diabetes tipo 2

Estudo nacional quer saber como os médicos e os doentes encaram a diabetes

Por | Diabetes

Avaliar as principais preocupações das pessoas com diabetes tipo 2 na gestão da doença e os fatores mais valorizados na consulta são alguns dos objetivos do Projeto CONCORDIA, o primeiro estudo nacional sobre o tema, uma iniciativa da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP-NOVA) e da AstraZeneca

O protocolo de colaboração para a implementação do estudo foi assinado recentemente e pretende evidenciar as principais preocupações de quem vive com a doença, comparando com o ponto de vista dos médicos. O impacto da diabetes no dia-a-dia da pessoa com a doença e o grau de envolvimento desta nas decisões de saúde e tratamento serão outros dos aspetos a avaliar.

Esta iniciativa irá permitir conhecer, através de abordagens qualitativa e quantitativa, a comunicação entre o médico e a pessoa com diabetes tipo 2, nomeadamente no que diz respeito à transferência de informação e partilha da decisão em saúde, um determinante importante para a gestão da doença, adesão à terapêutica e, em última análise, para os resultados em saúde.

Conhecer o impacto da diabetes tipo 2

Dada a importância e o impacto destas questões no panorama de Saúde Pública, a Escola Nacional de Saúde Pública tem vindo, ao longo dos anos, a dedicar com sucesso parte da sua investigação e ensino a estas temáticas.

Para João Valente Cordeiro, coordenador do estudo, “a participação das pessoas com doença, em particular com doença crónica, na tomada de decisão referente aos cuidados de saúde que lhe são prestados constitui um vetor essencial para uma melhoria significativa dos resultados em saúde e para que esses mesmos cuidados sejam prestados de uma forma mais justa, inclusiva e equitativa”.

Para esse fim, adianta o docente da ENSP-NOVA, “é essencial conhecer o impacto da doença na vida quotidiana das pessoas, identificar os fatores que a pessoa com diabetes tipo 2 mais valoriza nos cuidados de saúde, nas consultas e nos tratamentos e perceber se estas dimensões estão alinhadas com as perceções que os médicos têm sobre os mesmos temas”.

Os resultados deste projeto serão apresentados em congressos e reuniões científicas ao longo dos próximos dois anos.

como a personalidade influencia a doença

A sua personalidade pode aumentar o risco de diabetes

Por | Diabetes

Não é de hoje que se diz que uma boa personalidade ajudar a ter sucesso. Mas será que pode também proteger contra o risco de doenças? Um novo estudo diz que sim.

Publicado na revista da Sociedade Norte-Americana de Menopausa, o trabalho revela que ter traços positivos de personalidade, como ser otimista, podem de facto ajudar a reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2. 

São milhões os que, no mundo, sofrem com diabetes, sendo mais comum o tipo 2. Só em Portugal, estima-se que afete mais de um milhão de pessoas.

Obesidade, história familiar da doença, raça e inatividade física são os principais fatores de risco, mas parece que não são os únicos.

A evidência confirma que a depressão e o cinismo também estão ligados a um aumento do risco de diabetes. A estes juntam-se níveis elevados de hostilidade, que têm sido associados a níveis elevados de glicose em jejum, resistência à insulina e diabetes.

Poucos foram, no entanto, os estudos que investigaram a associação das características de personalidade potencialmente protetoras do risco de diabetes. É isso mesmo que este pretende.

Ser otimista compensa

Verificar se os traços de personalidade, incluindo o otimismo, negatividade e hostilidade, estão associados ao risco de desenvolver diabetes tipo 2 em mulheres na pós-menopausa foi o objetivo do estudo, que acompanhou 139.924 mulheres pós-menopáusicas, que não tinham diabetes no início do trabalho. Catorze anos depois, foi possível identificar 19.240 casos de diabetes tipo 2.

Comparações feitas, verificou-se que as mulheres mais positivas tiveram um risco 12% menor de diabetes, face às menos otimistas.

Não só o otimismo parece ter aqui influência, mas também a expressividade emocional negativa ou hostilidade: níveis mais elevados destas características estavam associados a um risco 9% e 17% superior de diabetes. 

