disfunção erétil e saúde oral

Estudo deixa aviso aos homens: escovar mal os dentes pode causar disfunção erétil

Por | Saúde Oral

Que os cuidados com boca e dentes têm um grande impacto no resto da saúde, já se sabia. Mas a mensagem agora é dirigida especificamente aos homens, para quem fica o aviso: aqueles que sofrem de periodontite, doença caracterizada pela inflamação das gengivas, têm um risco acrescido de disfunção erétil. 

A informação é partilhada, em forma de estudo, por um grupo de investigadores do Departamento de Cirurgia e Especialidades Cirúrgicas e do Departamento de Estomatologia da Universidade de Granada, em Espanha.

Definida como a incapacidade de um homem atingir uma ereção, devido a fatores que podem ser físicos ou psicológicos, ou uma combinação dos dois, a disfunção erétil surge agora associada à periodontite, uma inflamação crónica das gengivas, que destrói progressivamente o osso alveolar e os tecidos conectivos que mantêm os dentes no seu lugar e que, se não for tratada, pode levar mesmo à perda de dentes.

De acordo com os especialistas, as bactérias periodontais, que têm origem nas gengivas infetadas, prejudicam as células vasculares, podendo afetar o fluxo sanguíneo no pénis. Resultado: a impotência.

Risco aumenta mais de duas vezes 

Realizado com uma amostra de 80 homens, os investigadores pediram aos participantes que facultassem os seus dados sociodemográficos e que se submetessem a um exame periodontal, testes aos níveis de testosterona, perfil lipídico, proteína C-reativa, níveis de glicose no sangue e hemoglobina glicada.

A análise destes dados permitiu concluir que 74% dos doentes com disfunção erétil apresentavam sinais de periodontite. E aqueles que tinham disfunção mais grave eram os que tinham os piores danos periodontais.

Contas feitas, quem sofria com periodontite apresentava 2,28 vezes mais risco de ter disfunção erétil, quando comparando com os homens com gengivas saudáveis.

Trata-se do primeiro estudo do género a ser realizado com uma população europeia, com os resultados apresentados no Journal of Clinical Periodontology, o principal periódico científico internacional de investigação periodontal.

os riscos da epilepsia

Saúde oral dos doentes com epilepsia em risco

Por | Saúde Oral

Em Portugal, cerca de 50 mil pessoas sofrem de epilepsia, a doença neurológica mais comum no mundo. Um problema que, explica João Braga, médico dentista do grupo Best Quality Dental Centers (BQDC), tem consequências não só devido “aos efeitos secundários da medicação efetuada para tratamento/prevenção de crises”, mas também resultante dos “acidentes que podem ocorrer durante uma convulsão”. 

A propósito do Dia Internacional da Epilepsia, que se assinala a 11 de fevereiro, o especialista salienta o “risco aumentado de cáries, aumento do volume do tecido gengival, sangramento gengival, sensação de boca seca, aumento da incidência de úlceras e aftas e cicatrização mais demorada”, que são as implicações orais mais comuns que decorrem do tratamento feito por quem vive com epilepsia.

Cortes e perda de dentes na sequência de ataques

Ainda que cerca de dois terços destes doentes tenham as suas crises bem controladas, resultado do cumprimento diário da sua medicação, estas podem acontecer.

E, com elas, “traumatismos faciais, lacerações da língua e lábios devido a mordeduras, deslocação do disco da articulação temporomandibular, o que pode implicar incapacidade de fechar a boca e até perda dos dentes anteriores”. Situações que, explica o médico, são resultantes de “possíveis quedas durante um ataque epilético”.

É, por isso, importante “uma vigilância regular no médico dentista”, uma vez que, reforça João Braga, “todos estes problemas são detetados com um bom exame intraoral e possuem tratamento”.

prevenção do cancro oral

Autoexame da boca ajuda na prevenção do cancro oral

Por | Saúde Oral

É o 6º cancro mais comum em Portugal e no mundo. No entanto, continua a ser frequentemente esquecido e são poucos os portugueses que sabem que, à semelhança do que se faz para o cancro da mama, também para o cancro oral existe um autoexame, que pode ajudar a identificar precocemente lesões.

