A COESO, a maior rede nacional de médicos oftalmologistas, já tem uma aplicação, que quer ajudar os portugueses a conseguir a sua consulta de oftalmologia quando e onde quiserem.
Uma equipa internacional de cientistas identificou uma proteína que, quando os seus níveis são elevados no sangue, pode indiciar a presença da causa mais comum de cegueira nos países desenvolvidos. Uma descoberta importante para o entendimento da degenerescência macular relacionada com a idade (DMI).
A revolução digital em oftalmologia, há muito apregoada, torna-se agora realidade clínica: desde meados deste ano que a Universidade Médica de Viena e o Hospital Geral de Viena, na Áustria, usam uma triagem digital automática da retina, sem a assistência de um oftalmologista, para detetar retinopatia diabética.
No Dia Mundial da Visão, que se assinala esta quinta-feira, Fernando Falcão Reis, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), relembra que “zelar para que não seja posta em risco a saúde das pessoas é um dever a que SPO está obrigada por estatuto. Assim, é neste contexto, de defesa da saúde ocular dos portugueses, que a SPO decidiu avançar com a associação COESO – Consultórios de Especialistas de Oftalmologia”.
Mais de mil milhões de pessoas vivem, em todo o mundo, com problemas visuais porque não recebem os cuidados de que precisam, revelam os dados do primeiro relatório mundial sobre visão, realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em vésperas do Dia Mundial da Visão, que se celebra no dia 10 de outubro, a OMS confirmou que o envelhecimento da população, as mudanças no estilo de vida e o acesso limitado à assistência oftalmológica, sobretudo em países menos desenvolvidos, são os principais fatores que explicam o crescente número de pessoas que vivem com deficiência visual.
“As condições oculares e a deficiência visual são generalizadas e não são, muitas vezes, tratadas”, afirma Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS.
“As pessoas que precisam de cuidados visuais devem poder receber intervenções de qualidade sem sofrer dificuldades financeiras. A inclusão do atendimento oftalmológico nos planos nacionais de saúde e pacotes essenciais de atendimento é uma parte importante da jornada de todos os países em direção à cobertura universal de saúde”, acrescenta.
“É inaceitável que 65 milhões de pessoas sejam cegas ou tenham visão prejudicada quando a sua visão podia ter sido corrigida da noite para o dia com uma operação às cataratas; ou que mais de 800 milhões lutem nas atividades diárias porque não têm acesso a um par de óculos.”
Os problemas visuais que mais preocupam
Em todo o mundo, pelo menos 2,2 mil milhões de pessoas apresentam uma deficiência visual ou cegueira. Destas, pelo menos mil milhões têm uma deficiência visual que poderia ter sido evitada ou que ainda não foi tratada.
Os problemas visuais que podem comprometer a visão, como cataratas ou os erros refrativos, são o principal foco da prevenção nacional e de outras estratégias de tratamento oftalmológico. No entanto, problemas como o olho seco e a conjuntivite não devem ser negligenciados, uma vez que se encontram entre os principais motivos para a procura por serviços de saúde ocular em todos os países, afirma o relatório.
A combinação de uma população crescente e envelhecida fará aumentar significativamente o número total de pessoas com problemas oculares e deficiência visual, uma vez que a prevalência aumenta com a idade, avança a OMS.
Entre os principais problemas oculares encontram-se a miopia. Aqui, o aumento do tempo gasto em ambientes fechados e o aumento das atividades relacionadas com o trabalho estão a fazer aumentar o número dos que sofrem com miopia. Percentagem que o aumento do tempo ao ar livre pode ajudar a reduzir.
Os dados dão ainda conta de um número crescente de pessoas a viver com diabetes, sobretudo do tipo 2, o que pode afetar a visão se não for detetado e tratado. De resto, quase todas as pessoas com diabetes terão algum tipo de retinopatia ao longo da vida. Por isso, consultas de rotina e um bom controlo da diabetes podem proteger a visão destes doentes.
É preciso uma aposta na prevenção
Para a OMS, não há dúvidas sobre a necessidade de uma integração mais forte dos cuidados visuais nos serviços nacionais de saúde, o que inclui a atenção primária à saúde, para garantir que as necessidades de cuidados com os olhos de mais pessoas são satisfeitas através da prevenção, deteção precoce, tratamento e reabilitação.
Alarcos Cieza, que chefia o trabalho da OMS para a área visual, considera que “milhões de pessoas têm problemas visuais graves e não podem participar plenamente na sociedade porque não podem aceder aos serviços de reabilitação. Num mundo construído para a capacidade de ver, os serviços de oftalmologia, incluindo a reabilitação, devem ser fornecidos mais perto das comunidades, para que as pessoas alcancem seu potencial máximo”.
As lentes de contacto são dispositivos médicos, o que significa que a sua prescrição deve ser feita por um especialista. E não é por acaso que isto acontece. É que, se não forem usadas corretamente, as lentes de contacto podem danificar seriamente os nossos olhos. Para o evitar, a Academia Americana de Oftalmologia deixa dicas para quem as usa.
Serve de nome para um gigante caçador da mitologia grega e para uma das constelações modernas. Agora, Orion é também a designação de um sistema que já deu provas de conseguir devolver a visão a quem não a tem.
A novidade surge anunciada por um grupo de neurocirurgiões da Baylor College of Medicine, no Texas e da Universidade da Califórnia, os mesmos que desenvolveram uma técnica capaz de restaurar a visão, ainda que de forma parcial, socorrendo-se da tecnologia: através do uso de um implante cerebral e de uma pequena câmara de filmar.
