fibra protege a saúde

Solução simples para proteger das doenças mais graves está no prato

Por | Nutrição & Fitness

Há alimentos que fazem mal à saúde e dos quais tendemos a abusar. E depois há outros, aqueles que, embora capazes de proteger o organismo de várias doenças, tendemos a deixar de fora do prato. Um erro que nos custa a saúde, alertam os especialistas, que identificaram um alimento sem o qual não devemos mesmo passar.

A revisão de dezenas de estudos realizados ao longo de mais de quatro décadas leva os investigadores da universidade australiana de Otago a afirmar que há uma relação entre um tipo de alimentos e a redução no risco de um conjunto alargado de doenças não transmissíveis.

Um alimento que não é assim tão caro e que reduz o risco de morte, nos faz pesar menos e baixa o colesterol. Resta saber qual a fonte de saúde de que nos andamos a esquecer. E esta é, nada mais, nada menos, que a fibra, responsável por uma redução de 15 a 30% nas mortes e incidência de doenças cardíacas, AVC, diabetes tipo 2 e cancro colorretal.

Andrew Reynolds, especialista do Departamento de Medicina e do Centro de Pesquisa em Diabetes e Obesidade daquela universidade, principal autor do estudo, refere que os resultados fornecem evidências convincentes de que devemos aumentar a nossa ingestão de fibra e substituir os grãos refinados pelos integrais.

Portugueses ingerem apenas 12 gramas por dia

“A nossa investigação indica que devemos consumir pelo menos 25 a 29 gramas de fibra diariamente, embora a maioria de nós atualmente consuma menos de 20 gramas diárias”, explica Andrew Reynolds.

Em Portugal, os dados de um estudo recente confirmam que assim é. Em média, os portugueses não vão além do consumo de 12,7 gramas de fibra diárias.

“Para aumentar, de forma prática, a ingestão de fibra basta basear as refeições e lanches em grãos integrais, legumes, leguminosas e frutas inteiras.”

Por cada 1.000 participantes nos estudos avaliados, o impacto do consumo elevado da ingestão de fibra traduziu-se em menos 13 mortes e menos seis casos de doença coronária, quando comparando com aqueles que consomem dietas mais baixas em fibra.

“Este estudo é essencial, pois há uma grande confusão pública sobre no que é que devemos basear as nossas escolhas alimentares e o impacto que estas têm sobre o risco de certas doenças”, refere Jim Mann, coautor do trabalho.

“Embora todos soubéssemos que a fibra é boa para nós, não sabíamos até que ponto esta teoria antiga era verdadeira”, acrescenta.

Contra o aumento de peso e o colesterol alto

O estudo, publicado na revista internacional The Lancet, analisou 58 ensaios clínicos e 185 estudos prospetivos de todo o mundo, que avaliaram o papel da fibra, grãos integrais, índice e carga glicémica na saúde.

Jim Mann considera este trabalho único, na medida em que examinou uma série de indicadores da qualidade dos hidratos de carbono e de muitos desfechos de doenças, enquanto estudos anteriores geralmente analisaram um indicador e um único ou pequeno número de doenças.

E ficou claro, pela avaliação feita, que as pessoas que aumentaram a quantidade de fibra na sua dieta tiveram menor peso corporal e colesterol total.

“Também descobrimos um efeito esmagadoramente positivo, com dietas ricas em fibras a protegerem contra doenças cardíacas, diabetes, cancros”, refere.

Avaliada foi também a ingestão de grãos integrais, que mostrou benefícios protetores.

“Aqui não há surpresas, uma vez que os grãos integrais, como a aveia e o pão integral, podem ser as principais fontes de fibra na dieta”, afirma Andrew Reynolds.

“As fibras e os grãos integrais são importantes fisiologicamente, metabolicamente e até mesmo para os microbiomas intestinais. Comer alimentos ricos em fibras e grãos integrais tem um benefício claro para a nossa saúde, reduzindo a ocorrência de um grupo surpreendentemente vasto de doenças importantes”, reforça.