Prevenção adequada à personalidade

A conclusão é, para os investigadores, simples: níveis baixo de otimismo e elevados de negatividade e hostilidade estão relacionados com o aumento do risco de diabetes em mulheres na pós-menopausa, independentemente dos principais comportamentos de saúde e sintomas depressivos.

“Os traços de personalidade permanecem estáveis ​​ao longo da vida; por isso, as mulheres com maior risco de diabetes, que têm otimismo reduzido e elevados níveis de negatividade e hostilidade, podem ter estratégias de prevenção adaptadas aos seus tipos de personalidade”, explica Joann Pinkerton, diretora executiva da Sociedade Norte-Americana de Menopausa.

“Para além de podemos usar os traços de personalidade para nos ajudar a identificar as mulheres com maior risco de desenvolver diabetes, podemos também usar mais educação individualizada e estratégias de tratamento”, acrescenta.

cura para a diabetes

A cura para a diabetes pode estar no nosso corpo

Por | Diabetes

E se lhe dissessem que a cura para a diabetes pode estar no próprio organismo? Ou, o mesmo é dizer, que poderá ser o nosso corpo a curar-se sozinho? A verdade é que isso ainda não acontece, mas a ciência não pára de nos surpreender e está apostada em fazê-lo uma vez mais.

Responsável por tornar as células incapazes ou deficientes na produção de insulina, uma hormona necessária para a regulação dos níveis de açúcar no sangue, a diabetes obriga, por isso, muitos doentes a tomarem insulina para regular esses níveis.

Em colaboração com outros investigadores internacionais, cientistas da Universidade de Bergen, na Noruega, descobriram que uma hormona produzida pelas células do pâncreas, pode mudar de identidade e se adaptar, realizando o trabalho das células vizinhas produtoras de insulina.

“Estamos possivelmente perante o início de uma forma totalmente nova de tratamento para a diabetes, onde o corpo pode produzir sua própria insulina, com alguma ajuda inicial”, explica a investigadora Luiza Ghila, do Raeder Research Lab, da Universidade de Bergen.

Processo de identidade celular

Ainda que apenas 2% das células vizinhas no pâncreas possam mudar a identidade, o valor gera otimismo junto dos investigadores sobre possíveis novas abordagens de tratamento.

Até porque, pela primeira vez na história, foi possível descrever os mecanismos por detrás do processo de identidade celular. O que permitiu aumentar o número de células produtoras de insulina para 5% em modelos animais.

“Se adquirirmos mais conhecimento sobre os mecanismos subjacentes a esta flexibilidade celular, poderemos ser capazes de controlar o processo e mudar as identidades das células para que mais insulina possa ser produzida”, explica Luiza Ghila.

Implicações noutras doenças

Boas notícias para o tratamento da diabetes e não só.

“A capacidade das células mudarem de identidade e função pode ser uma descoberta decisiva no tratamento de outras doenças causadas pela morte celular, como a doença de Alzheimer e os danos celulares decorrentes de enfartes”, reforça a investigadora.

alerta para escassez de insulina

Quatro em cada 10 doentes com diabetes tipo 2 podem ficar sem acesso a insulina

Por | Diabetes

O uso da insulina vai aumentar em todo o mundo, mas nem todos aqueles que dela mais precisam vão conseguir aceder a esta forma de tratar a diabetes, alerta um novo estudo publicado no The Lancet Diabetes & Endocrinology, que fala em qualquer coisa como 40 milhões de pessoas sem acesso até 2030.

Nos próximos 12 anos, apesar de um aumento esperado de 20% na quantidade de insulina usada para tratar a diabetes tipo 2 em todo o mundo, cerca de metade dos 79 milhões de adultos com a doença não vão ter acesso ao tratamento.

As contas, feitas com recurso aos dados da Federação Internacional de Diabetes e de 14 estudos que representam mais de 60% da população mundial com diabetes tipo 2, permitem estimar que, em todo o mundo, o número de adultos com diabetes tipo 2 deve aumentar em mais de um quinto, passando de 406 milhões em 2018, para 511 milhões em 2030, ainda que mais de metade destes vivam em apenas três países: China (130 milhões), Índia (98 milhões) e os EUA (32 milhões).

