como aquelas que estão associadas à alimentação, refere Cristina Potier, diretora-geral da FROC.

“Existem muitos mitos à volta da alimentação… muitas propostas ‘milagrosas’. A alimentação é fundamental como complemento ao tratamento e não como substituição. Também queremos falar aqui sobre a importância de uma alimentação saudável, mesmo no pós-tratamento, para o bem-estar e também como prevenção do cancro no adulto.”

Escolas inclusivas apenas no papel?

A escola inclusiva estará também em debate, depois de, em 2017, ter saído uma portaria que pretendia regulamentar “o procedimento a adotar para a concessão das medidas educativas especiais [para a criança com doença oncológica], assim como as condições para beneficiar das mesmas e o regime da sua implementação e acompanhamento”.

Saber se estas medidas estão efetivamente a ser cumpridas é um dos objetivos da discussão do tema no seminário, isto porque, adianta a diretora-geral da FROC, “até aqui, o que se sentia é que esta resposta dependia de escola para escola, de professor para professor e isto não podia ser”.

Investigação ainda escassa

A promoção da investigação em oncologia pediátrica, escassa não só no nosso país, mas também lá fora, é parte integrante da missão da FROC e um dos temas que será levado também a debate.

Esta é uma realidade que ainda não está enraizada, nem mesmo junto dos familiares da criança com cancro. “A preocupação dos pais é garantir que, de facto, o tratamento que o médico prescreveu é o melhor para o seu filho. Se existe investigação, não é para a maioria uma prioridade.”

Sobre os tratamentos, Cristina Potier aproveita para tranquilizar os pais e garantir que, “em Portugal, existem tratamentos de excelência e que se porventura o médico considerar que existe um tratamento mais adequado para a criança fora do País, esta será encaminhada”.

Falar dos pais e restantes familiares, sobretudo daqueles que têm o papel de cuidador da criança com cancro é também importante e, por isso, um dos temas escolhidos, isto porque “um pai ou uma mãe com uma criança doente esquece-se, na grande maioria das vezes, de si próprio e é preciso que entendam a importância do seu bem-estar para melhor poderem apoiar o seu filho/a”.

Dar respostas às questões dos pais

De ano para ano, a escolha dos temas tem em conta o feedback recolhido durante estes seminários e os contactos que a FROC vai recebendo.

“Pontualmente somos contactados por pais, com questões sobretudo ligadas a possíveis causas, tratamentos e apoios existentes. Mas recebemos também muitos desabafos, onde o desespero e impotência é muitas vezes sentido”, afirma a diretora-geral da FROC, que considera, por isso, ser fundamental organizar este tipo de eventos pelo País.

“As três primeiras edições deste seminário realizaram-se em Lisboa, em 2018 em Coimbra e agora em 2019 no Porto. Queremos desta forma dar oportunidade às famílias de outras zonas do País de participarem neste seminário, procurando em cada um dos painéis ter profissionais que esclareçam e também testemunhos de quem, por experiência, sabe do que fala.”

Para Cristina Potier “este é um momento em que realmente percebemos o que preocupa os familiares destas crianças, sendo um evento dirigido sobretudo a estes, mas também aberto a todos os que acompanham ou acompanharam esta realidade no seu dia a dia – sobreviventes e suas famílias, voluntários, estudantes e profissionais de Oncologia Pediátrica – que, com a sua experiência, em muito enriquecem esta partilha de informação, acabando por ser um ponto de encontro único no ano em que todas as partes de juntam para debater um tema que interessa a todos”.

No decorrer do seminário será ainda entregue o prémio no valor de 15.000€ ao vencedor da 3ª edição do Prémio Rui Osório de Castro/Millennium BCP, que apoia projetos que promovam a melhoria dos cuidados prestados a crianças com doença oncológica.

medo pode afastar do rastreio do cancro do colo do útero

Vergonha pode afastar as mulheres do rastreio do cancro do colo do útero

Por | Cancro

Os estigmas sociais e os mitos à volta do vírus do papiloma humano (HPV) podem deixar as mulheres ansiosas, levá-las a colocar em causa a fidelidade dos parceiros e colocá-las fora do rastreio do cancro do colo do útero, revela um inquérito apresentado na Early Diagnosis Conference, em Birmingham.