A receita certa para a saúde

Aveia, cevada, verduras, leguminosas, maçãs e citrinos são alguns dos alimentos mais ricos em fibras e cujo consumo devemos reforçar, assim como os vegetais de folha verde, cereais integrais e farelo de trigo.

excesso de consumo de açúcar

Aos 10 anos, as crianças já consumiram o açúcar recomendado até aos 18

Por | Nutrição & Fitness

Que as crianças, no geral, comem muitos doces não é propriamente uma novidade. Mas os números britânicos confirmam-no com dados assustadores: de acordo com as autoridades britânicas, quando chegam ao décimo aniversário, as crianças já ultrapassaram a ingestão máxima recomendada de açúcar até aos 18 anos.

Os números são da Public Health England (PHE), tendo por base o consumo total de açúcar a partir dos dois anos e dão o mote para uma nova campanha da Change4Life (programa de saúde pública inglês), que se destina a ajudar as famílias a reduzir o açúcar e combater as taxas crescentes de obesidade infantil.

Por terras de sua majestade, e apesar de todos os esforços feitos para contrariar o consumo de doces, os mais pequenos ainda ingerem cerca de oito cubos de açúcar em excesso por dia, o equivalente a cerca de 2.800 cubos a mais por ano.

Para ajudar os pais, a Change4Life incentiva-os a fazerem trocas simples, seja nos iogurtes, nas bebidas ou nos cereais de pequeno-almoço, oferecendo versões mais saudáveis ​​dos alimentos e bebidas de que os mais pequenos gostam.

Trocas simples, mas eficazes

Os conselhos até podem ser dirigidos aos britânicos, mas vale também para os portugueses. Da próxima vez que os pais forem às compras, que tal trocar um iogurte com alto teor de açúcar para um menos açucarado, receita que vale também para os cereais? Ou optar por um sumo sem adição de açúcar?

Transformar estas trocas num hábito diário poderia remover cerca de 2.500 cubos de açúcar por ano da dieta de uma criança. Claro que trocar o chocolate, pudins, doces, bolos e doces por opções mais saudáveis, como pão, geleias sem açúcar ou cremes com baixo teor de açúcar reduziria ainda mais a sua ingestão.

32% das meninas e 29% dos meninos com quilos a mais

Apesar de os dados mais recentes do estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative(COSI), da Organização Mundial da Saúde-Europa, terem confirmado a diminuição das prevalências de excesso de peso e obesidade infantil em Portugal, ainda assim, até 2017, 32% das crianças (com sete anos) portuguesa do sexo feminino apresentavam excesso de peso (incluindo obesidade), o mesmo acontecendo em 29% das crianças do sexo masculino.

Dados que confirma que os países do sul da Europa continuam a ser aqueles em que se verificam as maiores prevalências de obesidade infantil.

espinafres são ricos em luteína

E a melhor forma de comer os espinafres é…

Por | Nutrição & Fitness

Chama-se luteína, é uma substância presente em vários vegetais e porque são muitas as suas vantagens para a saúde, um grupo de investigadores da Universidade de Linköping, na Suécia, decidiu avaliar qual a melhor forma de consumir os espinafres, ricos neste composto, de modo a poder beneficiar ao máximo do mesmo.

E não, não é na sopa que mais beneficia do consumo de espinafres. Até porque, como muitos outros nutrientes, a luteína degrada-se com o calor.

“O que é único neste estudo é que usamos métodos de preparação que são frequentemente usados ​​para cozinhar alimentos em casa, e comparamos várias temperaturas e tempos de aquecimento. Também investigamos métodos de preparação em que o espinafre é comido frio, como em saladas e smoothies”, explica Lena Jonasson, professora do Departamento de Ciências Médicas e da Saúde e consultora em cardiologia.

Com o objetivo de simular métodos de preparação frequentemente usados ​​no dia-a-dia, os investigadores compraram espinafre num supermercado. E prepararam-no de várias formas. Depois, mediram o conteúdo de luteína em diferentes momentos.

Na sopa, na lasanha, em sumos

Espinafres cozidos numa sopa não são submetidos a temperaturas tão altas como os espinafres numa lasanha, por exemplo. É por isso que os cientistas compararam diferentes tempos de aquecimento.

Porquê? Ao que parece o tempo de aquecimento é importante. Quanto mais tempo forem cozinhados os espinares, menos luteína retêm.

