Jovens viciados no tabaco

Vício dos cigarros tem vindo a cair em todas as faixas etárias menos numa

Por País

Nos últimos 40 anos, as mensagens de alerta contra os perigos do tabaco têm sido bem-sucedidas, garantem os especialistas. Mas há um alvo que não tem sido atingido: os jovens.

“Desde 1970 que as campanhas contra o tabagismo parecem ser amplamente bem-sucedidas, mas a mensagem não conseguiu atingir as idades mais jovens”, garante Cecilie Svanes, professora no Centro de Saúde Internacional da Universidade de Bergen (UiB), na Noruega.

Juntos, os investigadores do ALEC, um projeto de investigação da União Europeia, avaliaram 120.000 pessoas de 17 países europeus. E uma das questões colocadas aos participantes foi quando começaram a fumar.

E ainda que, de acordo com os resultados, se tenha assistido, no geral, a um declínio no número dos que começaram a fumar entre 1970 e 2009, há uma exceção: a faixa etária dos 11 aos 15 anos onde, sobretudo nos últimos dez anos, o tabaco tem dado poucas tréguas.

Foi sobretudo entre as mulheres europeias jovens que o vício dos cigarros mais aumentou. Aqui, 40 em cada 1.000 começam a fumar todos os anos, o dobro do que se verificava em 1970 (20).

Quanto mais jovens, mais forte o vício

Publicado na revista PLOS ONE, o trabalho confirma que quanto mais jovens, mais forte é o vício.

Segundo Cecilie Svanes, uma das responsáveis pelo estudo, têm sido vários os trabalhos que confirmam que o vício da nicotina é tanto mais forte, quanto mais precoce for a idade de início. O ilustra a importância de concentrar a campanha antitabaco nos grupos etários mais jovens.

“A sociedade tem mais a ganhar concentrando as campanhas nos mais jovens”, refere. “Claro que também se reduz o risco de enfarte e cancro do pulmão para os que deixam de fumar na velhice, mas a sociedade como um todo ganha mais mantendo saudáveis para o resto do da vida os grupos mais jovens”, acrescenta.

Impacto dos cigarros na prole

O estudo prossegue e procura agora determinar o impacto do vício do tabaco na futura prole, ou seja, de que forma os hábitos tabágicos dos pais influenciam a saúde dos futuros filhos.

“Verificamos que, para os homens que começam a fumar antes dos 15 anos, há influência nos futuros filhos. Por exemplo, os seus filhos têm asma com mais frequência do que outros”, explica Svanes.

“Em testes feitos nos animais vimos ainda que é a nicotina em si que provoca o maior risco. Se for também este o caso para os humanos, isso significa que nem e-cigarros são boas alternativas, pelo menos não para os grupos etários mais jovens.”