Juntamente com a ida regular ao médico dentista, estes gestos podem fazer a diferença, alerta João Braga, médico dentista do Best Quality Dental Centers (BQDC) que, a propósito do Dia Mundial de Luta contra o Cancro, que se assinala no próximo dia, reforça a necessidade de mais prevenção e deteção precoce.

“Numa consulta de medicina oral, o médico dentista efetua um exame visual de toda a cavidade oral e estruturas anexas, permitindo que lesões suspeitas sejam detetadas em fases precoces”, explica. “Com estas consultas é possível efetuar um rastreio da doença, identificar/tratar lesões potencialmente malignas, ensinar o paciente a efetuar o autoexame da cavidade oral”, acrescenta.

Consultas que são ainda mais importantes nos doentes de risco, “nomeadamente fumadores, pessoas com hábitos etílicos, pessoas regularmente expostas à radiação solar (cancro do lábio). E são também importantes para a educação e sensibilização da população para a problemática do cancro oral”.

Associação perigosa

Porque a cavidade oral faz parte do organismo, “todos os seus problemas poderão afetar a saúde geral”, reforça o médico. E há mesmo estudos recentes que indicam que aqueles que possuem uma má saúde oral têm maior probabilidade de voltar a sofrer de cancro oral.

“Está também comprovado que existe uma associação entre grandes níveis de placa bacteriana e morte prematura por cancro.”

Uma associação compreensível, “já que as mesmas bactérias que causam periodontite (uma doença inflamatória que afeta as gengivas e tecidos que circundam o dente) têm um papel importante no desenvolvimento de cancro pancreático e cancro do trato gastrointestinal superior”.

Doentes com cancro desconhecem importância da saúde oral

No que diz respeito aos doentes já diagnosticados com cancro, também aqui a saúde oral é determinante. Explica João Braga que os doentes oncológicos submetidos a tratamentos de quimioterapia e/ou radioterapia “sentem, na maior parte das vezes, alterações diversas na sua boca. Alterações que serão mais graves e desconfortáveis se o estado inicial de saúde oral do paciente não for saudável. Por este motivo, também, todos os pacientes deverão zelar pela sua saúde oral”.

Consultar o médico dentista após o diagnóstico e antes de iniciar os tratamentos é, pois, essencial para que este possa avaliar o estado de saúde oral, “efetuar os tratamentos necessários e receber instruções de como deve fazer a sua higiene oral e como deve atuar quanto aos efeitos secundários dos tratamentos oncológicos”.

Consultas que devem continuar durante os tratamentos, para que o “médico dentista possa aconselhar o paciente a minimizar os inevitáveis efeitos secundários”.

Ainda de acordo com o especialista, “genericamente, e porque os efeitos dos tratamentos variam muito de paciente para paciente, este deve ser mais rigoroso ainda na sua higiene oral diária: deve usar uma escova suave e pasta fluoretada, fio ou fita dentária e um higienizador de língua”.

No que diz respeito à alimentação, o especialista aconselha que se evitem alimentos picantes, crocantes e ácidos, “dando preferência a alimentos moles e fáceis de mastigar, a fim de prevenir úlceras e feridas”.

Apesar da importância destes cuidados, João Braga considera que, “atualmente, esta ainda é uma área negligenciada. Embora se observe, cada vez mais, o alerta por parte da equipa médica para a importância da saúde oral, penso que os doentes portugueses com cancro ainda não estão completamente sensíveis da sua importância para o seu tratamento e bem-estar. Há uma tendência para se preocuparem apenas com os problemas mais graves e negligenciar tudo o resto”.

Para uma vida saudável

Para prevenir doenças oncológicas, para além de todos os conselhos no sentido de uma vida mais saudável, “as pessoas devem adotar cuidados diários de higiene oral (escovar os dentes e gengivas pelo menos duas vezes por dia, usar fio dentário e escovilhões, higienizar a língua) e efetuar visitas regulares ao seu médico dentista”.

