neurónios na Doença de Alzheimer

Perder neurónios na doença de Alzheimer é mau? Estudo nacional revela que nem sempre

Por | Investigação & Inovação

Costuma ser considerada uma coisa negativa. Mas pela primeira vez, cientistas do Centro Champalimaud (CC), em Lisboa, mostraram que a morte de neurónios na doença de Alzheimer pode, na verdade, não ser uma coisa má. Pelo contrário, pode ser a resultado de um mecanismo de controlo de qualidade celular que tenta proteger o cérebro da acumulação de neurónios disfuncionais.

Resultados que podem ter importantes implicações terapêuticas.

O mecanismo de controlo de qualidade celular é conhecido como competição celular. E serve para selecionar as células mais aptas num determinado tecido do organismo, através de uma “comparação de vigor celular” entre cada célula e as suas vizinhas.

O resultado é simples: as células mais aptas desencadeiam o suicídio das células vizinhas menos aptas.

Recentemente, ficou provado que esta competição é um mecanismo normal e importante de antienvelhecimento, não só do corpo em geral, mas também do cérebro.

“Em 2015, descobrimos que eliminar as células inaptas de um tecido constituía um mecanismo de antienvelhecimento muito importante para preservar a função dos órgãos”, explica Eduardo Moreno, investigador principal do laboratório de Cell Fitness do CC.

Investigação inovadora

Os investigadores partiram desta ideia e procuraram confirmar se este processo pode estar também envolvido nas doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento acelerado, como é o caso do Alzheimer, Parkinson e Huntington.

“Isto nunca tinha sido testado”, acrescenta o especialista. 

Para isso, foram criadas moscas-da-fruta geneticamente manipuladas, que apresentavam sintomas e características semelhantes às dos doentes humanos: “as moscas apresentavam uma perda da memória de longo prazo, um envelhecimento acelerado do cérebro e problemas de coordenação motora, que pioravam com a idade”, salienta Christa Rhiner, cuja equipa estudou as funções cognitivas e motoras das moscas.

O passo seguinte foi determinar se, nessas moscas, “os neurónios não estavam a morrer por si só, mas a serem eliminados por células vizinhas mais aptas”, segundo Moreno.

As vantagens da morte dos neurónios

“Quando começámos, o consenso geral era que a morte neuronal é sempre prejudicial. Por isso, ficamos surpreendidos ao descobrir que a morte neuronal pode ser na verdade vantajosa nas fases iniciais da doença”, refere Dina Coelho, primeira autora do estudo.

O que aconteceu foi que, quando esta cientista bloqueou a morte neuronal no cérebro das moscas, os insetos desenvolveram problemas de memória e problemas de coordenação motora ainda piores, morreram mais cedo e o seu cérebro deteriorou-se mais depressa.

No entanto, quando a cientista estimulou o processo de competição celular, acelerando assim a morte dos neurónios disfuncionais, as moscas tiveram uma recuperação impressionante.

“Comportavam-se quase como moscas normais no que diz respeito à formação de memórias, ao comportamento locomotor e à aprendizagem”, diz Rhiner. E mais: esta recuperação deu-se quando as moscas já estavam muito afetadas pela doença.

Isto significa que, na doença de Alzheimer, o mecanismo de antienvelhecimento em questão continua a funcionar corretamente. E mostra que, de fato, “a morte neuronal protege o cérebro de danos mais generalizados e que, portanto, a perda de neurónios neste caso não é assim tão má. Seria pior não deixar esses neurónios morrer”, enfatiza Moreno.

“O nosso resultado mais significativo é que, provavelmente, estamos a pensar de forma errada na doença de Alzheimer.”

Promessa para o futuro

Os resultados deste trabalho deixam a promessa de avanços no futuro. “Algumas moléculas já foram identificadas como potenciais inibidoras do suicídio celular, e algumas substâncias experimentais que bloqueiam esses inibidores de morte celular – acelerando assim a morte neuronal – existem e estão a ser testadas”, avança o investigador.

