peso das mochilas pior para as meninas

As costas das meninas sofrem mais com o peso das mochilas do que as dos meninos

Por | Saúde Infantil

O peso das mochilas é um dos dramas que enfrentam as crianças e adolescentes. Mais falado no início do ano letivo, faz-se sentir até ao fim das aulas, fruto da quantidade de cadernos e livros que, diariamente, é preciso levar para a escola. Um problema que deixa marcas que, segundo um novo estudo, são mais graves para as meninas.

“Depois de analisar as costas das crianças em idade escolar, descobrimos que o número de alterações na coluna vertebral é 45% maior nas meninas do que nos meninos”, explica María Espada, investigadora do Grupo de Investigação Psicossocial no Desporto, da Faculdade de Atividade Física e Ciências do Desporto da Universidade Politécnica de Madrid e um dos autores deste trabalho.

“O grupo de meninas apresentou maior angulação nas diferentes curvas da coluna vertebral e maior número de alterações nas inclinações vertebrais”, acrescenta.

Meninas carregam mais peso nas mochilas

O trabalho incluiu 219 crianças com idades entre os 12 e 15 anos e mostra também que o peso que os alunos carregam é superior ao limite estabelecido pelos especialistas.

“A maioria dos estudos sugere que o peso das mochilas não deve representar mais do que 10% do peso corporal, algo definido até como limite em países como a Áustria ou a Alemanha. Nessa mesma linha, há outros especialistas que afirmam que um peso de mochila superior a 10% da massa corporal do aluno implica em aumento do consumo de energia, aumenta a inclinação da coluna e reduz o volume pulmonar”, refere a especialista.

“No nosso trabalho, descobrimos que esses níveis foram excedidos em meninos e meninas. Assim, eles suportam um peso médio de 20,35% da massa corporal nas mochilas”, acrescenta.

Não só as meninas são mais castigadas, como as mochilas delas costumam ser mais pesadas. Contas feitas, estes estudo revela que o peso das mochilas delas é até 12% maior que o peso que eles carregam, “o que representa quase um quilo de diferença entre os níveis de carga de ambos”, reforça.

A preocupação com o peso que carregam as crianças e jovens não é novo e estes dados reforçam outros, de estudos que contabilizam entre 40 e 69% de adolescentes com idades entre os 13 e 15 anos que apresentam dores nas costas.

problemas de visão nas crianças

Dificuldade de aprendizagem pode estar associada a problemas de visão

Por | Saúde Infantil

Os cadernos já estão a postos, os estojos completos, os livros comprados. Mas o regresso às aulas não se faz apenas de material escolar. Numa altura em que se estima que cerca de 20% das crianças em idade escolar apresentam algum tipo de problemas de visão, ou seja, uma em cada cinco, esta é a altura certa para a realização de um exame oftalmológico de rotina.

É este o conselho de Sandra Barrão, oftalmologista da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, até porque “a falta de interesse e dificuldade de aprendizagem, por vezes incorretamente entendida como incapacidade ‘natural’ do aluno para aprender (preguiça ou pouca vontade de estudar), pode ter como fator desencadeante um problema de visão. A dificuldade em ver pode prejudicar o desenvolvimento, a adaptação e o relacionamento com os outros, no ambiente escolar”. 

De acordo com a oftalmologista, “estas avaliações oftalmológicas devem ser feitas por um oftalmologista, porque não se resume apenas a quantificar visões e receber óculos, se necessário, mas a fazer uma avaliação da globalidade da situação oftalmológica da criança”.

Rastreios aos problemas de visão logo a partir dos três anos

“Os erros refrativos são as doenças dos olhos que mais afetam as crianças – miopia, hipermetropia e astigmatismo, seguindo-se o estrabismo”, refere a médica.

“A deteção precoce dessas situações e o seu tratamento correto tem um papel preponderante no combate à visão baixa”, acrescenta. E quanto mais cedo se detetar uma deficiência, maior é a probabilidade de resolução da baixa visão, já que o olho humano atinge o desenvolvimento funcional por volta dos 10 anos de idade.