Aumentam os doentes, mas não o acesso, situação que preocupa os especialista. “As estimativas sugerem que os níveis atuais de acesso à insulina são muito desadequados, em comparação com a necessidade projetada, particularmente em África e na Ásia. Por isso, mais esforços devem ser dedicados à superação desse desafio de saúde”, explica em comunicado Sanjay Basu, especialista da Universidade de Stanford, nos EUA.

“Apesar do compromisso da ONU para tratar as doenças não transmissíveis e garantir o acesso universal a medicamentos para a diabetes, em grande parte do mundo a insulina é escassa e de acesso desnecessariamente difícil para os doentes”, refere a mesma fonte.

“Estima-se que o número de adultos com diabetes tipo 2 aumente nos próximos 12 anos devido ao envelhecimento, urbanização e mudanças associadas à dieta e atividade física. A menos que os governos iniciem iniciativas para tornar a insulina disponível e acessível, o seu uso estará sempre longe do ideal.”

Medicamento essencial para tratar a doença

Essencial para todas as pessoas com diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2, a insulina reduz o risco de complicações como cegueira, amputação, insuficiência renal e acidente vascular cerebral.

À medida que as taxas globais de diabetes tipo 2 aumentam e as pessoas com a doença vivem mais tempo, o que fará aumentar as necessidades de insulina, torna-se necessário repensar o cenário atual, uma vez que o tratamento com insulina é caro e o mercado internacional é atualmente dominado por apenas três grandes fabricantes, revela o relatório.

relação perigosa entre diabetes e outras doenças

Campanha alerta para relação perigosa entre diabetes e outras doenças

Por | Diabetes

Maior risco de hipertensão arterial, maior risco de doença vascular, de enfarte, de obesidade e de várias outras doenças. Os números e dados dão conta de uma associação perigosa entre a diabetes e vários problemas, “mas mais do que um risco duplo, a diabetes agrava o prognóstico de todas as doenças”, garante José Manuel Boavida, presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP).

E acrescenta: “cerca de 1/3 das pessoas que sofrem enfarte ou AVC têm diabetes, que aumenta a mortalidade por doenças cardiovasculares, doenças oncológicas ou doenças infeciosas”.

Esta associação serve de mote para a campanha, lançada pela APDP com o apoio da AstraZeneca, por ocasião do Dia Mundial da Diabetes, que se assinala esta quarta-feira (dia 14), e que deixa o apelo: ‘Seja mais rápido que o seu risco’.

Uma rapidez que importa reforçar, tanto mais que, refere José Manuel Boavida, “tem havido uma visão muito centrada na glicemia”.

Por isso, o especialista considera que “a compreensão da importância do risco vascular é hoje uma prioridade, não só para os profissionais de saúde, mas também para as pessoas com diabetes. O controlo rigoroso dos fatores de risco é essencial: tabaco, inatividade, obesidade abdominal, hipertensão, dislipidemia, esteatose hepática…”

O papel da família

Neste controlo, o envolvimento da família é, garante, “um facto. Mas ela será tão mais efetiva e eficaz quanto mais apoiada”.

O que significa, de acordo com o especialista, abrir “as consultas aos familiares”, assim como criar sessões dirigidas aos familiares, que “serão o meio de o conseguir e de conseguirmos a sua compreensão para a complexidade da diabetes”.

Até porque, acrescenta, “o dia-a-dia das pessoas com diabetes é um verdadeiro emprego, imposto pela doença. O controlo da glicemia, da alimentação, da atividade física, da hipertensão e de outros fatores de risco exige uma educação estruturada e uma acessibilidade inequívocas”.

relação entre diabetes e doenças cardiovaculares

Doenças cardiovasculares matam metade dos doentes com diabetes

Por | Diabetes

“A relação entre doenças cardiovasculares e diabetes é, do ponto de vista da saúde pública, preocupante e perigosíssima.” O alerta é dado por Carlos Aguiar, cardiologista, a propósito do Dia Mundial da Diabetes, que se assinala no dia 14.

