teste permite prever doença genética

Análise permite identificar casais em risco de ter filho com doença genética grave

Por | Investigação & Inovação

Será que vai correr tudo bem? Será que o bebé vai ser saudável? As questões associadas à gravidez são muitas e é para lhes dar resposta que a ciência tem evoluído. O passo mais recente reveste-se de uma análise genética, que permite fazer o rastreio aos elementos do casal antes mesmo da gestação, identificando assim a probabilidade de conceberem um filho com uma doença genética grave.

“Os filhos herdam a cor do cabelo ou de olhos dos seus pais, mas também podem herdar doenças genéticas”, explica Margarida Reis-Lima, médica geneticista.

“Quando ambos os progenitores são portadores de uma mutação num gene para a mesma doença genética, há 25% de probabilidade de transmitirem essa doença aos seus filhos. A grande maioria dos portadores não apresenta nenhum sintoma e não possui antecedentes familiares, motivo pelo qual estas patologias podem passar despercebidas durante gerações e ser descobertas apenas quando um filho as desenvolve”, acrescenta.

Um dos estudos científicos que atesta a eficácia desta análise, o preconGen, foi realizado em 350 mil adultos e comprovou que há uma percentagem significativa de gestações com fetos afetados por doença genética grave que o rastreio tradicional não deteta.

Ainda de acordo com o mesmo estudo, a cada 550 gestações, um dos fetos será afetado por uma das 176 patologias graves incluídas no painel deste novo rastreio, sendo que esta probabilidade é teoricamente mais alta que o risco natural de um feto apresentar Síndrome de Down (Trissomia 21).

Teste indicado para casais com plano de PMA

A nova análise, disponibilizada pela Synlab, estuda apenas patologias para as quais existem recomendações que permitem validar uma ação terapêutica ou preventiva posterior.

Ou seja, um rastreio que analise mais patologias não é necessariamente melhor, se não existir possibilidade de se oferecer um tratamento ao doente para essas mesmas patologias adicionais. 

“Esta análise está especialmente indicada para casais com algum grau de consanguinidade”, refere a especialista.

A estes juntam-se ainda os casais cuja origem étnica favoreça o risco para serem portadores de algum tipo das doenças incluídas no painel ou casais com antecedentes de perdas fetais recorrentes ou de mortes fetais e neonatais sem explicação.

Importante é também o facto de ser aconselhado para casais que vão recorrer à doação de gâmetas para selecionar um dador mais adequado e/ou que vão iniciar um plano de procriação medicamente assistida (PMA), número que tem vindo a aumentar em Portugal.

De facto, nos últimos anos, cerca de 3% das crianças portuguesas nasceram com recurso a técnicas de PMA, o que torna esta análise cada vez mais pertinente. No entanto, pode também ser realizada por qualquer casal que pretenda formar ou ampliar a família, ou por pessoas individuais que desejem conhecer se são portadores.

Freddie Mercury ou Mozart: qual o preferido dos bebés?

Por | Saúde Infantil

Qual o estilo de música que os fetos mais apreciam? Não, não é pop nem rock. Um estudo espanhol fez os testes e concluiu que é da clássica que eles gostam mais.

O trabalho foi apresentado no 5º congresso da International Association for Music and Medicine, que se realizou em Barcelona, Espanha, e testou a reação fetal a diferentes tipos de música, concluindo que, tal como os recém-nascidos, também os fetos parecem gostar mais de música clássica.

De entre as músicas utilizadas pelos especialistas do Institut Marquès encontravam-se a country, tribal, clássica, pop e rock. E embora não se conheçam os motivos que justificam porque é que há estilos musicais com um impacto tão positivo no desenvolvimento do feto dentro do útero da mãe, fica a certeza de são as “melodias que persistem ao longo dos anos” as mais determinantes.

Seja um tema de Mozart, como a ‘Pequena Serenata Noturna’, ou uma sessão de percussão ancestral de uma tribo africana, o que é certo é que os fetos reagem mais quando as escutam.

E, explica López-Teijón, diretor do Instituto, é precisamente este tipo de música tradicional, com sons simples e repetidos, que é muito apreciada pelos recém-nascidos. “A música é uma forma de comunicação ancestral entre os humanos; a comunicação através de sons, gestos e danças precede a linguagem falada”, explica.

“A primeira língua era mais musical que verbal, e ainda é; ainda tendemos instintivamente a falar em voz alta, porque sabemos que o recém-nascido percebe melhor que nós queremos comunicar com ele.”

Embora o pop-rock seja um género musical que provoca menos reação no feto, há algumas exceções à regra, como é o caso do tema ‘Bohemian Rhapsody’, dos Queen, ou o instrumental ‘Mna Na h’Eireann’, interpretado por Sharon Corr (do quarteto irlandês The Corrs).

Os sons que os fetos conseguem ouvir

Para realizar o estudo da expressão facial fetal em resposta à emissão intravaginal de diferentes tipos de música, os investigadores do Institut Marquès estudaram os movimentos de boca e língua de 300 fetos, com idade gestacional entre 18 e 38 semanas, expostos a 15 músicas de três géneros musicais diferentes: clássica (Mozart, Beethoven…), tradicional (canções de Natal, tambores africanos…) pop-rock (Shakira, Queen…).

Para este efeito, foi desenvolvido um aparelho vaginal, o Babypod, graças ao qual foi possível demonstrar “que os fetos podem ouvir a partir da semana 16, quando medem apenas 11 centímetros, se o som vier diretamente da vagina”, refere López-Teijón.

Música clássica, a preferida

O género musical que faz com que uma maior percentagem de fetos mexa a boca é o clássico (84%), seguido da música tradicional (79%) e pop-rock (59%).

A partir do momento em que são capazes de deitar a língua de fora, a música clássica é novamente o género musical preferidos (35%), seguido da música tradicional (20%) e do pop-rock (15%).

‘Waka Waka’, de Shakira ou ‘Too much heaven’, dos Bee Gees, não parece convencer os fetos, ao contrário da voz do Mickey Mouse, que é preferida à voz humana.

É muito raro que estes movimentos sejam espontaneamente produzidos durante o segundo e terceiro trimestres da gravidez (apenas 3 a 5% dos fetos o fazem sem um estímulo específico). O que significa que o estudo demonstra a importância da estimulação neurológica precoce, capaz de ativar áreas cerebrais relacionadas com a linguagem e comunicação.