É logo a partir dos três, quatro anos, que os rastreios visuais devem começar a ser feitos, ainda que, refere Sandra Barrão, “idealmente, deve ser feito o primeiro rastreio entre os 12 e os 18 meses, altura em que o oftalmologista tem possibilidade de detetar e corrigir alguns fatores ambliogénicos (causadores de baixa visão). O protocolo de avaliação está adaptado para diferentes idades, os pontos a serem objetivados de forma a obter o máximo de informações possíveis na idade em questão”.

Sintomas de que nem tudo está bem

Estar atento é fundamental, até porque “os sintomas de deficiência visual nem sempre estão presentes. Há crianças que não apresentam qualquer tipo de sinal ou marca, principalmente aquelas em que um dos olhos vê mal, por pequenos estrabismos ou por anisometropia (diferença de graduação entre os dois olhos)”.

Olhos vermelhos, lacrimejo, prurido ocular, piscar muito os olhos, franzir os olhos e a testa, ter sensibilidade à luz, dores de cabeça, queixas de que vê desfocado, mal definido ou dobrado, perda de interesse em atividades em que o esforço é visual (ler, desenhar, colorir), posicionamento estranho a ler, aproximar muito ou afastar os objetos ou o que está a ser lido, fechar ou tapar os olhos com alguma frequência, confundir letras, são sinais que podem indiciar problemas de visão.

Para além dos rastreios, há que ter atenção às condições em que a leitura é feita, sobretudo no que diz respeito à iluminação correta da leitura local, à altura da cadeira, evitar maus posicionamentos, como ler a barriga para baixo (a distância de leitura deve ser de 30 a 40 cm).

“Quando estamos a fixar um monitor de computador, os olhos devem estar num nível superior (10 a 20°) do centro do mesmo; se estamos a ver televisão, a distância deve ser cinco vezes superior à largura do ecrã; a posição dos aparelhos deve ser escolhida para evitar reflexos (focos de luz, janelas, etc.) e as pausas para descanso visual são muito importantes.”

redes sociais e os adolescentes

Pais têm cada vez mais dificuldade em controlar acesso dos filhos às redes sociais

Por | Saúde Infantil

Um estudo realizado por médicos do Serviço de Pediatria do Hospital da Senhora da Oliveira Guimarães revela que os pais têm cada vez maior dificuldade em controlar o acesso dos filhos às redes sociais, com a maior parte dos adolescentes a admitir ter mentido sobre a idade para ter acesso a conteúdo limitado.

Realizado por Alícia Rebelo, Sofia Vasconcelos, Liliana Macedo e Miguel Salgado,  médicos do Serviço de Pediatria do Hospital de Guimarães, o trabalho quis caracterizar o uso das redes sociais entre os adolescentes e avaliar o conhecimento dos adolescentes sobre os riscos associados e identificar o tipo de monitorização parental.

Para isso, contaram com 3518 questionários validados de crianças e adolescentes entre os 9 e os 21 anos, alunos escolas da região, que permitiram verificar que 98% dos adolescentes são utilizadores de redes sociais, tendo iniciado a sua utilização entre os 10-12 anos.

Ainda de acordo com o mesmo trabalho, o Youtube, o Instagram e o Facebook são as redes mais usadas, algo que fazem várias vezes por dia, durante uma a duas horas, sobretudo à noite.

Ao todo, 28% têm nas redes sociais a atividade que ocupa a maioria do seu tempo livre, ainda que 97% prefiram estar com os amigos pessoalmente.

No que diz respeito à monitorização parental, 85% dos adolescentes tiveram autorização dos pais para criar conta de acesso e são também 85% que revelam que os pais não sabem a palavra-passe de acesso a essa conta.

Contas feitas, 65% admitem já ter contactado com desconhecidos nas redes sociais, aos quais se juntam 61% que já mentiram sobre a idade para ter acesso a conteúdo limitado.

Cabe aos pediatras alertar os pais sobre as redes sociais

“Enquanto pediatras, cabe-nos não só tratar as doenças dos adolescentes, mas também prevenir e promover o seu bem-estar geral”, revela Alícia Rebelo, uma das médicas responsáveis pelo estudo.