Para além disto, deve ainda evitar-se “a exposição solar direta, adotado o uso de creme labial com proteção para a radiação solar e efetuada a vacinação contra o HPV”.

prevenir a placa dentária

Tecnologia criada em Coimbra promete revolucionar a saúde oral

Por | Saúde Oral

A placa dentária é um problema que afeta muitos portugueses, mas pode ter os dias contados. Pelo menos se depender de uma inovação nacional, que promete ser uma revolução na saúde oral, ao impedir, de forma simples, a sua formação.

A Biolocker, assim chamada pelos especialistas das Faculdades de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e de Medicina (FMUC) da Universidade de Coimbra (UC), que a criaram, deve chegar ao mercado dentro de dois anos, representando uma mudança de paradigma na higiene oral, uma vez que previne a formação precoce da placa bacteriana sem os efeitos negativos das soluções de cuidados orais existentes. 

E tudo feito com base numa molécula orgânica natural.

A diferença dos produtos disponíveis

É verdade que já existem antisséticos com a promessa de eliminar a placa bacteriana. Mas são de largo espectro. O que significa que, para além das más bactérias, eliminam também as boas, o que pode danificar a flora oral residente, que é extremamente benéfica para a saúde geral do organismo.

A grande inovação desta tecnologia anti-placa, que se encontra em processo de registo de patente internacional, “está na capacidade de bloquear as principais interações bacterianas que ocorrem após a ingestão de alimentos, ou seja, impossibilita a ação das bactérias que lideram o processo de formação da placa bacteriana, as designadas colonizadoras iniciais”

A explicação é de Daniel Abegão, Filipe Antunes e Sérgio Matos, os ‘pais’ da Biolocker, que acrescentam que “como estas bactérias (género streptococcus) funcionam como alicerce, ao retirar a âncora impedimos que todas as bactérias a jusante se possam fixar”.

Trocado por miúdos, esta tecnologia funciona como uma espécie de revestimento antiaderente, impedindo que as bactérias se agarrem ao esmalte dentário e formem a placa bacteriana.

Um método que promete proteger”por muito mais tempo, durante todo o dia, complementando a eficácia da escovagem, suplantando as limitações dos atuais produtos de higiene oral”, sublinham os investigadores em comunicado.

Uma nova forma de prevenção

Sérgio Matos, médico dentista e professor da Faculdade de Medicina da UC, confirma que, em termos de saúde oral, ou mesmo numa perspetiva de política de saúde pública, a grande mais-valia da biolocker é a contribuição extraordinária para a prevenção de problemas dentários, “permitindo que, através de uma tecnologia massificada e barata, a população passe a ter acesso a uma melhor higiene oral”.

“Em Portugal, a saúde oral é maioritariamente proporcionada por cuidados privados e, consequentemente, muito onerosos. A maneira mais eficaz de podermos combater todas as patologias da cavidade oral é através da prevenção, reduzindo custos com tratamentos.”

Tendo em conta que a “cárie e as doenças gengivais são as patologias infecciosas mais prevalentes no mundo, o desenvolvimento de ferramentas preventivas é essencial” reforça o investigador.

Mas as vantagens não se ficam por aqui. A versatilidade é outra característica importante desta inovação, que permite que seja “incorporada em pastas dentífricas, elixires, fio dental ou até pastilhas elásticas”, explicam Daniel Abegão e Filipe Antunes.

diabetes causa problemas orais

Diabéticos têm maior risco de problemas orais

Por | Bem-estar

Afecta cerca de 177 milhões de pessoas em todo o mundo e a Organização Mundial de Saúde prevê que este número duplique até 2030. Falamos da diabetes, uma doença que traz consigo várias complicações, muitas das quais problemas orais, alerta Ricardo Faria Almeida, médico dentista da Best Quality Dental Centers (BQDC), no âmbito do Dia Mundial da Diabetes, que se assinala no próximo dia 14.

Cerca de 75% dos doentes diabéticos têm problemas orais, entre os quais a xerostomia, risco aumentado de cárie dentária e, com maior incidência, presença de problemas periodontais.

De facto, confirma o especialista, “a doença periodontal é considerada a sexta complicação da diabetes. E encontra-se bem documentado na literatura que indivíduos com diabetes mellitus têm um elevado risco de sofrerem de doença periodontal”.