O método de cozedura também é importante, uma vez que quando os espinafres são fritos em altas temperaturas, bastam dois minutos para haver degradação de uma grande quantidade de luteína.

Reaquecer a comida no microondas é uma prática muito comum na vida moderna. E, de acordo com os investigadores, este método compensa, em certa medida, a perda de luteína nos alimentos cozinhados, uma vez que é libertada mais luteína do espinafre à medida que a estrutura da planta é decomposta pelo microondas.

Mas o melhor mesmo, garantem, é consumir os espinafres em sumos ou “fazer um smoothie e adicionar gordura de produtos lácteos, leite ou iogurte. Quando o espinafre é picado em pedaços pequenos, mais luteína é libertada das folhas, e a gordura aumenta a sua solubilidade”.

contar calorias

Dados sobre calorias nos rótulos tornam a comida menos ‘apetitosa’

Por | Nutrição & Fitness

Que os rótulos dos alimentos nos dão informações muito importantes sobre o que comemos já é mais do que sabido. Agora, um estudo confirma que a presença de dados sobre as calorias torna a comida menos apetitosa e, mais do que isso, muda a forma a como o cérebro responde à mesma.

A garantia é dada por um trabalho realizado por especialistas da Universidade de Dartmouth, publicado na revista científica PLOS ONE, que revela que, perante imagens de alimentos com a respetiva informação calórica, o cérebro mostrou uma ativação diminuída do sistema de recompensa e uma ativação aumentada do sistema de controlo.

O que significa que os alimentos que as pessoas poderiam estar inclinadas a comer se tornaram menos desejáveis quando incluíam informação calórica.

“As nossas descobertas sugerem que os rótulos com calorias podem alterar as respostas no sistema de recompensa do cérebro”, explica Andrea Courtney, primeira autora do estudo.

Desejo de comer vs calorias

Para o estudo, foram selecionados 42 estudantes, com idades entre os 18 e os 22 anos, divididos em dois grupos: os que faziam dieta e aqueles que não tinham preocupação com ganhos de peso.

A ambos foram mostradas 180 imagens de alimentos sem informações calóricas, seguidas de imagens com informação sobre as calorias, que incluíam alimentos como cheeseburger, batatas fritas e uma fatia de cheesecake de cereja, e foi-lhes pedido que avaliassem o seu desejo de comer, enquanto submetidos a uma ressonância magnética funcional.

O peso da dieta

Para todos os participantes, sem exceções, os alimentos com teor calórico foram vistos como menos apetitosos. No entanto, o efeito foi mais forte entre os que se encontravam a fazer dieta. 

O que sugere que “as intervenções nutricionais provavelmente terão mais sucesso se tiverem em conta a motivação do consumidor, incluindo se faz dieta”, refere Andrea Courtney.

“Para motivar as pessoas a fazerem escolhas alimentares mais saudáveis são necessárias mudanças políticas que incluam não apenas a informação nutricional, incluindo o conteúdo calórico, mas também uma componente de educação pública, que reforce os benefícios a longo prazo de uma dieta saudável”, reforça Kristina Rapuano, uma das responsáveis pelo trabalho.

resolução de ano novo

Resoluções para um ano novo saboroso e saudável

Por | Nutrição & Fitness

Com o ano novo à vista, é tempo para fazer as listas: de coisas que se prometem mudar, de desejos que se querem concretizar, de metas e sonhos a conquistar. Seja quais forem as resoluções, que tal incluir uma dieta saudável e equilibrada, garantia de inúmeros benefícios em 2019 e mais além?

Os conselhos são da Organização Mundial de Saúde (OMS), que deixa dicas simples, associadas ao que comemos e bebemos.

Dicas para uma mesa de Natal que junta o prazer à saúde

Por | Nutrição & Fitness

Toda a gente sabe que Natal é também, por tradição, comida. É uma mesa sempre cheia, à volta da qual se senta a família, tentada a excessos que a quadra até pode justificar, mas que a saúde nem sempre perdoa. Mas porque o Natal não são apenas dois dias, há algumas dicas, deixadas pelo site Nutrimento, que pode ajudar a que o convívio através da comida alie o prazer à saúde.  

prevenir a placa dentária

Tecnologia criada em Coimbra promete revolucionar a saúde oral

Por | Saúde Oral

A placa dentária é um problema que afeta muitos portugueses, mas pode ter os dias contados. Pelo menos se depender de uma inovação nacional, que promete ser uma revolução na saúde oral, ao impedir, de forma simples, a sua formação.