“O acesso às redes sociais é uma realidade. É um acesso fácil, temos a tecnologia desse acesso no bolso, através, por exemplo, do smartphone. Entendemos que as redes sociais não devem ser diabolizadas. Elas têm muitos benefícios e vantagens, como o desenvolvimento de capacidades técnicas ou a interação entre pares. Mas têm também obviamente os seus riscos”, acrescenta.

De acordo com a especialista, o objetivo é “ajudar e educar para uma utilização segura e positiva destas redes sociais. Importa, por exemplo, salientar que os adolescentes utilizam as redes para interação com amigos, para conversar, e que 10% as utilizam para promover capacidades artísticas, como partilhar fotos ou vídeos da sua autoria. A utilização das redes é uma atividade que pode e deve ser aproveitada de forma construtiva e benéfica para o adolescente”.

As conclusões dos médicos apontam para que a tecnologia tem uma presença constante no quotidiano dos adolescentes, que o acesso às redes sociais é uma das atividades mais comuns entre os adolescentes, que o controlo parental é cada vez mais difícil, mas também que o tema das redes sociais é atual e que requer intervenção na comunidade, alertando para os benefícios e riscos da sua utilização.

“O que temos que fazer é alertar os adolescentes, de uma forma aberta e honesta, dos riscos que correm nas redes. Se estiverem cientes disto, irão atuar de forma mais cautelosa, minimizando esses riscos e aproveitando os benefícios que estas redes sociais proporcionam.”

riscos da chupeta

Chupeta: sim ou não? Os especialistas dão a resposta

Por | Saúde Infantil

Serve para acalmar o choro, para aplacar as birras, para consolar… Mas nem sempre estes benefícios, que os pais tão bem conhecem, são superiores aos eventuais riscos. Foi sobre a chupeta, cujo uso tantos criticam ainda que sem conseguir dispensar, que um novo estudo agora se debruça, deixando, em jeito de conclusões, recomendações para quem delas mais precisa, os pais.

Investigadores Universidade Jaume I Desirée Mena e Jennifer Sánchez, em Espanha, revisitaram cerca de dois mil artigos científicos sobre os efeitos prejudiciais e os benéficos do uso de chupeta em recém-nascidos e lactentes.

As conclusões do estudo, publicado na revista Rol de Enfermería, propõem uma série de recomendações baseadas em evidências, que visam facilitar a tomada de decisões na escolha de chupetas.

Associado a malformações orais, abandono precoce da amamentação, otites médias e diminuição da produção de sons da fala, bem como ao tabagismo na adolescência e idade adulta, o uso da chupeta surge também relacionado com a proteção contra a síndrome da morte súbita do lactente durante o sono e o excesso de peso e obesidade na adolescência ou estimulação do reflexo de sucção em situações onde é subdesenvolvido.

Quando usar a chupeta

A partir de uma análise baseada em evidências científicas, Desirée Mena, uma das autoras do estudo, dá conta de uma série de recomendações que os pais devem ter em conta na hora de escolher a chupeta.

Em caso de amamentação, os especialistas sugerem que o melhor é não usar a chupeta, uma vez que se encontra associada à dificuldade em amamentar e ao desmame precoce.

No caso de, ainda assim, ser usada, e para evitar problemas de dentição, recomenda-se seu uso apenas a partir dos seis meses de idade, apesar de estar aqui associada a problemas atrás referidos.

A investigação indica que a chupeta deve ser recomendada nos casos em que os bebés não tenham desenvolvido o reflexo de sucção, já que pode ser usada para o estimular. É também recomendada para acalmar o bebé em situações stressantes ou dolorosas.

Nestes casos, segundo refere Jennifer Sanchez, outra das autoras do trabalho, “não é desencorajado o uso de sacarose, embora, por razões nutricionais, este não seja aconselhado; no entanto, a amamentação seria sempre melhor como primeira opção, no caso de estar disponível. Além disso, recomenda-se o uso da chupeta durante o sono para evitar o aparecimento da síndrome da morte súbita do lactente”.

Lavagem obrigatória

No caso do uso da chupeta, recomenda-se que esta seja lavada com uma solução aquosa de clorexidina, um antissético químico ou que se mergulhe em água fervente.