Realizado junto de mais de 2.000 mulheres do Jo’s Cervical Cancer Trust, os dados mostram que os estigmas associados ao HPV incluem vergonha, medo e promiscuidade.

Quase 40% das inquiridas revelaram preocupação com aquilo que as pessoas pensam deles se dissessem que tinham HPV e mais de 40% confessam sentirem-se preocupadas com o facto do seu parceiro ter sido infiel.

Sete em cada dez mulheres admitem medo de saber que têm HPV e dois terços preocupam-se que isso se traduza em cancro.

Informações erradas e desconhecimento

Os resultados permitem concluir que muitas mulheres não entendem o vínculo entre o HPV e o cancro: uma em cada três não sabe que pode este vírus causar cancro do colo do útero e quase todas desconhecem que pode causar cancro da garganta ou da boca.

De acordo com os investigadores, apenas 15% das entrevistadas sabem que a infeção pelo HPV é frequente. De facto, oito em cada 10 mulheres têm alguma forma de infeção por HPV durante a sua vida, mas apenas muito poucas vão desenvolver tipos específicos de alto risco, que dão origem ao cancro.

Sara Hiom, uma das diretoras do Cancer Research UK, considera “preocupante que haja muitos mal-entendidos sobre o HPV. É um vírus muito comum e, na maior parte das vezes, fica inativo e não causa problemas”.

“O teste ao vírus é uma forma de melhor identificar as pessoas que podem ter alterações no colo do útero que, se não forem tratadas, podem transformar-se em cancro do colo do útero. Portanto, o rastreio do HPV é uma excelente forma de prevenir o desenvolvimento deste cancro.”

A especialista acrescenta ainda que “todas as mulheres têm a escolha de fazer o rastreio, mas acabar com os mitos e remover os estigmas à volta do HPV é vital para garantir que as pessoas se sintam mais confiantes para marcar consultas e ir aos rastreios do colo do útero”.

animais ajudam na luta contra o cancro

Como os cães ajudam a sinalizar o cancro nos humanos

Por | Cancro

Costuma dizer-se que os animais são nossos amigos. Mas mais do que isso, revela agora um novo estudo nacional, os animais de companhia, sobretudo os cães, podem servir como alerta para o surgimento de casos de cancro nos seres humanos.

É por isso que os especialistas envolvidos no trabalho consideram os animais como “sentinelas para o aparecimento de doenças oncológicas”, sublinhando a sua importância para a investigação e prevenção do cancro. Ou seja, olhar para estes no âmbito do conceito de ‘One Health’ (‘Uma Saúde’), em que saúde humana, animal e ecossistemas “está interligada”.

Neste sentido, Katia Pinello, primeira autora do estudo e um dos elementos do Departamento de Saúde Pública Veterinária do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), refere ser fundamental começar a sensibilizar médicos e ambientalistas para a importância dos animais nesta área.

“Da mesma forma que se pergunta aos pacientes se algum familiar tem ou teve um cancro, seria pertinente perguntar se os animais domésticos também têm ou tiveram a patologia. Muitos donos têm repetidamente animais de companhia com cancro e isso pode ser um alerta de que algo possa não estar bem do ponto de vista ambiental.”

A conclusão é de um trabalho realizado por especialistas do (ISPUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), publicado na revista científica The Veterinary Journal.

De acordo com os dados existentes, cerca de 70% dos casos de cancro são causados por fatores ambientais, e isto é uma realidade tanto para as pessoas como para os animais. Uma vez que estes últimos têm uma vida mais curta, podem servir de alerta para perigos de saúde a que a população humana está exposta.