Ainda assim, deixa o aviso: “este trabalho foi feito em moscas-da-fruta”. Será, portanto, necessário verificar se os resultados sobre a morte neuronal na doença de Alzheimer são replicáveis nos seres humanos.

alta no Natal com piores resultados

Alta dos hospitais na época natalícia associada a mais mortes e readmissões

Por | Investigação & Inovação

O hospital é sempre sinónimo de doença, ainda que seja também, num segundo tempo, de saúde. É, por isso, desejo de quem vai ao hospital passar lá o menor tempo possível. No entanto, ter alta hospitalar na época natalícia surge agora como um novo fator de risco de mortalidade, readmissão ou visita às urgências.

A garantia é dada por um estudo canadiano, que assegura que essa alta significa também uma probabilidade reduzida de um seguimento do doente.

“Em vez de apressarem a alta dos doentes, os médicos do hospital devem prestar atenção ao planeamento da mesma para este grupo vulnerável, garantindo a educação ideal do doente, a revisão de medicamentos e o acompanhamento”, referem Lauren Lapointe-Shaw, médico no Toronto General Hospital, e os seus colegas.

“Os doentes com alta, ao contrário dos presentes não desejados, não devem ser devolvidos após as férias.”

Consultas de seguimento mais difíceis

No trabalho, publicado online na revista BMJ, os especialistas identificaram doentes de cerca de 200 hospitais com cuidados de agudos de Toronto, Canadá, enviados para casa entre 1 de abril de 2002 e 31 de janeiro de 2016.

Os resultados de crianças e adultos com alta após admissão urgente durante as duas semanas à volta do Natal foram comparados com aqueles de doentes enviados para casa ​​durante dois períodos de controlo: no fim de novembro e janeiro.

Foram excluídos doentes de alto risco, como recém-nascidos e doentes internadas para parto ou cuidados paliativos, e aqueles com internamento hospitalar superior a 100 dias.

Os 217.305 (32,4%) doentes com alta durante o período das festas de Natal e os 453.641 (67,6%) com autorização de ida para casa ​​durante os períodos de controlo tiveram características de base semelhantes.

O mais preocupante foi verificar, segundo os autores, uma probabilidade consideravelmente reduzida de consultas médicas pós-alta.

Ao todo, 36,3% dos doentes com alta perto do dia 25 de dezembro tiveram acompanhamento médico, valor inferior ao verificado nos outros momentos (47,8%).

Uma discrepância que não é possível justificar nem com as características dos doentes ou com as diferenças do hospital. Pode, isso si, estar associada a níveis reduzidos de pessoal durante o feriado.

Mais mortes e novos internamentos

No que diz respeito ao número de mortes, os autores também encontraram diferenças, traduzidas num excesso de 26 mortes por 100.000 doentes, para além de 188 reinternamentos hospitalares a mais e 483 visitas excessivas às urgências atribuíveis à alta durante o Natal.

casos de demência a crescer

Número pessoas com demência aumentou 117% em 26 anos

Por | Investigação & Inovação

O número de pessoas que, no mundo, sofrem de demência aumentou 117% em 26 anos, revelam os dados de um estudo internacional, realizado por vários cientistas, que analisou os dados de 195 países sobre a incidência da doença de Alzheimer e de outras demências entre 1990 e 2016.

Publicados na revista The Lancet Neurology, os dados tiveram por base os números oficiais referentes à morbilidade e mortalidade, aos quais se juntaram artigos científicos com informações mais precisas sobre o crescimento do número de casos da doença.

Contas feitas, a análise estatística mostra que o número de pessoas que sofrem de Alzheimer e outras demências passou de 20,2 milhões em 1990 para 43,8 milhões em 2016. Destes, 27 milhões eram mulheres e 16,8 milhões homens.