São ainda aconselhados exames odontológicos periódicos, para monitorizar o crescimento da dentição temporária e detetar o aparecimento de malformações. 

crianças seguras nas férias

As melhores formas de manter as crianças seguras durante as férias escolares

Por | Saúde Infantil

Com as escolas fechadas, está oficialmente aberta a época de férias, o que significa mais tempo para os mais pequenos: tempo para passear, tempo para brincar, tempo para descansar. Mas significa também tempo na estrada, em deslocações para os destinos de lazer, e na água, seja em barcos, em piscinas, a nadar. Atividades que, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS), podem ter riscos.

Cintas feitas, todos os anos, 2.200 crianças com idades entre os cinco e os 14 anos morrem de lesões causadas pelo trânsito na Europa, a principal causa de morte para esta faixa etária.

Mais de 1.400 crianças das mesmas idades morrem ainda por ano devido a afogamento, risco que correm também os adolescentes e jovens adultos: 18.500 com idades entre 15 e 29 anos perdem a vida anualmente nas estradas e mais 4.000 por afogamento.

É por isso que as férias escolares são uma época particularmente importante para que pais, cuidadores e membros da comunidade reforcem a segurança, seguindo esta lista de 10 maneiras diferentes de manter as crianças seguras nas férias.

Segurança nas estradas

Nas viagens de de carro, lembre-se que conduzir mais depressa não garante que chegue mais depressa ao seu destino. Na verdade, aumenta significativamente o risco de um acidente, lesão ou morte.

Um risco que cresce 5% a cada quilómetro por hora que a velocidade aumenta. Respeite, por isso, estes limites e conduza de acordo com as condições da estrada para manter as crianças seguras.

A fadiga pode prejudicar tanto o motorista como o álcool, drogas ou medicamentos. Se tem uma grande distância a percorrer, lembre-se de fazer uma pausa a cada duas horas.

Não se esqueça que as temperaturas mais altas também aumentam a sonolência, sendo por isso importante manter-se hidratado e garantir que o seu veículo está bem ventilado.

No interior das viaturas, as cadeiras para crianças até podem ocupar um espaço extra, mas são absolutamente vitais para garantir a segurança dos mais pequenos quando viajam de carro. Deixe sempre o espaço necessário para montar uma cadeira adequada à idade e ao tamanho da criança.

Nunca deixe uma criança sozinha no carro num dia quente. A desidratação fatal pode ocorrer em questão de minutos e uma criança adormecida ou pequena, presa num assento com restrições, não conseguirá sair do carro por conta própria.

 

 

 

Sensibilize as crianças para redobrarem à atenção a andar nas ruas, andar de bicicleta, em scooters e por aí fora. 

 

 

 

 

 

 

Crianças seguras na água

Para nadar em segurança, há três regras-chaves que não devem ser esquecidas: nunca nade sozinho, nunca nade depois de consumir álcool e nade sempre em locais seguros e reconhecidos, de preferência com salva-vidas e equipamentos de segurança presentes.

As crianças pequenas devem ser supervisionadas por adultos quando nadam, o que requer vigilância constante. Se estiver a ler um livro, a responder a um email no telefone ou a participar noutras atividades, não estará a vigiar os seus filhos. Uma tragédia de afogamento pode acontecer muito rapidamente e até mesmo quando os adultos estão por perto.

Certifique-se que usa dispositivos de flutuação pessoais, especialmente quando andar de barco ou pescar em águas abertas. As condições podem mudar rapidamente, e até nadadores experientes podem ficar em apuros. Estima-se que 85% dos afogamentos anuais relacionados com a navegação poderiam ter sido evitados com o uso de um dispositivo de flutuação pessoal.

Pais e cuidadores devem aprender as manobras de suporte básico de vida, que podem salvar a vida de uma criança numa situação de quase afogamento.