“A mortalidade por doenças cardiovasculares tem vindo a diminuir, o que mostra os benefícios do controlo dos fatores de risco. Mas apesar disto, tem havido um aumento da prevalência da obesidade, que é um caminho para a diabetes do tipo 2. A minha preocupação é que este aumento de obesidade e diabetes venha a causar uma inflexão na mortalidade cardiovascular.”

Isto porque o risco cardiovascular é elevado entre os doentes com diabetes. Jácome de Castro, endocrinologista, confirma: “as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre os diabéticos. São responsáveis por mais de 50% da mortalidade.”

Um problema que é tanto mais grave uma vez que, em Portugal, a diabetes continua a ser uma doença por controlar. De acordo com o especialista, no Atlas da Federação Internacional da Diabetes de 2017, “Portugal representa uma das manchas mais escuras da Europa”.

É, por isso, importante passar a mensagem de que, “para além do rim, do olho e das amputações, a doença cardíaca e a mortalidade cardíaca são um dos principais inimigos a ter em conta na diabetes, porque é por isso que os doentes morrem”.

“Pessoas tendem a olhar para a diabetes como um problema associado a comer doces”

Carlos Aguiar reforça a ideia de que “as pessoas tendem a olhar para a diabetes como um problema associado a comer doces. Mas, aqui, o que importa é que esta é uma doença que vai resultar numa perda de tempo de vida. Quando há uma doença cardiovascular associada, a nossa esperança de vida é encurtada em oito, nove anos, em média. Se tivermos também diabetes, a ligação é realmente perigosa, ou seja, o tempo de vida é ainda mais curto.”

Um diagnóstico atempado, que permita evitar as complicações associadas à diabetes, entre as quais as cardiovasculares, é cada vez mais um desafio.

Segundo Jácome de Castro, os números estimam que, em Portugal, cerca de 30% dos doentes com diabetes não estejam diagnosticados. “Isto quer dizer que as pessoas vão vivendo sem saber que têm a doença e esse tempo em que estão sujeitas a valores altos de açúcar vai destruindo o seu organismo.”

Para o especialista, “estamos hoje num momento de grande desafio, em que estão a aparecer ensaios clínicos muito importantes, que introduzem fármacos com novos mecanismos de ação, novos fármacos que atuam ao nível do rim, da inflamação, da parede dos vasos, que influenciam o prognóstico das doenças cardiovasculares e que se afiguram protetores do organismo”.

A nossa preocupação é, por isso, “atuar cada vez mais cedo. Não podemos contentar-nos apenas em tratar bem os doentes que nos aparecem com as complicações. Temos que conseguir prevenir o mais possível essas complicações. E nesse aspeto, os resultados dos estudos clínicos recentes colocam-nos num momento muito interessante ao nível da clínica de diabetes em Portugal e no mundo”.

Há doentes que não cumprem a terapêutica 

A tudo isto junta-se a importância do cumprimento terapêutico. “É uma pena termos medicamentos que devolvem a esperança de vida, mas que depois o doente não toma”, reforça Carlos Aguiar.

“E um dos problemas que faz com que não cumpram tem a ver com compartimentalização dos medicamentos. Ou seja, se é dito ao doente que o medicamento que toma destina-se a reduzir o colesterol e, quando ele vai fazer a análise, os valores já baixaram, então é legítimo que pense que, se teve sucesso – baixou, de facto, o colesterol -, então pode deixar de o tomar. Gostava que os medicamentos fossem todos chamados pelo nome que têm: destinam-se a prolongar a quantidade e a qualidade de vida. Acho, por isso, quase obrigatória uma reclassificação dos medicamentos.”

retinopatia pode causar cegueira

Cerca de três mil casos anuais de cegueira possíveis de evitar

Por | Diabetes

É uma das principais complicações da diabetes e é, em praticamente todos os países desenvolvidos, a principal causa de cegueira evitável. No Dia Mundial da Diabetes, que se assinala no próximo dia 14, o Hospital da Cruz Vermelha reforça o alerta para a retinopatia diabética, um problema que, em Portugal, é responsável por cerca de três mil casos de cegueira irreversível, mas que podem ser evitados. Basta para isso que sejam feitas consultas regulares com o oftalmologista.