Números podem chegar aos 100 milhões

O envelhecimento e o aumento da população a nível global justificam este crescimento, para mais do dobro, referem os especialistas, que confirmam existir uma tradução no número de mortos. 

De resto, ao longo dos últimos 26 anos, verificou-se um também aumento do número de mortes associadas às demência, crescimento esse que chegou aos 148% ao longo dos mesmos 26 anos.

Hoje, a demência é a quinta causa mais comum de morte em todo o mundo e a segunda mais frequente, logo após a doença coronária, entre as pessoas com 70 ou mais anos de idade.

E até que sejam feitos avanços na prevenção ou no tratamento destes problemas, a demência vai continuar a ser um desafio crescente para os sistemas de saúde em todo o mundo, uma vez que sem tratamentos potenciais, os números vão continuar a crescer, o que irá representar um fardo para os indivíduos que têm demência, para os seus cuidadores e para os sistemas de cuidados de saúde em geral.

Se tudo se mantiver, o número de pessoas que vivem com estes problemas pode chegar aos 100 milhões em 2050.

identificar a asma de forma mais fácil

Equipa nacional cria forma simples de identificar asma em adultos

Por | Investigação & Inovação

Identificar a asma de forma simples e fiável nos adultos nem sempre é tarefa fácil. Ou pelo menos não era, uma vez que, agora, uma equipa de investigadores do CINTESIS criou uma ferramenta capaz de identificar a asma, através de um sistema de pontuações.

Apresentado publicamente em forma de um trabalho publicado no The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, trata-se, segundo explica João Fonseca, líder da equipa de investigação do CINTESIS responsável pela ideia, “de um modelo de classificação válido”, que permite “distinguir, de forma simples, as pessoas nas quais a existência de asma é provável, daquelas cuja confirmação da doença requer uma avaliação médica e das que é muito pouco provável terem a doença”.

Para isso, foram criadas duas pontuações, com base na avaliação de dados de mais de 700 adultos com e sem asma, de todo o País. “Os doentes foram avaliados por um especialista em consulta médica estruturada e meios auxiliares de diagnóstico”, refere a propósito Ana Sá Sousa, primeira autora do trabalho.

Questionários que revelaram ser boas ferramentas de triagem da doença em adultos. Ao mesmo tempo, tornam possível, pela primeira vez, a utilização de pontuações cientificamente robustas em estudos epidemiológicos de asma.

Tratam-se de questionários curtos, com seis ou oito questões, fáceis de usar, sendo o resultado dado pela soma do número de respostas positivas. 

Uma doença com custos elevados

A asma é considerada um importante problema de saúde pública em todo o mundo, apresentando custos elevados, não só para os sistemas de saúde, como também para os doentes e suas famílias.

Por cá, estima-se que afete 700 mil pessoas e que custe aos cofres do Estado cerca de 550 milhões de euros por ano.

Gene que permite comer sem ganhar peso é nova esperança contra obesidade

Por | Investigação & Inovação

E se lhe dissessem que podia comer tudo o que quisesse, sem risco de engordar? Talvez mergulhasse sem culpas na mesa da Consoada. A má notícia é que isso ainda não é possível; a boa é que pode vir a ser, se um estudo realizado por enquanto apenas em ratos tiver o mesmo sucesso nos seres humanos. E tudo graças a um gene.

O que um grupo internacional de investigadores fez foi remover um gene conhecido como RCAN1 dos pequenos ratinhos estudados em laboratório. Animais que foram depois alimentados com uma dieta rica em gordura, não tendo, no entanto, conquistado quilos a mais.

A mesma equipa espera agora que uma abordagem semelhante, que iniba este gene, seja também eficaz em humanos para combater a obesidade e doenças como a diabetes.

Medicamentos promete queimar calorias

Liderado por Damien Keating, da Universidade Flinders, na Austrália, o estudo avaliou os genes dos roedores para identificar novos candidatos genéticos capazes de causar obesidade, abrindo um potencial caminho para novos medicamentos.