A Biolocker, assim chamada pelos especialistas das Faculdades de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e de Medicina (FMUC) da Universidade de Coimbra (UC), que a criaram, deve chegar ao mercado dentro de dois anos, representando uma mudança de paradigma na higiene oral, uma vez que previne a formação precoce da placa bacteriana sem os efeitos negativos das soluções de cuidados orais existentes. 

E tudo feito com base numa molécula orgânica natural.

A diferença dos produtos disponíveis

É verdade que já existem antisséticos com a promessa de eliminar a placa bacteriana. Mas são de largo espectro. O que significa que, para além das más bactérias, eliminam também as boas, o que pode danificar a flora oral residente, que é extremamente benéfica para a saúde geral do organismo.

A grande inovação desta tecnologia anti-placa, que se encontra em processo de registo de patente internacional, “está na capacidade de bloquear as principais interações bacterianas que ocorrem após a ingestão de alimentos, ou seja, impossibilita a ação das bactérias que lideram o processo de formação da placa bacteriana, as designadas colonizadoras iniciais”

A explicação é de Daniel Abegão, Filipe Antunes e Sérgio Matos, os ‘pais’ da Biolocker, que acrescentam que “como estas bactérias (género streptococcus) funcionam como alicerce, ao retirar a âncora impedimos que todas as bactérias a jusante se possam fixar”.

Trocado por miúdos, esta tecnologia funciona como uma espécie de revestimento antiaderente, impedindo que as bactérias se agarrem ao esmalte dentário e formem a placa bacteriana.

Um método que promete proteger”por muito mais tempo, durante todo o dia, complementando a eficácia da escovagem, suplantando as limitações dos atuais produtos de higiene oral”, sublinham os investigadores em comunicado.

Uma nova forma de prevenção

Sérgio Matos, médico dentista e professor da Faculdade de Medicina da UC, confirma que, em termos de saúde oral, ou mesmo numa perspetiva de política de saúde pública, a grande mais-valia da biolocker é a contribuição extraordinária para a prevenção de problemas dentários, “permitindo que, através de uma tecnologia massificada e barata, a população passe a ter acesso a uma melhor higiene oral”.

“Em Portugal, a saúde oral é maioritariamente proporcionada por cuidados privados e, consequentemente, muito onerosos. A maneira mais eficaz de podermos combater todas as patologias da cavidade oral é através da prevenção, reduzindo custos com tratamentos.”

Tendo em conta que a “cárie e as doenças gengivais são as patologias infecciosas mais prevalentes no mundo, o desenvolvimento de ferramentas preventivas é essencial” reforça o investigador.

Mas as vantagens não se ficam por aqui. A versatilidade é outra característica importante desta inovação, que permite que seja “incorporada em pastas dentífricas, elixires, fio dental ou até pastilhas elásticas”, explicam Daniel Abegão e Filipe Antunes.

fibrilhação auricular

Dieta rica em sal pode aumentar o risco de arritmia cardíaca

Por | Bem-estar

Que o sal contribui para a hipertensão e outros problemas cardiovasculares, já se sabia. Agora, um grupo de cientistas associa o excesso de sal na dieta ao risco de fibrilhação auricular, a mais frequente forma de arritmia, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

Num novo estudo, publicado no Annals of Medicine, foram acompanhados 716 homens e mulheres de meia-idade ao longo de 19 anos, para confirmar esta associação. 

Um passo importante, uma vez que quem sofre deste problema corre um risco acrescido de AVC e insuficiência cardíaca. O que significa que se o sal for um fator de risco evitável, isso apresentaria novas oportunidades de prevenção.

Maior consumo de sal associado a risco acrescido

De facto, a associação existe. Ou seja, encontrou-se uma maior incidência de fibrilhação auricular nas pessoas que consumiram mais sal, em comparação com aqueles que o ingeriam menos.

