contactos presenciais

Menos nove milhões de contactos presenciais nos centros de saúde e rastreios oncológicos

Por COVID-19

O acesso dos doentes não Covid aos serviços de saúde continuou dificultado, mesmo antes da segunda vaga da pandemia. Os cuidados de saúde primários registaram, nos primeiros dez meses deste ano, menos nove milhões de contactos presenciais médicos e de enfermagem. Nos hospitais, os contactos presenciais sofreram uma redução de 2,7 milhões entre janeiro e outubro de 2020 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

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solidão afeta os mais velhos

Solidão compromete saúde dos idosos, conclui estudo nacional

Por Investigação & Inovação

A esmagadora maioria (91%) dos idosos seguidos nos Cuidados de Saúde Primários revelam sentir algum grau de solidão. Mais ainda, conclui um estudo liderado por investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, em parceria com a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte), esta solidão interfere com os cuidados que recebem.

Perceber qual o impacto da solidão nos idosos seguidos num Centro de Saúde foi o objetivo do trabalho, que contou com a participação de 150 pessoas, com 65 anos ou mais, de uma zona urbana do Norte de Portugal, entrevistadas para o efeito.

Os resultados revelaram que a solidão interfere, de facto, com os cuidados médicos, sendo os idosos que reportam níveis de solidão elevados mais frequentemente polimedicados.

“A solidão leva a um aumento do recurso aos serviços de saúde, como comprovamos através da relação desta com o consumo crónico de medicamentos, especialmente entre os idosos com mais de 80 anos de idade”, explicam os investigadores do estudo, publicado na revista científica Family Medicine & Primary Care Review.

Pedem-se estratégias para combater a solidão

Paulo Santos, investigador do CINTESIS, e Catarina Rocha-Vieira, da ARS-Norte, defendem, por isso, que “é importante que se perceba que a solidão nos idosos leva a maior somatização do seu sofrimento e aumenta o risco de serem sobremedicados”.

O que os leva a apelar para que se definam “estratégias para reduzir a solidão entre os idosos, como forma de melhorar os indicadores individuais de saúde e diminuir o risco de sobrediagnóstico e de polimedicação”.

Atos simples como procurar companhia, participar na vida familiar e manter rotinas diárias ativas, que assegurem o contacto com outras pessoas, são exemplos de estratégias que podem reduzir a solidão e melhorar a saúde da população mais idosa, exemplificam os autores.

“Devem ser tomadas medidas políticas, legislativas, sociais e de saúde que promovam a manutenção de uma vida ativa após a reforma, de modo a estimular o sentido de utilidade dos idosos, protegendo-os da solidão e das suas consequências em termos de saúde.”

Estar casado é fator de protação

Os investigadores concluíram ainda que ter mais de 80 anos, viver sozinho, possuir um baixo nível educacional (menos de nove anos), estar insatisfeito com os rendimentos e ter uma estrutura familiar disfuncional são os principais fatores que se associam à solidão. Em contrapartida, ser casado ou viver em união de facto, e manter uma atividade profissional surgiram como fatores protetores.

Este estudo foi conduzido numa zona urbana do Norte de Portugal que apresenta uma proporção de população idosa ligeiramente abaixo da média nacional (estimada em 19%). Na realidade do território nacional, e sobretudo nas regiões mais envelhecidas, como nos distritos do interior e no Alentejo, o problema pode ser ainda maior.

A solidão é comum na população geriátrica e interfere significativamente com os cuidados de saúde, devendo ser considerada um determinante de saúde.

“Incorporar esse fator no raciocínio de decisão clínica é fundamental para melhorar os cuidados de saúde”, concluem os investigadores.