“Os níveis elevados de glicose no sangue, mesmo que estes não produzam sintomas ou motivem a atenção dos doentes, deixam a sua marca, através de lesões nos tecidos, entre os quais os oculares, que também são afetados”, explica António Melo, oftalmologista do Hospital da Cruz Vermelha.

De resto, de acordo com os dados existentes, cerca de 90% dos diabéticos tipo 1 e 50% dos diabéticos tipo 2 apresentam lesões na retina ao fim de 20 anos.

Os riscos de uma doença silenciosa

Assintomática nas suas fases iniciais, a doença pode permanecer indetetável ao longo de muito tempo, silenciosa em relação ao risco que representa, o que significa que a regularidade das consultas com o especialista, o oftalmologista, podem ser determinantes para evitar a progressão da retinopatia.

É graças ao diagnóstico atempado que se podem evitar as terapêuticas agressivas ou os resultados que, muitas vezes, acabam por culminar na cegueira.

“Mesmo sem queixas, o doente com diabetes deve consultar regularmente o seu oftalmologista, ao mesmo tempo que deve estar atento a qualquer sinal que deve conduzir a uma consulta”, aconselha António Melo. “Até porque é impossível dissociar o sucesso do tratamento, que inclui evitar a cegueira, ao diagnóstico precoce.”

“Também muito importante para o sucesso na terapêutica da retinopatia diabética é o controlo dos fatores sistémicos, isto é, um bom controlo metabólico, o controlo da tensão arterial, o controlo dos níveis de colesterol e triglicéridos, a implementação de uma dieta adequada e um programa de atividade física diária são elementos fundamentais”, conclui o especialista.

Em Portugal, de acordo com os dados do Programa Nacional para a Saúde da Visão, estima-se que cerca de um milhão de portugueses sofram com diabetes. Destes, as estimativas apontam para que nem metade tenha sido alguma vez avaliada por um oftalmologista.

Quase duas centenas descobriram que têm diabetes através de calculadora de risco

Por | Diabetes

Chama-se calculadora de risco da Diabetes Tipo 2, é uma ferramenta disponível na área do cidadão do Portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e, até agora, permitiu fazer a avaliação a mais de 49 mil utentes. Destes, cerca de 1.500 foram convidados a ir a uma consulta e mais de 170 descobriram que tinham a doença.

É considerada uma forte aliada na prevenção e controlo da diabetes tipo 2, uma vez que, sempre que são identificados riscos ‘moderado’, ‘alto’ ou ‘muito alto’ é enviada informação para os cuidados de saúde primários e feito agendamento de consulta, via telefone, para o Centro de Saúde a que o utente pertence. 

Mas há mais. “Estes utentes podem ainda ser convidados para consultas de grupo com um enfermeiro, de forma a trabalharem em conjunto em áreas distintas e preventivas, nomeadamente na adoção de hábitos alimentares saudáveis e equilibrados, na prática de atividade física regular, no controlo periódico dos níveis de glicemia no sangue, entre outras medidas importantes”, refere a autoridade de saúde, em comunicado.

O rastreio à diabetes, através desta calculadora, pode também ser usado em 97% das farmácias nacionais, com o consentimento do utente. A informação é depois enviada para o SNS através da área do cidadão do Portal SNS e reencaminhada para os cuidados de saúde de primários.

Um quarto das mortes nos hospitais do SNS devidas à doença

De acordo com os dados do Observatório Nacional da Diabetes, contavam-se, em 2015, 168 novos casos de diabetes por dia em Portugal, um aumento de 20 casos face a 2014.

No que diz respeito ao número de mortes, 12 pessoas perderam a vida devido à doença, por dia, em 2015 (4.406 no total), com mais de um quarto dos óbitos nos hospitais do SNS atribuídos à diabetes.

