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Especialistas reforçam benefícios dos adoçantes sem ou de baixas calorias

Por Nutrição & Fitness

Há mais um estudo que salienta os benefícios dos adoçantes sem ou de baixas calorias, garantindo que podem contribuir de forma positiva para as estratégias de saúde pública que visam a redução do açúcar.

Margaret Ashwell, investigadora sobre o tema, lidera um grupo que publica na revista científica Nutrition Research Reviews um consenso sobre adoçantes sem ou de baixas calorias, com factos, lacunas da investigação e ações sugeridas.

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Dezenas de especialistas em consenso: os adoçantes sem ou de baixas calorias são seguros

Por Nutrição & Fitness

A batalha pela redução do consumo de açúcar continua, agora com a publicação do primeiro Consenso Ibero-Americano sobre adoçantes sem ou de baixas calorias, elaborado por mais de 60 especialistas internacionais, que reúne o papel desempenhado por estas substâncias na alimentação.

Divulgado na revista científica Nutrients, visa, segundo um dos seus signatários, Lluís Serra-Majem, professor catedrático de Medicina Preventiva e de Saúde Pública, diretor do Instituto de Investigação Biomédica e Saúde da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria e presidente da Fundação para a Investigação Nutricional (FIN), “proporcionar informação útil com base em evidências científicas para contribuir para a redução do consumo de açúcares adicionados a partir de alimentos e bebidas”.

No documento, sublinha-se que “a segurança dos adoçantes sem e de baixas calorias tem sido exaustivamente analisada e aprovada”, sendo estes aditivos alimentares que são utilizados de forma segura há mais de um século para manter o sabor doce dos alimentos, mas sem acrescentar calorias a partir de açúcares.

“Revisões sistemáticas e meta-análises recentes têm avaliado e confirmado os benefícios dos adoçantes sem ou de baixas calorias em doentes com diabetes ao contribuir para a melhoria do controlo glicémico, quando se utilizam para substituir os açúcares”, reforça Hugo Laviada, coordenador do Grupo de Investigação em Nutrição e Metabolismo da Universidade Marista de Mérida, Yucatán.

Dezenas de especialistas em consenso

Este primeiro Consenso Ibero-Americano apresenta as conclusões de uma reunião de especialistas que teve lugar em Lisboa, há um ano, apoiada por 43 sociedades científicas e fundações internacionais de alimentação, nutrição e dietética, sociedades médicas europeias e ibero-americanas, universidades e centros de investigação.

Neste encontro, 67 especialistas internacionais de diferentes áreas, como nutrição e dietética, endocrinologia, saúde pública, atividade física e desporto, pediatria, enfermagem, toxicologia e legislação alimentar analisaram o papel dos adoçantes sem ou de baixas calorias na alimentação.

Adoçantes comprovadamente seguros

A segurança dos adoçantes é um aspeto que tem sido avaliado e aprovado periodicamente por numerosos comités científicos e organismos reguladores internacionais, que têm dado pareceres favoráveis à sua utilização.

“Graças ao rigoroso quadro regulatório existente em todo o mundo, pode-se confirmar que os adoçantes sem ou de baixas calorias são componentes seguros na alimentação da população em geral”, salienta Arturo Anadón, professor Catedrático do Departamento de Toxicologia e Farmacologia da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Complutense de Madrid, Espanha.

Vantagens para a saúde

Os adoçantes sem ou de baixas calorias proporcionam um sabor doce com uma baixa quantidade ou até mesmo sem calorias e podem incorporar-se numa multiplicidade de produtos do setor alimentar e das bebidas.

São ingredientes que devem aparecer nos rótulos dos alimentos, para que “o consumidor esteja sempre devidamente informado e possa reconhecer a presença destes ingredientes nos alimentos. É necessário que o consumidor esteja capacitado para ler e compreender os rótulos dos alimentos, pelo que devem criar-se campanhas destinadas a fortalecer a educação do consumidor”, salienta Susana Socolovsky, presidente eleita da Associação Argentina de Especialistas em Alimentação. 

Por proporcionam uma baixa quantidade ou, até mesmo, nenhumas calorias, o consenso defende que o seu uso em programas de controlo de peso pode favorecer a redução da ingestão global de energia e a perda de peso.

No caso de pessoas com diabetes, o uso destes adoçantes nos seus programas de controlo podem contribuir para melhorar a sua gestão da glicemia. 

Para além disso, a declaração de Consenso também indica que os adoçantes sem ou de baixas calorias podem contribuir com benefícios para a saúde oral, já que se demonstrou que os produtos que os incorporam podem reduzir o risco de cáries.

Limites definidos

O documento do Consenso, em linha com a OMS e com a evidência científica atual, recomenda que o consumo de açúcar adicionado contribua com o máximo de 10% da ingestão energética, pelo que o uso dos adoçantes sem ou de baixas calorias na reformulação dos produtos alimentares poderia ser uma estratégia útil e sustentável para alcançar este objetivo.

A este respeito, o Sérgio Cunha Velho de Sousa, do Hospital Pediátrico do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra em Portugal, indica que “os açúcares presentes nos alimentos têm outras funções para além da adição do sabor doce, portanto, nem sempre é possível eliminarmos ou substituí-los totalmente sem afetar a sua qualidade e estabilidade”.

Ainda assim, o especialista considera essencial “estabelecer um diálogo com os fabricantes de alimentos e bebidas para se debater a necessidade de reformulação dos produtos e a redução do consumo de açúcares adicionados e/ou substituir o conteúdo total ou parcial de açúcar pelos adoçantes sem ou de baixas calorias”.

Mais informação precisam-se

O Consenso evidencia ainda a necessidade de facilitar ao consumidor um acesso fácil a informação rigorosa e de qualidade, transparente e de fácil compreensão pelo público em geral. 

É que os consumidores têm acesso a inúmeras fontes de informação, nem todas fidedignas, sobre questões de alimentação, nutrição e saúde. O que muitas vezes pode levar a equívocos e causar uma confusão desnecessária na população.