investigação sobre tipos de sangue

Cientistas mais perto de transformar tipos de sangue A e B em universal

Por Investigação & Inovação

São frequentes os apelos para a doação de sangue, uma dádiva que pode salvar vidas. Agora, um grupo de investigadores deu um novo passo no sentido de minimizar as necessidades de sangue, ao encontrar enzimas, presentes no intestino humano, capazes de transformar o sangue do tipo A e B em O, o dador universal.

Os resultados desta investigação foram apresentados recentemente, num encontro da American Chemical Society, a maior sociedade científica do mundo, que teve lugar em Boston, nos EUA. 

“Estamos particularmente interessados nas enzimas que nos permitem remover os antigénios [substância que causa a formação de um anticorpo específico] A ou B dos glóbulos vermelhos”, explica Stephen Withers, investigador da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá.

“Se conseguirmos remover estes antigénios, que são apenas açúcares simples, então podemos converter o sangue A ou B em O.”

Caminho “muito promissor”, acreditam investigadores

Não é a primeira vez que se procura, através de enzimas, transformar os tipos de sangue A e B em O, o que mais procura tem nos hospitais. A diferença aqui é que estas são 30 vezes mais eficientes do que as que foram alvo de estudos anteriores. Um trabalho que só foi possível com recurso a técnicas de análise massiva de ADN, conhecidas como metagenómica. 

Atualmente, Withers  e o seu grupo estão a trabalhar no sentido de validar estas enzimas e testá-las em maior escala para possíveis ensaios clínicos. A isto junta ainda a vontade de realizar uma evolução direcionada, ou seja, criar uma técnica de engenharia de proteínas capaz de simular a evolução natural, com o objetivo de criar a mais eficiente enzima de remoção de açúcar.

“Estou otimista de que temos um candidato muito interessante para ajustar o sangue doado a um tipo comum”, diz Withers. “Claro, terá que passar por muitas etapas clínicas para termos a certeza que não há consequências adversas, mas parece muito promissor.”