Mas, acrescenta, “não é só a prevalência da doença periodontal que está aumentada em indivíduos diabéticos, mas também a sua progressão e severidade, que é mais rápida e agressiva. De notar que a periodontite é uma doença que tem consequências graves na gengiva, levando, no limite, à perda de dentes causada pela fragilidade óssea”.

Visita regular ao dentista é obrigatória

Não só a diabetes, considerada mesmo a epidemia do século XXI, leva à doença periodontal, como também esta agrava o estado da diabetes, “uma relação cíclica que se não for tratada não tem fim”, reforça o médico.

Por toda esta relação óbvia, o especialista da BQDC deixa um conselho: “é imperativo que todos os doentes diabéticos visitem o seu médico dentista com maior frequência de que um indivíduo saudável, pois um paciente diabético tratado periodontalmente tem menor risco de desenvolver problemas orais (como a perda de dentes) e apresenta um melhor controlo metabólico da sua diabetes, ou seja, melhora o seu estado da diabetes”.

saúde oral pode causar malnutrição

Falta de dentes nos idosos pode conduzir à malnutrição

Por | Saúde Oral

A falta de dentes naturais é uma realidade frequente entre a população portuguesa, como mostram os dados do III Barómetro da Saúde Oral, que fala em 68% de pessoas desdentados. Destas, uma  maioria são idosos. A propósito do Dia Mundial da Terceira Idade, que se assinala no próximo dia 28, João Caramês, especialista em medicina dentária, alerta para as limitações de saúde oral da população sénior, que podem conduzir à malnutrição.

O diretor clínico do Instituto de Implantologia, centro do Best Quality Dental Centers em Portugal, revela que, “de acordo com dados europeus, a percentagem de pacientes com mais de 70 anos a requerer tratamentos dentários aumentou consideravelmente ao longo dos últimos 13 anos”.

E, tendo em conta as necessidades de reabilitação oral da população em geral, “estimou-se que aproximadamente 21% dos pacientes candidatos a reabilitação oral com implantes tenha uma idade igual ou superior a 70 anos”.

“Realidade histórica sombria da saúde oral em Portugal”

“A ausência de dentes naturais na população espelha uma realidade histórica sombria da saúde oral em Portugal”, afirma o especialista.

Uma realidade que resulta do facto de, “durante várias décadas, o acesso a cuidados primários e secundários ter sido muito reduzido, não apenas pela pouca informação e sensibilização dos pacientes para a importância da saúde oral, como também por um limitado número de profissionais capazes de um exercício clínico conservador e esclarecido”.

Hoje, o cenário alterou-se com uma classe de médicos dentistas maior em quantidade e qualidade. Contudo, os indicadores de saúde oral em Portugal estão ainda abaixo da média europeia. E a ausência de dentes naturais, traz consigo várias consequências, explica o médico.

“Todos os pacientes deveriam ter direito a partilhar um sorriso sem receio da sua condição dentária. Infelizmente, observo que a maioria dos pacientes mais idosos não o faz por deterioração da sua saúde oral.”

Para além de uma perda da autoestima, que “muitas vezes inconscientemente, altera a sua forma de estar e comunicar com quem os rodeia”, o médico salienta também que “a sua expressão facial sofre alterações significativas em função do aprofundamento de sulcos cutâneos, colapso dos tecidos labiais e ou perda de dimensão vertical de oclusão”.

As consequências na mastigação

A questão da mastigação não pode ser esquecida, uma vez que a ausência dentária se traduz “quase sempre uma perda significativa da função mastigatória e um ajuste na sua dieta, que em alguns casos conduz a malnutrição, problemas do sistema digestivo, ou a um pior controlo da glicemia na situação de pacientes diabéticos”.

As próteses removíveis, “embora possam minimizar algumas destas condições, tornam-se desadaptadas e desconfortáveis à medida que o maxilar e a mandíbula se vão atrofiando. A sua utilização ao longo de vários anos contribui para uma insatisfação crónica do paciente”.