Se tem uma piscina em casa, não se esqueça de colocar uma proteção para impedir que as crianças pequenas acedam a água sem supervisão.

anemia nas crianças

Falta de ferro é principal causa de anemia nas crianças

Por | Saúde Infantil

O EMPIRE, estudo nacional sobre prevalência da anemia e da deficiência de ferro na população portuguesa, confirma que a anemia é um problema de saúde pública entre os adultos, afetando uma em cada cinco pessoas em algum momento da sua vida. E nas crianças? Estão também estas em risco? Lino Rosado, pediatra, confirma que sim. E reforça que “a principal causa de anemia na criança é a por falta de ferro, sendo a anemia o último estadio dessa mesma deficiência”.

Também conhecida como ferrópenia é, de facto, refere o especialista, “frequente na criança e resulta de um crescimento muito rápido, principalmente no primeiro ano de vida e de uma ingestão inadequada de ferro”.

Isto apesar de “a incidência de anemia por falta de ferro na criança ter vindo a diminuir significativamente nas últimas décadas, mantendo-se como a causa mais frequente de anemia e de deficiência nutricional”.

Os sinais mais frequentes de anemia

Ainda que todas as crianças possam estar em risco, há algumas onde este problema pode ser mais comum, “como por exemplo os bebés nascidos pré-termo e as crianças com baixo peso ao nascer, assim como as crianças que mantêm durante muito tempo uma alimentação exclusivamente láctea”.

Apesar da existência de risco, “a intervenção dietética durante os rápidos períodos de crescimento, assim como a suplementação em crianças de risco, é importante na prevenção da ferrópenia e consequente anemia por falta de ferro”.

Um problemas que, de acordo com o pediatra, tem como sinais mais frequentes “o cansaço, falta de apetite e pele e mucosas pálidas. A carência em ferro pode ainda ter implicações no desenvolvimento da criança e em particular no neurodesenvolvimento”.

Para além da infância, “é importante também lembrar que a adolescência é outro período de grande risco para o aparecimento de carência em ferro, devido também a um rápido crescimento muitas vezes associado a restrições alimentares. Nas raparigas, o período menstrual agrava esta carência e como consequência muitas grávidas têm não só carência em ferro como também anemia por falta de ferro”.

peso nas mochilas

Cientistas definem peso máximo a transportar pelas crianças nas mochilas com rodas

Por | Saúde Infantil

Os avisos têm sido constantes: as crianças transportam demasiado peso nas mochilas, um problema que afeta os portugueses e não só. Agora, um grupo de cientistas da Universidade de Granada (Espanha) e da Liverpool John Moores University (Reino Unido) calculou, pela primeira vez, qual o peso máximo que uma criança deve transportar na mochila.

Os números são claros: se se tratar de um mochila transportada às costas, esta não deve ultrapassar 10% do peso corporal dos mais pequenos. Caso se trate de uma mochila com rodas, a percentagem sobe para os 20%.

Num artigo publicado na revista Applied Ergonomics, os investigadores definiram os valores de peso máximo não só para as mochilas, mas também para as mochilas com rodas, algo que ainda não tinha sido feito.

Peso nas mochilas com e sem rodas

Neste estudo, foram avaliados 49 crianças quanto à postura do tronco e membros inferiores durante uma caminhada sem peso, com uma mochila ou a empurrar uma mochila com rodas com diferentes cargas: 10, 15 e 20% do seu peso corporal.

Para a análise, foi utilizado um sistema de captura de movimento ótico tridimensional, semelhante aos usados em filmes de animação e jogos de vídeo, assim como técnicas estatísticas.

Uma avaliação que permitiu concluir que os maiores ajustes feitos quando as crianças usam as mochilas com rodas ocorrem nas extremidades proximais, ou seja, na anca e no tronco. Ainda assim, o uso desta forma de transporte para os livros e cadernos é mais parecido com a locomoção da criança sem carga, em comparação com o uso da mochila.

Finalmente e como conclusão geral, os especialistas confirmam que as mochilas escolares não devem ser usadas quando o peso transportado é superior a 10% do peso corporal de que faz esse transporte, chegando aos 20% para quem usa as mochilas com rodas.

crianças não devem ver televisão

Estudo confirma: crianças que veem TV dormem menos

Por | Saúde Infantil

As crianças que frequentam o pré-escolar e têm por hábito ver televisão dormem menos do que aqueles que não o fazem. A garantia é dada por um novo estudo, realizado por especialistas da Universidade de Massachusetts Amherst, nos EUA.

