bebés prematuros

XXS defende ‘Separação Zero’ entre pais e bebés prematuros internados

Por País

Apesar da Covid-19, os hospitais estão a permitir, em Portugal, o acesso dos pais às Unidades de Neonatologia. No entanto, podem existir diferenças na forma como esse acesso é feito (número máximo de horas que os pais podem estar presentes, quantas vezes por dia, qual dos pais de cada vez). É por isso que nasce a campanha “Separação Zero”, que visa encorajar uma abordagem que continue a permitir os cuidados centrados nos pais e nos bebés prematuros quando e onde for possível, mesmo em tempos de pandemia.

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cérebro de bebés prematuros

Música ajuda a desenvolver o cérebro dos bebés muito prematuros

Por Investigação & Inovação

Qual a melhor forma de ajudar a desenvolver o cérebro dos bebés prematuros, apesar do ambiente stressante e dos cuidados de que necessitam? A resposta é simples, ainda que inusitada e original: música escrita propositadamente para eles.

Em Portugal, dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que, por cá, 8,1% de todos os bebés têm pressa de nascer, fazendo-o antes da 32ª semana de gestação. E confirma também que este número tem vindo a aumentar (era de 7,8% em 2012), tal como acontece na maior parte dos países industrializados.

E apesar dos avanços, que tornam possível aumentar a esperança de vida dos bebés, estes continuam a ter risco elevado de desenvolver distúrbios neuropsicológicos. Foi com isso em mente que investigadores da Universidade de Genebra e do Hospital Universitário de Genebra (HUG), na Suíça, propõem uma solução original.

E os primeiros resultados, publicados na revista Proceedings of National Academy of Sciences, são surpreendentes: imagens médicas confirmam que as redes neurais dos e bebés que ouviram esta música estão a desenvolver-se muito melhor.

Combater as imaturidade do cérebro dos bebés

A Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do HUG recebe, todos os anos, 80 crianças nascidas demasiado cedo – entre as 24 e as 32 semanas de gravidez, ou seja, quase quatro meses antes do previsto para algumas delas.

A grande maioria sobreviverá, mas metade desenvolverá problemas ao nível do neurodesenvolvimento, incluindo dificuldades de aprendizagem ou distúrbios emocionais.

“Ao nascer, os cérebros destes bebés ainda são imaturos. O desenvolvimento do cérebro deve, portanto, continuar na unidade de cuidados intensivos, numa incubadora, sob condições muito diferentes daquelas que teria se ainda estivessem no ventre da mãe”, explica Petra Hüppi, especialista na HUG e uma das responsáveis pelo estudo.

“A imaturidade do cérebro, combinada com um ambiente sensorial perturbador, explica por que as redes neurais não se desenvolvem normalmente”, acrescenta.

Música feita à medida

Os investigadores partiram de uma ideia prática: como os déficites neurais dos bebés prematuros são devidos, pelo menos em parte, a estímulos inesperados e stressantes, bem como à falta de estímulos adaptados à sua condição, o seu ambiente deveria ser enriquecido com a introdução de estímulos agradáveis e estruturantes.

Uma vez que o sistema auditivo funciona desde cedo, a música parece ser um bom candidato. Mas que música pode ajudar a desenvolver o cérebro dos bebés?

“Por sorte, conhecemos o compositor Andreas Vollenweider, que já tinha projetos musicais com populações frágeis e que demonstrou grande interesse em criar músicas adequadas para crianças prematuras”, refere Petra Hüppi.

Lara Lordier, especialista em neurociências, explica que “era importante que os estímulos musicais estivessem relacionados com a condição do bebé. Queríamos estruturar o dia com estímulos agradáveis ​​em momentos certos: uma música para acompanhar o seu despertar, uma música para acompanhar o adormecer e uma música para interagir durante as fases de despertar”.

Andreas Vollenweider experimentou vários tipos de instrumentos e o que gerou mais reações foi a flauta de encantadores de serpentes indiana (punji). “Crianças muito agitadas acalmaram quase instantaneamente, a atenção delas foi atraída pela música!”, refere Lara Lordier.

Seguiu-se a composição, três ambientes sonoros de oito minutos cada, com punjis, harpa e sinos. E os resultados ao nível do cérebro dos bebés motiva os investigadores a prosseguirem o trabalho.