Situação que se pode evitar “fomentando uma cultura preventiva junto do paciente. A realização de consultas de higiene oral e ou visita ao  médico sentista, com uma periodicidade variável consoante o perfil e os fatores de risco do paciente, devem permitir um diagnóstico precoce e tratamento de lesões de cárie dentária e ou da doença periodontal”.

No máximo, reforça o médico, “estas consultas deverão ocorrer de seis em seis meses”, mesmo que não existam queixas. 

Impacto da saúde oral no coração

Má saúde oral pode originar problemas no coração

Por | Saúde Oral

O que é que a saúde oral tem a ver com o coração? Muito, garantem os especialistas que, nas vésperas do Dia Mundial do Coração, que se assinala no próximo dia 29, deixam o alerta: cuide da boca para melhorar a saúde do coração.

Ricardo Faria Almeida, médico dentista da Associação Best Quality Dental Centers (BQDC), explica que a patologia cardíaca mais comum que advém da falta de saúde oral é a endocardite bacteriana, uma doença sistémica que afeta as válvulas cardíacas.

“Os pacientes que já sofrem determinada patologia cardíaca e que não cuidam da sua saúde oral apresentam elevado risco de desenvolver endocardites bacterianas por contaminação de bactérias através do sangue”, refere.

A esta junta-se outra, resultante “da perpetuação de infeções e inflamações crónicas na cavidade oral”, que é a ativação endotelial vascular.

No entanto, são vários estudos que associam a doença periodontal e as doenças cardiovasculares no geral, devido aos “níveis de marcadores pró-inflamatórios, reconhecidos indicadores de risco para estas doenças”, principalmente na doença coronária, “onde já se observou, em amostragem, um aumento de 25% no risco de doença coronária em pacientes com periodontite”.

Cuidar da boca para prevenir problemas no coração

De acordo com o especialista, “o corpo humano é um todo e a saúde deve ser entendida como a necessidade de cuidar esse todo, não somente os órgãos vitais”.

“Devemos, por isso, e no que à saúde oral diz respeito, consultar o médico dentista não com o objetivo único de tratar mas também de prevenir e evitar a necessidade de tratamento, porque se o fizermos evitamos seguramente males maiores, quer sejam cardiovasculares ou outros.”

dentistas nos centros de saúde

Todos os agrupamentos de centros de saúde vão ter dentista

Por | Saúde Oral

Chama-se ‘Saúde Oral Para Todos’ e dá nome a um evento que, esta terça-feira, resultou na assinatura de protocolos de colaboração entre 65 municípios e as cinco Administrações Regionais de Saúde (ARS), para permitir mais médicos dentistas nos cuidados de saúde primários.

A meta tinha sido definida pelo Governo que, no seu Programa para a Saúde, estabelecia a criação de pelo menos um gabinete de saúde oral por agrupamento de centros de saúde até ao fim desta legislatura.

Em 2016 tiveram início as experiências-piloto, em 13 centros de saúde, replicadas depois noutras regiões. Hoje, contam-se já 63 gabinetes de saúde oral nos cuidados de saúde primários de norte a sul do País.

Foi na sequência desta experiência e como resultado da mesma que, de olhos postos na importância da saúde oral, essencial para o bem-estar físico, mental e social das populações, o Ministério da Saúde decidiu ir mais longe. Agora, quer aumentar e melhorar a cobertura dos cuidados de saúde oral ao nível dos cuidados de saúde primários.

Rácio médico/doente a descer

De acordo com os dados da Ordem dos Médicos Dentistas, Portugal atingiu no ano passado um rácio de um médico dentista por 1.033 habitantes, praticamente o dobro da recomendação da Organização Mundial de Saúde – um médico dentista por 2.000 habitantes.

Em termos relativos, e tendo em conta o número de profissionais inscritos naquela organização, é no Baixo Alentejo e no Alentejo Litoral que se encontram menos médicos dentistas ativos por habitante.

No reverso da medalha, com um menor rácio de número de habitantes por médico dentista estão a Área Metropolitana do Porto, Região de Coimbra, Viseu Dão-Lafões, Terras de Trás-os-Montes, Cávado e Área Metropolitana de Lisboa, que ultrapassam mesmo a média nacional.