“Este estudo fornece a primeira evidência de que o sal pode aumentar o risco de fibrilhação arterial de início recente, aumentando a lista crescente de perigos associados ao consumo excessivo de sal na saúde cardiovascular”, explica Tero Pääkkö, especialista da Universidade de Oulu, na Finlândia.

“Embora sejam necessários mais estudos, os nossos resultados sugerem que as pessoas que estão em um risco aumentado de fibrilhação arterial podem beneficiar de uma restrição de sal na sua dieta.”

Novas formas de prevenção

A probabilidade de desenvolver fibrilhação auricular aumenta com a idade, afetando cerca de sete em 100 pessoas com 65 anos ou mais. O que significa que, com o envelhecimento da população, se prevê que os números dos que desenvolvem esta condição aumentem drasticamente nos próximos anos, à medida que as pessoas continuam a viver mais tempo.

Confirmar a associação entre o problema e a elevada ingestão de sal na dieta irá fornecer aos formuladores de políticas novas formas para que se possa reduzir a sua incidência, através de intervenções de saúde pública.

noctívagos em maior risco

Noctívagos têm risco acrescido de diabetes e doenças do coração

Por | Bem-estar

Costuma deitar-se tarde? É daqueles que aproveita a noite para fazer tudo que não conseguiu durante o dia? Então saiba que ser noctívago lhe pode prejudicar a saúde.

Na primeira revisão internacional de estudos sobre o tema, um grupo de investigadores verificou que são cada vez mais as evidências que indicam um maior risco de problemas de saúde nas pessoas mais ativas durante a noite, que são também aquelas que apresentam padrões alimentares menos saudáveis.

Noctívagos comem pior

A ciência já confirmou que o corpo humano funciona num ciclo de 24 horas, regulado pelo nosso relógio interno, conhecido como ritmo circadiano. Um relógio que ainda que não marque as horas, se encarrega de definir quando comemos, dormimos e acordamos. E que é também responsável pela preferência natural por acordar cedo ou ir dormir mais tarde.

Agora, os investigadores encontraram evidências que apontam para um maior risco de doenças cardíacas e diabetes tipo 2 entre os noctívagos.

De resto, quem costuma ir para a cama mais tarde tem também tendência a ter dietas menos saudáveis, ingerir mais bebidas alcoólicas, bebidas com cafeína, consumir mais açúcar e fast food do que os madrugadores.

Relatam, de uma forma consistente, padrões alimentares mais erráticos. Porque se levantam tarde, o pequeno-almoço é substituído por uma refeição tardia; a sua dieta contém menos leguminosas, cereais e vegetais e fazem menos refeições, ainda que aquelas que consumam sejam maiores. 

Bebem mais café e fazem mais lanches, o que ajuda a explicar porque é que têm um risco superior de doenças crónicas.

Risco aumentado de diabetes

O risco de diabetes tipo 2 é também mais alto, uma vez que o ritmo circadiano influencia a forma como a glicose é metabolizada no organismo.

Ou seja, os níveis de glicose diminuem naturalmente ao longo do dia e atingem o seu ponto mais baixo durante a noite. No entanto, como os noctívagos costumam comer pouco antes de dormir, os seus níveis de glicose aumentam quando estão prestes a ir para a cama e isso pode afetar negativamente o metabolismo, uma vez que o seu corpo não está a seguir o processo biológico normal.

Os números confirmam mesmo que os mais ativos à noite têm um risco 2,5 vezes maior de ter diabetes tipo 2 do que aqueles que preferem as manhãs.

Algo com impacto nas pessoas que trabalham por turnos, sobretudo os rotativos, uma vez que isso as obriga a estar constantemente a ajustar o seu relógio biológico.

Preferências que mudam ao longo da vida

Mas nem todos os noctívagos nasceram assim, revelam os estudos, que esclarecem que as preferências mudam ao longo do ciclo de vida. O tipo madrugador é mais comum entre as crianças, situação que os pais bem conhecem, e pode surgir logo a partir das três semanas de vida.

Algo que vai mudando durante a infância. Senão veja-se: aos dois anos, 90% dos mais pequenos são adeptos do acordar com o nascer do sol; aos seis, a percentagem baixa para 58%.