Onde há mais casos humanos, há mais casos animais

O trabalho realizado por especialistas nacionais debruçou-se sobre a distribuição geográfica do linfoma não-Hodgkin, um cancro dos linfócitos, as células de defesa do organismo, nos humanos e nos cães da área do Grande Porto e avaliou as suas semelhanças e características epidemiológicas.

“Escolhemos o linfoma não-Hodgkin porque se trata de um cancro que apresenta muitas semelhanças entre humanos e animais”, refere ao site da Universidade do Porto Katia Pinello.

O trabalho feito revela uma correlação geográfica. O que significa que onde há uma maior prevalência de casos humanos, também há em cães, sendo as zonas urbanas do Porto, Matosinhos e Maia aquelas que apresentam mais casos.

“Esta é mais uma evidência que demonstra que, onde existe cancro em seres humanos também existe em cães, pelo que pode haver algum fator ambiental que provoca a doença em ambas as espécies”, refere explica a investigadora.

As semelhanças não se ficam por aqui. Parece que, tal como existe uma maior incidência deste tipo de cancro nos homens, também há nos machos, ainda que o linfoma apareça mais cedo nas cadelas e mais tarde nas mulheres.

doentes informados em relação ao cancro do pulmão

Doentes mais informados querem participar nas decisões de tratamento

Por | Cancro

Os desafios dos novos medicamentos para o cancro do pulmão, o diagnóstico, as novidades no rastreio, o perfil genómico, os tratamentos do presente e futuro… São vários e diferentes os temas em destaque na 13ª edição do Inspired Evolution que, este ano, debate o papel do doente informado, cada vez mais uma realidade nacional. Porque, como confirma a pneumologista Encarnação Teixeira, “os doentes têm mais informação e gostam de participar nas decisões de tratamento, algo que não acontecia há alguns anos”.

É com a experiência conferida por mais de 20 anos de trabalho na área do tratamento do cancro do pulmão que a especialista do Centro Hospitalar Lisboa Norte – Hospital Pulido Valente reforça que as mudanças são muito grandes a este nível, tendo-se passado de um cenário de doentes que aceitavam sem questionar para outro diferente.

“A partilha de conhecimento e decisões entre o clínico e o doente está muito melhor. Ainda que a decisão de tratamento continue a ser baseada na evidência, o doente hoje questiona, quer saber quais as opções terapêuticas, quer saber pormenores sobre a doença. E ainda bem.”

Desafios do tratamento em destaque

Os desafios no tratamento do cancro do pulmão vão também ser alvo de debate no encontro, que vai juntar especialistas nacionais e internacionais, já no próximo dia 9 de fevereiro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Desafios que Encarnação Teixeira conhece bem. “Aquilo que o médico deseja é o medicamento certo para o doente certo, no momento certo. E cada vez mais temos terapias personalizadas, ou seja, temos esse medicamento certo. O que nem sempre acontece é termos acesso atempado às terapias inovadoras.”

E este é, reforça, um dos maiores desafios para os médicos. “Apesar de ser cada vez mais a inovação, nem sempre o acesso a esta acontece no tempo desejado. É preciso maior rapidez nas aprovações”, alerta.

Futuro cada vez mais personalizado

Para o futuro, a especialista espera o reforço da investigação nesta área, até “porque quanto mais longe for a investigação, maior será a probabilidade desta se aplicar à prática”.

Não tem dúvidas que a evolução vai continuar, no caminho de uma medicina cada vez mais personalizada. “Aumenta o número de biomarcadores que nos orientam na terapêutica e acredito que o futuro vai passar, muito provavelmente, pela combinação de terapêuticas, sendo o objetivo prolongar a vida dos doentes, mas sem agravar a sua qualidade de vida, que é o que os doentes desejam.”

investigação sobre cancro colorretal

Será o microbioma a chave para o combate ao cancro colorretal? A resposta em breve

Por | Cancro

Todos os anos, de acordo com os dados disponíveis, mais de sete mil pessoas são, em Portugal, diagnosticadas com cancro colorretal, o segundo com mais incidência no País e o segundo também na lista dos mais mortíferos. É no seu combate que estão envolvidos investigadores internacionais, que acreditam que o microbioma de cada um, ou seja, o conjunto de bactérias, fungos e vírus que compõem o nosso organismo, pode ser a chave para o tratamento deste tipo de cancro.