Desta forma, a Ordem considera que, tendo em conta o número previsto de médicos dentistas ativos em Portugal e a diminuição do número de habitantes em território português, a partir do próximo ano, exista um médico dentista para menos de 1.000 habitantes.

Mais de metade dos menores de seis anos nunca visitou o dentista

Por | Saúde Infantil, Saúde Oral

“Ter dentes saudáveis em criança é fundamental por muitos motivos: assegura uma alimentação correta, facilita a aprendizagem fluída da fala e previne a ocorrência de vários problemas na idade adulta. Torna-se, por isso, decisivo levar o seu filho ao médico dentista.” Um alerta da Associação Best Quality Dental Centers (BQDC), no âmbito do Dia Mundial da Criança, que se assinala no dia 01 de junho.

De acordo com os dados do mais recente Barómetro da Saúde Oral, da Ordem dos Médicos Dentistas, 60,6% das crianças menores de seis anos nunca foram a um médico dentista. No entanto, refere João Braga, dentista e membro da BQDC, “a primeira visita ao médico dentista deve acontecer logo que nasça o primeiro dente decíduo (de leite), que normalmente ocorre entre os seis e doze meses de idade, de forma a estabelecer um programa preventivo de saúde oral e a intercetar hábitos que possam ser prejudiciais”.

Ainda de acordo com o especialista, “a consulta no médico dentista não é menos importante que a consulta no pediatra. Apesar do pediatra ou médico de família fazerem uma avaliação do estado de saúde oral, esta é sempre superficial, principalmente pela limitação de meios técnicos (instrumentos, iluminação, entre outros)”.

Nunca é cedo para começar, recomenda a BQDC

Mas os cuidados com a saúde oral começam, ou deviam começar, antes ainda da primeira consulta. “Cabe aos pais efetuar uma higienização adequada da boca do bebé, devendo a grávida questionar o seu médico dentista sobre os cuidados a ter relativamente à higiene oral do seu filho”.

“Pequenos gestos” que, garante o especialista, “parecem insignificantes, mas têm realmente impacto no crescimento oral da criança e naquilo que será a sua saúde oral em idade adulta. É preciso aconselhar os pais das crianças em relação ao flúor, às técnicas de higiene oral, à prevenção de cáries, ao controlo dos açúcares na alimentação e ao uso da chupeta. Tudo isto influencia a saúde oral e tem de ser visto e avaliado cuidadosamente, caso a caso”.

Crianças a brincar numa escola

Saúde oral vai integrar os currículos escolares

Por | Saúde Infantil

Integrar a saúde oral nos currículos escolares e no dia-a-dia das crianças e jovens e, desta forma, envolver as famílias e a comunidade, fazendo com que a informação e as ações sobre esta temática cheguem mais longe é o objetivo da parceria assinada entre a Direção-Geral da Saúde e a Rede de Bibliotecas Escolares, o Plano Nacional de Leitura 2027 e a Egas Moniz – Cooperativa de Ensino Superior.

Através da criação de diversos materiais, como livros, jogos, manuais, músicas, cartazes e outros, disponíveis nas bibliotecas da Rede de Bibliotecas Escolares, o projeto SOBE (Saúde Oral Bibliotecas Escolares), desenvolvido no âmbito do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral, tem contribuído para a promoção da saúde e da literacia nesta área. E quer agora ir ainda mais longe.

Maioria dos menores de seis anos nunca visitou um especialista em saúde oral

Um passo importante, sobretudo tendo em conta que, de acordo com os dados do mais recente Barómetro da Saúde Oral, uma iniciativa da Ordem dos Médicos Dentistas, 60,6% dos menores de seis anos nunca visitaram um médico dentista, isto apesar de a maioria dos portugueses ter a perceção de que os dentes de leite precisam de ser tratados.

Dos 39% de famílias que já levaram os menores de seis anos ao médico dentista, 64% não utilizaram o cheque dentista, com uma elevada percentagem (26%) a admitir não o ter feito por desconhecimento da modalidade de pagamento.