“Sabemos que muitas pessoas lutam para perder peso ou mesmo controlar o seu peso por uma série de razões diferentes. Os resultados deste estudo podem significar o desenvolvimento de um comprimido que visaria a função do RCAN1 e poderia resultar em perda de peso”, explica Keating. 

“À luz dos nossos resultados, os medicamentos que estamos a desenvolver para atingir o RCAN1 queimariam mais calorias enquanto as pessoas estão a descansar. Isso significa que o corpo armazenaria menos gordura, sem a necessidade de uma pessoa reduzir o consumo de alimentos ou exercitar mais”, acrescenta.

Fazer a diferença na luta contra a obesidade

A investigação que procura um tratamento potencialmente simples vai continuar, mas são necessários, no entanto, estudos adicionais para determinar se traduzem os mesmos resultados nos seres humanos.

“A nossa investigação está focada em entender como as células enviam sinais umas para as outras e como isso afeta a saúde e a disseminação de doenças”.

“Nós realmente queremos continuar com isto, é emocionante e temos financiamento do Governo australiano, através do Conselho Nacional de Saúde e Investigação Médica, para continuar a explorar opções viáveis. Estes resultados mostram que podemos fazer uma diferença real na luta contra a obesidade”, conclui o especialista.

investigadora portuguesa

Portuguesa recebe bolsa de dois milhões para estudar o comportamento defensivo

Por | Investigação & Inovação

O que é que leva os indivíduos a optarem por uma estratégia defensiva específica num determinado momento? Os mecanismos cerebrais aqui subjacentes não eram muito conhecidos até Marta Moita, investigadora portuguesa, ter recebido apoios para o fazer. Agora, é uma bolsa milionária que a motiva a prosseguir os estudos e a descobrir mais sobre o tema.

Serão, ao todo, dois milhões de euros, atribuídos pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC), para que a investigadora possa aprofundar o seu trabalho inovador sobre as bases neurais dos comportamentos defensivos, um tema de grande importância para todos os animais, incluindo os seres humanos.

Para isso, a diretora adjunta do Programa de Investigação Champalimaud e líder do Laboratório de Neurociências Comportamentais do Centro Champalimaud, em Lisboa, volta a socorrer-se da mosca-da-fruta. Porquê? É que, ao contrário do que se possa pensar, estes insetos têm mais em comum connosco do que poderíamos pensar.

As semelhanças entre a mosca-da-fruta e os humanos

“Quando iniciámos o projeto, então financiado com uma bolsa Starting Grant da ERC, queríamos saber se a mosca-da-fruta nos poderia ensinar como o cérebro faz para escolher qual dos três comportamentos defensivos canónicos a aplicar perante uma ameaça: fugir, lutar ou imobilizar-se no sítio onde estão”, recorda, em comunicado.

Num estudo publicado no início deste ano na revista científica Nature Communications, Moita e sua equipa mostraram que as moscas-da-fruta nem sempre tentam fugir das ameaças, como muitos pensavam, optando por fazer escolhas de acordo com uma estratégia defensiva, que depende do que estão a fazer naquele momento: escapam ou permanecem imóveis em função da sua velocidade de marcha no momento em que a ameaça aparece.

A investigadora foi ainda mais longe e identificou também alguns dos neurónios específicos envolvidos neste comportamento.

Ambiente social influencia resposta a ameaças

A investigadora explica que as descobertas foram possíveis principalmente porque “na mosca-da-fruta, podemos explorar essas questões mais profundamente. As moscas-da-fruta são um excelente modelo animal, onde é possível realizar um grande número de manipulações genéticas e neurais que realmente permitem ‘descodificar os circuitos neurais’ que estão na base dos seus comportamentos”.

A partir destas e de outras novas descobertas, a especialista irá agora estudar a influência de outras variáveis, tais como o ambiente social, na resposta da mosca a uma ameaça.