Rebecca Spencer, neurocientista e Abigail Helm, estudante de ciências do desenvolvimento, confirmaram que 36% das crianças com idades entre os três e os cinco anos tinham televisão no quarto e um terço destas dormia com a TV ligada, assistindo muitas vezes a programas para adultos, com conteúdo estimulante ou violento.

Publicado na revista Sleep Health, o estudo sugere que o uso da TV por crianças pequenas afeta a qualidade e a duração do sono, medido pela primeira vez por um dispositivo que usa actigrafia, técnica para medir a frequência de movimentos corporais e a luminosidade, usado pelas como um relógio de pulso.

E, apesar da sesta aumentar nas crianças que viam mais TV, isso não compensava totalmente o sono perdido à noite.

“A boa notícia é que isso se pode resolver”, refere Spencer, referindo-se à oportunidade de educar os pais sobre a nova evidência de que a televisão não ajuda as crianças a dormir.

“Os pais até podem pensar que a TV ajuda os seus filhos a acalmarem-se. Mas não funciona. Estas crianças não estavam a dormir bem e isso não as ajudava a dormir melhor.”

OMS recomenda: o melhor é não ver televisão

As descobertas de Spencer e Helm seguem as novas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que defendem que as crianças entre os dois e os quatro anos não devem ter mais de uma hora de “tempo de ecrã sedentário” diariamente. Menos do que isso ou, idealmente, zero horas é ainda melhor.

Da mesma forma, a Academia Americana de Pediatria sugere a limitação do tempo diário de ecrã para crianças da mesma idade, que não deve ultrapassar uma hora, devendo ser composto por “programas de elevada qualidade”.

Menos TV, mais horas de sono

Foram, ao todo, 470 crianças a participar neste estudo. Os actígrafos foram usados durante 16 dias, tendo os pais e cuidadores respondido a questionários sobre a demografia, saúde e o comportamento das crianças, incluindo perguntas detalhadas sobre o uso da TV. 

E verificaram que as crianças que assistem a menos de uma hora de TV por dia têm mais 22 minutos de sono à noite, cerca de 2,5 horas por semana, do que aqueles que assistem a mais de uma hora diária de TV.

Em média, as crianças pequenas sem televisões nos seus quartos dormiam mais 30 minutos à noite do que as que tinham televisão no quarto.

asma nas crianças

Milhões de crianças desenvolvem asma devido à poluição associada ao trânsito

Por | Saúde Infantil

Cerca de quatro milhões de crianças no mundo desenvolvem asma todos os anos devido à inalação de dióxido de azoto, um gás que resulta sobretudo da queima de combustíveis fósseis.

As contas são feitas por investigadores da Escola de Saúde Pública do Instituto Milken, da Universidade George Washington, nos EUA, com base em dados de 2010 a 2015, que estima que 64% destes novos casos tenham origem em áreas urbanas.

O estudo, o primeiro a quantificar a carga mundial de novos casos de asma pediátrica associados ao tráfego automóvel, sugere que “milhões de novos casos de asma em crianças poderiam ser evitados em cidades de todo o mundo reduzindo a poluição do ar”.

“Melhorar o acesso a formas mais limpas de transportes, como transportes públicos elétricos e deslocações de bicicleta ou caminhadas, não apenas reduziriam do dióxido de azoto, como também a asma, aumentariam a aptidão física e reduziriam as emissões de gases com efeito de efeito estufa”, explica Susan C. Anenberg, autora sénior do trabalho.

China, Índia e EUA lideram número de casos de asma

A análise faz o desenho da situação em 194 países e 125 das principais cidades do mundo e confirma que quatro milhões de crianças desenvolveram asma por ano entre 2010 e 2015 devido à exposição à poluição por dióxido de azoto, proveniente sobretudo da exaustão de veículos motorizados.

Estima-se que 13% da incidência anual de asma pediátrica em todo o mundo esteja associada a este tipo de poluição.

Das 125 cidades avaliadas, Orlu, na Nigéria, foi aquela onde se verificou uma percentagem mais pequena. Aqui, o dióxido de azoto foi responsável por 6% dos casos, ao contrário de Xangai, na China, em que quase metade (48%) da incidência da asma pediátrica foi devido a esta forma de poluição.