O sistema, que mais parece saído de um qualquer filme de ficção científica, consiste na implantação de um dispositivo na zona do córtex visual primário, ou seja, a área do cérebro responsável por processar a visão.
Este dispositivo recebe as imagens captadas através de uma pequena câmara de filmar, instalada num par de óculos, que as envia ao cérebro, permitindo que este processe a informação recebida. Uma espécie de “ligação direta”, que é apenas possível porque o olho recebe os impulsos de luz, sendo estes depois percecionados pelo cérebro, que transforma esses mesmos impulsos em imagens.
Visão de forma funcional: objetivo para o futuro
Não é a cura para a cegueira, até porque o sistema Orion não permite uma visão clara. Ainda assim, este sistema devolve aos cegos a possibilidade de identificarem texturas, formas e obstáculos, como passeios, paredes ou até janelas, o que permite melhorar a sua qualidade de vida.
Testado em seis pessoas, os resultados revelam-se, segundo os autores do trabalho, promissores. Tanto que a equipa espera vir a conseguir melhorar a tecnologia para tornar possível devolver a visão de forma funcional a quem sofreu lesões no nervo ótico.
Os investigadores acreditam que tal pode ser feito através de uma estimulação mais eficaz desta região do cérebro, como explica Daniel Yoshor, um dos líderes da investigação. “Teoricamente, se tivéssemos centenas de milhares de elétrodos no nosso cérebro, seríamos capazes de produzir uma imagem visual de qualidade elevada.”
Chama-se retinoblastoma, é um tipo de tumor raro que atinge a retina, que pode ser fatal e que, em cerca de 90% dos casos, ocorre em crianças com menos de cinco anos. Porque aqui o diagnóstico precoce “faz toda a diferença”, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) lançou uma campanha nacional que tem um objetivo: sensibilizar para este tumor.
‘Pare e olhe nos olhos’. É este o apelo feito, inserido numa campanha destinada sobretudo aos profissionais de saúde, entre os quais os médicos de medicina geral e familiar e os pediatras, que passa pela distribuição de panfletos por todos os centros de saúde e serviços de pediatria a nível nacional.
O alerta, esse vai para a necessidade de um diagnóstico precoce do retinoblastoma, uma vez que, segundo explica Joaquim Murta, diretor do Centro de Referência Nacional de Onco-Oftalmologia, do CHUC, “as crianças aparecem tardiamente e este é um tumor que quanto mais precoce, maiores são as probabilidades de sobrevivência do olho e da não utilização de tratamentos mais evasivos”.
Mais de 30 crianças diagnosticadas com este tumor raro
A funcionar desde 2015, o centro já tratou 36 crianças com este tumor, 23 das quais portuguesas. Destas, “80% chegam em fase tardia e tivemos que retirar, em 11 doentes, o olho, porque já chegaram mais tarde”, afirma Guilherme Castela, responsável pela área de oftalmologia do centro.
O diagnóstico é fácil, refere Joaquim Murta, sendo um dos sintomas um reflexo branco na pupila, observador em ambientes de pouca luz ou numa fotografia tirada com flash e sem a câmara estar configurada com a remoção automática do olho vermelho.
Com a chegada do verão e consequente subida da intensidade da luz solar e dos raios ultravioleta (raios UV), as atenções redobram-se com a pele, em busca de proteção. Mas e a visão? “Os cuidados com a visão também devem ser redobrados, de forma a evitar lesões oculares que podem ter graves consequências a curto e a longo prazo”, alerta a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO).
“As pessoas mais expostas à luz solar têm uma maior tendência para desenvolverem certo tipo de doenças oculares”, explicar Nuno Campos, médico oftalmologista da SPO.
“Mais do que a ação aguda dos raios UV sobre os olhos (que pode provocar uma queimadura na superfície ocular – fotoceratite), é o efeito cumulativo de longos períodos expostos à luz solar que tem um efeito mais pernicioso sobre a visão.”
Proteger os olhos da exposição solar
De forma a evitar a ocorrência de problemas oculares, Nuno Campos recomenda algumas medidas de prevenção essências para este verão. Em primeiro lugar, deve-se evitar a exposição solar entre as 11h00 e as 16h00, intervalo de horas em que a exposição aos raios UV é bastante mais elevada.
Para uma maior proteção dos olhos é essencial o uso de óculos de sol com proteção UV, idealmente com lentes de proteção UV 100 por cento ou com a maior percentagem possível. Óculos que também não devem falta nas piscinas, apropriados para uso nestes espaços.
Os chapéus com abas e/ou palas também são uma ajuda na proteção dos olhos, uma vez que este acessório proporciona uma barreira sobre a radiação solar direta pela sombra que dá.
Se está a ser medicado, o cuidado deve ser redobrado, já que os seus olhos podem estar mais sensíveis à luz solar. São vários os medicamentos fotossensíveis mas destacam-se, por exemplo, alguns anti-histamínicos, antibióticos ou antidepressivos.
No caso das crianças até aos cinco, seis anos, estas devem usar essencialmente bonés e chapéus com pala. Só a partir desta idade é que já têm alguma maturidade e devem usar óculos de sol adequados à sua faixa etária.
O especialista alerta também que se deve procurar imediatamente um oftalmologista caso, após exposição solar, os olhos fiquem vermelhos, se sinta ardor, sensação de corpo estranho ou visão enevoada.
De acordo com o especialista, “os cuidados com a saúde ocular devem manter-se ao longo do ano, tudo com um acompanhamento de um médico oftalmologista, que irá providenciar o aconselhamento adequado ao seu paciente, principalmente quando se é portador de alguma doença oftalmológica ou se já foi intervencionado”.