Na adolescência, a preferência muda e começam a dominar as tendências noctívagas, algo que se mantém até que se atinjam os 50 anos, idade a partir da qual se começa a adotar a máxima do deitar cedo e cedo erguer.

“Dívidas de sono” cobradas ao fim de semana

Os investigadores confirmam também que as ‘corujas’ acumulam o que chamam de “dívidas de sono” durante a semana de trabalho, fatura que é ‘cobrada’ aos fins de semana, altura em que, para compensar, dormem mais tempo.

Suzana Almoosawi, especialista do Centro de Investigação sobre Cérebro, Desempenho e Nutrição da Universidade britânica de Northumbria, e principal autora desta revisão, confirma que “os genes, etnia e género determinam a probabilidade de uma pessoa ser do tipo matutino ou vespertino”.

E confirma também que, “na idade adulta, ser uma ‘coruja’ está associado a um maior risco de doença cardíaca e diabetes tipo 2, e isso pode ser potencialmente devido ao pior comportamento alimentar”.

“Nos adolescentes, verificamos também que o relógio biológico noturno está associado a um comportamento alimentar mais errático e a uma dieta mais pobre. Isso pode ter implicações importantes para a saúde na vida adulta, já que a maioria dos hábitos alimentares é estabelecida na adolescência.”

alterações climáticas com impacto na saúde

Como as alterações climáticas nos estão a tramar a saúde

Por | Ambiente

Ainda que muitos as continuem a considerar fruto da imaginação, as alterações climáticas são reais e o impacto que podem causar na saúde também, revela um estudo realizado por especialistas de 27 instituições e organizações intergovernamentais, publicado na revista The Lancet.

Ondas de calor, doenças infecciosas, poluição do ar e subnutrição são riscos reais, alerta o relatório, que pede, mais do que palavras, ações capazes de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, para que se mantenha o aquecimento global abaixo de 1,5° C.

Mas afinal, de que forma é que a saúde humana tem sido, e vai continuar a ser, vítima destas mudanças no clima? 

Cada vez mais ondas de calor

Nove dos dez anos mais quentes foram registados desde 2005, revela o documento, que confirma que, em 2017, aumentou o número de pessoas vulneráveis ​​expostas às ondas de calor. Subidas na temperatura que foram responsáveis por 153 mil milhões de horas de trabalho perdidas no mesmo ano, um aumento de mais de 62 milhões de horas desde 2000.

Um ar demasiadas vezes irrespirável

Entre 2010 e 2016, as concentrações da poluição do ar pioraram em quase 70% das cidades do mundo, sobretudo nos países com menores rendimentos. Só em 2015, as partículas mais finas foram responsáveis por 2,9 milhões de mortes prematuras.

Os transportes têm aqui uma parte importante da culpa, sendo um dos principais responsáveis por muitos dos problemas de poluição atmosférica nas zonas urbanas, situação que tem tendência a piorar. Até porque, em média, cada pessoa usou mais 2% de combustível em 2015, comparando com 2013.

Ameaça tropical

As alterações climáticas, sobretudo o aquecimento global e as mudanças na precipitação, podem afetar o alcance e a abundância dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, que se reproduzem em poças de água morna e estagnada e são responsáveis ​​pela transmissão de doenças como a febre-amarela, dengue e Zika.

Problemas que, se até aqui eram exclusivos das zonas mais tropicais, começam a reocupar as autoridades de países de outras geografias, como a Europa.

Subnutrição e fome

O aumento do risco e da intensidade das chuvas, que as torna devastadoras, faz-se sentir ao mesmo tempo que aumenta também o número e gravidade dos incêndios florestais. Nos países mais pobres do mundo, as mudanças do clima estão já a começar a afetar o acesso à alimentação. Um problema que rouba cada vez mais vidas.

Serviços de saúde em risco

Mais da metade das cidades avaliadas pelo estudo publicado no The Lancet estão à espera que as alterações climáticas comprometam seriamente as infraestruturas de saúde pública, seja pelo impacto direto das catástrofes naturais ou através da sobrecarga dos serviços devido ao aumento da carga das doenças.