“Mais uma vez, este era um campo inexplorado”, aponta a investigadora, “mas já reunimos fortes indícios que sugerem que a resposta da mosca a uma ameaça é fortemente modulada pela resposta das suas congéneres”.

“Tal como nós desataríamos a fugir se víssemos uma multidão de pessoas em pânico a correr – mas manteríamos a calma se os outros parecessem serenos, mesmo em situações de incerteza –, descobrimos que o comportamento da mosca também é claramente modulado pelo comportamento das outras moscas em seu redor.”

Planos para o futuro

Nos próximos cinco anos, e graças ao financiamento agora obtido, Marta Moita e a sua equipa vão dedicar-se a perceber o contributo do ambiente social e espacial na escolha da estratégia defensiva, bem como a identificar os circuitos cerebrais que processam as informações relevantes e executam as decisões.

“Este projeto fornecerá uma compreensão abrangente do mecanismo de imobilização e da sua modulação pelo ambiente, da escala do neurónio à do comportamento. Esperamos encontrar princípios de organização que possam ser generalizados a outras espécies, como aconteceu com os sistemas olfativo e visual de insetos e mamíferos”, conclui.

Com isto em mente, irá usar o dinheiro da bolsa ERC para recrutar investigadores especializados, adquirir novos equipamentos para realizar experiências comportamentais adicionais e também ferramentas para medir a atividade dos neurónios no cérebro das moscas.

“Esta bolsa da União Europeia promove realmente a investigação e a inovação na Europa porque dá a cientistas de topo a possibilidade de arriscar e de aprofundar as suas melhores e talvez mais arrojadas ideias”, refere Carlos Moedas, Comissário da Investigação Ciência e Inovação.

“Folgo em saber que estas bolsas ERC irão financiar um grupo muito diversificado de pessoas de 40 nacionalidades a trabalhar em mais de 20 países e que a lista dos destinatários das bolsas também reflete que temos muitas mulheres cientistas excelentes na Europa.”

skype para combater depressão

Skype, uma arma no combate à depressão nos idosos

Por | Investigação & Inovação

É fácil imaginar um idoso a viver sozinho, sobretudo num país como o nosso, onde se contam, de acordo com os dados do Pordata, 2,2 milhões de pessoas com 65 ou mais anos. E não é também difícil imaginar esse idoso viúvo, longe da família, sem conexões sociais que o isolam do mundo. Um isolamento que leva à depressão grave que, de acordo com as estimativas, afeta quase 5% dos adultos com 50 ou mais anos. E se, para o evitar, bastasse apenas recorrer à tecnologia?

Um novo estudo, realizado por investigadores da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon (OHSU), nos Estados Unidos, verificou que, de entre quatro tecnologias de comunicação online – email, chat de vídeo, redes sociais e mensagens instantâneas -, o uso do chat de vídeo para comunicar com amigos e familiares parece ser a que mais promete na luta contra a depressão entre os idosos.

Publicados na revista científica American Journal of Geriatric Psychiatry, os dados permitem concluir que “o chat de vídeo é o campeão indiscutível”, explica o autor principal do trabalho, Alan Teo, professor de psiquiatria na OHSU.

“Os adultos mais velhos que usavam o chat de vídeo, como o Skype, apresentavam um risco significativamente menor de depressão.”

Comunicação cara a cara, a melhor solução

Foram, ao todo, identificados 1.424 participantes, que responderam a um conjunto de perguntas sobre o uso de tecnologia e a um inquérito, dois anos depois, que mediu, entre outras coisas, os sintomas depressivos.

Aqueles que usaram e-mail, mensagens instantâneas ou redes sociais, como o Facebook, tiveram praticamente a mesma taxa de sintomas depressivos que os adultos mais velhos que não usaram nenhuma tecnologia de comunicação.

Pelo contrário, os investigadores descobriram que aqueles que usavam o Skype ou o FaceTime apresentavam quase metade da probabilidade estimada de sintomas depressivos, após ajustes para outros fatores que poderiam confundir os resultados, como depressão preexistente e nível de instrução.