Para aprofundarem os seus estudos, os cientistas da Universidade de Leeds receberam cerca de 2,8 milhões de euros para investigar como os muitos milhões de microrganismos que habitam no nosso corpo podem ser manipulados para tratar o cancro colorretal.

Com estes vão colaborar especialistas dos EUA, Canadá, Holanda e Espanha que, juntos, receberam 17 milhões de euros do Cancer Research UK, um dos maiores financiamentos já concedidos por aquela instituição, inserido num fundo criado para revolucionar a prevenção, diagnóstico e tratamento do cancro.

Microbioma saudável vs microbioma associado ao cancro

Existem muitos fatores associados ao estilo de vida, como a dieta e a obesidade, que influenciam o risco de sofrer da doença. Os investigadores descobriram que o impacto destes fatores no microbioma pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento do cancro colorretal.

Entender a diferença entre um microbioma saudável e um associado ao cancro e encontrar formas de manipular essa coleção de micro-organismos para melhor prevenir e tratar o cancro é um dos objetivos do trabalho que agora começa.

“O nosso objetivo é que este projeto de investigação possa ajudar a revolucionar a nossa compreensão do papel que o microbioma desempenha no desenvolvimento do cancro”, explica em comunicado Philip Quirke, professor de Patologia da Universidade de Leeds.

“Isso poderia ajudar a encontrar novas formas de prevenir a doença e também novos tratamentos para os doentes no futuro.”

investigação em oncologia

Iniciativa distingue projetos que podem ajudar a prevenir e tratar o cancro

Por | Cancro

A aposta na investigação nacional prossegue com a 2ª edição do Prémio FAZ Ciência, que distingue o melhor projeto de investigação translacional em Imuno-Oncologia desenvolvido em Portugal. Paulo Cortes, presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), um dos responsáveis pela iniciativa, não tem dúvidas que “no território nacional existem trabalhos em curso com investigações extraordinárias e que num futuro abrirão portas a novas terapêuticas e técnicas de diagnóstico e prevenção da doença oncológica”.

São estes trabalhos, acrescenta, “cuja excelência deve ser prestigiada e distinguida. Esta iniciativa é, por isso, uma oportunidade excecional para dar visibilidade, interna e externamente, à investigação de ponta que se faz no nosso país”.

As candidaturas já estão abertas e decorrem até ao fim do mês de janeiro. O prémio traduz-se numa bolsa com um valor entre os cinco e os trinta e cinco mil euros, a decidir pela Comissão de Avaliação em função das candidaturas apresentadas, e poderá premiar mais do que um projeto.

Candidaturas abertas até 31 de janeiro

As candidaturas para a 2ª edição do Prémio FAZ Ciência estão abertas até 31 de janeiro, devendo ser enviadas até esta data por email para premiofazciencia@astrazeneca.com.

Os projetos candidatos serão avaliados por uma Comissão de Avaliação, composta por cinco reconhecidos especialistas nacionais na área da Imuno-Oncologia: Carmo Fonseca, Presidente do Instituto de Medicina Molecular, Paulo Cortes, Presidente da SPO, José Carlos Machado, Vice-presidente do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup), José Dinis, Diretor da Unidade de Investigação Clínica do IPO do Porto e Noémia Afonso, secretária da SPO e Oncologista no Hospital de Santo António.