A estes números juntam-se as estatísticas, que dão conta de uma prevalência estimada de 13,3% na população portuguesa com idades entre os 20 e os 79 anos, o que significa mais de um milhão de portugueses com diabetes neste grupo etário, aos quais se juntam mais de dois milhões com pré-diabetes.

Estudo sugere existência de cinco tipos de diabetes e não dois

Por | Diabetes

Há dois tipos de diabetes: o 1 e o 2. Mas pode deixar de haver, isto se for avante a sugestão de um grupo de investigadores dos países mais a norte da Europa, que defendem a existência de não dois, mas cinco tipos da doença. Uma alteração que permitiria melhorar a forma de tratar quem dela sofre.

Dividida atualmente em dois tipos, a doença separa aqueles em que os problemas surgem mais frequentemente na infância, caracterizando-se pela incapacidade de produção de insulina por parte do organismo (tipo 1) e os que começam por ter resistência à insulina, devido a uma falta de resposta das células, sendo diagnosticados mais tarde na vida (tipo 2).

O que este estudo, publicado na revista científica Lancent Diabetes & Endocrinology, defende é que há outras formas da doença, cinco para ser mais precisos, três das quais mais graves e duas mais ligeiras.

O seu estudo divide, por isso, as pessoas que sofrem com a doença em cinco grupos:

  • Grupo 1 ou “diabetes autoimune grave”, semelhante à diabetes tipo 1. Aqui, as pessoas são diagnosticadas relativamente jovens e não apresentam excesso de peso. É o próprio organismo que as impede de produzir insulina, um problema autoimune.
  • Grupo 2, conhecido também como “diabetes grave com deficiência de insulina”, semelhante ao tipo 1, com pessoas jovens no momento do diagnóstico e sem excesso de peso, partilhando ainda a incapacidade para produzir muita insulina. No entanto, não é o seu sistema imunológico a causa de sua doença, embora todos os tratem como pertencente ao tipo 1. O que se acredita é que as pessoas neste grupo podem ter uma deficiência nas células que produzem insulina.
  • Grupo 3, chamado “diabetes resistente a insulina grave”, problema que se manifesta em pessoas com excesso de peso e alta resistência à insulina.
  • Grupo 4, ou “diabetes ligeira associada à obesidade”, que é uma forma que ocorre em pessoas que não têm tantos problemas metabólicos como os do grupo anterior e tendem a ser obesos.
  • Grupo 5, chamado “diabetes ligeira associada à idade”, semelhante ao do grupo anterior, mas diagnosticada em pessoas com mais idade, que foi a forma mais comum de diabetes encontrada pelos investigadores (presente em 40% das pessoas que participaram no estudo).

 

Dedo de um diabético a ser picado

Aumentou 56% o números de diabéticos que fizeram rastreio visual

Por | Diabetes

Os dados são  da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) e confirmam o aumento do número de diabéticos que fizeram um rastreio à retinopatia diabética, doença que causa perda visual e até mesmo cegueira, no ano passado.

Ao todo, 74.744 foram rastreadas nos 15 Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), 56% mais do que o verificado no ano anterior (26.960). O que se traduziu num maior número de casos detetados: mais 905 (27%).

De acordo com os dados divulgados pela ARSLVT, destes, 7.914 utentes foram encaminhados para consultas de oftalmologia nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde e na Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, 3.550 dos quais devido a diagnóstico de retinopatia.

Programa para diabéticos é gratuito

“Estamos no caminho certo para evitar que os diabéticos da região percam visão ou acabem por cegar, algo que iria agravar em muito a qualidade de vida já de si debilitada nestes doentes”, afirma Luís Pisco, Presidente da ARSLVT.

E reforça a importância deste rastreio organizado de base populacional. “É preciso ter a noção que este é um serviço de saúde de que as pessoas não usufruíam até há bem pouco tempo. Isto significa que estes doentes só têm a ganhar se aderirem a um programa que vai ao seu encontro nos centros de saúde e é inteiramente gratuito.”

O programa de rastreio de retinopatia diabética conta com a colaboração da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, que executa o programa em seis dos 15 agrupamentos de centros de saúde da ARSLVT.