“Até onde percebemos, este é o primeiro estudo a demonstrar uma potencial ligação entre o chat de vídeo e a prevenção de sintomas clinicamente significativos de depressão em adultos mais velhos”, defendem os autores do trabalho.

Algo que nem é muito surpreendente, reforçam os investigadores, uma vez que esta forma de comunicação envolve os utilizadores cara a cara, em vez de os ter passivamente a fazer scroll no feed do Facebook.

apanhar mentiras pelo nariz

Apanhar um mentiroso pelo nariz? Sim, é possível

Por | Investigação & Inovação

Não seria bom identificar uma mentira tão facilmente como na clássica história do Pinóquio, que via o nariz crescer cada vez que dizia uma peta? O princípio é um pouco diferente, mas um grupo de cientistas da Universidade de Granada avança um solução que tem como indicador o mesmo, ou seja, o nariz.

Na vida real, este não cresce quando mentimos. Mas arrefece. Sim, leu bem. Há um fenómeno, conhecido por ‘Efeito Pinóquio’, que consiste na descida da temperatura do nariz entre 0,6 e 1,2º C quando se mente, ao mesmo tempo que a temperatura da testa aumenta (entre 0,6 a 1,5ºC).    

Por isso, os investigadores desta instituição espanhola testaram um novo método, baseado na técnica de termografia, para identificar mentirosos, que é mais exato e apresenta um nível de eficácia que chega aos 80%, mais 10% que o famoso polígrafo e com menos falsos positivos.

“Quando mentimos, a temperatura da ponta do nariz desce e a da testa aumenta”, explica Emilio Gómez Milán, investigador principal do projeto. “Quanto maior for a diferença na mudança de temperatura entre as duas regiões da testa, mais provável é que a pessoa esteja a mentir.”

Isto porque, quando alguém mente, o seu corpo produz uma resposta emocional, a ansiedade, que se manifesta através da temperatura do nariz. “Mas produz-se também uma resposta cognitiva, porque para mentir temos que pensar, planificar as nossas desculpas, analisar o contexto… e isso provoca uma carga cognitiva ou uma forte necessidade de controlar a atenção, que se traduz num aumento da temperatura da testa”, acrescenta o especialista.

Ou seja, “para mentir há que pensar e, por isso, a temperatura da testa sobe. Mas também nos põe nervosos, algo que provoca uma descida da temperatura do nariz”.

Combinar técnicas é o melhor remédio

Claro que, reforça o especialista, é preciso distinguir a mentira no contexto do laboratório e na vida real. Quando a polícia é envolvida, utiliza questionários que aumentam a capacidade de detetar um mentiroso.

Por isso, Gómez Milán considera que “o ideal é combinar as técnicas”, fazer entrevistas utilizando a termografia e a entrevista.

Até porque “não há nenhum método eficaz a 100%, porque a diferença entre verdade e mentira é quantitativa, não qualitativa. Mas com este método conseguimos aumentar a exatidão e reduzir os ‘falsos positivos'”.

concurso para ar condicionado

Prémio de três milhões de dólares para ar condicionado inovador

Por | Investigação & Inovação

Estima-se que, até 2030, mais de metade da população mundial viva em zonas com climas cada vez mais quentes, com exposição crescente a condições de calor potencialmente perigosas. O que irá resultar num aumento exponencial da procura por aparelhos de ar condicionado, que deverão chegar à 4,5 mil milhões de unidades em 2050, muito acima das 1,2 mil milhões atuais. Para isso, será necessário gastar energia, o que pode fazer disparar o aquecimento global.

Este é o cenário. Para lhe dar resposta, uma coligação internacional decidiu lançar o Global Cooling Prize (Prémio de Arrefecimento Global), uma competição mundial com um objetivo: estimular o desenvolvimento de uma tecnologia de arrefecimento radicalmente mais eficiente em termos energéticos.