A contribuição do dióxido de azoto excedeu os 20% em 92 cidades localizadas em países desenvolvidos e emergentes.

No top 10 encontram-se oito cidades chinesas, Moscovo, na Rússia e Seul, na Coreia do Sul.

Mas nem os EUA escapam. Los Angeles, Nova Iorque, Chicago, Las Vegas e Milwaukee são as cinco principais cidades deste país com a maior percentagem de casos de asma pediátrica associados ao ar poluído.

No que diz respeito aos países, os maiores encargos relacionados com a poluição atmosférica foram encontrados na China (760.000 casos de asma por ano), Índia (350.000) e Estados Unidos (240.000).

O risco de respirar

A asma é uma doença crónica que dificulta a respiração e manifesta-se quando as vias aéreas estão inflamadas. Estima-se que 235 milhões de pessoas em todo o mundo sofram com asma, que pode por em risco a vida.

A Organização Mundial da Saúde considera a poluição do ar “um grande risco ambiental para a saúde” e estabeleceu diretrizes para a qualidade do ar no que diz respeito ao dióxido de azoto e outros poluentes.

sensores sem fios para os bebés

Sensores sem fios permitem o contacto dos pais com os seus bebés

Por | Saúde Infantil

Fios, cabos, um emaranhado de sensores ligam os bebés aos muitos monitores que dão informações sobre a saúde dos recém-nascidos, avisando, através de alarmes de luz e som, sobre a existência de alterações. O cenário nas Unidades de Neonatologia é assim. Os especialistas conhecem-no bem e reconhecem não serem espaços que convidam ao afeto e união. Para o mudar, uma equipa da Universidade de Northwestern, nos EUA, criou um par de sensores corporais flexíveis, que substituem os atuais. 

Os primeiros estudos com a novidade já chegaram ao fim. Realizados com bebés prematuros do Prentice Women’s Hospital e no Hospital Ann & Robert H. Lurie Children, em Chicago, concluíram que os sensores sem fios forneceram dados tão precisos como os sistemas tradicionais de monitorização. Os adesivos sem fio são também mais suaves na pele frágil de um recém-nascido e permitem mais contacto pele a pele com os pais.

O trabalho, que envolveu cientistas de materiais, engenheiros, dermatologistas e pediatras, foi publicado na revista Science. E começou com 20 bebés, que usaram os sensores sem fios, juntamente com os sistemas tradicionais, para tornar possível a comparação. A estes juntaram-se mais 70 bebés e também nestes os testes foram bem-sucedidos.

“Queríamos eliminar o ninho de fios e adesivos agressivos associados aos sistemas de hardware existentes e substituí-los por algo mais seguro, mais centrado no doente e mais compatível com a interação entre pais e filhos”, explica John A. Rogers, pioneiro na área da bioeletrónica.

“Os nossos dispositivos sem fios, sem bateria e parecidos com pele não são inferiores em nada em termos de alcance de medição, precisão e exatidão – e até fornecem medições avançadas que são clinicamente importantes”, acrescenta.

A importância da pele com pele

São, por norma, cinco ou seis os fios que ligam elétrodos aos monitores, que avaliam a respiração, a pressão arterial, o oxigénio no sangue, os batimentos cardíacos e muito mais. E, embora sejam garantia de saúde e segurança, restringem os movimentos dos bebés e dificultam a ligação física.

“Sabemos que o contacto pele a pele é muito importante para os recém-nascidos, sobreudo aqueles que estão doentes ou nasceram prematuros”, explica Amy Paller, dermatologista pediatra.

“Foi demonstrado que diminui o risco de complicações pulmonares, problemas no fígado e infeções. No entanto, quando há fios por toda parte e o bebé está amarrado a uma cama, é muito difícil fazer contacto pele a pele.”

Em breve disponível nos EUA

Os especialistas acreditam que os sensores sem fio vão estar disponíveis nos hospitais dos EUA nos próximos dois a três anos. Quanto ao resto do mundo, é ainda uma incógnita.