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Adamastores modernos: a metáfora que guia o apelo da Associação Salvador à consignação do IRS

Consignar o IRS à Associação Salvador

Num país onde escadas, passeios irregulares e barreiras invisíveis continuam a limitar a autonomia de milhares de pessoas, a Associação Salvador lança uma nova campanha de consignação de IRS que transforma estas dificuldades nas “tormentas” da vida real. Inspirada n’ Os Lusíadas, a iniciativa apela a um gesto simples e gratuito, consignar 1% do IRS, para apoiar projetos que promovem inclusão, acessibilidade, desporto adaptado e empregabilidade. À conversa com Salvador Mendes de Almeida, fundador da Associação, exploramos o impacto desta metáfora, a importância da consignação e os desafios que ainda persistem para que Portugal seja verdadeiramente acessível.

O que motivou a Associação Salvador a inspirar-se n’ Os Lusíadas e no conceito das “tormentas” para esta campanha?

Inspirámo-nos n’ Os Lusíadas porque é uma obra profundamente ligada à identidade portuguesa e à ideia de superação de grandes desafios. Tal como os navegadores enfrentavam tempestades e monstros do mar, hoje muitas pessoas com deficiência motora enfrentam diariamente “tormentas” no seu percurso: escadas, passeios inacessíveis, edifícios sem elevador ou atitudes que ainda excluem. 

A metáfora permite-nos mostrar que, apesar de vivermos num país moderno, ainda há obstáculos muito reais que precisam de ser vencidos e que todos podemos fazer parte dessa mudança.

Que tipo de impacto esperam alcançar com esta nova abordagem narrativa?

Queremos sobretudo gerar empatia e reflexão. Ao usar uma linguagem épica e simbólica, procuramos tornar visíveis desafios que muitas vezes passam despercebidos para quem não os vive diariamente. 

Esperamos que a campanha leve mais pessoas a compreender estas realidades, a falar sobre acessibilidade e, claro, a apoiar a Associação Salvador através da consignação do IRS, permitindo-nos continuar a desenvolver projetos que promovem a autonomia e a inclusão.

Qual a importância da consignação de IRS para a Associação Salvador?

A consignação de IRS é absolutamente essencial para a nossa atividade. Trata-se de um gesto simples, gratuito para o contribuinte, mas que tem um impacto muito significativo no nosso trabalho. 

Estes fundos ajudam-nos a financiar programas que apoiam diretamente pessoas com deficiência motora.

A Associação Salvador desenvolve vários projetos que promovem a inclusão das pessoas com deficiência motora em áreas fundamentais. Entre eles estão iniciativas de desporto adaptado, que permitem o acesso à prática desportiva e a estilos de vida mais ativos; programas de empregabilidade, que apoiam a integração no mercado de trabalho; e projetos focados nas acessibilidades, que procuram eliminar barreiras físicas e sensibilizar para a importância de espaços mais inclusivos.

Trabalhamos também em dimensões complementares: por um lado, projetos que apoiam diretamente os seus beneficiários; por outro, iniciativas de sensibilização e de transformação da sociedade, desenvolvidas em parceria com várias entidades, como escolas, organismos públicos ou empresas, com o objetivo de promover um país mais inclusiva e acessível para todos.

A consignação do IRS é essencial para garantir que estes projetos continuam a crescer e a chegar a cada vez mais pessoas.

A consignação representa atualmente 22% das vossas receitas. Que metas têm para este ano?

Sendo já uma parte muito relevante das nossas receitas, gostaríamos de continuar a aumentar este número. A nossa ambição é chegar a mais portugueses e aumentar a percentagem de contribuintes que escolhem apoiar a Associação Salvador. Cada nova consignação traduz-se em mais oportunidades, mais autonomia e mais qualidade de vida para as pessoas com deficiência motora que apoiamos.

Que desafios ainda existem para aumentar a taxa de consignação em Portugal?

O maior desafio continua a ser o desconhecimento. Muitas pessoas ainda não sabem que podem consignar 1% do seu IRS sem qualquer custo, ou não têm consciência do impacto que esse gesto pode ter nas organizações. 

Existe também alguma inércia no processo de entrega da declaração. Por isso, campanhas de informação e sensibilização continuam a ser fundamentais para aumentar a participação.

Que “Adamastores” continuam a ser os maiores obstáculos para as pessoas com deficiência motora no dia a dia?

Infelizmente, muitos dos obstáculos continuam a ser bastante concretos: escadas sem alternativa, passeios estreitos ou degradados, transportes pouco acessíveis, edifícios públicos e privados sem acessibilidade. 

Mas há também barreiras menos visíveis, como preconceitos ou a falta de conhecimento sobre as necessidades das pessoas com deficiência motora. São esses “Adamastores” que ainda precisamos de enfrentar enquanto sociedade.

A campanha fala de escadas, passeios e barreiras no espaço público. O que é que ainda falta mudar para que Portugal seja verdadeiramente acessível?

Temos assistido a melhorias importantes nos últimos anos, mas ainda existe um longo caminho a percorrer. É necessário garantir que as regras de acessibilidade são efetivamente cumpridas, tanto em novas construções como na adaptação de espaços existentes. 

Também é fundamental integrar a acessibilidade desde o início no planeamento urbano e nas políticas públicas. Uma cidade acessível não beneficia apenas as pessoas com deficiência, beneficia toda a comunidade.

Como é que a sociedade portuguesa tem evoluído na perceção da acessibilidade e da inclusão?

A evolução tem sido positiva. Hoje existe maior consciência social sobre a importância da inclusão e da acessibilidade, e vemos cada vez mais pessoas e organizações envolvidas nesta causa. 

No entanto, ainda há um caminho a fazer para transformar essa consciência em mudanças estruturais e permanentes no espaço público, nas empresas e nas atitudes.

O que ainda falta fazer para que a inclusão plena deixe de ser um objetivo e passe a ser uma realidade?

É necessário continuar a trabalhar em várias frentes: melhorar a acessibilidade física, promover a inclusão no emprego, reforçar políticas públicas eficazes e, acima de tudo, mudar mentalidades. 

A inclusão acontece quando deixamos de ver a deficiência como uma limitação individual e passamos a olhar para as barreiras que a sociedade ainda cria. Quando essas barreiras desaparecem, a participação plena torna-se possível.

Em mais de 20 anos de atividade, quais considera serem os maiores marcos da Associação?

Ao longo de mais de duas décadas, tivemos a oportunidade de apoiar milhares de pessoas com deficiência motora em Portugal. Entre os marcos mais importantes estão os programas de apoio direto a pessoas com deficiência motora com dificuldades financeiras, os projetos de empregabilidade, o incentivo ao desporto adaptado e as iniciativas de sensibilização para a acessibilidade. Mais do que números, o maior marco é ver pessoas recuperarem autonomia, confiança e oportunidades de participação plena na sociedade.

Como ajudar a mudar este cenário

A consignação de IRS permite aos contribuintes direcionar uma parte do imposto que já pagaram ao Estado para apoiar uma entidade social à sua escolha, sem qualquer prejuízo financeiro. Ao optar por consignar o IRS à Associação Salvador, os cidadãos estão a investir diretamente em projetos que promovem a inclusão, a autonomia e a igualdade de oportunidades.

Para apoiar esta causa, basta indicar o NIF 506 723 364 no campo de consignação do IRS, no Portal das Finanças.

Crédito imagem: DR

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