Para isso, é oferecido um prémio de três milhões de dólares, que pretende atrair talentos de todos os setores e de todo o mundo, para projetarem uma solução de ar condicionado com pelo menos cinco vezes menor impacto climático do que o verificado atualmente.

A solução vencedora terá também de respeitar questões relacionadas com materiais, consumo de água, entre outros e ser acessível a consumidores comuns, custando no máximo o dobro do preço das unidades padrão atuais.

Richard Branson junta-se à iniciativa

A competição foi lançada neste mês de novembro e estará aberta por um período de dois anos. Pelo menos dois milhões de dólares em prémios intermédios serão concedidos para dar apoio ao desenvolvimento de protótipos por equipas pré-escolhidas, que serão alvo de testes em laboratório e na vida real.

O vencedor final receberá pelo menos um milhão de dólares para comercialização da sua tecnologia inovadora.

Uma iniciativa à qual se juntou Richard Branson, o fundador da Virgin, que considera que esta pode, “​​literalmente, ajudar a salvar o mundo”.

Tatuagens para monitorizar saúde

Tatuagens eletrónicas com ‘mão’ portuguesa permitem monitorização da saúde

Por | Investigação & Inovação

Uma equipa de investigadores nacionais e internacionais desenvolveu tatuagens especiais, que ao serem colocadas sobre a pele permitem uma monitorização contínua da saúde do utilizador e controlam fatores como a atividade muscular, respiração, temperatura corporal, batimentos cardíacos, atividade cerebral ou até emoções.

Investigadores do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e da Universidade de Carnegie Mellon, em Pittsburgh, encontraram um método para produzir tatuagens eletrónicas através de impressão a tinta (inkjet), o que simplifica a produção e diminui radicalmente o custo destes dispositivos, que podem ser usados para monitorizar a saúde do utilizador ou controlar o painel do automóvel.

As tatuagens estão a ser desenvolvidas no âmbito do projeto Strechtonics, uma das iniciativas do Programa Carnegie Mellon Portugal (CMU Portugal), financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e coordenado pelo professor Aníbal Traça de Almeida.

De fácil colocação e remoção

As tatuagens são ultrafinas e facilmente transferidas com água para a pele ou roupa, da mesma forma que se aplica uma tatuagem temporária. E, até à data, já provaram também ser eficazes na monitorização da atividade muscular.

“Colocámos uma tatuagem eletrónica no antebraço de uma pessoa com uma prótese da mão e provámos que é possível controlar a mão utilizando sinais de músculos recebidos pelas tatuagens. Ao colocar a tatuagem no músculo certo, a tatuagem permite perceber quando este é ativado e se a mão fecha ou abre”, explica Mahmoud Tavakoli, gestor científico do projeto e diretor do Laboratório de “Soft and Printed Microelectronic” do ISR.

Embora a impressão de circuitos com uma impressora 2D não seja novidade, até agora estes circuitos perdiam condutividade quando esticados. De acordo com o investigador, “é a primeira vez que existe um método para imprimir circuitos que se podem esticar com uma tradicional impressora inkjet, à temperatura ambiente”

Ainda segundo o investigador, o objetivo no futuro é que “seja possível inserir estas tatuagens dentro da pele e do corpo humano. Por exemplo, para pessoas com lesões na medula espinal que não conseguem andar, criar uma forma de conseguir aplicar estas tatuagens na medula de forma a estimulá-la e reativar os nervos para que funcionem outra vez”.

Com usos para além da saúde

Fora do âmbito da saúde, estes circuitos eletrónicos podem ser utilizados em qualquer superfície 3D como, por exemplo, o painel de controlo de automóveis, de forma permitir um controle ativado pelo toque das várias funcionalidades do carro, como controlar o volume do rádio ou a temperatura do automóvel.

A descoberta deste método teve como resultado várias aplicações inovadoras na área de circuitos impressos que foram patenteados em 2017.