Recorde-se que a primeira iniciativa deste prémio, que conta com o apoio da Fundação AstraZeneca, reconheceu o projeto de um grupo de investigadores do i3S do Porto, liderado por Sónia Melo, que tinha como objetivo “tornar a imunoterapia uma realidade para doentes com cancro do pâncreas”.
prémio para investigação em oncologia pediátrica

Prémio incentiva investigação em oncologia pediátrica, escassa em Portugal

Por | Cancro

Não é só em Portugal, mas a tendência é generalizada. De facto, como confirma Cristina Potier, diretora-geral da Fundação Rui Osório de Castro (FROC), “a investigação em oncologia pediátrica, muito escassa não só no nosso país, mas também internacionalmente”. É para a reconhecer e, ao mesmo tempo, fomentar que a FROC atribui um prémio anual a quem a ela se dedica.

Este ano, a principal distinção é atribuída a uma especialista do Serviço de Oncologia do Hospital Pediátrico de Coimbra. Ana Catarina Cordeiro é a vencedora da 3ª edição do Prémio Rui Osório de Castro/Millennium BCP, com um trabalho sobre a infeção nas crianças com cancro.

‘Interleucina 6 (il-6) e interleucina 8 (il-8) como preditores de infeção bacteriana em doentes oncológicos pediátricos com neutropenia febril’ é o tema do trabalho, que conquistou o primeiro lugar devido à sua pertinência e relevância, inovação e originalidade, assim como rigor científico.

Prémio entregue no 5º Seminário de Oncologia Pediátrica

A Fundação Rui Osório de Castro e a Fundação Millennium BCP farão a entrega deste prémio, no valor de 15.000€, no decorrer do 5º Seminário de Oncologia Pediátrica, que terá lugar no Instituto Português de Oncologia do Porto, no próximo dia 16 de fevereiro.

A Fundação salienta ainda as duas Menções Honrosas atribuídas pelo júri a Sandra Alves, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, que vê o seu projeto ‘Desenvolvimento de uma abordagem terapêutica molecular para a Neurofibromatose tipo 1 através de exon-skipping’ distinguido pelo segundo ano consecutivo.

Delfim Duarte, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, IPO-Porto e Faculdade de Medicina da Universidade do Porto foi também distinguido, com o projeto ‘O papel da inflamação no microambiente da leucemia linfoblástica aguda de células t’.

descoberta sobre cancro da bexiga

Investigadores nacionais fazem descoberta capaz de ajudar a diagnosticar e tratar cancro da bexiga

Por | Cancro

São as alterações na regulação de um gene que contribuem para a progressão do cancro da bexiga, um dos 10 tipos de cancro mais comuns em todo o mundo e o quinto mais frequente na Europa. Descobertas feitas por um consórcio internacional, com participação de uma equipa portuguesa.

Liderados por Pedro Castelo-Branco, do Centro de Investigação em Biomedicina da Universidade do Algarve, os investigadores nacionais ajudaram a melhorar a compreensão do mecanismo pelo qual se multiplicam as células do tumor, o pode abrir portas a novas formas de terapia mais personalizadas.

Cancro da bexiga afeta 17% da população portuguesa

De acordo com o trabalho, que partiu de um grupo internacional de 237 doentes com cancro da bexiga, existem determinadas alterações genéticas e epigenéticas cuja compreensão pode ajudar a melhorar o diagnóstico e o prognóstico da doença, permitindo que, no futuro, se possa encontrar uma terapia mais personalizada.

Os investigadores verificaram que as alterações específicas na regulação do gene da telomerase (TERT), responsável pela multiplicação das células cancerígena, estão presentes em 76,8% das pessoas que sofrem com cancro da bexiga analisadas, manifestando-se em todas as fases e estadios da doença.

Para além disso, e através desta investigação, foi possível perceber que há outros fatores associados a esta mutação que, juntos, contribuem para um aumento do risco de recorrência e progressão da doença.

Tal como refere Pedro Castelo-Branco, investigador principal do grupo de Epigenética e Doença Humana, da referida instituição, “esta investigação é especialmente relevante se pensarmos que traz consigo informações valiosas para o prognóstico de uma doença que afeta, em média, 17,6% da população portuguesa”.

“Estes dados trazem novas perspetivas sobre a própria biologia do cancro.”